06/08/2015

9.924.(6ag2015.meio dia) Zygmunt Bauman

Nasceu a 19nov1925
e morreu a 9jan2017
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morreu
http://brasileiros.com.br/2017/01/morre-o-sociologo-zygmunt-bauman/
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Somos + sábios que antes?
https://www.youtube.com/watch?v=oWnmZeHMKmo
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“Somos inundados de informação e famintos de sabedoria”


http://www.revistapazes.com/mais-sabio-bauman/
Zygmunt Bauman é dos grandes pensadores da Modernidade, conhecido mundialmente por seu célebre conceito de “”liquidez””.
Perspicaz analista dos fatos cotidianos, o sociólogo tem vasta obra sobre temas contemporâneos, com destaque para o best-sellerAmor líquido, fundamental para a compreensão das relações afetivas no mundo atual.
Bauman nasceu na Polônia e mora na Inglaterra desde 1971. Professor emérito das Universidades de Varsóvia e Leeds, tem mais de trinta livros publicados no Brasil.
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Café Filosófico: Estratégias para a vida - Encontro com Bauman

https://www.youtube.com/watch?v=7BbMKM1bcSw&app=desktop
Publicado a 13/10/2014
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, é um dos mais conhecidos pensadores da atualidade. Sua análise da mudança da solidez dos valores modernos para um mundo líquido, fluido, leve, que se caracteriza pela fragilidade dos laços humanos e pelo medo dos vínculos, tem nos auxiliado a repensar os velhos conceitos que faziam parte das narrativas de nossas vidas.

Bauman recebeu a cpfl cultura em sua casa, na cidade de Leeds, Inglaterra, no dia 23 de julho de 2011, para uma entrevista exclusiva.
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 sobre os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança

https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU&app=desktop
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http://www.portalraizes.com/estamos-todos-numa-solidao-e-numa-multidao-ao-mesmo-tempo-zygmunt-bauman/

“O Amor É Mais Falado Do Que Vivido E Por Isso Vivemos Um Tempo De Secreta Angústia ”

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http://cultura.elpais.com/cultura/2015/12/30/babelia/1451504427_675885.html
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“seus netos continuarão pagando os 30 anos da orgia consumista”

http://www.contioutra.com/zygmunt-bauman-seus-netos-continuarao-pagando-os-30-anos-da-orgia-consumista/
“A metade do problema é o excessivo consumismo, o esbanjamento que predomina. E é por isso mesmo que nenhum provável partido de poder não promete aos seus eleitores que combaterá o consumismo”, continua o sociólogo polonês, vice-reitor da London School of Economics, que se define um pessimista a curto prazo em relação ao futuro da sociedade.
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Voa Joana Bártolo
entrevista:
https://www.youtube.com/watch?v=fd87rwJ_P90
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entrevista
http://www.updateordie.com/2011/09/12/a-sabedoria-de-zygmunt-bauman/
“A vida é feita de episódios.”
“Você deve criar sua própria identidade. Você não a herda.”
“Nós instalamos microfones nos confessionários.”
“Estamos agora em uma posição em que todos nós dependemos uns dos outros.”
“Chegamos muito perto do que, agora, entendemos ser os limites da suportabilidade do planeta.”
“Essas instituições que chamamos de democráticas foram criadas e adaptadas às necessidades do Estado-nação.”
“Eles [as pessoas] não estão discutindo os nossos interesses compartilhados, não estão discutindo o bem-estar da sociedade, não estão discutindo o que precisa ser feito para abolir e reparar os problemas que todos nós sofremos na sociedade atual. Eles apenas confessam, em última análise, os problemas privados individuais e bastante íntimos.”
“Quando eu era jovem, eu nunca tive o conceito de “redes”.  Eu tinha o conceito de laços humanos e comunidade”.
“A grande atratividade desse novo tipo de amizade [tipo facebook] é a facilidade de se desconectar. Essa facilidade de se desconectar mina os laços humanos.”
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.”
“Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos.”
“Nossos problemas hoje derivam do fato de que nós entregamos demais a nossa segurança em prol de mais liberdade.”
“Sócrates considerava que o segredo de sua felicidade estava no fato de ele próprio, por sua própria vontade, ter criado a forma de vida que ele viveu.”
“As pessoas que imitam a forma de vida de outras pessoas […] traem a receita de Sócrates.”
“Para cada ser humano há um mundo perfeito feito especialmente para ele ou para ela.”
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Via Pensador:
O que aprendemos com a amarga experiência é que essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrível e assustadora, mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter a certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se - quando - a roda da fortuna começar a girar em outra direção.
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A incerteza é o habitat natural da vida humana - ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor de atividade de atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas da felicidade genuína, adequada e total sempre parece residir em algum lugar à frente: tal como o horizonte, que recua quando se tenta chegar mais perto dele.
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Como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixo?
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A Preocupação com a administração da vida parece distanciar o ser humano da reflexao moral.
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Os relacionamentos são como vitamina C: em altas doses, provocam náuseas e podem prejudicar a saúde.
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Loucos são apenas os significados não compartilhados. A loucura não é loucura quando compartilhada.
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A incerteza foi sempre o chão familiar da escolha.
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Há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis para uma vida satisfatória, recompensadora e relativamente feliz. Um é segurança e o outro é a liberdade. Você não consegue ser feliz, você não consegue ter uma vida digna na ausência de um deles, certo? 

Segurança sem liberdade é escravidão e liberdade sem segurança é um completo caos,incapacidade de fazer nada, planejar nada, nem mesmo sonhar com isso.Então você precisa dos dois.
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Zygmunt Bauman frases
https://colunastortas.wordpress.com/2015/03/15/zygmunt-bauman-frases/
e obscuros e monótonos dias assombram aqueles que procuravam segurança, noites insones são as desgraças dos livres.
– Zygmunt Bauman é sociólogo polonês.
O amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. Faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa. Pensando bem, contudo, não se pode ter tanta certeza disso. As promessas do amor são, via de regra, menos ambíguas do que suas dádivas. Assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar. E o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir.
– Zygmunt Bauman, frases em Amor líquido.
Para Ivan Klima, poucas coisas se parecem tanto com a morte quanto o amor realizado. Cada chegada de um dos dois é sempre única, mas também definitiva: não suporta repetição, não permite recurso nem promete prorrogação. Deve sustentar-se “por si mesmo” – e consegue. Cada um deles nasce, ou renasce, no próprio momento em que surge, sempre a partir do nada, da escuridão do não-ser sem passado nem futuro; começa sempre do começo, desnudando o caráter supérfluo das tramas passadas e a utilidade dos enredos futuros.
– Zygmunt Bauman, frases em Amor líquido.
Viver entre uma multidão de valores, normas e estilos de vida em competição, sem uma garantia firme e confiável de estarmos certos é perigoso e cobra um alto preço psicológico.
Como diz Julia Kristeva (em Nações sem Nacionalismo), “é rara a pessoa que não invoca uma proteção primordial para compensar a desordem pessoal”. E todos nós, em medida maior ou menor, às vezes mais e às vezes menos, nos encontramos em estado de “desordem pessoal”. Vez por outra, sonhamos com uma “grande simplificação”; sem aviso, nos envolvemos em fantasias regressivas cuja principal inspiração são o útero materno e o lar protegido por muros. A busca de um abrigo primal é o “outro” da responsabilidade, exatamente como o desvio e a rebelião eram o “outro” da conformidade. O anseio por um abrigo primal veio hoje substituir a rebelião, que deixou de ser uma opção razoável; como diz Pierre Rosanvallon (em seu clássicoLe capitalisme utopique), não há mais “uma autoridade no poder para poder depor e substituir. Parece não haver mais espaço para revolta como atesta o fatalismo diante do fenômeno do desemprego”.
Zygmunt Bauman frases modernidade líquida
Modernidade Líquida.
Sinais de da doença são abundantes e visíveis, mas, como repetidamente observa Pierre Bourdieu, procuram em vão uma expressão legítima no mundo da política. Sem expressão articulada, precisam ser lidos, obliquamente, nas explosões de fúria xenófoba e racista –  manifestações mais comuns da nostalgia do abrigo primal.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
“Indivíduos frágeis”, destinados a conduzir suas vidas numa “realidade porosa”, sentem-se como que patinando sobre gelo fino; e “ao patinar sobre gelo fino”, observou Ralph Waldo Emerson em seu ensaio Prudence, “nossa segurança está em nossa velocidade”. Indivíduos, frágeis ou não, precisam de segurança, anseiam por segurança, buscam a segurança e assim tentam, ao máximo, fazer o que fazem com a máxima velocidade. Estando entre os corredores rápidos, diminuir a velocidade significa ser deixado para trás; ao patinar em gelo fino, diminuir a velocidade também significa a ameaça real de afogar-se. Portanto, a velocidade sobe para o topo da lista dos valores de sobrevivência.
A velocidade, no entanto não é propícia ao pensamento, pelo menos ao pensamento de longo prazo. O pensamento demanda pausa e descanso, “tomar seu tempo”, recapitular os passos já dados, examinar mais de  perto o ponto alcançado e a sabedoria (ou imprudência, se for o caso) de o ter alcançado.
Pensar tira nossa mente da tarefa em curso, que requer sempre a corrida e a manutenção da velocidade. E na falta do pensamento, o patinar sobre o gelo fino que é uma fatalidade para todos os indivíduos frágeis na realidade porosa pode ser equivocadamente tomado como seu destino.
Tomar a fatalidade por destino, como insistia Max Scheler em sua Ordo amoris, é um erro grave: “O destino do homem não é uma fatalidade… A suposição de que fatalidade e destino são a mesma coisa merece ser chamada de fatalismo”. O fatalismo é um erro do juízo, pois de fato a fatalidade “tem origem natural e basicamente compreensível”. Além disso, embora não seja uma questão de livre escolha, e particularmente de livre escolha individual, a fatalidade “tem origem na vida de um homem ou de um povo”. Para ver tudo isso, para notar a diferença e a distância entre fatalidade e destino, e escapar à armadilha do fatalismo, são necessários recursos difíceis de obter quando se patina sobre gelo fino: tempo para pensar, e distanciamento para uma visão de conjunto.
(…) Tomar distância, tomar tempo – a fim de separar o destino e a fatalidade, de emancipar o destino da fatalidade, de torná-lo livre para confrontar a fatalidade e desafiá-la: essa é a vocação da sociologia. E é o que os sociólogos pode fazer caso de esforcem consciente, deliberada e honestamente para refundir a vocação a que atendem – sua fatalidade – em seu destino.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever público (…)
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
O capitalismo é um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar durante certo período, desde que encontre um organismo ainda não explorado que lhe forneça alimento.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Bulimia e anorexia são as reações patológicas mais comuns para as contradições e os desafios típicos de nosso modo de vida, em particular, dos aspectos egocêntricos e consumistas.
– Zygmunt Bauman em Modernidade Líquida.
Numa sociedade de consumo, compartilhar a dependência de consumidor – a dependência universal das compras é a condição sine qua non de toda a liberdade individual.  Acima de tudo na liberdade de ser diferente, de “ter identidade.
(…) um comercial de TV mostra uma multidão de mulheres com uma variedade de penteados e cores de cabelos, enquanto o narrador comenta: “Todas únicas; todas individuais; todas escolhem X” (X sendo a marca anunciada de condicionador). O utensílio produzido em massa é a ferramenta da variedade individual. A identidade – “única” e “individual” – só pode ser gravada na substância que todo o mundo comprar que só pode ser encontrada quando se compra. Ganha-se a independência rendendo-se.
(…) Sua dependência não se limita ao ato da compra. Lembre-se, por exemplo, o formidável poder que os meios de comunicação de massa exercem sobre a imaginação popular coletiva e individual. Imagens poderosas, mas reais que a “realidade”, em telas ubíquas estabelecem os padrões da realidade e de sua avaliação, e também a necessidade de tornar mais palatável a realidade “vivida”. A vida desejada tende a ser a vida “vista na TV”. A vida na telinha diminui e tira o charme da vida vivida: é a vida vivida que parece irreal, e continuará a parecer irreal enquanto não for remodelada na forma de imagens que possam aparecer na tela.
– Zygmunt Bauman em Modernidade Líquida.
Como observou T.H Marshall em outro contexto, quando muitas pessoas correm simultaneamente na mesma direção, é preciso perguntar duas coisas: atrás do quê do do quê estão correndo.
Os consumidores podem estar correndo atrás de sensações – táteis, visuais ou olfativas – agradáveis, ou atrás de delícias do paladar prometidas pelos objetos coloridos e brilhantes expostos nas prateleiras dos supermercados, ou atrás das sensações mais profundas e reconfortantes prometidas por um conselheiro especializado. Mas estão também tentando escapar da agonia chamada insegurança. Querem estar, pelo menos uma vez, livres do medo do erro, da negligência ou da incompetência. Querem estar, pelo menos uma vez, seguros, confiantes; e a admirável virtude dos objetos que encontram quando vão às compras é que eles trazem consigo (ou parecem por algum tempo) a promessa de segurança.
Ainda que possa ser algo mais, o comprar compulsivo é também um ritual feito à luz do dia para exorcizar as horrendas aparições da incerteza e da insegurança que assombram as noites.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
A segunda categoria de espaço público mas não civil se destina a servir aos consumidores, ou melhor, a transformar o habitante da cidade em consumidor. Nas palavras de Liisa Uusitalo, “os consumidores frequentemente compartilham espaços físicos de consumo, como salas de concertos ou exibições, pontos turísticos, áreas de esportes, shopping centers e cafés, sem ter qualquer interação social real. Esses lugares encorajam a a ação e não a interação”.
(…)
A tarefa é o consumo, e o consumo é um passatempo  absolutamente e exclusivamente individual, uma série de  sensações que só podem ser experimentadas – vividas –  subjetivamente. As multidões que enchem os interiores dos “templos de consumo” de George Ritzer são ajuntamentos, não  congregações, conjuntos, não esquadrões; agregados, não totalidades. Por mais cheios que possam estar, os lugares de consumo coletivo não têm nada de “coletivo”.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
O perigo mais tangível  para o que chama de “cultura  pública” está, para Zukin, na “política do medo  cotidiano”. O espectro arrepiante e apavorante das “ruas  inseguras” mantém as pessoas longe dos espaços públicos e  as afastas da busca da arte e das habilidades necessárias  para compartilhar a vida pública.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Numa sociedade sinóptica de viciados em comprar/assistir, os pobres não podem desviar os olhos; não há mais para onde olhar. Quanto maior a liberdade na tela e quanto mais sedutoras as tentações que emanam das vitrines, e mais profundo o sentido da realidade empobrecida, tanto mais irresistível se torna o desejo de experimentar, ainda que por um momento fugaz, o êxtase da escolha. Quanto mais escolha parecem ter os ricos, tanto mais a vida sem escolha parece insuportável para nós.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Claude Lévi-Strauss, o maior antropólogo cultural de nosso tempo, sugeriu em“Tristes trópicos” que apenas duas estratégias foram utilizadas  na história humana quando a necessidade de enfrentar a alteridade dos outros surgiu: uma era a antropoêmica, a outra antropofágica.
A primeira estratégica consiste em “vomitar”, cuspir os outros vistos como incuravelmente estranhos e alheios: impedir o contato físico, o diálogo, a interação social e todas as variedade de commercium, comensalidade e connumbium. As variantes extremas da estratégia “êmica” são hoje, como sempre, o encarceramento, a deportação e o assassinato. As formas elevadas, “refinadas” (modernizadas) da estratégia “êmica” são a separação espacial, os guetos urbanos, o acesso seletivo a espaços e o impedimento seletivo a seu uso.
A segunda estratégia consiste numa soi-disant “desalienação” das substâncias alheias: “ingerir”, “devorar” corpos e espíritos estranhos de modo a fazê-los, pelo metabolismo, idênticos aos corpos que os ingerem, e portanto não distinguíveis deles. Essa estratégia também assumiu ampla gama de formas: do canibalismo à assimilação forçada – cruzadas culturais, guerras declaradas contra costumes locais, contra calendários, cultos, dialetos e outros “preconceitos” e “superstições”. Se a primeira estratégia visava ao exílio ou aniquilação dos “outros”, a segunda visava à suspensão ou aniquilação de sua alteridade.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Em um dos maiores sucessos entre os popularíssimos livros de autoajuda (vendeu mais de 5 milhões de cópias desde a publicação em 1987), Melody Beattie adverte/aconselha seus leitores: “A maneira mais garantida de enlouquecer e envolver-se com assuntos de outras pessoas, e a mais mais rápida de tornar-se feliz é cuidar dos próprios”. O livro deve seu sucesso instantâneo ao título sugestivo(Codependent no More), que resume seu conteúdo: entrar resolver os problemas de outras pessoas nos torna dependentes, e a dependência oferece reféns ao destino – ou, mais precisamente, há coisas que não dominamos e há pessoas que não controlamos; portanto, cuidemos de nossos problemas, e apenas de nossos problemas, com a consciência limpa.
Há pouco a ganhar fazendo o trabalho de outros, isso desviaria nossa atenção do trabalho que pode fazer senão nós mesmos. Tal mensagem soa agradável – como uma confirmação, uma absolvição e uma luz verde necessária – a todos os que, sós, são forçados a seguir, a favor ou contra seu próprio juízo, e não sem dor na consciência, a exortação de Samuel Butler: “No fim, o prazer é melhor guia que o direito e o dever”.
Ao fim da sessão de aconselhamento, as pessoas aconselhadas estão tão sós quantos antes. Isso quando sua solidão não foi reforçada: quando sua impressão de que seriam abandonadas à sua própria sorte não foi corroborada e transformada em uma quase certeza. Qualquer que fosse o conteúdo do aconselhamento, este se referia a coisas que a pessoa aconselhada deveria fazer por si mesma, aceitando a inteira responsabilidade por fazê-las  de maneira apropriada, e não culpando ninguém pelas consequências desagradáveis que só poderiam ser atribuídas a seu próprio erro ou negligência.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
A infame frase de efeito de Margaret Thatcher “não existe essa coisa de sociedade” é ao mesmo tempo uma reflexão perspicaz sobre a mudança no caráter do capitalismo, uma declaração de intenções e uma profecia auto-comprida: em seus rastros veio o desmantelamento das redes normativas e protetoras, que ajudavam o mundo em seu percurso de tornar-se carne. “Não sociedade” significa não ter utopia nem distopia: Peter Drucker, o guru do capitalismo leve, disse, “não mais salvação pela sociedade” – sugerindo (ainda que por omissão e não por afirmação) que, por implicação, a responsabilidade pela danação não pode ficar com a sociedade, a redenção e a condenação são produzidas pelo indivíduo e somente por ele – o resultado do que o agente livre fez de sua vida.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
O mundo está cheio de possibilidade, é como uma mesa de bufê com tantos pratos deliciosos que nem o mais dedicado comensal poderia provar de todos. Os comensais são os consumidores, a mais custosa e irritante das tarefas que se pode pôr diante de um consumidor é a necessidade de estabelecer prioridades: a necessidade de dispensar algumas opções inexploradas e abandoná-las. A infelicidade dos consumidores deriva do excesso e não da falta de escolha. “Será que utilizei os meios à minha disposição da melhor maneira possível”? Será que utilizei os meios à minha disposição da melhor maneira possível? É a pergunta mais assombrosa e causa insônia ao consumidor.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
Ninguém ficaria surpreso ou intrigado pela evidente escassez de pessoas que se disporiam a ser revolucionários: do tipo de pessoas que articulam o desejo de mudar seus planos individuais como projeto para mudar a ordem da sociedade.
A tarefa de construir uma ordem nova e melhor para substituir a velha ordem defeituosa não está hoje na agenda – pelo menos não na agenda que se supõe que a ação política resida.
– Zygmunt Bauman, frases em Modernidade Líquida.
No seu último encontro anual, realizado em setembro de 1997 em Hong Kong, os diretores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial criticaram severamente os métodos alemães e franceses para trazer mais gente de volta ao mercado de trabalho. Achavam que esses esforços iam contra a natureza “flexível do mercado de trabalho”. O que este requer, disseram, é a revogação de leis “favoráveis demais” à proteção do emprego e do salário, a eliminação de todas as “distorções” que se colocam no caminho da autêntica competição e a quebra da resistência da mão-de-obra a desistir de seus “privilégios” adquiridos – isto é, de tudo que se relacione à estabilidade do emprego e à proteção do trabalho e sua remuneração.
– Zygmunt Bauman, frases em Globalização: As consequências humanas.
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5 frases
https://www.youtube.com/watch?v=f9G8VbL6YMo
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Via Graça Silva:
"Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. [...] Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, caso haja defeito descarta-se - ou até mesmo troca-se por "versões mais atualizadas".
Zygmunt-Bauman-sociologo-filos_54244283473_54028874188_960_639.jpg
"Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis [...] um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. [...] Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo",

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html#ixzz3i23oQd00 
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Estou a ler o AMOR LÍQUIDO
sobre a fragilidade dos laços humanos
pág.8
"este livro é dedicado aos riscos e ansiedades de se viver junto, e separado, em nosso líquido mundo moderno."
pág.9
"Não é verdade que, quando se diz tudo sobre os principais temas da vida humana, as coisas mais importantes continuam por dizer?"
pág.10
"Chegado o momento, amor e a morte atacarão. Quando acontecer, vai pegar você desprevenido...o amor e a morte aoarecerão ab nihilo - a partir do nada."
pág 11
 " O conhecimento que se amplia juntamente com uma série de eventos amorosos é o conhecimento do "amor" como episódios intensos, curtos e impactantes, desencadeados pela consciência a priori" da sua própria fragilidade e curat duração."
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é da natureza do amor - como Lucano observou há 2 milénios e Francis Bacon repetiu muitos séculos depois - ser refém do destino."
p12
Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exiginuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos
p13
Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.

P22
Assim, viver juntos ("e vamos esperar para ver como isso funciona e aonde nos vai levar") ganha a atractivo de que carecem os laços de afinidade."
P33
Nenhum episódio está a salvo das suas consequências.
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O CHOVE NÃO MOLHA DO AMOR LÍQUIDO

PUBLICADO EM SOCIEDADE POR 
vida contemporânea é caracterizada pela extrema fluidez das relações humanas, de tal modo que não existe tempo para construir laços afetivos. Sendo assim, o amor tornou-se líquido e, por conseguinte, fugaz. Afinal, como diz Zygmunt Bauman: "Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar".
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http://obviousmag.org/genialmente_louco/2015/o-chove-nao-molha-do-amor-liquido.html?utm_source=obvious&utm_medium=Article_Column&utm_campaign=Popular_Articles
Chegamos a um momento em que não sabemos o que somos. Sabemos que não somos modernos, pois a razão não é tão poderosa quanto outrora, mas também, ainda não sabemos em que estágio estamos. Assim, a contemporaneidade é chamada de pós-moderna, ou como prefere o sociólogo Polonês Zygmunt Bauman - Modernidade Líquida.
Nesse universo, tudo é fluído e muda com extrema rapidez, não há espaço para coisas sólidas, já que em tempos líquidos, tudo que é sólido desmancha no ar. Dessa maneira, o amor também assume uma nova face diante de todas essas mudanças, assumindo uma forma líquida.
Como dito, o mundo pós-moderno é marcado pela extrema fluidez e velocidade que as relações possuem, de tal modo que a facilidade em desconectar é o principal elemento das relações. Uma relação que nos prende e finca raízes e que, por conseguinte, não permite desconectar com tanta facilidade é um fardo que o homem contemporâneo parece não querer carregar.
Assim, como se estivessem numa grande feira, os indivíduos compram, trocam e vendem relacionamentos. Tudo isso graças à facilidade de desconectar. Acreditam que com as suas inúmeras experiências, tornam-se experts no amor. Entretanto, o que adquirem é apenas a
"Habilidade de terminar rapidamente e começar do início."
Ou seja, os muitos relacionamentos não significam necessariamente mais amor. A rapidez com que se troca de parceiros e se descarta os relacionamentos não permite conhecer o outro a ponto se relacionar verdadeiramente. Em verdade essa fluidez chega a ser um contrassenso a ideia de relacionamento, uma vez que relacionar-se significa levar consigo, e portar alguém está fora do cardápio pós-moderno.
"É tentador afirmar que o efeito dessa aparente aquisição de habilidades tende a ser, como no caso de Don Giovanni, o desaparecimento do amor - uma exercitada incapacidade para amar."
Estamos presos ao nosso próprio eu, o que se tornou ainda mais viável com o desenvolvimento dos aparelhos tecnológicos e a internet. Não queremos nos dar o trabalho de investir numa relação, tudo é uma questão de custo-benefício. Os relacionamentos transformaram-se em meras mercadorias, de forma que o que se busca é sempre lucrar com o produto final.
Não há tempo para a semeadura, a qual além de levar tempo é desgastante. Queremos tão somente usufruir do produto acabado, e quando este já não nos serve, trocamos por outro, afinal, essa é a lógica do mercado, e o amor nesse contexto, também se encontra na vitrine.
"E assim é numa cultura consumista como a nossa que favorece o produto pronto para o uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução de dinheiro."
Os relacionamentos, assim, são vistos como investimentos comerciais. Não a tempo a perder, é preciso estar atento ao mercado, pois, quando este acenar com possibilidades melhores, tenho que estar pronto para me desfazer dos relacionamentos que possuo e usufruir de outros melhores.
"Para o parceiro, você é a ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado - e ninguém consulta as ações antes de devolvê-las ao mercado, nem os prejuízos antes de cortá-los."
O amor líquido é a transformação dos homens em mercadorias, é a solidão de uma sociedade individualista que busca relacionar-se, mas sem se envolver, como se as pessoas fossem descartáveis. A insegurança impede que raízes sejam fincadas, que o produto acabado transforme-se em produto construído, que alguém esteja dentro de mim. No máximo o que são permitidos são os "relacionamentos de bolso", os quais você guarda no bolso de modo a poder lançar mãos deles quando for preciso.
Amar significa perder tempo, ter dor de cabeça, estar pronto a arriscar, pois nada é um produto acabado, mas antes uma construção perene. É impossível saber se está certo ou errado, pois ainda não se chegou ao fim do caminho. E amar é investir na semeadura, mesmo antes de saber se os frutos nascerão. É preciso esforça-se numa relação, estar pronto em alguns momentos a abdicar do seu eu, colocar-se no lugar do outro, o que em
"Uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista."
Vivemos numa sociedade hedonista, em que tudo que retarda a satisfação é visto de forma inadequada, e o amor, o qual precisa de tempo, encontra-se nessa inadequação. Dessa forma, os relacionamentos de bolso escondem a insegurança e o medo das pessoas se envolverem, assim como a incapacidade de saírem da zona de conforto e perder tempo com algo. Queremos um amor que nos satisfaça e que por algum momento nos afaste a solidão, mas não queremos ter o trabalho de nem por um momento ter um peso que nos impeça de flutuar, afinal,
"Vivemos em tempos líquidos. Nada é para durar."
O amor é feito pelos amantes a todo o momento, é um ato criativo que apenas no envolvimento dos amantes é capaz de se manifestar. É apenas para os corajosos, que não têm medo de se arriscar e que sabem que há mágicas que apenas o inesperado possui. Assim,
"Não é ansiado por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas o estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo."


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