e morreu a 9mar1994
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Via Pensador:
A tristeza me recobre
E mando a cerveja goela abaixo
Peço uma bebida forte
Rápido
Para adquirir a garra e o amor de
Continuar!
*
Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.
*
O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
*
Um bom poeta pode fazer uma alma despedaçada voar.
*
As pessoas apaixonadas, em geral, se tornam impacientes, perigosas. Perdem o senso de perspectiva. Perdem o senso de humor. Ficam nervosas, tornam-se chatas, psicóticas. Podem virar assassinas.
*
A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer às ordens.
*
Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura
*
O Pássaro Azul
Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
*
Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura.
*
“Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.”
*
(...) de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi...
e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.
*
É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa.
*
Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil.
*
Às dez horas subi para o pequeno-almoço. Encontrei-me com Pete e Selma.
Selma estava esplêndida. O que se pode fazer para arranjar uma Selma?
Os cães acabam sempre com cães. Selma serviu-nos o pequeno almoço.
Ela era bela e pertencia a um homem, a um professor da faculdade.
Não era muito justo. Os sedutores bem educados.
A educação era o novo deus, e os homens educados os novos senhores do mundo.
*
Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas, psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.
*
Se vai tentar
siga em frente.
Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.
Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...
A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.
*
A dor é uma coisa estranha.
Um gato que mata um pássaro,
um acidente de automóvel,
um incêndio...
A dor chega,
BANG,
e eis que ela te atinge.
É real.
E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido.
Como se te tornasses, de repente, num idiota.
E não há cura para isso,
a menos que encontres alguém
que compreenda realmente o que sentes
e te saiba ajudar...
*
E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar, nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de lavador de pratos.
Talvez eu pudesse ser um ladrão de bancos. Alguma porra. Alguma coisa flamejante, com fogo. Você só tinha direito a uma tentativa. Por que ser um limpador de vidraças?
*
Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? O problema é que tenho de continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar este computador, se eu quiser dar descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles me causem horror. E horror é uma gentileza.
*
Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto.
*
As pessoas que resolviam as coisas em geral tinham muita persistência e um pouco de sorte. Se a gente persistisse o bastante, a sorte em geral chegava. Mas a maioria das pessoas não podia esperar a sorte, por isso desistia.
*
Às vezes as coisas são o que apenas parecem ser, sem nada demais.
*
Esperamos e esperamos. Todos nós. Não saberia o analista que a espera é uma das coisas que faziam as pessoas ficarem loucas? Esperavam para viver, esperavam para morrer. Esperavam para comprar papel higiênico. Esperavam na fila para pegar dinheiro. E, se não tinham dinheiro, precisavam esperar em filas mais longas. A gente tinha de esperar para dormir e esperar para acordar. Tinha de esperar para se casar e para se divorciar. Esperar para comer e esperar para comer de novo. A gente tinha de esperar na sala de espera do analista com um monte de doidos, e começava a pensar se não estava doido também.
*
Definição de bom bairro: lugar onde a gente não tem condições econômicas para morar.
*
http://pensador.uol.com.br/autor/charles_bukowski/2/
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http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2014/07/5-livros-e-5-filmes-para-conhecer-charles-bukowski-4553490.html
5 LIVROS PARA CONHECER BUKOWSKIPor Carlos André Moreira (carlos.moreira@zerohora.com.br)
1) Ereções, Ejaculações e Exibicionismos (L&PM, tradução de
Milton Persson)Coletânea em dois volumes de alguns dos principais contos publicados
por Bukowski na imprensa alternativa. Dividido em Crônica de um Amor Louco eFabulário Geral do Delírio Cotidiano, faz a crônica da violência
subjacente à sociedade americana, principalmente aquela destinada aos que
estão à margem. Prostitutas, derrotados, prisioneiros, viradores e criminosos
(alguns versões do próprio Bukowski) são os personagens desta mais de meia
centena de histórias que se dividem entre o feroz e cômico.
2) Cartas na Rua (L&PM, tradução de Pedro Gonzaga)Ao longo de boa parte de seus romances, Bukowski narrou episódios e fases
de sua própria vida, atribuídos ao seu alter ego Henry Chinaski. Neste romance
de estreia que aborda dois períodos diferentes que Bukowski passou como
funcionário dos Correios dos Estados Unidos, Chinaski sofre como carteiro
de rua e, anos mais tarde, arranja um emprego no serviço de expedição como
forma de sustentar a si e a mulher com quem recém se casou. Um livro que
permite vislumbrar uma das grandes virtudes de Bukowski como um cronista
do homem comum esmagado pela monotonia e pelo desespero do mundo
do trabalho.
3) Mulheres (L&PM, tradução de Reinaldo Moraes)Feio, bêbado, moldado por uma família truculenta e por centenas de fracassos
em subempregos, Chinaski/Bukowski chega aos 50 anos quase celibatário
– bem a tempo de acompanhar, perplexo, as mudanças do comportamento
sexual da sociedade à sua volta. Uma coletânea agridoce de grandes paixões
de um Chinaski começando sua trajetória de autor maldito, conhecendo,
em sequência, uma série de mulheres com atitude diversa daquelas do passado:
mais independentes e obstinadas. Mais do que sexo depravado, é um livro no
qual Bukowski exibe uma faceta cômica e terna.
4) Hollywood (L&PM, tradução de Marcos Santarrita)Há mais romances protagonizados pelo personagem Chinaski, mas este
compõe com os dois anteriores um bom panorama da formação pessoal
do Bukowski escritor. Já publicado e reconhecido por um número cada
vez maior de leitores, Chinaski é procurado por um alucinado diretor
de cinema, fã de seus livros, para escrever um roteiro cinematográfico.
Baseado na experiência real de Bukowski como roteirista do filme
Barfly (1987), de Barbet Schroeder, é um dos ápices de Bukowski
como satirista, atirando com sua verve contra a frivolidade da
indústria de cinema e até mesmo os próprios leitores malas de
Bukowski – que nesta fase da vida tentavam provocá-lo para brigas
de bar tentando fazê-lo reencenar seus próprios livros.
5) O Amor É um Cão dos Diabos (L&PM, tradução de Pedro Gonzaga)Desde que começou a ser publicado no Brasil, pela Editora Brasiliense,
Bukowski recebeu por aqui mais atenção para sua obra em prosa. Nos
Estados Unidos, no entanto, boa parte do prestígio que o autor angariou
no fim da vida vem de sua poesia – muito pouco editada no Brasil. Algo
que começou a mudar nos últimos anos com a publicação, em 2007,
deste volume que reúne poemas compostos entre 1974 e 1977. Como em
sua prosa, estão ali os elementos autobiográficos, o humor cáustico
e a crônica de um lado B da sociedade americana.
5 FILMES PARA CONHECER BUKOWSKIPor Daniel Feix (daniel.feix@zerohora.com.br)
1) Crônica de um Amor Louco (1981)A primeira adaptação de Bukowski largamente conhecida vem da Itália.
Neste filme do cineasta Marco Ferreri (de A Comilança), Ben Gazzara
interpreta um poeta alcoólatra e rebelde, alter ego do escritor, que vaga
pelo submundo de Los Angeles até conhecer uma prostituta linda e
autodestrutiva (a atriz Ornella Muti), com quem inicia um romance que
se transforma em tragédia.
2) The Killers (1984)Este filme pouco conhecido do diretor idem Patrick Roth tem uma
particularidade: a participação do próprio Charles Bukowski como
o personagem O Autor. Baseado na história homônima de Bukowski,
a trama narra o envolvimento de um pacato agente de seguros (interpretado
pelo ator Jack Keroe) com um criminoso (Raymond Mayo) em Bervely Hills.
3) Crazy Love (1987)Premiada (no Festival de San Sebastian) produção belga que o diretor
Dominique Deruddere adaptou de vários contos de Bukowski, como
A Sereia que Copulava em Veneza, Califórnia. A trama acompanha
três noites importantes na vida de um homem, uma delas quando ele
tinha 12 anos, a segunda no dia de sua formatura e a última já na terceira
idade, amargurado.
4) Barfly – Condenados Pelo Vício (1987) Diretor de Medidas Desesperadas e Mulher Solteira Procura, Barbet
Schroeder assina este elogiado longa que tem como protagonistas
Mickey Rourke e Faye Dunnaway (indicada ao Globo de Ouro pelo papel).
Trata-se de uma história semi-autobiográfica que o próprio Bukowski escreveu
(a pedido de Schroeder) e que foi publicado, com ilustrações do autor, antes
da conclusão do filme.
5) Factótum – Sem Destino (2005)Consagrado no circuito de arte, o realizador norueguês Bent Hamer adaptou
o romance homônimo de Bukowski em Hollywood na década passada.
No filme, Henry Chinaski (Matt Dillon) vive se empregando e sendo
demitido de uma série de subempregos, que encontra para tentar bancar
sua vida de bebedeiras, apostas em cavalos, mulheres e, principalmente,
de escrever livros que nunca serão publicados.***

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“A Poesia abre os Olhos, Cala a Boca…
E Estremece a Alma...”
Imagem - © Josep Sumalla
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Com Bukowski, não há meio-termo: ou se ama ou se odeia. Estas histórias, inspiradas na sua própria vida, são tão selvagens e inusitadas quanto as histórias dos seus romances. Bukowski foi uma lenda no seu tempo. Louco, recluso, amante. Afável e mesquinho. Lúcido e insano. Sempre inesperado. Estas histórias excepcionais vêm directas do âmago de uma vida, a que viveu, marcada pela violência e pela depravação. Histórias de liberdade, tão profanas quanto sagradas. Da prostituição à música clássica, Bukowski faz, nestas Histórias de Loucura Normal, um retrato irado, apesar de terno, bem-humorado e inquietante, da vida marginal de Los Angeles, uma realidade obscura e perigosa que emoldurou a vida de um dos maiores autores de culto do século xx. Histórias, afinal, da loucura que espreita dentro de cada um de nós, que faz do corpo uma marioneta e que não desaparece senão com a morte. «Um agitador profissional… representante da marginalidade de Los Angeles…»
Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 1920, mas cresceu em Los Angeles, onde viveu durante cinquenta anos. Publicou o seu primeiro conto em 1944, quando tinha vinte e quatro anos, e começou a escrever poesia com trinta e cinco anos. Morreu em 1994, aos 73 anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance, Pulp. Viu publicados mais de quarenta e cinco livros de prosa e poesia, incluindo os romances Post Office (1971), Factotum (1975), Women (1978), Ham on Rye (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). É um dos autores americanos contemporâneos mais conhecidos a nível mundial e, possivelmente, o poeta americano mais influente e imitado de sempre. A Alfaguara publicou, em 2012, Hollywood e Pulp.

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“A Poesia abre os Olhos, Cala a Boca…
E Estremece a Alma...”
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O amor é uma espécie de preconceito.
A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como se pode dizer que se ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como se pode dizer que se ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
(imagem: tumblr)