08/02/2018

5.712.(8feVER2018.7.7') A conquista de Ceuta

21aGOSTO1415
Conquista de Ceuta...Urge ter memória..
O Rei queria um império...Matou milhares de pessoas...Marroquinos e Muçulmanos devem ter má memória deste Portugal...Eu tb...
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/um-ano-de-exposicoes-congressos-e-edicoes-1705529
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015


HISTÓRIA - A CONQUISTA DE CEUTA - O que terá levado o rei a arriscar tanto numa aventura africana? O espírito de Cruzada; a procura do ouro e dos cereais; a vontade de um país maduro mostrar poder aos castelhanos e à Europa; a necessidade de combater o corso marroquino. Há várias explicações antigas para as causas da conquista.Há mais de cem anos que os historiadores procuram uma resposta para as causas que levaram um reino pobre, com menos de um milhão de habitantes e a braços com um grave surto inflacionário a ousar uma expedição que visava a conquista de uma cidade que, nos seus tempos áureos, tinha a dimensão de Lisboa (uns 30 mil habitantes no final do século XIV).

D.João I
O único ponto de consenso neste debate é que não houve certamente uma única causa, mas muitas causas. O que esteve seguramente longe de acontecer foi uma acção impulsiva, voluntarista ou irreflectida. Raras vezes na história de Portugal uma acção desta envergadura foi objecto de tanta meditação, de tanto planeamento e de tanto zelo na guarda dos segredos do Estado. Ceuta é por isso um atestado de maioridade política do país, interpretada por uma geração que chegou e se firmou no poder após uma revolução de cariz popular, em 1383, e uma longa guerra com um vizinho mais poderoso que atingiu o seu zénite na vitória de Aljubarrota, a 14 de Agosto de 1385.
No início do século XV, a guerra com a Espanha ficou suspensa e Portugal estava condenado a viver o que o historiador Bernardo Vasconcelos e Sousa designou na História de Portugal dirigida por Rui Ramos como o “impasse ibérico do reino”. “D. João I conseguiu estabilizar o país depois de vencer a ameaça castelhana e percebeu que tinha de projectar a capacidade de intervenção militar do reino até às suas fronteiras estratégicas”, nota o historiador João Paulo Oliveira e Costa. “Exibindo os músculos”, Portugal impunha respeito a qualquer veleidade de conquista vinda de Castela, escreve Luís Miguel Duarte, historiador da Universidade do Porto. Como sublinha João Paulo Oliveira e Costa, os portugueses “ganhavam um novo protagonismo nas relações entre o Mediterrâneo e o Atlântico norte por criarem uma nova escala para a navegação cristã num ponto crítico das rotas navais”. No mesmo contexto, Jorge Borges de Macedo sublinhava a conquista como uma forma de garantir o equilíbrio com Castela e Aragão no contexto peninsular.
Depois de atravessar as interrogações de várias gerações de historiadores, a tese de que a dinastia de Avis se procurava consolidar no quadro peninsular e europeu através de uma acção militar capaz de amainar as ambições da nobreza parece assim ter ganho avanço sobre todas as outras causas esboçadas em quase cem anos de debate historiográfico. Mas neste debate nenhuma dos argumentos anteriores foi liminarmente rejeitado. Investigadores como Oliveira Marques, João Paulo Oliveira e Costa ou Luis Filipe Reis Thomaz reconhecem que, de alguma forma, Ceuta é um capítulo tardio da Reconquista Cristã, embora com matizes que os separam dos argumentos espirituais de Joaquim Bensaúde e, numa outra dimensão, Jaime Cortesão. “A conquista de Ceuta é um segundo episódio da “Reconquista” – com aspas, como diz o José Mattoso – cristã da Península Ibérica”, sublinha o historiador Amândio Barros.   
Se há teses que, sem se extinguirem, perderam fôlego foram as que apontam Ceuta como uma Cruzada destinada a impor o império da fé ou como uma operação destinada a obter proveitos económicos. Já no século XIX Oliveira Martins indicava que Ceuta abria a Portugal “as portas douradas do Oriente vago e misterioso”, onde havia cristãos perdidos mas também ouro, tecidos preciosos e especiarias. António Sérgio mencionava a necessidade de controlar os cereais de Ceuta, como se Ceuta fosse uma zona produtora e não apenas um mercado de destino que podia ser facilmente substituído. Da mesma forma, as rotas do ouro ou das sedas estariam condenadas a extinguir-se quando os portugueses dominassem a praça. As causas económicas, que também atraíram Jaime Cortesão ou Vitorino Magalhães Godinho, deixaram de ter o ascendente no debate que tiveram na segunda metade do século XX.  
Certo é que Ceuta nasce de um impulso interno, de uma necessidade de encontrar “uma saída” para um impasse, na reflexão de Bernardo Vasconcelos e Sousa. Não é ainda um impulso movido pela necessidade de abertura ao mundo, de conhecimento ou de qualquer instinto progressista que determinaram o espírito do Renascimento. “A expansão portuguesa em Marrocos antes de D. João II é muito mais um derradeiro episódio da história medieval do que o primeiro episódio da moderna”, nota Luis Filipe Reis Thomaz nessa obra extraordinária da História portuguesa contemporânea que é o livro “De Ceuta a Timor”. Até porque, como escreveu em 1985 Alexandre Lobato (citado no livro de Paulo Drumond Braga), o móbil principal da aventura foi o espírito de cavalaria na sua vertente de honra e proveito. “Não há razão imperativa alguma, nacional, peninsular ou internacional para se conquistar Ceuta. Trata-se de uma inutilidade grandiosa, qualquer coisa como o feito da construção de Mafra no século XV”, escreveu este autor.


http://www.publico.pt/
http://desenvolturasedesacatos.blogspot.pt/2015/08/historia-conquista-de-ceuta-o-que-tera.html
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Via Cristina Franco
Crónica da tomada de Ceuta por D. João I, terceira parte, por Gomes Eanes de Zurara. 
Portugal, Torre do Tombo, Crónicas n.º 14.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215449007796596&set=a.10209070596860309.1073741846.1179915335&type=3&theater
Crónica da tomada de Ceuta por D. João I, terceira parte, por Gomes Eanes de Zurara. 
Portugal, Torre do Tombo, Crónicas n.º 9.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215449007516589&set=a.10209070596860309.1073741846.1179915335&type=3&theater
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21 de Agosto de 1415: Conquista de Ceuta

Fruto de uma intenção expansionista que se vinha manifestando desde D. João I, conheceram-se planos para atingir esse objetivo. Um deles era a conquista de Granada, ideia discutida desde 1411, com um claro propósito de ganhar terreno aos infiéis com a perpetuação e continuação da "Reconquista". O outro plano era o ataque às praças fortes de Marrocos. A proposta da conquista de Ceuta acabou por prevalecer, dada a sua importância económica.
Assim, após uma minuciosa preparação da viagem que começara em 1412, e para se dar cumprimento à vontade, partiu de Lisboa, a 25 de julho de 1415, uma frota composta de 212 navios (59 galés, 33 naus e 120 embarcações pequenas) rumo a Ceuta. Um contingente militar que rondava os 20 mil homens conquistou a praça no final do dia 21 de agosto de 1415. Depois da conquista regressaram a Portugal com inúmeros despojos, deixando a D. Pedro de Meneses o pesado encargo do governo e manutenção da cidade, juntamente com 2700 homens. Após a conquista, a mesquita maior de Ceuta foi transformada em igreja cristã, numa política usual de substituição de símbolos de poder efetuada pelos vencedores. Constituía também a confirmação e o sucesso da cruzada contra os infiéis proposta por D. João I e muito bem acolhida pelo Papa. Entre as motivações que presidiram ao objetivo de conquistar Ceuta toma especial relevância a económica. Relativamente à moeda, durante os séculos XIV e XV, verificou-se um fenómeno de desvalorização acentuada sem paralelo, quer em toda a história económica do País, quer em comparação com o estrangeiro. Este problema, que começara no reinado de D. João I, época de grandes desvalorizações da moeda, devia-se à falta de metal e à crise que o comércio português atravessava.
Várias medidas de resolução da crise foram implementadas, embora sem grande resultado, e a expedição a Ceuta afigurava-se uma boa estratégia pela perspetiva de ali poderem adquirir ouro e prata. Como veremos, esta tentativa resultou num fracasso, pois exauriu ainda mais os cofres do Estado. Os gastos da conquista foram enormes e tornava-se necessário manter a praça, vítima de ataques constantes. Em 1419 forças marroquinas e granadinas puseram cerco a Ceuta. A Coroa enviou reforços que partiram de Portugal em auxílio dos seus compatriotas e os muçulmanos acabaram por se render.
A manutenção da praça de Ceuta implicava abastecimentos regulares de provisões, nomeadamente de trigo. A fraca produção, associada a uma população em crescimento, sobretudo nas cidades, provocou uma acentuação das necessidades alimentares e, consequentemente, um maior volume de exportações que se recorria ao estrangeiro, em grande parte à Inglaterra, para colmatar as falhas neste campo. Para além deste encargo, foi também necessário proceder ao pagamento da dívida quer a nacionais quer a estrangeiros, devido aos empréstimos pedidos para financiamento da expedição. Na sequência de tratados de aliança efetuados no reinado de D. João I e de D. Duarte, Portugal pôde recorrer ao auxílio aragonês para a tomada de Ceuta, retribuindo aos espanhóis garantias de privilégios.
As dificuldades com que a Coroa se deparou para manter a praça refletiram-se nas opiniões divergentes acerca da continuidade da política expansionista de fixação em praças no Norte de África. Estava-se num impasse: ou se interrompia a conquista, o que implicava a perda de Ceuta, pois como praça isolada não se conseguiria defender, ou prosseguia-se com a conquista de mais praças, para que se pudesse constituir um verdadeiro empório comercial capaz de fazer frente aos ataques corsos. Seguindo esta última via, deparariam novamente com as mesmas dificuldades sentidas com a manutenção da praça de Ceuta. As hesitações marcaram a tomada de decisão e por isso houve necessidade de pedir opinião e pareceres às pessoas de maior influência. Todas elas eram unânimes em concordar que o país era pobre e despovoado, o que dificultaria o prosseguimento da campanha.
Teria de se esperar pelo governo de D. Duarte para se levar por diante o movimento expansionista. Em 1433, a decisão era continuar a guerra em África apesar da divergência de opinião manifestada pelos infantes D. Pedro e D. João contra D. Henrique, D. Fernando e o conde de Arraiolos, que estavam em maioria. D. Duarte concedeu a aprovação para uma nova fase de conquista, cujo primeiro objetivo era a praça de Tânger, que redundou num fracasso. D. Henrique rendeu-se (outubro de 1437), o infante D. Fernando foi aprisionado como refém e comprometeu-se a entregar Ceuta em troca da liberdade do irmão. Na reunião de Cortes, convocadas para se resolver o problema, os infantes D. Pedro e D. João, juntamente com os procuradores dos concelhos, eram a favor da entrega imediata de Ceuta aos marroquinos, opinião que não era partilhada pelos nobres e pelo conde de Arraiolos. As Cortes acabaram por ser dissolvidas e a questão ficou em aberto.
O benefício para Portugal da conquista de Ceuta advinha da possibilidade de consolidar uma posição de destaque perante os outros países da Europa. O rei surgia à frente da cruzada que era necessário empreender contra o Islão, e por isso interessava ao Papa e aos outros monarcas protegê-lo. Isso mesmo se refletiu nas concessões papais. A conquista de Ceuta por outro lado constituía igualmente o trampolim para as viagens e povoamento da Madeira (1419) e dos Açores (1427), com incursões também nas Canárias.
Tomada de Ceuta. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
Dicionário de História de Portugal
wikipedia (Imagens)



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Ficheiro:Infante D. Henrique na conquista de Ceuta.png
Painel de azulejos de Jorge Colaço (1864 - 1942) na Estação de São Bento, no Porto: o Infante D. Henrique na conquista de Ceuta

 https://www.youtube.com/watch?time_continue=22&v=h3UGxoAEK1g

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