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Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro nasceu em Covilhã, Portugal. Poeta, ensaista e escritor.
Formou-se em Engenharia Têxtil pelo Instituto Tecnológico de Bradford, Inglaterra,
em 1956 e Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Poeta, ensaista e escritor,
aleem de engenheiro, dedicou-se também ao ensino tecnológico. Foi Professor de Design
Têxtil no IADE ( Instituto Superior de Arte, Design e marketing), em Lisboa, onde também
exerceu as funções de Presidente do Conselho Diretivo do Curso Superior de Design até
1996. Residindo atualmente em São Paulo, é Professor Colaborador da USP na Área
de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa. Praticante e teórico
da Poesia Experimental Portuguesa nos anos 60, introdutor em Portugal da Poesia
Concreta (IDEOGRAMAS,1961), é considerado pioneiro da videopoesia (RODA LUME,
1968 ). Entre 1985 e 1989 desenvolveu na Universidade Aberta de Lisboa um projeto
de criação de videopoesia denominado SIGNAGENS. Atualmente está produzindo
infopoesia. Desde 1950 até 1989 publicou mais de 20 livros de poesia que se encontram
reunidos em TRANS(A)PARÊNCIAS, Sintra, Tertúlia, 1989, livro que ganhou o Grande
Prémio de Poesia Inaset – Inapa de 1990. O livro de ensaios VOOS DA FÉNIX CRÍTICA,
Lisboa, Edições Cosmos,1995, obteve o Prémio Jacinto do Prado Coelho, da Delegação
Portuguesa da Associação Internacional dos Críticos Literários. Em Portugal os seus mais
recentes livros são: ENTRE O RIGOR E O EXCESSO: UM OSSO ( poesia), Ed. Afrontamento,
Porto, 1994; FINITOS MAIS FINITOS ( ficções), Ed. Hugin, Lisboa, 1996; VOOS DA FÉNIX
CRÍTICA II, Edições Cosmos, Lisboa, 1998. Em Espanha : ESTORIA DOS ENIGMATICOS
BIZONTES GEOMETRAS EN LASCAUX 15.000 A.C. TRATADOS EN COMPUTADOR FINAL
DO SEGUNDO MILENIO D.C., Ed. Vertex, Mataró,1992; SUEÑOS DE GEOMETRÍA, cassete
VHS de 30’, videopoesia, Ed. Menú, Cadernos de Poesia, Cuenca, 1993; 17 VISUALS + , RsalvoEdicions, Barcelona, 1996. No Brasil a sua bibliografia inclui: O PRÓPRIO POÉTICO
(ensaios), São Paulo, Quíron, 1973; LITERATURA PORTUGUESA DE INVENÇÃO (ensaios),
São Paulo, Difel, 1984 ; O FIM VISUAL DO SÉCULO XX, coletânea de ensaios organizada
por Nádia Battella Gotlib, São Paulo, Edusp, 1993 ; VISÃO VISUAL ( poesia visual 1961/1993)
Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1994 ; ENQUANTO JACTOS E HIATOS (poemas) São Paulo,
Com-Arte,1994 ; ALGORRITMOS ( infopoemas), São Paulo, Musa Editora, 1998; Neo-POEMAS-PAGÃOS, São Paulo, Selo Demonio Negro, 2010 e outros, além de ensaios, videos, videopoesias, exposições de artes visuais.

https://www.facebook.com/Ernestodemeloecastro
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entrevista:
http://www.revistas.usp.br/desassossego/article/view/52333
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https://www.facebook.com/Ernestodemeloecastro/photos/a.726404310720932.1073741827.725467477481282/727111293983567/?type=1&theater
SOBRE ESTE ENSAIO (PALAVRAS DESNECESSÁRIAS)
Tenho quase oitenta anos. Idade suficiente para provavelmente, tudo o que é importante
já ter sido feito, incluindo a escrita que iniciada com cerca de 16 anos, nunca, ininterruptamente,
deixei de fazer, como complemento inseparável da leitura. Uma paixão só.
Este livro que contém um ensaio e alguns textos que lhe são anexos, seria desnecessário,
se não pensasse que ele é, porventura, o meu melhor ensaio e o seu tema uma inusitada
releitura de um autor que nunca me abandonou, sem no entanto me influenciar na criação da poesia.
Os meus mestres são Camões e os poetas barrocos portugueses. Mas Fernando Pessoa, ele,
andou sempre comigo na totalidade da sua obra em vários tipos de verso e em prosa.
Sim, da prosa de teoria, porque é na prosa que se encontram os fundamentos da sua obra poética.
Quem me chamou a atenção para isso foi Ángel Crespo, quando realizava uma originalíssima
compilação de textos em prosa de Pessoa, por ele traduzidos para o castelhano, sobre a
noção de paganismo, fundamentando a invenção dos heterônimos e respectivas obras poéticas.
O que permite, criticamente, dispensar como supérfluas e superficiais, as já usuais tentativas
de explicação psicológica, psicanalítica, etc., etc., inclusive as dadas, por certo ironicamente,
pelo próprio Fernando Pessoa aos seus contemporâneos.
Só anos mais tarde, já depois da morte de Ángel Crespo, compreendi a necessidade de estudar
os muitos textos de Pessoa sobre paganismo e neo-paganismo, escritos entre 1915 e 1918,
quase todos já publicados, até em edições críticas, mas que praticamente ninguém ainda estudou
seriamente, quanto ao conteúdo teórico e poético, mas também sociológico e cultural, como eu
penso que merecem. Foi desse trabalho que ninguém me encomendou, além de mim próprio,
que resultou, após alguns anos de estudo, o ensaio que agora entrego à leitura de quem o desejar ler...
E.M. de Melo e Castro
São Paulo 2011-02-06
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sugerido pela Amélia Vieira:
http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor2/1877/01/
de amor se faz amor
de nada mais resulta amor
que amor se faz de amor
de nada mais.
resulta amor de amor
que amor se faz de nada.
mais resulta que amor de amor
se faz amor de nada.
mais.
in «Antologia efémera: 1950-2000»
Nova Fronteira, 2007
pintura de Jesus Gómez Costa
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Via Maria Elisa Ribeiro:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1157406960942538&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
Uma Chama não Chama a mesma Chama
uma chama não chama a mesma chama
á uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia
um nome não nome o mesmo nome
um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia
uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia
um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em cada chama o nome que se chama
o nome que na chama se incendeia
in 'Versus-in-Versus'