22/12/2017

3.862.(22dez2017.7.7') Honduras

***
Mapa de Honduras
***
15dez2017
O Partido Comunista Português expressa o profundo repúdio perante a apontada fraude no apuramento dos resultados finais das eleições presidenciais de 26 de Novembro nas Honduras, facto que subverte a vontade popular expressa maioritariamente nas urnas a favor do candidato da coligação democrática, Salvador Nasralla, cuja vitória foi sustentada pelos resultados oficiais inicialmente divulgados e reconhecida por magistrados do próprio Tribunal Eleitoral hondurenho.
A atribuição pelo Tribunal Supremo Eleitoral de Tegucigalpa da vitória ao representante das forças da oligarquia hondurenha e actual Chefe de Estado, Juan Orlando Hernández, recorda o golpe de Estado militar encapotado de 2009, orquestrado pelos EUA, que resultou no afastamento do presidente legítimo e constitucional das Honduras, Manuel Zelaya, e no incremento da repressão e da exploração neste país da América Central.
Perante a ampla indignação e protesto populares face à apontada fraude eleitoral, o poder oligárquico das Honduras volta a recorrer à repressão, impondo o recolher obrigatório, realizando detenções em massa e assassinando manifestantes nas ruas.
O PCP condena a repressão levada a cabo pelas autoridades hondurenhas e denuncia a atitude de conivência e hipocrisia dos EUA, da OEA e da UE perante a espiral antidemocrática nas Honduras.
O PCP solidariza-se com as forças democráticas das Honduras e a sua exigência da reposição das liberdades e garantias democráticas e do apuramento rigoroso e imparcial dos resultados das eleições de 26 de Novembro.
O PCP expressa igualmente a sua solidariedade aos trabalhadores e ao povo hondurenhos, reafirmando a condenação da acção de ingerência por parte dos EUA, que mantêm bases militares nas Honduras e prosseguem uma política intervencionista neste país e por toda a América Latina e Caraíbas.
***
14dez2017 - avante
http://www.avante.pt/pt/2298/internacional/147992/
Honduras de pé contra a fraude


Milhares de hondurenhos protestaram esta segunda-feira, 11, contra a fraude eleitoral nas presidenciais ocorridas a 26 de Novembro no país. A Aliança de Oposição Contra a Ditadura convocou uma paralisação nacional com expressão de rua e o povo respondeu com marchas, concentrações e bloqueios de estradas um pouco por todo o território, particularmente na capital, Tegucigalpa.

O candidato da Aliança, Salvador Nasralla, rejeitou, também na segunda-feira, o apuramento efectuado pelo Supremo Tribunal Eleitoral, o qual acusa de ter deixado de lado milhares de documentos e de ter mesmo feito desaparecer alguns outros essenciais a um escrutínio sério do processo.

A autoridade eleitoral confirmou a vitória do actual presidente Juan Orlando Hernández, porém, Salvador Nasralla sustenta que, ainda que a revisão efectuada pelo STE estivesse correcta, a legislação eleitoral obriga ao apuramento sucessivo da totalidade dos documentos sempre que os votos nulos sejam superiores à diferença entre dois candidatos, como é o caso.
***
7dez2017-avante
Povo contra fraude eleitoral não sai da rua nas Honduras

PROTESTOS Os hondurenhos não baixam os braços perante os resultados das presidenciais de 26 de Novembro e acusam as autoridades eleitorais de fraude a favor do actual chefe de Estado, Juan Orlando Hernández.
LUSA
Image 24075
A indignação é de tal forma ampla que mesmo perante o recolher obrigatório decretado pelo governo das Honduras, no final da semana passada, milhares de pessoas continuam em protesto contra o que consideram ter sido uma «chapelada eleitoral». A repressão das manifestações já provocou a morte a sete pessoas e ferimentos graves em 20.
Anteontem, unidades antimotim da polícia anunciaram que se manteriam aquarteladas porque também «são parte do povo», recusando-se a obedecer às «ordens de alto nível» que os mandam aplacar a contestação. O candidato opositor Salvador Nasralla aproveitou a ocasião para apelar às forças armadas a que sigam «o exemplo patriótico» da polícia.
Nos primeiro dados divulgados pelo Supremo Tribunal Eleitoral, na madrugada de dia 27, Salvador Nasralla surgia à frente de Juan Orlando Hernández com uma diferença de cinco pontos percentuais. Contudo, depois de o STE anunciar falhas no sistema informático, a votação do actual presidente das Honduras (que de resto foi candidato apesar de a Constituição o impedir de concorrer a um segundo mandato) começou a acercar-se da do candidato da oposição e, de acordo com os últimos dados oficiais, este terá mesmo vencido o sufrágio com 42,98 por cento dos votos, contra 41,3 por cento recolhidos por Nasralla.
«Puseram os mortos a votar e até gente que vive nos EUA», acusou entretanto Salvador Nasralla, que exige o escrutínio de todas as mais de 5100 actas do pleito, o que é recusado pelo STE com o argumento de já ter revisto cerca de 1600.
Entre as provas de fraude eleitoral são invocadas a confirmação por parte de um magistrado do STE da «vitória irreversível» de Nasralla, bem como o facto de em três regiões a taxa de abstenção ser metade da verificada no resto do país.
http://www.avante.pt/pt/2297/internacional/147907/
***
1dez2017...via Telesur

Honduras suspende a constituição como presidente "foge da violência"

An opposition supporter passes a burning barricade during a protest caused by the delayed vote count for the presidential election in Honduras.
***
9jul2009-avante
http://www.avante.pt/pt/1858/argumentos/29735/
Sem notícias das Honduras
Convirá talvez, antes do mais, esclarecer que a situação referida em título se refere à passada segunda-feira, pois é em princípio às segundas-feiras que por imposições de ordem técnica são escritos os textos aqui consagrados ao que veio acontecendo (ou, pelo contrário, não aconteceu) na televisão que diariamente nos entra em casa. Significa isto que as coisas podem ter-se alterado entre segunda e quinta-feira, dia da saída do Avante!: parece improvável que assim tenha sido, mas não é impossível. De qualquer modo, o caso é que uma golpaça militar ocorrera nas Honduras, que o presidente democraticamente eleito havia sido preso e expulso do país, que o povo hondurenho protestava nas ruas e era reprimido com brutalidade, que dessa repressão resultaram mortos e feridos, e que de tudo isso busquei em vão informações mais completas nos diversos canais da TV portuguesa encontrando sobretudo notícias do Cristiano Ronaldo, embora não só. É certo que Ronaldo, glória da nossa política de exportação de craques do futebol, era aguardado em Madrid por oitenta mil admiradores, cousa de muito nos honrar e de gerar muita mobilização mediática, mas tenho motivos para crer que o presidente Zelaya, que prometera voltar, era aguardado por uns cinco milhões de hondurenhos (numa população de sete a oito milhões), e que mesmo contando apenas os que se deslocaram ao aeroporto de Tegucigalpa não haveria menos que os que se aglomeraram no estádio Santiago Barnabéu. Ora, o que eu queria saber era o que acontecera a Zelaya e a quem o acompanhava, o que parecia ser uma curiosidade legítima. Mas a televisão portuguesa nada me dizia sobre isso. Não é surpreendente, bem sei: já sendo tão difícil que ela nos dê certas notícias do nosso próprio País, não espanta que se desmazele quanto ao dever de nos informar do que em dada altura aconteceu nas Honduras, país que muito boa gente nem sabe bem onde fica mas que, bem me lembro, fica encostadinho à Nicarágua, dado este que aliás me preocupa um pouco. Ainda assim, marquei à televisão portuguesa uma espécie de «falta de material», como se diz no ensino. E azedei. Tanto mais que ouvira dizer a alguém, dias antes, creio que no Euronews, que o presidente Zelaya tinha sido destituído porque «virara à esquerda», e eu estava cheio de curiosidade por saber o que é que concretamente consubstanciara tão grave pecado, em muitos lugares do mundo punido com a morte, como se sabe.