04/08/2015

9.921.(4ag2015.D4.h4.4'.4") Percy Bysshe Shelley

Nasceu a 4ag 1792
***
A poesia imortaliza tudo o que há de melhor e de mais belo no mundo.

Leia mais:http://quemdisse.com.br/frase.asp?frase=69928#ixzz3hrL4IRjo

***
Via Citador:
Quanto mais estudamos mais descobrimos a nossa ignorância.
*
O dinheiro é um Deus vivo.
*
Ser omnipotente mas sem amigos é reinar.
*
Os poetas são os legisladores do mundo, não reconhecidos.

Defesa da Poesia
*
O inferno é uma cidade muito parecida com Londres 
Uma cidade com muita gente e muito fumo.

Peter Bell the Thrid
*
Os camaleões alimentam-se de luz e de água: 
O alimento dos poetas é o amor e a fama.

An Exhortation
*
Deu ao homem a linguagem, e a linguagem criou o pensamento, 
Que é a medida do Universo.

Prometeu Libertado
*
Quem não ama o seu semelhante vive uma vida estéril e prepara um túmulo triste para a sua velhice.

Alastor
***
Shelley
http://www.escreveretriste.com/2013/04/percy-bysshe-shelley/
Julgo que ainda tenho o velho livri­nho de capa verde publi­cado pela velha Gui­ma­rães. Era A Defesa da Poe­sia e deve estar subli­nhado linha a linha que eu, naquele tempo, lia com as mãos por não me che­ga­rem os olhos.
Tra­zer o poeta Percy Bys­she Shel­ley para este recanto onde Escre­ver é Triste, con­vém a esse Roman­tismo a que o poeta ser­viu de estan­darte e à poe­sia dele, revo­lu­ci­o­ná­ria, de uma sen­su­a­li­dade ino­cente e livre. Cantemo-lo, então, assim, Triste.
Shel­ley quando mor­reu não teria mais de 50 lei­to­res. Em vida, fez 202 anos a 25 de Março, fora expulso de Oxford à conta de um apo­lo­gé­tico pan­fleto do ateísmo, embora me pareça cre­dí­vel a hipó­tese de que os vetus­tos rei­to­res mais do que com as cóce­gas ao divino se tenham sobre­tudo enca­ni­tado com a dia­tribe doPoe­ti­cal Essay on the Exis­ting State of Things que man­dava a monar­quia ir viver para debaixo de uma ponte ou de um vão de escada. Deixo breve excerto no fim*.
Será Triste um tipo, que ao mor­rer não tinha mais de 50 lei­to­res, ter con­quis­tado uma imor­ta­li­dade que nunca em vida sonhara? Será Triste ter o poeta mor­dido a mão e cus­pido o anel do seu monarca, em vez de rea­lis­ti­ca­mente se lau­rear como era hábito dos seus con­fra­des poetas?
Aos 19 anos, Shel­ley casou com uma menina de 16. Mas inclinava-se a deam­bu­la­ções hete­ro­do­xas que, sem o impe­di­rem de engra­vi­dar o liso e ado­les­cente ven­tre dela, o afas­ta­vam mais regu­lar­mente do que o apro­xi­ma­vam da doçura do lar. É com os 19 anos da mulher bem grá­vi­dos que, defi­ni­ti­va­mente, aban­dona o leito con­ju­gal para via­jar pela Europa com outra mulher, Mary Wolls­to­ne­craft e com a meia-irmã dela, Claire, dando lenda, bom nome e angé­lica rou­pa­gem ao torpe fran­ce­sismo ménage à trois. A mulher, Har­ri­ett, suicidar-se-ia nas águas pro­sai­cas e frias do lago do Hyde Park, perante o olhar parvo e intri­gado dos noc­tur­nos patos do Serpentine.
Morta a pri­meira mulher, já casado com Mary, Shel­ley repe­tiu com ela e com a meia-irmã o péri­plo euro­peu, com Itá­lia como des­tino prin­ci­pal. Em Nápo­les a hete­ro­do­xia con­ju­gal de Shel­ley obteve a forma de registo nota­rial: há uma cédula que assi­nala o nas­ci­mento da sua filha Elena. A mãe, li em fonte inse­gura, é uma mis­te­ri­osa Marina Padu­rin, nome apó­crifo que tanto pode escon­der a mater­ni­dade de Claire como a de uma ama que os acompanhava.
Shel­ley, tan­tos foram os seus amo­res – os que teve com outras mulhe­res e os que ins­tou as mulhe­res dele a terem com os seus ami­gos – tinha um ódio: os gatos. Odiava-os tanto que, prova defi­ni­tiva de que era Triste, atou um ao papa­gaio que lan­çou numa noite de tem­pes­tade, na espe­rança de que um raio elec­tro­cu­tasse o bicho e enchesse o céu de miaus. Iro­nia bizarra, Char­les, seu filho da pri­meira mulher, mor­re­ria apa­nhado por um raio, qua­tro anos depois do pas­sa­mento de Shelley.
Foi no mar, afo­gado, que Shel­ley mor­reu. Nas águas, as mes­mas ou outras, em que se sui­ci­dara a pri­meira mulher. Quase 30 anos depois, mor­reu essa outra mulher, Mary, que dele con­ser­vara as cin­zas e, inteiro, num lenço de seda, o coração.
Por Triste que o seu tran­gres­s­sivo e espon­tâ­neo cli­na­men nos pareça, a poe­sia de Shel­ley foi e é sublime:Ado­nais é “a ele­gia” (inspirou-o a morte de Keats) e Pro­metheus Unbound uma tor­rente de puro lirismo. Na Defence of Poe­try é o vigo­roso cam­peão de um mundo novo fun­dado por poe­tas (“Os poe­tas são os legis­la­do­res não reco­nhe­ci­dos do mundo” é a última e sin­to­má­tica frase desse vibrante ensaio).
Shel­ley era angé­lico e já se sabe que os anjos na sua ange­li­cal com­pos­tura são uma fonte de incon­tá­veis, e por vezes bru­tais, dis­sa­bo­res. Um poeta genial tam­bém. Mesmo no que os seus con­tem­po­râ­neos pare­ciam que­rer Triste — a sexu­a­li­da­des — só que­ria que mulhe­res e homens se liber­tas­sem dos atta­ched strings em que escon­diam, aper­ta­vam e esma­ga­vam o que Shel­ley que­ria escon­der, aper­tar e esa­ma­gar com outra (nenhuma, dir-se-ia) propriedade.
* E como pro­me­tido, o excerto do poema sobre o “estado das coi­sas”:Man must assert his native rights, must say
We take from Monar­chs’ hand the gran­ted sway;
Oppres­sive law no more shall power retain,
Peace, love, and con­cord, once shall rule again,
And heal the anguish of a suf­fe­ring world;
Then, then shall things which now
con­fu­se­dly hur­led,
Seem Chaos, be resol­ved to order’s sway,
And error’s night be tur­ned to virtue’s day –

***
Via Lusa Sapo
 poeta do Romantismo inglês, autor de "Prometheus Unbond". Definiu-se como "democrata, grande amante da humanidade e ateu".
***
"Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância."

Outra versão, em tradução de Eugenio da Silva Ramos 1

Ozymandias

Ao vir de antiga terra, disse-me um viajante

Duas pernas de pedra, enormes e sem corpo,

Acham-se no deserto. E jáz, pouco distante,

Afundando na areia, um rosto já quebrado,

de lábio desdenhoso, olhar frio e arrogante

Mostra esse aspecto que o escultor bem conhecia

Quantas paixões lá sobrevivem, nos fragmentos,

À mão que as imitava e ao peito que as nutria

No pedestal estas palavras notareis:

"Meu nome é Ozimândias, e sou Rei dos Reis:

Desesperai, ó Grandes, vendo as minhas obras!"

Nada subsiste ali. Em torno à derrocada

Da ruína colossal, areia ilimitada


Se estende ao longe, rasa, nua, abandonada.