26/03/2009

dívida ao estrangeiro...

O artigo completo do meu camarada EUGÉNIO ROSA encontra-se em http://resistir.info/

Dívida ao estrangeiro aumentou 54% durante o governo Sócrates
– No fim de 2008 o crédito ao imobiliário, à construção e habitação era dez vezes superior ao credito à agricultura, pesca e indústria
por Eugénio Rosa [*]
RESUMO DESTE ESTUDO A politica de crédito dos bancos portugueses, de apoio essencialmente às actividades especulativas (empresas de construção, actividades imobiliárias e à habitação), e de não apoio às actividades produtivas (agricultura, pesca e indústria transformadora) contribuiu também para a grave crise que o País enfrenta, o que prova que o mercado não é o melhor instrumento para fazer uma afectação eficiente dos recursos para o País, nem a crise actual é apenas uma crise de confiança (psicológica) no sistema financeiro como se pretende fazer crer. Entre 2005 e 2008, ou seja, nos quatro anos de governo de Sócrates, o défice da Balança Corrente Portuguesa agravou-se significativamente. De acordo com o Banco de Portugal, entre 2005 e 2008, o défice da Balança Corrente aumentou de 14.139 milhões de euros para 20.163 milhões de euros. Como consequência, entre 2005 e 2008, este défice passou de 9,5% para 12,1% do PIB. Apesar do défice nas relações de Portugal com o estrangeiro em 2008 ser superior a quatro vezes o défice orçamental, a obsessão do governo pelo défice orçamental era e é tão grande que o levou a ignorar completamente o défice da Balança Corrente, apesar da sua extrema gravidade. E toda a politica seguida por este governo nos últimos quatro anos levou ao seu agravamento como prova o facto de ter aumentado 42,6%. E não é com o "restabelecimento da confiança" que isso se resolve. Como consequência, a divida ao estrangeiro disparou. Segundo o Banco de Portugal, entre 2005 e 2008, ou seja, nos quatro anos de governo de Sócrates, a Divida Total Bruta (o "Passivo" do País, que corresponde à totalidade daquilo que se deve ao estrangeiro) cresceu em 86.203,6 milhões de euros, pois passou de 357.914 milhões de euros para 444.117,9 milhões de euros. E a Divida Líquida do País ao estrangeiro ("Passivo" menos "Activo", que se obtém subtraindo àquilo que o País possui no estrangeiro aquilo que o País deve ao estrangeiro) atingiu, em 2008, 161.531 milhões de euros. Por outras palavras, O "Passivo" do País (aquilo que ele deve ao estrangeiro) é já superior ao seu "Activo" (o que tem a haver do estrangeiro) em 161.531 milhões de euros. A Divida Líquida do País ("Passivo" menos "Activo"), subiu, entre 2005 e 2008, de 70,2% para 97,2% do PIB, ou seja, é já quase igual à riqueza criada num ano por todos os portugueses. E a Divida Total Bruta ao estrangeiro ("Passivo" do País), no fim de 2008, era já 2,67 vezes superior ao PIB, ou seja, a toda a riqueza criada em Portugal nesse ano. É evidente que não é com o "restabelecimento da confiança na banca" que se resolve este grave problema nacional E com maioria de razão se se tiver presente que uma das causas importantes da destruição do aparelho produtivo nacional, que teve como consequência o crescente défice da Balança Corrente e o vertiginoso endividamento do País, foi precisamente a politica de crédito do sistema financeiro, que tem privilegiado o apoio às actividades especulativas em claro desprezo pelas actividades produtivas. De acordo com o Banco de Portugal, em 2004, o credito concedido às actividades essencialmente produtivas, ou seja, à Agricultura, Pesca e Industria Transformadora era apenas de 13.705 milhões de euros, enquanto o concedido a empresas de construção, de actividades imobiliárias e à habitação somava 112.758 milhões de euros, ou seja, 8,2 vezes mais. Esta situação agravou-se ainda mais durante os quatro anos de governo de Sócrates. No fim de 2008, o credito total concedido à Agricultura, Pesca e à Industria Transformadora somava apenas 16.455 milhões de euros, enquanto o concedido a empresas de construção, de actividades imobiliárias e à habitação totalizava 168.701 milhões de euros, ou seja, 10,2 vezes mais. Por outras palavras, em 2008, o crédito concedido à Agricultura, Pesca e Industria Transformadora representava apenas 6,6% do credito total (entre 2004 e 2008, diminuiu de 7,9% para 6,6%), enquanto o credito concedido às empresas de construção, de actividade imobiliária e à habitação representava, em 2008, 67,9% do credito total concedido pelo sistema bancário (entre 2004 e 2008, aumentou de 65,1% para 67,9%). É por esta razão que afirmamos que a crise actual é uma crise sistémica, inerente ao próprio funcionamento do sistema capitalista no seu afã de conseguir lucros elevados e imediatos, e não meramente um problema de "falta de confiança no sistema financeiro", como agora o pensamento único dominante nos media pretende fazer crer.