A realidade está cada x+ invisível
e o invisível está cada x+ sólido!
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12jul2018
Neutrinos: descoberta a origem cósmica destas partículas fantasmagóricas
Um observatório de neutrinos no Pólo Sul e vários
telescópios espalhados pela Terra e no espaço detectaram a origem de
neutrinos de altíssima energia. Vêm de uma galáxia activa a 4000 milhões
de anos-luz.

https://www.publico.pt/2018/07/12/ciencia/noticia/neutrinos-descoberta-a-origem-cosmica-destas-particulas-fantasmagoricas-1837807
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https://www.youtube.com/watch?v=YYmFOcsHGf8
Cada um de nós emite cerca de 20 milhões de neutrinos por hora e somos atingidos por trilhões deles a cada segundo. Neutrinos atravessam paredes, a Terra e podem até mesmo atravessar anos-luz de chumbo sem interagir com qualquer um dos seus constituintes. Juntamente com os fótons, as partículas de luz, são as partículas elementares mais abundantes do Universo: para cada próton, há cerca de 10 bilhões de neutrinos! Não bastassem estas características tão inusitadas, o recente resultado do Experimento OPERA sugere que os neutrinos atingem velocidades superiores à da luz, contrariando um dos pilares basilares da Relatividade de Einstein. Será isso mesmo?? O que são os neutrinos e quais os desafios que nos impõem estas partículas misteriosas? É o que discutiremos nesta breve apresentacão sobre os neutrinos.
Palestrante: Marcelo Guzzo
Data: Qua, 28/03/2012
Tipo: Convite à Física
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O que é um neutrino?
Partícula elementar da matéria, fantasma ou camaleão, o neutrino pode estar um milhão de vezes mais presente no universo do que cada um dos constituintes dos átomos, mas continua a ser incrivelmente difícil de detectar.
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2014388
neutrino, que desde os anos 1960 intriga os físicos, é desprovido de carga eléctrica, o que lhe permite atravessar paredes. A cada segundo, 66 mil milhões das suas partículas fantasmagóricas atravessam o equivalente a uma unha humana. No entanto, um neutrino emitido pelo Sol tem apenas uma hipótese em cem milhões de chegar à Terra.
Emitidos pelas estrelas e pela atmosfera, os neutrinos podem ser criados pela radioactividade dita beta, como a das centrais nucleares. Assim que um protão se transforma num neutrão (electricamente neutro) ou um neutrão se transforma num protão, esta mutação sucede acompanhada pela emissão de um electrão negativo ou positivo e de um neutrino (ou de um anti-neutrino).
O comportamento destas partículas imperceptíveis interessa muito aos cientistas, uma vez que permite explicar por que é que o mundo é maioritariamente constituído por matéria e não por anti-matéria, uma vez que as duas deveriam existir em quantidade equivalente depois do 'Big Bang'.
A observação das "oscilações" de neutrões, que por vezes se transformam com outras formas, é também um elemento fundamental para a Física. Isto porque, para oscilarem, estas partículas devem ter uma massa, o que foi cientificamente estabelecido em 1998, depois de 30 anos de investigação.
"A existência de um modelo que possa explicar por que é que o neutrino é tão pequeno, sem se desvanecer, terá profundas implicações na compreensão do nosso universo, de como ele era, como evoluiu e como eventualmente morrerá", afirmou Antonio Freditado, físico do Instituto Italiano de Física Nuclear.
O Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS, na sigla em francês), em França, anunciou quinta-feira que os neutrinos foram medidos a uma velocidade que ultrapassa ligeiramente a velocidade da luz, considerada até agora como um "limite intransponível".
Caso seja confirmado por outras experiências, este "resultado surpreendente" e "totalmente inesperado" face às teorias formuladas por Albert Einstein, poderá abrir "perspectivas teóricas completamente novas", sublinha o CNRS.
As medições efectuadas pelos especialistas desta investigação, a que se chamou Opera, concluíram que um feixe de neutrinos percorreu os 730 quilómetros que separam as instalações do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), em Genebra, do laboratório subterrâneo de Gran Sasso, no centro de Itália, a 300.006 quilómetros por segundo, ou seja, uma velocidade superior em seis quilómetros por segundo à velocidade da luz.
***Nobel da Física de 2015 para
cientistas que mostraram
que os neutrinos têm massa
Os dois laureados deste ano lideraram duas gigantescas experiências
de detecção de neutrinos – as partículas mais esquivas do Universo –,
resolvendo um grande enigma da física e mostrando ao mesmo tempo
que os neutrinos têm massa.
O Prémio Nobel da Física 2015 foi atribuído a dois físicos pela "descoberta das oscilações dos neutrinos, que mostra que os neutrinos possuem uma massa", anunciou esta terça-feira em Estocolmo a Real Academia das Ciências Sueca. Os premiados são o japonês Takaaki Kajita (n.1959), da Universidade de Tóquio (Japão); e o canadiano Arthur McDonald (n.1943), professor emérito da Queen’s University (Canadá).
Os neutrinos estão por todo o lado. Milhões de milhões destas partículas atravessam o nosso corpo a cada segundo sem darmos por elas. De facto, os neutrinos interferem muito raramente com a matéria – e detectá-los é uma árdua tarefa.
Os neutrinos podem ter diversas origens: alguns foram criados no Big Bang, outros surgem de cada vez que uma estrela morre numa grande explosão (ou supernova), outros ainda provêm da interacção das radiações cósmicas com a atmosfera terrestre, de reacções nas centrais nucleares ou de desintegrações radioactivas naturais, explica o comité do Nobel num documento que relata a história dos trabalhos premiados. Mas a maioria dos que chegam à Terra são criados nas reacções nucleares que decorrem no interior do Sol.
Diga-se ainda que o chamado Modelo Padrão da física das partículas (que descreve, ao nível subatómico, o mundo que nos rodeia) estipula que há três tipos de neutrinos. São eles os neutrinos do electrão, os neutrinos do muão e os neutrinos do tau – e cada um tem, segundo essa teoria, uma partícula “parceira” com carga eléctrica (respectivamente, o electrão, o muão e o tau, sendo estas duas últimas mais pesadas que o electrão e com tempos de vida muito curtos).
Cada um por seu lado, em pontos opostos do globo, os dois laureados deste ano lideraram, a partir de finais dos anos 1990, grandes equipas científicas internacionais encarregadas de uma missão que podia parecer quase impossível: detectar os neutrinos que chegavam à Terra para tentar explicar por que é que certas previsões teóricas acerca destas partículas elementares não batiam certo com as observações feitas até lá.
Acontece que, quando os neutrinos foram descobertos, em meados dos anos 1950 (mais de 20 anos depois de a sua existência ter sido proposta), calculou-se quantas dessas partículas eram teoricamente criadas no centro do Sol. Mas a medição experimental revelou um número muito inferior ao da teoria: até dois terços dos neutrinos solares pareciam ter, por assim dizer, desaparecido sem deixar rasto.
Para além da possibilidade de os cálculos teóricos estarem totalmente errados, houve então quem especulasse que os neutrinos não desapareciam, mas “mudavam de identidade” – passavam de um dos três tipos de neutrino para outro –, tornando-se indetectáveis pelos meios disponíveis. E se fosse possível provar que os neutrinos mudavam de tipo ao longo do seu percurso até nós, isso permitiria reconciliar a teoria e a experiência.
Piscinas subterrâneas
Foi preciso esperar quase até a viragem do milénio para entrarem em funcionamento dois super-detectores de neutrinos. Um deles, o Super-Kamiokande, é um tanque com 50.000 toneladas de água muito pura e 11.000 detectores de luz a toda a volta, construído a 1000 metros de profundidade numa antiga mina de zinco, a 250 quilómetros de Tóquio. O outro, o Observatório de Neutrinos de Sudbury (SNO), é um tanque com mil toneladas de água pesada (variante química da água) rodeado de 9.500 detectores e situado a 2000 metros de profundidade, numa antiga mina de níquel no Ontário (Canadá). Juntas, estas duas experiências permitiriam confirmar a mudança de identidade dos neutrinos, com implicações profundas para a física.