2019
III-CCLXXXIX-AVÔ
+1 sEMANA
+1 segunda que tenho de faZER pRIMEira
*
Acho que contribuí para fazermos muitoo
dadas as circunstâncias
*
o sentIR é mui + importante que o TER
*
o 84! 10 verbos!!
*
o que sei conTER
no silêncio
no ÂMAgo
pode ser lido nas pupilas?
*
DECIDIR no limite!
*
Boas saídas
e óptimas entradas
no bonitoo 20/20
***
2018
2/289aVÔ
é claro que gosto muito de tiiii
e me faz bem regressar àquele banco
virado para o atlântico
e para o sítio geológico
de água de madeiros
é claro que gosto muito de tiiii
do mesmo modo
e de maneiras diferentes
com mais evidência
e com mais facilidade
em tds os sítios onde estAMOs
atÉ porque m' ajudas muitíssimooo
a ser feliz
***
2017
UM+289avÔ
acreDITO que há aCASOS
extraordináRIOS
e quando estamos no turbilhão
no tempORAL
só temos de lembrar a experiência
doutros momentos
que o tempo reSOLveu
*
urge ALImentar as relAÇÕES
d' aMIzade ou de paixão
com td a genica
e imAGInAÇÃO
nAVEgando no viVERDADE
e no corAGIR
COM HUaMOR
***
2016
289.avÔ
+ que preSENTES
urge construIR o AMAnhã
de forma a provocAR-TE
DELÍrios
em que o ÂMAgo
é 1 transbordAR-TE
***
2012
d'alcobaça que vos abRRaça
urge:
A nossa estrela SOL dá-nos energia, calorrurge:
mas a paixão e o amor dão-nos o viver intenso e caloroso.
Temos de estar conscientes da nossa pequenez
no meio do planeta azul
na imensidão das galáxias.
O trabalho deve dar-nos o salário e a independência económica
e, se for criativo, com gosto, faz crescer a harmonia para a felicidade.
A sabedoria, às pitadinhas, alimenta-nos e faz que sejamos mais fortes
mas, com o saber global resultante do experimentar, ficamos mais equilibrados.
Este é o triangular do essencial:
Amor (com belas amizades)- amar
Trabalho (com direitos)- trabalhar
e Sabedoria (às pitadinhas)- saber
vai evoluindo lentamente
com o voto CCFF convicto, cíclico, das Festas Felizes
e de um aNOvo
que se avizinha dificílimo.
Urge triangular com + 3 verbos magníficos:
Sonhar, Envolver e Construir!
Em todas as frentes:
pessoais, laborais,cívicas...
Atenção que não podemos esquecer o outro triangular dinâmico:
recomeçar como se fosse a 1ª x,
Dar força e criatividade no continuar
mas, sem ilusões, já sabemos que, de algum modo, vai acabar.
É preciso sabermos triangular
conjugar estes 9 verbos
em conjunto com o 10º
HARMONIZAR!!!
(atualizado a 30.12.2011.14.41')
***
2017...memórias do face, deste dia
saber dizer convicto...não vou por aí...
José Régio via Filomena Leonardo
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=298520683524045&set=a.155810401128408.27462.100000983482391&type=3&theater
***
2016
Vale Furado merece qualificação em 2017...d' Alcobaça que vos abRRaça
by Odete Melo
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=619734728230628&set=a.121277734742999&type=3&theater
***
2015
Jaime Roxo é da Cela, d' ALCOBAÇA que vos abRRaça e está com a sua obra extraordinária no Parque dos Monges até 3jan2016!!!
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1256969414329434&set=a.1256946787665030&type=3&theater
***
2014
arribas muito frágeis...a força do Atlântico, em breve...Há anos que sabemos...Já vimos como tanto, em tão poucos anos, já foi devorado...São Martinho do Porto d' ALCOBAÇA que vos abRRaça
by mim
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1563804797198351&set=gm.10152629528392992&type=3&theater
*
29dez...a BB bela baía...MARavILHA da natureza...São Martinho do Porto - d'ALCOBAÇA que vos abRRaça...bELAS fotogravAÇÕES da Rudi-Thérèse Ferket
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1563804997198331&set=gm.10152629528392992&type=3&theater
***
2013
os eleitores para este SecEstado obrigaram-no a mentir...o Povo é que é bandido...CDS e passos.PSD premeiam
assim...
https://www.facebook.com/QuemNaoOffshoraNaoMama/photos/a.397152120375926/556307181127085/?type=3&theater
*
há espirais...há imensidões...há que INTERVALAR...e pitadinhas de Gedeão:
POEMA DO FUTURO
Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'
https://www.facebook.com/sonhararealidade2013/photos/a.349115855209208/482031871917605/?type=3&theater
*deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'
https://www.facebook.com/sonhararealidade2013/photos/a.349115855209208/482031871917605/?type=3&theater
ontem, a Polvoeira tb estava, quase, asSIM...d'Alcobaça que vos abRRaça...+1a bela fotogravAÇÃO do alcobacense NELSON FERNANDES
https://www.facebook.com/307751655965855/photos/a.307789399295414/556149494459402/?type=3&theater
***
2011
saber dizer convicto...não vou por aí...
José Régio via Filomena Leonardo
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=298520683524045&set=a.155810401128408.27462.100000983482391&type=3&theater
*
Gisela Mendonça está com Susana Duarte e
"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura,
chove demais..., mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar
pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo
por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.
O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!
Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.
Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"
Autor: Carlos Drummond de Andrade
***Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.
O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!
Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.
Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"
Autor: Carlos Drummond de Andrade
39...Nasceu Tito Flávio...Imperador Romano...
https://uniralcobaca.blogspot.com/2018/07/76391jul20181055-imperador-julio-cesar.html
***
1865
Rudyard Kipling (nobel literatura)
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/12/931029dez20142112-rudyard-kipling.html
***
1917...José Vitoriano...há cAMARadas que merecem todos os encómios...anos e anos de luta pela liberdade, contra o fascismo...e mts "democratas" ignoram completamente esta extraordinária resistência e luta e ainda dizem que o PCP não é pela liberdade, pela democracia, pela paz...
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2017/12/220713dez201788-jose-vitoriano.html
***
1922...Proclamação da criação da URSS... Rússia, Ucrânia, Bielorússia, repúblicas da Ásia Central e a Transcaucásia (subdividida em 1936 nas repúblicas da Geórgia, Arménia e Azerbaijão...Manuel Rodrigues escreveu:
"A fundação da URSS
Na
antiga Rússia czarista viviam mais de 100 povos e nacionalidades, que
se diferenciavam não só pela nacionalidade mas também pelo nível de
desenvolvimento político, económico, social e cultural. Nalguns imperavam relações patriarcais, feudais e até mesmo de clã.
Numerosos
ramos da indústria estavam nas mãos do capital estrangeiro, sobretudo
francês, belga, inglês, alemão e norte-americano, e na maior parte das
regiões periféricas encontravam-se num estádio embrionário. Os operários trabalhavam,
regra geral, 17 a 18 horas por dia, em troca de um salário miserável. A
esta situação juntava-se a ausência de direitos políticos e um grande
atraso cultural. No Tadjiquestão, por exemplo, antes da Revolução apenas
um em cada 2000 habitantes sabia ler e escrever. Em todo Uzbequistão,
apenas duas pessoas possuíam um diploma do Ensino Superior. Mais de 40
nacionalidades não possuíam escrita própria.
Os
povos das regiões periféricas nacionais da Rússia viviam em condições
muito difíceis. Além da fome, do frio, do trabalho esgotante eram
constantemente dizimados por doenças infecciosas como a peste, a cólera,
a varíola, o tifo e outras. A situação de exploração e opressão dos
povos era tal que a Rússia czarista ficou conhecida como «prisão dos
povos».
Desde
os primeiros dias da formação do partido bolchevique, os comunistas
russos concederam uma importância primordial à teoria revolucionária e
elaboraram um programa marxista sobre a questão nacional. Lénine
elaborou o programa do «partido proletário de novo tipo» colocando em
primeiro plano a necessidade de uma completa igualdade de direitos entre
todas as nações, independentemente do número dos seus habitantes, do
seu nível de desenvolvimento, da sua etnia, religião, etc.
Além
dos Decretos sobre a Paz e sobre a Terra, um dos primeiros e mais
importantes documentos do poder soviético foi a «Declaração dos Direitos
dos Povos da Rússia» que proclamou a liquidação da antiga política de
feroz exploração e de incitamento dos povos uns contra os outros e a sua
substituição por uma política de «união voluntária e honesta dos povos
da Rússia». A Declaração proclamava:
«1. A igualdade e a soberania dos povos da Rússia.
2. O direito dos povos da Rússia à autodeterminação, incluindo o direito à separação e formação de um Estado independente.
3. A abolição de todos os privilégios e restrições nacionais e religiosas.
4. O livre desenvolvimento das minorias nacionais e dos grupos étnicos que habitam o território da Rússia.»
Em
Janeiro de 1918, o III Congresso dos Sovietes de toda a Rússia adoptava
a «Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado»: «A
República Soviética da Rússia é fundada na base da livre união das
nações livres, como Federação de Repúblicas Soviéticas Nacionais». O
mesmo Congresso proclamou a criação da República Socialista Federativa
Soviética da Rússia (RSFSR) que a 10 de Julho de 1918 veria aprovada
pelo V Congresso de Sovietes de toda a Rússia a sua Constituição.
Pela
primeira vez na história da humanidade uma Revolução proclamava e
aplicava a autodeterminação dos povos, a igualdade de direitos e a
liberdade das nações.
Em
Dezembro de 1922, era criada a União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas (URSS). Em Janeiro de 1924, o II Congresso de Sovietes da
URSS adoptou a sua Constituição.
A
formação da URSS foi um acontecimento histórico de importância e
impacto mundial. Abriu perspectivas de desenvolvimento harmonioso de
todos os povos unidos no seio de um Estado Federal e à formação e
desenvolvimento multilateral de nações socialistas e determinou avanços
extraordinários – nos planos político, económico, social e cultural.
O
desaparecimento da URSS em 1991 não desvaloriza a primeira experiência
de uma sociedade livre da exploração e da opressão, não apaga a
realidade das grandes realizações e conquistas do povo soviético e a
decisiva influência da URSS no desenvolvimento mundial, nem altera a
natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora do capitalismo. O
socialismo afirma-se como exigência da actualidade e do futuro."avante28dez2017...
https://uniralcobaca.blogspot.com/2013/11/71257nov201377-sem-esquecer-o.html***
1951...inaugurada a ponte de Vila Franca de Xira...
https://www.facebook.com/pg/vilafrancaxira/photos/?tab=album&album_id=632228050154626
***
e as 3 pitadinhas matinais da poesia de Joaquim Pessoa:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=912132445487862&set=gm.862277520481026&type=1&theater
Tudo é Paixão
Assim me perguntaste,
assim te respondi:
tudo é paixão.
Assim me perguntaste,
assim te respondi:
tudo é paixão.
Como não lamber
da tua pele, o mel
que o desejo fabrica?
da tua pele, o mel
que o desejo fabrica?
E como a minha boca
não recolher o néctar
da tua boca?
não recolher o néctar
da tua boca?
Ou como não sorver
das tuas mãos o pólen
da ternura?
das tuas mãos o pólen
da ternura?
E se, em vez de paixão,
for sexo apenas,
ou loucura?
for sexo apenas,
ou loucura?
Pode até não ser amor.
Mas, seja o que for,
não é pior.
Mas, seja o que for,
não é pior.
in 'Ano Comum'
**
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=779783665422468&set=a.115803568487151.13305.100001725243075&type=1&theaterNão vejo tudo, não oiço tudo, não acredito em tudo.
Sou pontual nesta forma de crescer, de convocar os que eu
amo
e todos aqueles que me amam. Pergunto-lhes por mim
dentro deles e a eles presto contas de quanto contam
dentro de mim.
Se alguém me fala de um outro como se fosse um rio
desaparecido,
sinto-me como a vítima que numa catástrofe perdeu o único
filho.
As possibilidades de atraiçoar aqueles que mais quero
são as mesmas de encontrar S. Francisco de Assis
entusiasmado numa tourada.
A minha vara não se transformou numa serpente
mas muitas vezes brotam dela pequenos rebentos capazes de
florir e de dar frutos.
Com frequência em mim o mar seca e as águas separam-se
a caminho de uma terra prometida onde a amizade é uma
rainha exigente
em nome de quem se fazem sacrifícios,
mas à qual nada se paga para obter os seus favores.
Nos raros momentos em que a paz me retoma,
a auto-confiança limita-se às coisas simples, a grande
renúncia excita porque é difícil,
a enorme crueldade magoa menos que a maldadezinha.
Recordo-te: quando Spartacus afirmou não crer em Deus,
perguntaram-lhe “então em que acreditas?”. Respondeu
“acredito em ti e acredito em mim”. Assim.
Tão simples como isso.
*
in VOU-ME EMBORA DE MIM
HUGIN, 2000, 1ª edição
___________
imagem: For the Love,for the Death and the Poetry
**
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=912127668821673&set=gm.862269973815114&type=1&theater
O Amor é o Elixir da Juventude
O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves recolhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-de regressar mais sábias e seguras. O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mistério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucura infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que tocam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar.
O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e brilha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes. O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha generosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais ficamos para dar.
Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se procurou nas indecifráveis formulas dos antigos livros de magia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que, por vezes, o pisamos sem reparar.
, in 'Guardar o Fogo'
**
pitadinhas do mestre Joaquim Pessoa para começar bem o dia
Dia 165. (excerto)
Hoje canto não apenas o silêncio mas todos os silêncios que
em meu nome, e no teu, e no de todos os que procuram res-
postas, se constroem como um mar vazio, uma atmosfera
sem ar.
Hoje recordo, também com o coração cheio de piedade, aque-
les que dentro da noite procuraram colher uma rosa de luz,
nus e fiéis, filhos do fogo da terra e que à terra voltaram, de
novo nus, com um estremecimento tão largo como a sua luta
e a sua profunda e golpeada vontade de viver.
Hoje, com a súbita alegria dos cães, sou irmão dos pássaros
pela profunda desilusão dos homens, pelos corações a abar-
rotar de sombra que escrevem esses discursos prometendo o
sol.
Hoje vejo o mar como o conjunto das lágrimas desde o primei-
ro homem. Vejo a morte como um amontoado dos sentimen-
tos que se perdem, das tristezas inúteis, das canções que dei-
xámos de cantar até para nós mesmos.
Hoje abandonarei o meu canto. E cantarei por ti.
Para que a primavera se precipite no fundo dos teus olhos.
Para que a coragem te absolva. E para que a luz das estrelas
volte a beijar as tuas mãos.
* O amor é um poema. Dói e canta cá dentro. Tem a filosofia das árvores, a lição do mar, os ensinamentos que as aves recolhem quando migram para lá dos desertos, de onde hão-de regressar mais sábias e seguras. O amor é uma causa. Uma luta excessiva com a divindade dos dias e a sua fogueira obscura. Mas também contra o mistério de si mesmo, uma paz que nos dá o cansaço e a loucura infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que tocam como um aviso aos densos nevoeiros súbitos do mar.
O amor é uma casa. Erguida com os beijos, com os versos da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem o nosso júbilo, a nossa intuição, a nossa vontade, sobretudo o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e brilha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes. O amor é um gigantesco pequeno mistério, uma estranha generosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais ficamos para dar.
Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se procurou nas indecifráveis formulas dos antigos livros de magia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que, por vezes, o pisamos sem reparar.
, in 'Guardar o Fogo'
**
pitadinhas do mestre Joaquim Pessoa para começar bem o dia
Dia 165. (excerto)
Hoje canto não apenas o silêncio mas todos os silêncios que
em meu nome, e no teu, e no de todos os que procuram res-
postas, se constroem como um mar vazio, uma atmosfera
sem ar.
Hoje recordo, também com o coração cheio de piedade, aque-
les que dentro da noite procuraram colher uma rosa de luz,
nus e fiéis, filhos do fogo da terra e que à terra voltaram, de
novo nus, com um estremecimento tão largo como a sua luta
e a sua profunda e golpeada vontade de viver.
Hoje, com a súbita alegria dos cães, sou irmão dos pássaros
pela profunda desilusão dos homens, pelos corações a abar-
rotar de sombra que escrevem esses discursos prometendo o
sol.
Hoje vejo o mar como o conjunto das lágrimas desde o primei-
ro homem. Vejo a morte como um amontoado dos sentimen-
tos que se perdem, das tristezas inúteis, das canções que dei-
xámos de cantar até para nós mesmos.
Hoje abandonarei o meu canto. E cantarei por ti.
Para que a primavera se precipite no fundo dos teus olhos.
Para que a coragem te absolva. E para que a luz das estrelas
volte a beijar as tuas mãos.
*
in ANO COMUM, 2.ª Ed.
Editora Edições Esgotadas, 2013.
in ANO COMUM, 2.ª Ed.
Editora Edições Esgotadas, 2013.
PÁGINA 33
Ela chegou, de noite, com ar de quem nunca partiu; sobre a cómoda tacteou os horizontes que ali havia esquecido, um velho piano marcava o centro, eles tudo tinham coberto de flores, mirtos e azáleas, frutos selvagens de formato cru.
Ela chegou mais branca, mais doce, os olhos transportando cálices, de perguntas, de objectos, de insinuações onde a boca se fechou.
Fly, será assim o regresso, esse outro que volta a nós, sem nome, sem jeito?
Não sejas, Fly, o outro que regressa; se não fôssemos teus filhos rasgar-te-íamos os véus, sorveríamos saliva, suor e lágrimas até ser nossa a tua perda. Mas a um filho nosso não se toma, não se dá a lua, uma reza se permite, Fly: aquela que às noites, resplandece tendências, as contradições.
*
in FLY Edição especial ilustrada comemorativa dos 30 anos da publicação. Texto crítico de Teresa Sá Couto; ilustrações de João Concha. Editora Edições Esgotadas, 2013.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=618413591527141&set=gm.665017216873725&type=3&theater
in FLY Edição especial ilustrada comemorativa dos 30 anos da publicação. Texto crítico de Teresa Sá Couto; ilustrações de João Concha. Editora Edições Esgotadas, 2013.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=618413591527141&set=gm.665017216873725&type=3&theater
