10/07/2011

4.739.(11Jul 0h0') Bertrand Russel

nasceu a 18maio1872
e morreu a 2fev1970
***
 Hoje 11julho
vou reVER "Contos" de Bertrand Russel - livro prenda
da Elisabete M
quando fiz 23 anos, 8 dias antes do 25 d'Abril 1974 - da revolução dos cravos vermelhos!!!...
***
A Edith

Durante longos anos
     procurei a paz.
Encontrei o êxtase, encontrei a angústia,
     encontrei a loucura.
encontrei a solidão.
Encontrei a dor solitária
     que rói o coração,
mas a paz não a encontrei.

Agora, velho e perto do fim,
     conheci-te,
e conhecendo-te,
encontrei ao mesmo tempo o êxtase e a paz.
     Conheço o descanso.
Depois de tantos anos solitários
sei o que pode ser a vida e o amor.
Agora, se adormecer,
Adormeço satisfeito.
***
Li A CONQUISTA DA FELICIDADE
1976?
escrevi.registei:
Cap.I - Quanto mais o homem procura que o admirem, mais longe está de conseguir o seu objectivo.
- Devotos do prazer ...Procuram tornar a vida suportável vivendo-a menos.
-Os homens que são infelizes como sos homens que dormem mal, mostram-se sempre orgulhosos por esse facto.
_ O animal humano, como os outros animais, está adptado para uma certa luta pela vida e quando graças a sua riqueza, o homosapiens pode satisfazer todos os desejos sem esforço, a simples ausência de esforço na sua vida afalasta dele um elemento essencial de felicidade.

Cap.IV
p55...Certa capacidade para suportar o aborrecimento é pois essencial a uma vida feliz.
- De todas as características que são vulgares na natureza humana a inveja é a mais desgraçada; o invejoso não só deseja provocar o infortúnio e o provoca sempre que pode impunemente, como se torna infeliz por causa da sua inveja, Em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm.
- Uma certa felicidade é o direito natural de cada um e quem é dela privado torna-se quase inevitávelmente pervertido e triste.
-Tudo o que nos sucede de agradável deve ser plenamente apreciado sem pensar em comparações...
p58...IV cap.
O amor é uma experiência pela qual todo o nosso ser é renovado e refrescado como o são as plantas pela chuva após a seca. Quando o prazer momentâneo finda sobrevêm a fadiga, o desgosto e o sentimento de vida vazia. É que o amor faz parte da vida da Terra  e o desejo sexual sem amor não faz.
- Uma vida feliz deve ser, em grande parte, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.
p62...Cap V..
É surpreendente como a felicidade e a eficiência quando se cultiva um espírito ordenado que pensa adequadamente no momento preciso em vez de inadequadamente em todos os momentos. Quando uma decisão difícil tem de ser encontrada, logo que se reúnam os dados aplica-se ao assunto a melhor reflexão e decide-se; essa decisão, uma vez tomada não deve ser corrigida, a não ser que se chegue ao conhecimento de novos fcatos. Nada é tão inquietante como aindecisão e nda é tão fútil.
p65...A maior parte do inconsciente consiste no que outrora foi pensamento consciente altamente emotivo e ora se tornou oculto.
- Tenho verificado que se tenho de escrever sobre algum assunto fifícil o melhor plano é pensar nele com grande intensidade - a maior intensidade do que sou capaz - durante algumas horas ou alguns dias e no final desse tempo ordenar, por assim dizer, que o trabalho prossiga inconscientemente. Depois de alguns meses volto conscientemente ao assunto e verifico que o trabalho se realizou.
p67...O caminho a seguir para lutar contra tod a espécie de medo é pensar nele calma e racionalmente, mas com grande concentração até que se torne absolutamente familiar.
p68...Grande parte das fadigas nervosas é devida a medos (conscientes ou inconscientes)

p92...É nos momentos em que o espírito está mais activo, em que menos coisas são esquecidas que se sentem alegrias mais intensas.
- A felicidade que satisfaz verdadeiramente é acompanhada pelo completo exercício das nossas faculdades e da compreensão plena do mundo em que vivemos.
p100...mania da perseguição...
1º - Lembrai-vos que os vossos desígnios não são sempre tão altruistas como vos parecem.
2º - Não avlieis exageradamente os vosso próprios mériotos.
3º - Não espereis que os outros se interessem tanto por vós como vós próprios.
4º - Não imagineis que a maior parte das pessoas pense suficientemente em vós para ter algum especial desejo em vos perseguir.
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Em todas as nossas relações com os outros, especialmente com aqueles que nos são mais próximos e mais queridos, é importante, e nem sempre fácil lembrarmo-nos que eles vêem a vida do seu ponto de vista pessoal e em seu próprio EU e não no nosso ponto de vista e em relação ao nosso EU. Não se deve exigir de ninguém que se faste da linha principal da sua vida por causa doutra pessoa. Pode existir uma afeição tão profunda que mesmo os maiores sacrifícios se tornam naturais, mas se tais sacrifícios não são naturais não devem fazer-se e não se deverá censurar ninguém por os não realizar.
Muitas vezes a conduta que se desaprova nos outros não é mais do que a reacção normal dum egoísmo natural contra a a avareza de alguém cujo egoísmo se prolonga para além dos seus próprios limites.
p116...A felicidade resulta da associação de pessoas com gostos e opiniões semelhantes.
p123...O homem que se deprecia fica sempre surpreendido com os seus triunfos enquanto o homem que tem confiança excessiva fica surprreendido com os seus amlogros. A primeira surpresa é agradável a segunda não é. Por isso a prudência aconselha que não se seja demasiado modesto nem demasiado vaidoso.
A forma que consuz á felicidade manifesta-se no gosto de observar as pessoas e de encontrar prazer nos seus traços individuais; deseja deixar liberdade aos interesses e prazeres daqueles com quem está em contacto, sem querer adquirir domínio sobre eles ou assegurar a sua entusiástica admiração.
- o sentimento do dever é útil no trabalho mas ofensivo nas relações pessoais. As pessoas desejam ser amadas e não toelradas com paciente resignação. Amar muito as pessoas, espontãneamente e seme sforço é talvez a maior de todas as causas de felicidade pessoal.
- Quanto mais objectos de interesse um homem tem mais ocasiões tem também de ser feliz e menso está á emrcê do destino, pois se perder um pode recorrer logo a outro.
- A prudência no amor é talvez a mais fatal à verdadeira felicidade.
p186...Uma das causas da infelicidade, da fadiga, e da tensão nervosa é a incapacidade para tornar interesse por tudo o que não tenha uma importância prática na vida
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LI a EDUCAÇÃO E VIDA PERFEITA
1976?
REGISTEI  à mão:
p6...A educação que desejamos aos nosso filhos depende das nossas ideias sobre o carácter humano e das nossas esperanças em relação à parte que eles irão desempenhar na colectividade.
- As modernas teorias de psicologia revelam-nos que o carácter é muito mais determinado pela educação inicial do que supunham os antepassados educadores.
Icap.
- Uma actividade é últil quando pruoduz bons resultados.
- O espontâneo desejo de aprender, que todas as crianças normais mostram nos seus esforços para andar e falar, deve tornar-se o pivot da educação.
- O homem que em moço teve vontade de matar o seu pai encontra mais tarde prazer em flagelar o seu filhos, certo de que está castigando um "mal moral" (A preguiça habitual)
II Cap.
- Onde existe a vitalidade existe o prazer de sentir a vida em si. Exalta o prazer e diminui a dor cria em nós o interesse pelas coisas do mundo externo força para o trabalho duro; defesa contra a inveja porque nos torna agradável a existência.
- Coragem (" falar sem preverdade excepto quando alguma coisa vos amedrontar")
Os nossos propósitos nunca devem ser impostos aos outros.
Tal coragem é positiva e instintiva de modo nenhum negativa e repressiva- e considero-a, em seu sentido positivo, um dos melhores ingredientes para o carácter perfeito
sensibilidade -----emoções
- o desejo de sermos bem vistos acompanha-nos pela vida fora tornando-se precioso como estímulo de conduta e restrição aos maus impulsos.
- Para o desenvolvimento da sensibilidade ---simpatia
inteligência
curiosidade (não a de espreitar pelo buraco da fechadura ou de saber mexericos)
- Com a idade destrói-se a curiosidade e morre a inteligência activa.
- A curiosidade a respeito das ideias gerais revela nível mais elevado de inteligência do que a curiosidade dos factos.
(Quanto maior fôr a inteligência maisor será a capacidade de generalização)
- Devemos ter "larguesa de espi´rito". Tornamo-nos impervios a novas verdades, não só pelo hábito como pelo desejo: achamos difícil abandonar uma crença alimentada já de muitos anos ou também os que nos lisonjeia.
- Uma geração de mulheres sem medo transformaria o mundo dando-lhe imediatamente uma geração de crianças sem medo, não contorcida, em formas anti-naturais, mas francas e cândidas, generosas, afeiçoadas e livres.
p60...A instintiva base da vida intelectual é a curiosidade.
p61...O que de facto mudou foi o homem: a idade destruiu-lhe a curiosidade. E com a morte da curiosidade temos de reconhecer que também morre a inteligência activa.

Quanto maior é ainteligência maior é a capacidade de generalização.
IV cap.  MEDO
- o QUE MAIS AMEDRONTA UMA CRIANÇA NOVA (2anos) É O BARULHO SÚBITO E A SENSAÇAO DE CAIR.
p94. O segredo da moderna educação consiste em produzir resultados por meio de bons hábitos desenvolvidos na infância com o auto-domínio e a força de vontade.
p96...O histérico inventa males para ser animado e consolado. Esta disposição pode ser impedida de desenvolver-se pelo nehmu estímulo ao choro das crianças a cada arranhadura ou topada.
p97...A propósito de eclipses terramotos etc etc
- O omportante é produzir o mais cedo possível o sentimento de que o misterioso decorre apenas da nossa ignorância
V- Brinquedo e fantasia
- A criança impresiona-se com a sua própria fraqueza quando se compara com os adultos e quer igualá-los.
- Um adulto que se perde me sonhos pode ser advertido de que é melhor fazer coisas práticas que transformem esses sonhos em realidade.;
- coragem é a indiferença para com os nossos próprios infortúnios
VI cap- Espírito construtivo
VII cap - Egoísmos e propriedade
p126... Não creio que seja inato o senso de justiça mas espanta-me ver a facilidade que há em criá-lo.
p127....Parece-nos imprudente cultivar o senso da p+ropriedade nas crianças.
VIII cap. - VERDADE
- O fugir à verdade na prática, é quasi sempre um produto do medo.
- Outra forma de emntira extremamnete má para as crianças é ameaçá-las de castigos que não temos intenção de infligir.
p130...Não dizer nunca: "você não pode compreender isto"!.
( excepto quando for ciência)
- Dizei-lhe mais do que elas podem compreender nunca menos; a parte que a criança deixa de compreender estimular-lhe-á a curiosidade e a ambição intelectual.
IX - cap - CASTIGOS
p141...A mais severa punição permissível será uma natural manifestação de indignação.
X - cap - Importância da Comp...
XI - cap. Afeição e simpatia
- Pais que desejam ser amados devem comportar-se de modo a dar certo ao amor e procurar fornecer aos filhos oos elementos mentais e físicos que geram as expansões afectivas.

XII .cap - EDucação sexual
- Quem tem medo de perder o que faz a alegria da sua vida já o perdeu.
- Onde há mútua liberdade e não existem razões pecuniárias o amor é bom.
XIII . cap. Escola maternal
Não ceder mas não punir
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LI A MINHA CONCEPÇÃO DO MUNDO
escreVIVI com letra certinha
à mão...1973?
"Gostaria de lhes dizer que temos, graças aos nossos conhecimentos actuais, poderes jamais alcançados pelo homem. podemos utilizar essespoderes para o bem ou para o mal. Serão bem utilizadso, se nos compenetrarmosde que a humanidade é toda ela uma família, e de que podemos ser todos felizes ou todos infelizes. Já lá vai o tempo em que uma pequena minoria podia viver feliz à custa da miséria das grandes massas. Já ninguém se sujeita a uma situação dessas, e temos de aprender a aaceitar a ideia de que o nosso vizinho também tem direito a ser feliz, se nós próprios queremos ser felizes. Estou convencido de que, se todos forem educados inteligentemente, serão mais expansivos e não terão dificuldade em considerar a felicidade alheia como condição essencial para a felicidade pr+opria.
às vezes tenho visõe dum mundo de seres humanos felizes, cheios de vivacidade, inteligentes, onde não há opressores nem oprimidos. Um mundo de seres compenetrados de que os seus interesses comuns, excedem os interesses da competição, empenhados na efectivação das possibilidades realmente extraordinárias que a inteligência e imaginação humanas podem tornar realidade. Esse mundo pode existir - será um mundo mais maravilhoso, muito mais glorioso e mais feliz, mais rico em imaginação e em alegrias do que qualquer outro jamais conhecido."
p20...Penso que ninguém pode estar certo de nada; se temos certezas, sem dúvida que estamos errados, porque nada merece uma segurança absoluta e devemos temperar as nossas convicções com uma certa dose de dúvida. Mas, entretanto, temos de agir apesar dessa dúvida.
p80...Gostaria que houvesse em todo o mundo duas espécies de polícia: uma para inculpar os cidadãos e outra para provar a sua inocência.
p92...Os únicos planos que tenho feito referem-se sempre ao meu trabalho; o resto da minha vida tem estado entregue aos impulsos do momento e ao acaso.
Mas, no que se refere ao meu trabalho tenho na verdade um plano estabelecido que tenho cumprido o melhor possível.
p93...Elementos fundamentais da felicidade: (4) a saúde; o dinheiro necessário para nos conservarmos ao abrigo das necessidades; relações pessoais felizes; trabalho bem sucedido.
p95...Acho que o dinheiro é uma espécie de necessidade básica, em que não devemos pensar demasiado. Se o fizermos tornamo-nos ansiosos.
p97...A felicidade proporcionada pela realização de um trabalho difícil é na realidade muito grande, e penso que uma pessoa preguiçosa nunca experimenta nada que se lhe compare.
- Na realidade estaria pronta ater menos prazeres se pudesse arranjar um pouco mais de inteligência.
- Tudo o que fizermos bem feito contribui para a felicidade.
p98... A preocupação e a ansiedade só aparecem se não soubermos enfrentar as possibilidades desagradáveis.
- inveja
- Em vez de gozarem o que têm à sua disposição, o pensamento sobre a possibilidade de haver alguém que tenha mais, tira-lhes todo o prazer, e no entanto esse facto não devia ter importância nenhuma.
p100...Como se há-de combater o tédio, em raparigas com uma instrução perfeita, por exemplo? Casam-se...
- Bem, o sistema social está errado. Estou convencido de que nem sempre é possível alterá-lo pela iniciativa individual, mas o exemplo que deu é hoje de grande importância. Demonstra que não temos uma organização social adequada, porque cada pessoa devia poder dedicar-se a qualquer actividade útil para a qual mostrasse aptidões.
p112... Se ninguém provocasse agressões não havia oportunidade de se lhe opor resistência. Mas entendo que a resistência à agressão é uma coisa perfeitamente admissível.
p115...Quando qualquer país, ou classe, ou seja o que for, é injustamente tiranizado, as pessoas com sentimentos humanos de bondade começam a pensar que os oprimidos devem ser impecáveis e cheios de encantos. E depois, é claro, esses oprimidos acabam por se libertar, e assim que o conseguem tratam de pôr em prática, tanto quanto podem, os vícios que anteriormente eram praticados pelos opressores.
p136...2 impulsos que condicionam a nossa conduta...
impulso criativo é aquel cujo objectivo é fazer aparecer qualquer coisa que sem ele não apareceria mas que não é tirada a ninguém.
impulso possessivo quando consiste em nos apropriarmos de uma coisa que já existe, como uma fatia de pão por exemplo.
É claro que qualquer deles tem a sua função, e temos de ser suficientemente possessivos para podermos sobreviver; mas os impulsos realmente importantes dentro da liberdade são os criativos. Se uma pessoa escreve um poema, não tira  aninguém a possibilidade de escrever outro poema - e se alguém pintar um quadro não proíbe ninguém de pintar outro quadro.
p140... Há muito quem tenha medo de arrostar contra a histeria colectiva e daí resulta por vezes o triunfo de muita coisa que o não merecia.
p147...Inclino-me a classificar de fanático todo o indivíduo que considera uma determinada coisa tão avassaladoramente importante que a coloca acima de tudo o mais.
p148...Os fanáticos quando se juntam, sentem-se à vontade, entre amigos. Porque em certa medida confere uma agradável sensação de solidariedade.
p150...A sanidade mental é uma coisa muitor elativa. Pouquíssimas pessoas são absolutamente normais. Quase todos temos um cantinho de loucura.
p176...O problema do mundo moderno, quanto a mim, e tendo em vista os recursos da técnica actual, reside na psicologia individual, nas más paixões de cada um...
e mais ainda de que para sermos felizes num mundo moderno e tão interligado temos que nos conformar com o facto de que o vizinho seja também feliz, por muito que o detestemos.

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Via Graça Silva:

https://www.facebook.com/mary.bento2/posts/10211192504074327?notif_t=close_friend_activity&notif_id=1475568974483006
 “O valor da filosofia, em grande parte, deve ser buscado na sua mesma incerteza. Quem não tem umas tintas 
de filosofia é homem que caminha pela vida fora sempre agrilhoado a preconceitos que cresceram no seu
 espírito sem a cooperação ou o consentimento de uma razão ponderada. O mundo tende, para tal homem, 
a tornar-se finito, definido, óbvio; Quando começamos a filosofar, pelo contrário, imediatamente caímos na conta
 de que até os objectos mais familiares conduzem o espírito a certas perguntas a que incompletissimamente se 
dá resposta. A filosofia sugere numerosas possibilidades que nos conferem amplidão aos pensamentos, 
descativando-nos da tirania do hábito. Varre o dogmatismo, um tudo nada arrogante e vivifica o sentimento 
de admiração. ” 
*
"Acredito que o controle dos nossos atos pela inteligência é, afinal, o que mais importa e a única coisa capaz de preservar a possibilidade de vida social, enquanto a ciência expande os meios de que dispomos para nos ferir e destruir."
*
A racionalidade como solução de todos os males do mundo,

A racionalidade pode ser definida como o hábito de considerar todos os nossos desejos relevantes, e não apenas aquele que sucede ser o mais forte no momento. (...)
A racionalidade completa é, sem dúvida, ideal inatingível; porém, enquanto continuarmos a classificar alguns homens como lunáticos, é claro que achamos uns mais racionais que outros. Acredito que todo o progresso sólido no mundo consiste de um aumento de racionalidade, tanto prática como teórica.
Pregar uma moralidade altruística parece-me um tanto inútil, porque só falará aos que já têm desejos altruísticos. Mas pregar racionalidade é um tanto diferente, porque ela nos ajuda, de modo geral, a satisfazer os nossos próprios desejos, quaisquer que sejam. O homem é racional na proporção em que a sua inteligência orienta e controla os seus desejos.
Acredito que o controle dos nossos atos pela inteligência é, afinal, o que mais importa e a única coisa capaz de preservar a possibilidade de vida social, enquanto a ciência expande os meios de que dispomos para nos ferir e destruir.
O ensino, a imprensa, a política, a religião - numa palavra, todas as grandes forças do mundo - estão actualmente do lado da irracionalidade; estão nas mãos dos homens que lisonjeiam Populus Rex com o desejo de desencaminhá-lo.
O remédio não está em nada heróico nem cataclísmico, mas nos esforços dos indivíduos no sentido de uma opinião mais sadia e equilibrada das nossas relações com o próximo e a sociedade. É à inteligência, cada vez mais divulgada, que devemos recorrer para a solução dos males de que sofre o nosso mundo.
em 'Ensaios Céticos: Os Homens Podem Ser Racionais?' 
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Via CITADOR:
Aquilo que os homens de facto querem não é o conhecimento, mas a certeza.
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O amor é uma experiência pela qual todo o nosso ser é renovado e refrescado como o são as plantas pela chuva após a seca.
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O amor sob a sua forma mais elevada revela valores que sem ele ficariam ignorados.
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Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está três quartos morto.
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Na vida nunca se deveria cometer duas vezes o mesmo erro. Há bastante por onde escolher.
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A maior parte das pessoas prefere morrer a pensar; na verdade, é isso que fazem.
*
O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas o desejo de descobrir, que é justamente o oposto.
*
Pedir demasiado é a maneira mais segura de receber ainda menos do que é possível.
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Uma vida feliz deve ser em grande parte uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.
*
Não possuir alguma das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.
*
Nada é tão fatigante como a indecisão e nada é tão fútil.
*

O homem hoje, para ser salvo, só tem necessidade de uma coisa: abrir o coração à alegria.
*
O coração humano, tal como a civilização moderna o modelou, está mais inclinado para o ódio do que para a fraternidade.
*
O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda.
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O homem não é um animal solitário, e enquanto perdura a vida em sociedade, a realização de si mesmo não pode ser o supremo princípio ético.
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Se a todos fosse dado o poder mágico de ler nos pensamentos dos outros, suponho que o primeiro resultado seria o desaparecimento de toda a amizade.
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Quantos mais motivos de interesse um homem tem, mais ocasiões tem também de ser feliz e menos está à mercê do destino, pois se perder um pode recorrer logo a outro.
*
O trabalho é desejável, primeiro e antes de tudo como um preventivo contra o aborrecimento, pois o aborrecimento que um homem sente ao executar um trabalho necessário embora monótono, não se compara ao que sente quando nada tem que fazer.
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A vida é demasiado curta para nos permitir interessar-nos por todas as coisas, mas é bom que nos interessemos por tantas quantas forem necessárias para preencher os nossos dias.
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Nada se pode criar num lado senão à custa da dissolução no outro.
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Poucas pessoas conseguem ser felizes, a menos que odeiem alguém.
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O homem moderno não combate as calamidades com a humildade; descobriu que elas devem ser combatidas com os conhecimentos científicos.
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Mesmo quando todos os especialistas estão de acordo podem muito bem estar enganados.
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Todas as ciências exactas são dominadas pela ideia da aproximação.
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Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.
*
A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na rectaguarda para ver.
*
O invejoso, em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm.
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É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa, que impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre.
*
A experiência não permite nunca atingir a certeza absoluta. Não devemos procurar obter mais que uma probabilidade.
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Se a raça humana sobreviveu, foi graças à ineficiência.
*
Os nossos pais amam-nos porque somos seus filhos, é um facto inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar.
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A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte de felicidade.
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O segredo da felicidade é o seguinte: deixar que os nossos interesses sejam tão amplos quanto possível, e deixar que as nossas reacções em relação às coisas e às pessoas sejam tão amistosas quanto possam ser.
*
O mundo está cheio de coisas mágicas que pacientemente esperam que a nossa percepção fique mais aguçada.
O mundo está cheio de coisas mágicas que pacientemente esperam que a nossa percepção fique mais aguçada. - Bertrand Russell - Frases
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do livro MISTICISMO E LÓGICA
A matemática é a única ciência exacta em que nunca se sabe do que se está a falar nem se aquilo que se diz é verdadeiro.
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A matemática, vista correctamente, possui não apenas verdade, mas também suprema beleza - uma beleza fria e austera, como a da escultura.
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As equações não explodem.
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DO LIVRO autobiografia
Quando se diz às pessoas que a felicidade é uma questão simples, querem-nos sempre mal.
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do livro MATRIMÓNIO E MORAL
O facto de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de facto, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.
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O Desgaste da Inveja

De todas as características que são vulgares na natureza humana a inveja é a mais desgraçada; o invejoso não só deseja provocar o infortúnio e o provoca sempre que o pode fazer impunemente, como também se torna infeliz por causa da sua inveja. Em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm. Se puder, priva os outros das suas vantagens, o que para ele é tão desejável como assegurar as mesmas vantagens para si próprio. Se uma tal paixão toma proporções desmedidas, torna-se fatal a todo o mérito e mesmo ao exercício do talento mais excepcional.
Por que é que o médico deve ir ver os seus doentes de automóvel quando o operário vai para o seu trabalho a pé? Por que é que o investigador científico pode passar os dias num quarto aquecido, quando os outros têm de expor-se à inclemência dos elementos? Por que é que um homem que possui algum talento raro de grande importância para o mundo deve ser dispensado do penoso trabalho doméstico? Para tais perguntas a inveja não encontra resposta. Afortunadamente, porém, há na natureza humana um sentimento compensador, chamado admiração. Todos os que desejam aumentar a felicidade humana devem procurar aumentar a admiração e diminuir a inveja.
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Dizer Mal dos Outros, Ouvir Falar Mal de Nós

Uma das formas mais universais de irracionalidade é a atitude tomada por quase toda a gente em relação às conversas maldizentes. Muito poucas pessoas sabem resistir à tentação de dizer mal dos seus conhecimentos e mesmo, se a ocasião se proporciona, dos seus amigos; no entanto, quando sabem que alguma coisa foi dita em seu desabono, enchem-se de espanto e indignação. Certamente nunca lhes ocorreu ao espírito que da mesma forma que dizem mal de não importa quem, alguém possa dizer mal deles. Esta é uma forma atenuada da atitude que, quando exagerada, conduz à mania da perseguição.
Exigimos de toda a gente o mesmo sentimento de amor e de profundo respeito que sentimos por nós próprios. Nunca nos ocorre que não devemos exigir que os outros pensem melhor de nós do que nós pensamos a respeito deles e não nos ocorre porque aos nossos olhos os méritos são grandes e evidentes ao passo que os dos outros, se na realidade existem, só são reconhecidos com certa benevolência. Quando o leitor ouve dizer que alguém disse qualquer coisa desprimorosa a seu respeito, lembra-se logo das noventa e nove vezes que reprimiu o desejo de exprimir, sobre esse alguém, a crítica que considerava justa e merecida, e esquece-se da centésima vez em que, num momento de desatenção, afirmou a respeito dele o que julgava ser a verdade. Esta é a recompensa, perguntará a si próprio, de toda a minha longa indulgência? O problema, visto do lado oposto, apresenta-se de uma forma diferente: ele nada sabe das noventa e nove vezes em que o leitor se calou, conhece apenas a centésima vez em que falou. 

 in "A Conquista da Felicidade"
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A Tirania do Medo


O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo e insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é que é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos mais de sentimentos afirmativos do que de negativos. Se os afirmativos tomarem toda a amplitude que justifique um exame estritamente objectivo da nossa situação, os negativos desagregar-se-ão, perdendo a sua razão de ser. Mas se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero.

in 'A Última Oportunidade do Homem' 

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