Nasceu no ano de 1644...Ueno...Japão
e morreu a 28noVEMbro1694
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Matsuo Bashō...Poeta japonês que elevou a poesia haiku (tercetos compostos de versos de cinco, sete e cinco sílabas) de passatempo popular a uma sofisticada forma de expressão artística. Inspirado pela filosofia zen-budista, Bashô buscou comprimir dentro daquele pequeno padrão poético de dezessete sílabas o sentido do mundo. O poeta revolucionou também a poesia renga (de versos encadeados), preocupando-se em ir além do trocadilho e da destreza verbal para encadear seus versos. Bashô buscava ligá-los por “perfume”, “eco”, “harmonia” e outros critérios igualmente delicados. Alguns de seus poemas foram reunidos no livro Sendas de Oku.
http://www.ahistoria.com.br/biografia-de-matsuo-basho-resumo/
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Poeta e viajante, Matsuo Bashô nasceu em 1644, na pequena aldeia de Ueno, e morreu a 28 de novembro de 1694. De acordo com a sua última vontade, foi sepultado nos terrenos do mosteiro de Gichu-Ji, nas margens do Lago Biwa, perto de Zeze. Sobre a sua sepultura foi plantada uma bananeira. É considerado o poeta nacional do Japão.
O Eremita Viajante
O
poema haiku não inferioriza nem zomba, não se serve do intelecto,
valoriza as coisas pequenas, valendo-se da surpresa e de um reduzido
vocabulário, começa ainda antes da primeira letra da primeira estrofe e
acaba muito depois da última sílaba da terceira estrofe.
É poesia despersonalizada, já quase fora da linguagem comum, nasce no silêncio, atravessa, como um relâmpago, o olhar do contemplador e regressa ao silêncio; e enquanto existiu pareceu durar o tempo de um movimento respiratório...
É poesia despersonalizada, já quase fora da linguagem comum, nasce no silêncio, atravessa, como um relâmpago, o olhar do contemplador e regressa ao silêncio; e enquanto existiu pareceu durar o tempo de um movimento respiratório...
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https://www.revistaprosaversoearte.com/matsuo-basho-dez-haikais/
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2noVEMbro2016
David Teles:
“O Eremita Viajante” não é a primeira versão de Matsuo Bashô em português, mas é a primeira recolha quase completa da poesia deste autor
Em 794 o Imperador Kamnu transferiu a capital e a corte de Heijo (actual Nara) para a cidade de Heian (actual Kyoto), depois de uma tentativa falhada de mudar a sede imperial para Nagaoka. Heijo era a sede do trono imperial desde 710, quando a Imperatriz Gemmei aí a estabeleceu, inspirada em Changan (na altura a capital da Dinastia Tang), e continuou depois seu reinado, contrariando a tradição de mudar a capital em sintonia com a morte do monarca. Esta decisão vai permitir o desenvolvimento de uma burocracia governamental japonesa e dar início ao período Nara (710-794). Com um sistema de governo cada vez mais complexo, modelado também na cultura política chinesa, a escrito e o registo tornaram-se necessidades públicas. E assim, graças a este influxo, surgiu a primeira literatura japonesa, com obras como Kojiki, composto por O no Yasumaro, “As Crónicas do Japão” (Nihon Shoki) ou “A Colecção das Dez Mil Folhas” (Man’yoshu), uma compilação de poesia japonesa.
Também a mudança da capital para Heian, longe de uma mera relocalização geográfica do governo, teve um profundo significado na história do Japão, dando início ao período Heian (794-1185), e estabelecendo aquela que foi a sua capital até que a sede imperial mudou para Tóquio em 1868, com a restauração Meiji. Aliás, o sistema de poder que a que a restauração Meiji veio por fim, devolvendo a soberania plena ao Imperador, teve, em parte, a sua origem no período Heian com a ascensão dos samurais junto do poder Fujiwara que detinha a soberania efectiva. Esta classe militar irá defender os destinos do Japão e servir de suporte ao poder dos senhores feudais e dos xoguns até à era Meiji, já em pleno século XIX.
O período Heian é o derradeiro capítulo da época clássica japonesa e uma das épocas mais ricas e interessantes da cultura japonesa, em especial da sua literatura. É a partir de meados deste período que a poesia propriamente japonesa (waka, poema japonês, sendo wa uma das palavras para japão) vive um novo período de fulgor, depois de ter surgido no período Nara com o primeiro poema em escrita japonesa.
Foi a partir dos caracteres chineses que o japonês passou de uma língua oral para uma língua escrita e, muito por isso, obviamente ligado à forte influência que a cultura chinesa desempenhou no período clássico nipónico, os primeiros autores japoneses escreviam não na língua que falavam, mas no chinês praticado pela burocracia governamental e pela corte educada. O Kojiki, escrito durante o período Nara, inclui partes escritas em chinês e partes escritas em caracteres chineses mas que pretendem representar sons da língua japonesa, independentemente do seu significado na língua de origem, o que, quando despido da sua correspondência fonética, produz uma espécie caótica de chinês.
Mas enquanto os homens da nobreza japonesa escreviam kanshi (poesia escrita em chinês) e kanbun (prosa em chinês) e eram educados simultaneamente em escrita chinesa em escrita silábica japonesa (kana), as mulheres aprendiam apenas kana. Isto permitiu-lhes ocupar um lugar de destaque na literatura japonesa logo desde o seu período clássico. Da era Heian destacam-se Murasaki Shikibu, a autora de “O Romance do Genji” (escrito por volta do século XI e editado em Portugal pela Relógio d’Água em dois belíssimos volumes), e a sua Némesis Sei Shonagon, autora do “Livro de Almofada”, o mais famoso dos zuihitsu, palavra que pode ser traduzida como ensaio, mas que corresponde a um estilo literário japonês onde predomina a recolha pessoal de pensamentos, pequenas histórias e impressões, uma espécie de parente longínquo dos blogues. Data também desta época o diário (nikki) de Sugawara no Takasue no musume (à letra a filha de Sugawara no Takasue), mais conhecido como “Diário de Sarashina” no ocidente graças à tradução Ivan Morris que a designa a sua autora como Lady Sarashina. O papel das mulheres era de tal forma preponderante na literatura japonesa escrita em kana que um dos diários mais famosos desta época, o Tosa Nikki, publicado anonimamente como um diário de uma viagem entre Tosa e Heian, escrito por uma mulher, foi afinal de contas escrito pelo poeta Ki no Tsurayuki, que pretendia demonstrar que era possível escrever boa literatura em kana, contra a tradição chinesa ainda maioritariamente praticada junto da aristocracia governamental masculina.
A poesia era, contudo, a espinha dorsal da cultura literária deste período. Foi, aliás, em meados desta época, por volta da publicação da grande compilação “Kokinshu”, que a palavra waka ganhou um segundo significado, passando a expressar não um conjunto de estilos de poesia escrita japonesa, mas antes um tipo específico de poema, com uma métrica de 5-7-5-7-7, e que é um parente ancestral do haiku, aquele que é hoje em dia o tipo de poema com que a grande maioria dos leitores mais identifica o versejar em japonês.
Importa tudo isto para entender que quando dizemos que o haiku é típica e inultrapassavelmente japonês é porque nasce numa cultura literária que, depois de um impulso inicial nos ombros da literatura chinesa, se fechou sobre si própria, em sintonia com o profundo isolacionismo político praticado pelo Japão ao longo de séculos, praticamente até ao século XIX. Só por isso, a tarefa de traduzir um haiku seria já por si espinhosa. Todas as línguas têm as suas subtilezas impossíveis de traduzir, porque estão intimamente ligadas ao seu som ou à memória histórica que carregam. Contudo, o haiku é uma tempestade perfeita de nuances, numa língua e numa cultura já de si particularmente subtis e com pouca permeabilidade às influências externas durante o seu longo período feudal. Só no século XIX se começaram a notar na literatura japonesa as influências da cultura ocidental, dois séculos após o surgimento do haiku. Também só no século XIX o estilo haiku começou verdadeiramente a chegar à cultura ocidental, graças ao trabalho de Basil Hall Chamberlain e Koizumi Yakumo. A esta tempestade perfeita de subtilezas, a que R. H. Blyth chamou “uma canção sem palavras” na apresentação dos seus monumentais quatro volumes sobre este estilo de poema japonês, corresponde uma impossibilidade última de tradução que deve nortear o investimento de qualquer autor que pretenda passar para a sua língua um haiku.

Não sendo a primeira versão de Matsuo Bashô (1644-1694) em português – Jorge de Sena, Jorge Sousa Braga e Luísa Freire já percorreram antes este caminho –, “O Eremita Viajante” (Assírio & Alvim) é a primeira recolha quase completa da poesia deste autor, mais conhecido em vida como praticante do género colaborativo haikai no renga, mas cujo legado mais duradouro é enquanto mestre maior da simplicidade laminar e enganadora do poema japonês em três versos de dezassete sílabas com métrica de 5-7-5.
Um dos primeiros aspectos a destacar acerca deste volume está intimamente ligado à Assírio & Alvim, que depois de um período de incerteza indissociável da sua mudança para a Porto Editora e da perda de Herberto Helder, a jóia da coroa no que à poesia portuguesa diz respeito, para a sua empresa-mãe, parece estar a reassumir o seu papel junto da Relógio d’Água e das pequenas editoras na publicação de poesia, tanto na portuguesa (o primeiro volume da obra poética de Cinatti, Adília Lopes, Luís Filipe de Castro Mendes, Daniel Jonas, Daniel Faria, entre muitos outros) como nas traduções (Saint-John Perse ou Rabindranath Tagore, por exemplo). A divulgação de poesia japonesa em Portugal tem sido, aliás, um património quase exclusivo da Assírio & Alvim, algo estranho quando pensamos no papel que os navegadores portugueses desempenharam na história do Japão, deixando um profundo impacto na memória nipónica e que se sentiu até muito depois de um extremar do isolacionismo japonês. “O-Gin”, um conto de Ryunosuke Akutagawa (1892-1927) sobre uma família de missionários portugueses do século XVII, é disso testemunho. Akutagawa prefere, aliás, utilizar diversos termos que correspondem a palavras portuguesas passadas foneticamente para o japonês, como bapuchizumo (baptismo), zesusu (Jesus) ou haraiso (paraíso), apesar de todas elas terem correspondente no japonês moderno.
Traduzir qualquer haiku é uma tarefa arriscada e, talvez mesmo impossível. A exactidão da forma dificilmente se consegue transpor para o português sem sacrificar a fidelidade às palavras e, sem a exactidão da forma, grande parte da armadilha de simplicidade do poema na sua língua original se esfuma. Por exemplo, cada haiku deve incluir num dos seus três versos um kigo, uma palavra ou ideia associável a uma estação do ano. Um exemplo simples: para os japoneses a palavra cigarra tem uma particular ligação agradável com paisagens de verão. Para um português esta ideia poderá não parecer estranha, mas em muitas outras culturas a cigarra pouco mais será do que um ruído que incomoda. Muitas destas palavras-estação perdem a sua função quando passadas para qualquer outra língua e afastam o leitor para perigosamente longe do ponto de partida. Mas as dificuldades vão muito para lá destes exemplos. Traduzir Bashô, provavelmente o melhor praticante do género, é o Risco entre os riscos. Também por isso, Joaquim M. Palma, ciente da impossibilidade última de traduzir um haiku, apresenta o seu trabalho como versão, que é, afinal de contas, a tradução possível para o português. Não se pense, contudo, que se trata de um trabalho menos exigente. Ao passar Bashô para outra língua, um bom tradutor deve ser muito menos isso e muito mais leitor-autor. A compreensão da origem e a constante comparação com outras soluções de tradução, se possível no maior número de línguas possíveis, é fundamental e o longo ensaio introdutório de Joaquim M. Palma evidencia esse trabalho. Mas a parte do autor está noutro lugar, na capacidade invejável de compreender a linguagem poética de Bashô e de a converter naquilo que seria, indubitavelmente, um poema na língua de chegada capaz de deixar a mesma deliciosa impressão capturada no japonês. Este é o verdadeiro teste do bom tradutor de haiku, o conseguir ser também autor, e Joaquim M. Palma supera-o com distinção. https://ionline.sapo.pt/532625
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Matsuo Munefusa,
conhecido pelo pseudônimo de Bashô, nasceu no Japão em uma família de
samurais agricultores, oriundos da classe dos guerreiros, mas deixou o
campo aos 23 anos de idade para se dedicar completamente à literatura.
... - Veja mais em
https://educacao.uol.com.br/biografias/basho.htm?cmpid=copiaecola
https://educacao.uol.com.br/biografias/basho.htm***
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Matsuo_Bash%C5%8D
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Matsuo Bashō (1644 - 1694) foi um poeta japonês.
"E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?"
"Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia."
"Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas."
"a cigarra... ouvi:
nada revela em seu canto
que ela vai morrer."
"O grito do faisão -
Que saudade imensa
De meu pai e minha mãe."
"Viagem de anciões,
Cabelos brancos, bastões
- visita aos túmulos."
"Já é primavera:
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã."
"Noite sem lua ou estrelas
o bebedor de sakê
bebe sozinho."
"No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge -
Ah, o caminho da montanha!"
"Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!"
"vento de outono
a silenciosa colina
muda me responde."
"Move-te ó tumba!
Meu pranto
é o vento do outono."
"Outono
Empoleirado num ramo seco
um corvo"
"Normalmente feios
Até os corvos ficam belos
Na manhã de neve."
"Este caminho!
sem ninguém nele,
escuridão de outono."
"Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham."
"Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham."
"Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas."
"Agora é inverno
e no mundo uma só cor;
o som do vento."
"Preso na cascata
um instante:
o verão."
"do orvalho
nunca esqueça
o branco gosto solitário."
""
"Frescura:
os pés no muro
ao dormir a cesta."
"Extingue-se o dia
mas não o canto
da cotovia."
"árvore curva
o vôo do corvo
inverno."
"casca oca
a cigarra
cantou-se toda."
"Trégua de vidro:
o canto da cigarra
perfura rochas."
"A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
a morte das cigarras."
"Uma velha sem dentes
que rejuvenece
cerejeira em flor."
"Quimonos secando
ao sol. Oh, aquela manguinha
da criança morta!"
"Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga."
"De que árvore florida
chega? Não sei.
Mas é seu perfume..."
"Brisa ligeira
A sombra da glicínia
estremece."
"de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira."
"Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante."
"Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta."
"Mesmo um velho cavalo
é belo de manhã
sobre a neve."
"Ruídos nas ramas.
Trémulo, meu coração detém-se
e chora na noite..."
https://www.pensador.com/autor/matsuo_basho/
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10dez2018
via Susana Duarte
"por sobre as flores-da-lua
um corpo fascinado
flutua sem pensamento."
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5dez2018
A Basho Matsuo
"Este caminho"
é o caminho
em cada aurora
o mesmo perfume
de onde nos chega?
de cada um e de todo o lado
graça silva
Nota: Basho, poeta japonês do século XVII

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"Este caminho"
é o caminho
em cada aurora
o mesmo perfume
de onde nos chega?
de cada um e de todo o lado
graça silva
Nota: Basho, poeta japonês do século XVII
