29/05/2018

5.767.(29mAIO2018.10.10') Igor Stravinsky

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Nasceu a 1882...Oranienbaum, Rússia,
e morreu a 6abril1971...Nova York
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 https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dgor_Stravinski
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"Se tudo fosse permitido, eu me sentiria perdido num abismo de liberdade."
"Um bom compositor não imita, ele rouba."
"Minha música é melhor compreendida por crianças e animais."
 "O silêncio vai salvar-me de estar errado (e de ser idiota), mas que também irá privar-me da possibilidade de estar certo."
 https://www.pensador.com/igor_stravinsky_frases/
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 http://pt.infobiografias.com/biografia/33066/Igor-Stravinsky.html
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História do Soldado – I.F. Stravinsky

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Contextualização da Obra
                Igor Fedorovitch Stravinsky desde cedo recebeu influências musicais por parte de seu pai, Fiodor Stravinsky que era baixo da Ópera Imperial de São Petersburgo. Apesar de ter estudado direito, o universo musical das tradições populares fez com que Stravinsky tomasse consciência das suas inspirações musicais. Depois de vários conhecimentos e influências adquiridas, a partir do seu mestre Rimsky-Korsakov, Stravinsky dedicou-lhe a Sinfonia em mi b M, mas o seu mestre morre em 1908. Apesar disto, Stravinsky compõem diversas obras ainda orientado pelo compositor do Grupo dos Cinco, tais como: a suite para canto e orquestra Faune et bergère (sobre três poesias de Púskin), o vocalizo intitulado Pastoral, os quatro estudos para piano, o Scherzo Fantástico para orquestra, inspirado num passo de A vida das abelhas de Materlink, o Rouxinol, e o Fogo de Artifício (composto para celebrar o casamento da filha de Rimsky Koesakov). Viajou com a companhia de Sergei Diaghilev (1909-1910) pela Europa, nomeadamente por França onde teve a oportunidade de contactar com vários músicos e compositores como C. Debussy, M. Ravel, E. Satie, entre outros.
Em 1914 Stravinsky viajara pela Rússia onde recolhera muito material sobre as tradições populares russas. Nesta altura inicia-se a 1ª Guerra Mundial, estando Stravinsky já no exílio (Stravinsky exilou-se na Suiça a partir de 1914 devido à guerra tal como outros grandes artistas, tanto compositores como filósofos, escritores arquitectos, pintores, actores, etc). Foi na Suiça que encontrou o escritor C. Ramuz (1915-1918), com o qual estabeleceu desde logo uma frutífera relação, tendo sido o primeiro resultado desta colaboração “Renard” (1922). Consciente das suas dificuldades – serem tempos difíceis na Europa, tendo a sua esposa uma saúde frágil e ainda tendo de manter quatro filhos, Stravinsky decide então com seus amigos Ramuz, E. Ansermet (dirigente orquestral de muitos espetáculos da companhia de Diaghilev – 1872 – 1969) e Auberjonois (pintor e ilustrador – nasceu em 1872 e morreu em1957 – em Lausanne ) criar um «espétaculo de bolso», para tentar ultrapassar este momento mais complicado da sua vida. Algum tempo depois do surgimento de “Renard” surge a ideia de desenvolver um projecto musico-teatral com características a priori muito específicas: “L’Histoire du Soldat”. Este conto popular russo está directamente relacionado com a instrumentação adoptada, caracterizando as personagens principais: por um lado, o violino é o instrumento musical mais importante deste conjunto talvez pela sua importância melódica e solista, mas também pelo que representa em termos dramatúrgicos – a alma do soldado – que o diabo tenta obter a todo o custo; por outro lado, o diabo é caracterizado pelos tambores ou pela maioria da percussão, quando este está prestes a entrar em cena ou mesmo quando já esta presente em palco.
Quanto à temática, a História do Soldado é uma obra inspirada num conto popular russo que faz parte da colecção de Afanassiev (escritor de contos populares russos), onde existe uma parte de narração, uma parte de dança, uma parte de representação (mimo) e uma parte musical. Esta obra conta-nos a história de um Soldado que volta da guerra e que vem a seguir o seu caminho de regresso a casa quando se encontra com uma pessoa disfarçada que é o diabo que, a todo o custo, tenta apoderar-se do violino que o soldado transporta, pois esse instrumento musical representa a sua alma. Para conseguir o que pretende o diabo oferece-lhe em troca um livro mágico que permitiria ao soldado a realização de todos os seus desejos pessoais. Seduzido com esta oferta, o soldado passa três dias com o diabo; ou na verdade, três anos. Quando chega a casa, a sua mãe e a sua noiva já nem o conhecem depois de tanto tempo; é então que descobre que tinha passado três anos com o diabo e decide rejeitar tudo o que o livro lhe concedera até então e tenta recuperar o seu violino (ou seja, a sua alma). Depois de voltar a encontrar-se com o diabo e de não ter conseguido reaver a sua “alma”, o soldado dirige-se a um palácio cujo o rei oferecia então a mão de sua filha a quem a conseguisse curar. É então que o soldado decide tentar a sua sorte e, encontrando-se novamente com o diabo consegue embebedá-lo (no decorrer de um jogo de cartas entre ambos) e assim reaver o seu violino. Assim o soldado dirige-se ao palácio e toca para a princesa, conseguindo assim curá-la. Contudo o diabo reaparece mas o soldado para se defender tem a genial ideia de tocar a “Dança do Diabo”, que faz com que aquele dance até ao esgotamento total. Depois de algum tempo o soldado regressa à sua aldeia com a princesa, sua mulher. Mas no final o diabo também aí aparece arrasta consigo o soldado-principe, definitivamente.
 https://www.youtube.com/watch?v=7rFJ_u4ZhkE

 O material musical
Quanto ao material musical, autores como Jean e Brigitte Massin dizem-nos que nesta obra ainda podemos observar a existência de alguns elementos do folclore russo, embora na época já escasseassem na obra de Stravinsky. Para além destes elementos populares, estes autores indicam-nos que na obra também podemos encontrar outros materiais provenientes de outras influências, como por exemplo: a ópera italiana do século XIX, o paso doble, danças populares nomeadamente a valsa e outras como o tango e o ragtime.
Um dos aspectos que caracteriza muito esta obra é o seu contingente e dispositivo cénico. Trata-se de uma obra com um reduzido número de instrumentistas, facto determinante que se deve a diferentes factores. Um dos aspectos que condicionou este contingente foram, na opinião de Jean e Brigitte Massin, dificuldades económicas, mas na opinião de Roland De Candé foi por mero interesse em facilitar ou transmitir a ideia de «espectáculo de bolso». Esta obra para Stravinsky era uma obra que tinha como fundamental objectivo obter algum lucro e de forma rápida numa altura de conjuntura difícil; desta forma, Stravinsky e Ramuz conceberam-na como uma obra de teatro ambulante, sem exigir grandes meios e necessariamente de fácil transporte para que pudesse ser itinerante desde logo pela Suiça. Isto constitui um elemento claramente pré-estabelecido, como nos indica o seguinte texto do compositor:
«O ensemble devia ser oferecido à vista dos espectadores, escreve Stravinsky nas suas Crónicas,… porque sempre tive horror a escutar a música de olhos fechados, sem uma parte activa do olho. A vista do gesto e do movimento das diferentes partes do corpo que a produzem é uma necessidade essencial para a apreender em toda a sua amplitude… São estas ideias que me incitaram a colocar a minha pequena orquestra da História do soldado bem em evidência de um lado da cena, enquanto que do outro lado se encontrava um pequeno estrado para o leitor. Esta disposição precisava a junção dos três elementos essenciais da peça que, em estreita ligação, devia formar um todo: no meio, a cena e os actores flanqueados pela música de um lado e do recitante pelo outro.»
A obra foi estreada em 1918, mais exactamente no Teatro Municipal de Lausana dirigida por Ernst Ansermet, graças ao apoio do mecenas Werner Reinhart, que se encarregou de pagar a apresentação e a música ao compositor. O empenho e confiança original de Stravinsky nesta obra era de tal forma, que o levou a entusiasmar-se a participar também enquanto intérprete, dançando a parte do diabo. No entanto, na estreia não o fez. Ainda assim a sua participação na obra não se resumiu à concepção musical pois na sua partitura constam indicações muito precisas quanto ao espaço cénico, o que denota o compromisso dramático que este vivia. Isto verifica-se logo no início da partitura com a inclusão de algumas indicações bem precisas quanto ao espaço:
«Um pequeno palco, montado sobre uma plataforma. Tambores ou barris de ambos os lados. Num dos tambores está sentado o narrador, em frente de uma mesita, sobre a qual está uma garrafa de vinho branco e um copo. A orquestra encontra-se no lado oposto do cenário.»
Como já foi referido anteriormente a orquestra (ou pequeno ensemble instrumental) tem como principal característica o ser constituída por dois instrumentos por família contemplando sempre os dois registo, o grave e o agudo. Assim, é compota por: dois instrumentos de metais (corneta de pistões e trombone), duas madeiras (clarinete e fagote), cordas (violino e contrabaixo) e conjunto de percussões assemelhado ao das baterias das jazzbands. Com esta formação podemos dizer que se assemelha mais a uma formação de jazz, do que um ensemble instrumental normalmente utilizado para a realização de uma ópera de câmara. É assim que esta obra se resume à dimensão de um “espectáculo de bolso” (“poche”) mas insere em si momentos de grande exigência técnica ao nível instrumental, com momentos de grande virtuosismo (nomeadamente para o instrumento principal, o violino) assim como uma atenção particular ao grupo da percussão, tradicionalmente de escrita não tão elaborada como a que se encontra em algumas passagens desta obra. Trata-se de um “virtuosismo «metafísico»” que no dizer das autoras Ana Paula Faria, Ana Maria Telo e Cristina Assis assemelham esta obra de Stravinsky à obra do pintor De Chirico (1888 – 1978). Nesta obra, considerada por Candé, como representante de uma nova escrita “ascética”, Stravinsky afasta-se definitivamente da escola orquestral russa, tal como ele próprio admite:
“A História do Soldado marca a minha ruptura final com a escola orquestral russa da qual fui aluno”
TIAGO PAULO CARNEIRO ROCHA                     A63051

 https://sociologiarte.wordpress.com/2013/06/18/historia-do-soldado-i-f-stravinsky/
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1 vivaaaaaaaaa à sua obra
a sagração da primavera
https://www.youtube.com/watch?v=5UJOaGIhG7A
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https://www.youtube.com/watch?v=ne4PoC7V0Mk
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https://www.youtube.com/watch?v=NOTjyCM3Ou4
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29mAIO1913
Paris- estreia (com escândalo) o ballet "sagração da primavera" de Stravinski
https://www.youtube.com/watch?v=XrOUYtDpKCc
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"Paris ainda assistiu a mais 5 récitas, não tão tumultuadas quanto a da estreia, antes da companhia rumar para Londres para mais 4 performances.
 https://www.youtube.com/watch?v=St6jyEFe5WM&list=RDSt6jyEFe5WMhttp://euterpe.blog.br/analise-de-obra/stravinsky-a-sagracao-da-primavera
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