12/12/2012

6.150.(12.12.10.10') Susana Duarte. NOVOS POEMAS...1º livro:Pescadores de Fosforescências...e 2.º que será lançado em 2016: PANGEIA

Nasceu a 10fev1973
***
blogue onde actualiza a sua bELA poesia
 https://terradencanto.blogspot.pt/
***

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*
AMA-ME
.ama-me.

.ama-me como se fosse fácil.
.ama-me como se fosse o caminho
do dia, iluminado pela fresca luz da manhã.
....ama-me.
.como se o dia se tranformasse
e o caminho se fizesse com asas soltas
e as flores cantassem litanias de um amanhã.
.ama-me.
.como se a noite que me habita,
fosse apenas a voz de um corvo que foge no voo
e se esconde atrás das nuvens chorosas da tempestade.
...pois a tempestade que me habita
é a noite do fogo e da asa sem cor.
.e a viagem que faço é oração e dor.
.e é de amor que o coração crepita.
.ama-me.
.ama-me como se fosse fácil.
*
NO face em noVEMbro 2017

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*
Recomendo a leitura do blogue TERRA d' ENCANTO
http://terradencanto.blogspot.pt/
e.ou facebook

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016


morre-se azul sob os escolhos de sal das (des)contruções
de areia. é no lugar das sementes, e dos sóis
verdes dos cabelos, que se morre azul.

com o sal das neblinas dos olhos, morre-se sombrio
ante as ondas submarinas do ventre, e escolhe-se
a vereda estranha dos dias salinos das lágrimas.
é no lugar delas que se morre, palavras
escorridas por entre as águas do peito.
são escuras, as palavras.
são claras, as palavras.


morre-se dentro delas, mar imprevisto de ondas alteradas.
morre-se. navega-se no sal dos cabelos, onde
o futuro é o olhar percorrido pelos dias
de antes.

morre-se. as ausências desmesuradas do sal
dos beijos são a morte silabada
dos dias.

os dias silabados serão sempre teus,
pequenos e intermitentes,
como a morte dos dedos.

mas serão dela, da mulher, os dias escritos com o sal-flor
das mãos inteiras.
***
4noVEMbro2017

[Para ti, amigo de todas as palavras.
E de todos os silêncios.]
o silêncio ocupa
as vagas, as marés, as ondas
sobranceiras às vertentes erodidas,
assim remetendo ao infinito
os sons deixados livres
pela mente

o silêncio ocupa
as mágoas, esvaziando os olhos
das imagens anteriores ao tempo
outrora ocupado pelas mãos
e pelos sonoros ecos
da nossa existência
o silêncio desocupa os corpos
quando os corpos se preenchem do outro,
eliminando as sombras das vertentes
úmbrias, onde alguém depositou
as memórias
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*
 (voltou a postar no face)
foi o beijo, e não a morte,
que venceu a noite. foi o beijo.
foi o beijo que iluminou as ondas,
incautas e altivas, onde
o mar arredava os gritos
e os medos confrontados pelos
lábios, onde o beijo, vivo
como a vida inscrita nas veias,
desfez o grito das aves. foi o beijo,
que me levou, quando o dia
se desfez em lágrimas de escura
e fria chuva. foi o beijo, e não
a morte, que venceu os lábios.

Susana Duarte
2014
*** 
3noVEMbro2017
(voltou a postar:)

SER

aconteces-me nas horas
desconhecidas
em que os cumes

das montanhas
são névoas dispersas
sobre os sonhos onde ondeio

aconteces-me
nas horas vigésimas quintas,
onde o tempo se torna infinito
e as luzes das flores
me invadem
os pulmões, e me respiram
de odores almiscarados
e sabores
novos
aconteces-me onde não me sei
e as horas me não bastam,
onde disperso horas
de certezas
e de loucuras de outrora
aconteces-me,
simplesmente
porque existes dentro das águas
que me habitam
o ventre,
e porque conheces
cada onda
do mar
outrora oculto

Susana Duarte (2012)
***
+1 para o top 11
28abr2016

Julia Margaret Cameron
do desapego
_________________



as luzes da noite
nunca serão mais 
do que apenas olhos

à procura

das geometrias 

dos corpos
http://terradencanto.blogspot.pt/2016/04/blog-post_28.html
*

escreverei à meia noite do poema, 
onde se desfazem as pedras das calçadas
e os teus passos.

escolheste seguir as pedras de ontem,
e os caminhos levantaram pó.
dos teus passos. 

escreverei à meia noite do poema,
onde o vento desfez a noite, ela própria
uma ave assustada ante a imensidão
do desejo.

morrem os corpos na espera,
enquanto a meia noite do poema se declina
na cor das cerejas.

é na confluência dos dedos
que se desocultam as noites dos corpos,
entidades desejantes, meia noite das vidas
nuas, encontro sobre o leito,
ventos-sul do peito,
quando a meia noite do poema

se escreve nas peles.
http://terradencanto.blogspot.pt/2016/04/escreverei-meia-noite-do-poema-onde-se.html
*

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10208779022340424&set=pcb.10208779023300448&type=3&theater
os meus braços curvos foram ao encontro da madrugada do teu nome
içaram manhãs, por entre pedaços de madrepérola, encontrando praias
onde as conchas se perderam. levantaram voo, os meu braços, ao encontro
das mãos que me ofereces. encontrá-las-ão, os meus braços.

preciso que não desistas. não ergas nevoeiros onde os braços te fogem,
nem plantes árvores gigantes para te cercares onde os voos todos
do meu corpo te não encontrem. saberei sempre onde estás, se perto
de mim, todavia, ficares. os meus braços curvos são aves sonâmbulas,
porventura estranhas, porventuras raras, na procura da imensidão
da paixão. içaram algas, os meus braços curvos, salientes nos ossos
de todos os ramos, secos, de árvores gigantes. encontra-os, não desistas.
fica comigo. saberei erguer os braços sobre ti, envolvendo-te o peito
com todas as suaves carícias dos meus dedos. procura-me. estarei
onde encontrares os meus braços.

https://scontent-mad1-1.xx.fbcdn.net/v/t1.0-9/12524176_10208779022700433_3376967308458139327_n.jpg?oh=439767460b88e7f0e8539e4ca2727e87&oe=57A21519
***
24mar2016
no face recordou um de 2013:
percorro-te caminhos situados nas nervuras das veias
e subo montanhas onde os poros se revelam aves soltas

as montanhas são heras trepadeiras que voam rumo
a lugares que não sei. deusas conspiram para que as asas
quebrem
e a queda sobre as ervas madrugadoras seja a realidade
imposta às sonoridades dos meus olhos. os olhos
não te vêem e,
na queda das águas da manhã, não seguram a tristeza.
amar-te é a queda das folhas sobre gotas orvalhadas
de uma montanha longínqua. e as sobras das neves.
percorro-te. sonho-te. sinto-te onde não te vejo. estranho
as auroras
pálidas do desejo de ser água. percorro-te. sonho-te.
sinto-te onde não te vejo. as danças pagãs pararam
nas portas das montanhas cobertas de gotas orvalhadas
pela tua longa ausência. sei-te onde não estás. percorro-te
marés e encontro-te nas portas da noite. de olhos fechados.
***
10mar2016
via página dela do face

quando vieres, traz contigo as luzes da aurora
e os braços com que, outrora, enlaçaste o meu corpo.
não esperes. cerca-me com os olhos da demora
e abraça os azuis do peito e as manhãs 
tristes. quando vieres, traz contigo os dias brancos
do teu corpo, e os troncos vivos que, das raízes

dos teus pés, se erguiam em demoradas carícias.
não demores. o tempo é fugaz como a juventude
que, em nós, habitava. toda a eternidade reside,
hoje, nos teus ombros se, neles, segurares os cabelos
que, de mim, voam na invenção das noites
e dos sonhos. os corvos voam no centro
das fibras negras que, nos teus dedos, enrolas
para, de seguida, beijar. não demores.
quando vieres, traz contigo o mundo de outrora,
e abraça-me. mais não quero, senão as danças
de Hátor quando Hórus descansa.
*
afinal é de 28jun2014
e já está no blogue:
http://terradencanto.blogspot.pt/2014/06/quando-vieres-traz-contigo-os-dias.html
*
Fui investigar Hátor e Hórus:
http://www.planetaesoterico.com.br/horus/horus-e-o-amor.html
***
Para ter acesso aos belos poemas do seu 1.º livro
PESCADORES DE FOSFORESCÊNCIAS
https://www.facebook.com/PescadoresDeFosforescencias?fref=nf
***
AQUI
VOU COLECCIONANDO:
24fev2016

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10208189367239415&set=a.2784518179639.2143835.1458792324&type=3&theater

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207633046171736&set=a.1601177116852.2080927.1458792324&type=3&theater
"[amanhã]
estou sempre à procura da expressão indizível da noite.
por mais que tente, não encontro, nela, o olhar de ontem,
ou a expressão serena do amanhã. estou sempre sentada
na lâmina fina da folha, fendida como os dedos que tocam 
a escuridão, procurando nela o infinito das coisas.
um dia, bem sei, saberei onde se encontram as palavras,
aquelas que tornarão os dias, de novo, respiráveis,
isentos de procuras, imensos na sofreguidão do toque."

22fev2016

http://terradencanto.blogspot.pt/2016/02/quando-amanhecer-nao-estaras-aqui.html

quando amanhecer, não estarás aqui.





quando amanhecer, não estarás aqui.

serás só a sombra inóspita dos corpos-

amantes de ontem. quando amanhecer,

serás a névoa que antecede a chuva,

e os trigais ceifados dos meus olhos.



na insólita melodia dos corpos-amantes,

ficas apenas enquanto o sol amadurece

as mãos, e os corpos se digladiam 

sob o antecipado adeus. na triste

melancolia do corpo nú, antecedes

a manhã, e as chuvas de maio. quando

amanhecer, o teu corpo será o breve

traço de luz desenhado nos lagos.


quando amanhecer, procurarei por ti.
quando amanhecer, procurarás por mim.
mas teremos já partido para o lugar 
onde as águas se movem, e o dia
recomeçará em cada um de nós, 
insuspeito, inóspito como o deserto
de estarmos sós. quando amanhecer.
1.4.2015
vou sentar-me sobre as costas dos teus olhos,
e ver-me através deles, sedentos das névoas
das minhas madrugadas.
vou sentar-me sobre
os teus braços e, através deles,
rever encostas
onde os seios te abraçaram,
e foram eternas
as inermes mãos sobre o dorso.
vou sentar-me
sobre as dobras da tua voz,
onde o silêncio
me chama e a língua me conquista.
sobre ela,
desfazer as névoas que, junto ao rio,
pairaram, no instante do atrevimento.
a língua de fogo
dos teus dedos, sobre a língua de fogo da água
que sobre ti se deita, exclamando
todas as noites
de todas as idades,
desfiguradas pelo silêncio
que, sob a chuva, se abateu, pronto
que estava o sorriso dos lábios,
pronta a boca
para, sobre ti,
pairar e, ali,
depositar o dia.
23.3.2015

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205752443077834&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
ondeio flores por onde as névoas se dissipam
e ondulo onde as águas magoadas me despem 

navego onde as aves perderam os bicos, e as ondas
trazem os algaços do mundo, solitários, enredados

procuro, onde as flores dissipadas caem de árvores
e as árvores são de um verde-azul inexcedível

o teu corpo ondeia sobre mim, e sobre o mar,
nos pensamentos que, cobertos de plumas,
sofregamente se movem entre as tuas pernas
e, fugidios, mais rápidos que elas, deslizam

por entre os teus olhos. teimo em vê-los onde apenas as ondas

e as aves
e as névoas

existem.

**
5.3.2015

http://terradencanto.blogspot.pt/
breve beijo
dado sobre a orla
das ondas,

beijo breve, poema
escrito no ocaso
dos sonhos

breve foi o beijo,
poema inicial na boca
dos dias,

beijo breve da pele,
pele dos dias sobrevoados 
dos olhos

beijo-poema,
prosa obcordata
das manhãs,

poema inicial,
poema 

só.
*
1março2015
confundo sempre a chegada das flores
com a miragem do regresso, embora saiba
com exactidão onde residem as memórias.
confundo a chegada das flores com os dias
das imagens interditas-entre ditos-entre dentes
do desejo e das auroras desfolhadas.
mas não sei onde nascem as corolas,
nem onde se movem os dias insistentes-demorados
da partida. cantar a chegada das flores
soa, assim, ao canto fantasma das cotovias,
demoradas elas mesmas nos espaços abertos
das almas amanhecidas nas vertentes solares
das procuras e das almejadas marés azuis
onde, dantes,moravam os ombros
e os corpos todos da espuma e do ar sobrevoado
por entre os interstícios das peles.
*
o Canto da cotovia:
A cotovia é tida como "anjo da primavera que voa alto nos céus, desperta a esperança onde quer que vá com seu canto belo e inigualável.
Nana Pereira
**
23fev2015

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205527944225503&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
não serás mais do que a última sílaba,
do último poema 
que em mim escreveste,

língua de fogo sobre a pele,
língua com que descobriste o oculto
que, sob a pele, se movimenta,

sangue líquido do desejo,

ave líquida

transformada em mão lenta
sobre o corpo,
onde a última sílaba do poema
é a manhã reencontrada,

a vida solta que extingue as lágrimas:

poema reescrito
na pele.

*

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

dias escritos com o sal-flor das mãos inteiras


morre-se azul sob os escolhos de sal


das (des)contruções


de areia. é no lugar das sementes,


e dos sóis verdes dos cabelos, que se morre azul.




com o sal das neblinas dos olhos,


morre-se sombrio


ante as ondas submarinas do ventre,


e escolhe-se a vereda estranha


dos dias salinos das lágrimas.



é no lugar delas que se morre, palavras


escorridas por entre as águas do peito.



são escuras, as palavras.
são claras, as palavras.






morre-se dentro delas, mar imprevisto


de ondas alteradas.

morre-se. navega-se no sal dos cabelos,


onde o futuro é o olhar percorrido


pelos dias

de antes.


morre-se. as ausências desmesuradas


do sal

dos beijos,


são a morte silabada

dos dias.

os dias silabados serão sempre teus,

pequenos e intermitentes,

como a morte dos dedos.


mas serão dela,


da mulher,


os dias escritos com o sal-flor


das mãos inteiras.
*

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10204638259143932&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater&notif_t=photo_reply
foi o beijo, e não a morte, que venceu a noite. foi o beijo.
foi o beijo que iluminou as ondas, incautas e altivas, onde
o mar arredava os gritos e os medos confrontados pelos 
lábios, onde o beijo, vivo como a vida inscrita nas veias,
desfez o grito das aves. foi o beijo, que me levou,
quando o dia se desfez em lágrimas de escura e fria
chuva. foi o beijo, e não a morte, que venceu os lábios.

4nov2014
*

-Foram dez, os lugares do amor…-pensou ela. 
A estação dos comboios foi, de todos, o primeiro e, de todos, o derradeiro. As portas do ocidente abriram-se-lhe, olhos postos no sorriso que anteviu e no encontro que –temia- poderia nunca acontecer. O encontro, afinal, aconteceu, e teceu-se com as mãos que anteciparam os beijos, as madrugadas claras, e o suor dos corpos reencontrados.
Refém de si mesmo, e dos cabelos negros que abraçava, ele libertava anos de procura, ao mesmo tempo que, dos seus olhos, saíam névoas preocupadas: tudo mudara e, no entanto, tudo tinha, ainda, que mudar.
- Este é o segundo dos lugares do amor…-pensava ele, mãos dadas sobre o leito, sorrisos postos no futuro que antevia.
A vida acontece inesperadamente. Confronta. Exige respostas e capacidade de ajustamento. Acontece. Ao acontecer, traz consigo o cheiro de todas as infâncias, o eco de todos os receios, e a inevitabilidade das decisões. Ele intui que, a partir dali, outros serão os lugares do amor. E sabe que, a partir daquele encontro, tudo mudou e, no entanto, tudo terá, ainda, que mudar.
Os dias sucedem-se, e os lugares do amor são vividos com a respiração ofegante de quem quer viver a vida toda nos dias que lhe são dados, um de cada vez, hora a hora, segundo a segundo. E, inevitavelmente, acabam.
O rio, navegante incansável, escorre ali mesmo, entre as margens que o delimitam e são, simultaneamente, todas as suas possibilidades de progresso e caminho. O rio foi o nono lugar do amor. Sobre ele, fluíram marés originadas por aquele encontro. O mundo tinha mudado a lógica das coisas. A inevitabilidade do encontro, também mudara tudo o que conheciam. Os corpos transpiraram marés, por sobre o fluir do rio, e por sobre o fluir daquelas duas vidas.
-Este deveria ser, apenas, um dos lugares do amor-pensavam eles-, mas o derradeiro será aquele que apartará os corpos.
Se sonharam, nessa noite, sonharam com as flores colhidas, após as sementes deixadas na terra, numa sucessão de estações que viveriam juntos. Sonharam, talvez, com as noites, e os dias, e o devir. Sonharam, talvez, que tudo o que ainda tinha que mudar, já estivesse mudado, portas abertas, a ocidente, para todos os lugares do amor. Sonhar os luares do amor era a única forma de não ficar só. a solidão da separação, após ter tocado o amor, é escura, e fria, e dolorosa, e inevitável e, aparentemente, eterna. Escrever a vida, trilhando caminhos sem dar as mãos, depois de conhecer os lugares do amor, é aprender a caminhar numa noite longa e fria. Acordar, pois, é antever a ferida aberta no íntimo do corpo, e descobrir o frio na aparente invencibilidade com que se acorda em cada dia.
Ele, e a metade de si, separar-se-ão naquele que foi o primeiro-e será o derradeiro-lugar do amor, aquele onde se olharam nos olhos e deixaram as lágrimas soltar a noite de chuva que viveram, dias antes, os dois, de mão dada a enfrentar as intempéries-todas-, que acreditaram poder vencer.
Ficarão ligados, para sempre, aos dez lugares do amor. Abraçar-se-ão em cada sonho, em cada recanto de cada palavra. Saberão da inevitabilidade do reencontro. Até lá, reaprenderão a vida, e a morte, e a saudade, e o amor, e a ternura, e a ausência, em cada primavera antecipada, em cada estação que, todavia, os separar ainda.
- O décimo-primeiro lugar do amor, terá que ser aquele onde perdemos as mãos, porque o outro as levou consigo- pensou ela.
Ao mesmo tempo, ele pensava que as mãos que deixou, voltarão a si, no momento em que devolver aquelas que, consigo, em si, levou. Porque sabe, desde já, que se encontrarão no abraço, aquele que será dado no décimo-primeiro, talvez último, lugar do amor.
Susana Duarte
-Foram dez, os lugares do amor…-pensou ela.
A estação dos comboios foi, de todos, o primeiro e, de todos, o derradeiro. As portas do ocidente abriram-se-lhe, olhos postos no sorriso que anteviu e no encontro que –temia- poderia nunca acontecer. O encontro, afinal, aconteceu, e teceu-se com as mãos que anteciparam os beijos, as madrugadas claras, e o suor dos corpos reencontrados.
Refém de si mesmo, e dos cabelos negros que abraçava, ele libertava anos de procura, ao mesmo tempo que, dos seus olhos, saíam névoas preocupadas: tudo mudara e, no entanto, tudo tinha, ainda, que mudar.
- Este é o segundo dos lugares do amor…-pensava ele, mãos dadas sobre o leito, sorrisos postos no futuro que antevia.
A vida acontece inesperadamente. Confronta. Exige respostas e capacidade de ajustamento. Acontece. Ao acontecer, traz consigo o cheiro de todas as infâncias, o eco de todos os receios, e a inevitabilidade das decisões. Ele intui que, a partir dali, outros serão os lugares do amor. E sabe que, a partir daquele encontro, tudo mudou e, no entanto, tudo terá, ainda, que mudar.
Os dias sucedem-se, e os lugares do amor são vividos com a respiração ofegante de quem quer viver a vida toda nos dias que lhe são dados, um de cada vez, hora a hora, segundo a segundo. E, inevitavelmente, acabam.
O rio, navegante incansável, escorre ali mesmo, entre as margens que o delimitam e são, simultaneamente, todas as suas possibilidades de progresso e caminho. O rio foi o nono lugar do amor. Sobre ele, fluíram marés originadas por aquele encontro. O mundo tinha mudado a lógica das coisas. A inevitabilidade do encontro, também mudara tudo o que conheciam. Os corpos transpiraram marés, por sobre o fluir do rio, e por sobre o fluir daquelas duas vidas.
-Este deveria ser, apenas, um dos lugares do amor-pensavam eles-, mas o derradeiro será aquele que apartará os corpos.
Se sonharam, nessa noite, sonharam com as flores colhidas, após as sementes deixadas na terra, numa sucessão de estações que viveriam juntos. Sonharam, talvez, com as noites, e os dias, e o devir. Sonharam, talvez, que tudo o que ainda tinha que mudar, já estivesse mudado, portas abertas, a ocidente, para todos os lugares do amor. Sonhar os luares do amor era a única forma de não ficar só. a solidão da separação, após ter tocado o amor, é escura, e fria, e dolorosa, e inevitável e, aparentemente, eterna. Escrever a vida, trilhando caminhos sem dar as mãos, depois de conhecer os lugares do amor, é aprender a caminhar numa noite longa e fria. Acordar, pois, é antever a ferida aberta no íntimo do corpo, e descobrir o frio na aparente invencibilidade com que se acorda em cada dia.
Ele, e a metade de si, separar-se-ão naquele que foi o primeiro-e será o derradeiro-lugar do amor, aquele onde se olharam nos olhos e deixaram as lágrimas soltar a noite de chuva que viveram, dias antes, os dois, de mão dada a enfrentar as intempéries-todas-, que acreditaram poder vencer.
Ficarão ligados, para sempre, aos dez lugares do amor. Abraçar-se-ão em cada sonho, em cada recanto de cada palavra. Saberão da inevitabilidade do reencontro. Até lá, reaprenderão a vida, e a morte, e a saudade, e o amor, e a ternura, e a ausência, em cada primavera antecipada, em cada estação que, todavia, os separar ainda.
- O décimo-primeiro lugar do amor, terá que ser aquele onde perdemos as mãos, porque o outro as levou consigo- pensou ela.
Ao mesmo tempo, ele pensava que as mãos que deixou, voltarão a si, no momento em que devolver aquelas que, consigo, em si, levou. Porque sabe, desde já, que se encontrarão no abraço, aquele que será dado no décimo-primeiro, talvez último, lugar do amor.

29out2014
***

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de todos os momentos que foste, talvez não saibas ainda que o mais belo
foi o momento que antecedeu o beijo. foi o momento que o antecedeu, 
e não o beijo, que mudou de lugar as madrugadas, moveu o ar das noites
e o luar das minhas manhãs. de todos os momentos que foste, o mais belo
foi a antecipação do futuro, ainda que, depois, se tenham perdido todas
as madrugadas das mãos. de todos os momentos que foste, o mais belo
foi aquele em que o abraço antecipava amoras, e as amoras eram beijos
rubros tingindo a manhã. de todos esses momentos, foste apenas um raio
de sol perdido entre os meus olhos. nada mais foste, pois não soubeste
raiar de luz as escolhas da tua vida. de todas elas, a mais fácil foi partir.
de todas elas, a mais imperdoável, foi partir. dos teus dedos, nada mais
ficou dos momentos que antecipavam o beijo, senão a mágoa das noites
sem dia, e dos dias em que te foste. de todos os momentos, a maior mágoa
é não teres sabido ser. de todas as madrugadas, esta será a mais triste.

23out2014
**
Nasço em ti
nasceste-me,
desaguando olhares sobre as estrias da noite,
onde se demoram alucinações e sonhos desiguais,
onde demoras o ventre sobre as costas e nadas,
soluçando gritos e deixando transparecer a noite
onde me nasceste.
nasceste-me,
ventre renascido de águas azuis e flores silvestres,
framboesas do meu rosto e odor frutado de corpos
floridos.
nasceste-me,
onde a noite se fez água entretecida nas margens,
olhos das areias onde passeei ondas gigantes, levantadas
da raíz e do tronco da vida,
nascendo-me
nas horas claras das luzes impressas nos dedos,
imprecisas e paradoxais como o sonho, onde movo
as mãos e me encontro
em ti.
(respiguei do face 20out2014)
***

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Nelma Goreth Gaspar de Almeida. 24 de Maio de 1999-7 de Outubro de 2014

as rochas vertem a água da eternidade dos teus olhos,
límpidos e cristalinos como as madrugadas sem tempo

não há névoas, e não há mágoas. há apenas a clara
e eterna sabedoria das águas. ficaste onde o céu
é mais claro, mais luminoso quando o sol se ergue
imponente sobre o mundo. o calor do teu riso,
a beleza do sorriso, e a eternidade da tua presença
em nós, transformam as flores
-brancas flores das tuas mãos-
em raios de luz que nos atravessam,
e abraçam

saberás sempre mais, acerca das águas,
do que nós, sobre os sorrisos
que sobre os dias, derramaste

serás sempre
o dia mais claro
em cada um
de nós.

***

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=960848683931701&set=a.104671869549391.10003.100000197344912&type=1&theater
medo de ser

noite da noite das angústias e das esquinas do tempo

ave noturna nos braços longos do desespero. desalento.

... medo de ser

braços de árvore despida de folhas em branco. inscrita

nas pernas e nas raízes do sonho, penduro-me em braços

escondidos e mergulhados na penumbra da tarde de inverno.

medo de ser

o céu, e o inferno. grades aprisionam asas de aves e vozes

caladas de brilhos solares. as angústias são anseios de ave

que voa na calada da noite e, só, mergulha no rio. nas águas,

revê as margens onde se ancorava um barco. medo de ser.

medo de deixar de ser. medo de permitir a intrusão do medo.

bELA escOLHA da mãe, poeta Maria Elisa Ribeiro
3out2014
***
3out2014
O beijo

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014


Beijo





beijar-te-ia os olhos, 

se de ti se aproximassem as pálpebras e,

no ímpeto da proximidade,
 pudesse encostar, a ti, o rosto. 
seria a impulsividade do abraço, 
o moto da vida e o caminho-espaço

onde o tempo se estreita 
e se torna infinito. a infinitude 
onde te abraço, é a cor púrpura 
do peito e a negação da solidão.
 alma.

nesta cor onde navegas, 
habita uma ave, livre, 
a paixão calma,

nomeada, dita, entretecida 
nos momentos onde risos e lágrimas

se enleiam nos gestos 
e se tornam eternidade em nós. 

beijar-te-ia. 
suave melopeia de quatro olhos 
que se navegam. 
urze viva.



beijar-te-ia o centro navegante das noites 
e saberia se as aves 

cantam em dueto. 
ouviria as doces notas do teu canto.
pudesse eu encostar, em ti, os olhos 
que tudo ouvem. esses, residem 

no peito, escavado de doces memórias, 
onde é nosso o sorriso 

da lua. 

beijar-te-ia. e saberias que é nosso o riso. 

pudesse eu

saber das noites inscritas no tempo 
onde não há tempo para ser

só. 
não há tempo para ser só. 
há tempo, apenas, para sermos

dois. um. eternidade inscrita no espaço 
das estrelas. claras, 

luzentes, belas. sabemos de nós, 
e sabemos do peito. sabemos

do corpo, finito, estreito, 
conjugado a dois nas noites de chuva.



beijar-te-ia. 
apenas isso sei. 
declino em ti a maré. 
e tudo o que és,

é aquilo que sei. do mundo, 
nada mais importa. 

a vida vive em ti.
beijar-te-ia os olhos, se de ti se aproximassem as pálpebras e,
no ímpeto da proximidade, pudesse encostar, a ti, o rosto. seria
a impulsividade do abraço, o moto da vida e o caminho-espaço
onde o tempo se estreita e se torna infinito. a infinitude onde te
abraço, é a cor púrpura do peito e a negação da solidão. alma.
nesta cor onde navegas, habita uma ave, livre, a paixão calma,
nomeada, dita, entretecida nos momentos onde risos e lágrimas
se enleiam nos gestos e se tornam eternidade em nós. beijar-te-
-ia. suave melopeia de quatro olhos que se navegam. urze viva.
beijar-te-ia o centro navegante das noites e saberia se as aves
cantam em dueto. ouviria as doces notas do teu canto...pudesse
eu encostar, em ti, os olhos que tudo ouvem. esses, residem
no peito, escavado de doces memórias, onde é nosso o sorriso
da lua. beijar-te-ia. e saberias que é nosso o riso. pudesse eu
saber das noites inscritas no tempo onde não há tempo para ser
só. não há tempo para ser só. há tempo, apenas, para sermos
dois. um. eternidade inscrita no espaço das estrelas. claras,
luzentes, belas. sabemos de nós, e sabemos do peito. sabemos
do corpo, finito, estreito, conjugado a dois nas noites de chuva.
beijar-te-ia. apenas isso sei. declino em ti a maré. e tudo o que és,
é aquilo que sei. do mundo, nada mais importa. a vida vive em ti.
**
5set2014

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o amor.
o amor é a confluência dos remos,

ou das mãos.

o amor
é, talvez, a estrada
por onde caminham as aves,

e os bicos,
segurando flores novas

e as madrugadas
deixadas sobre os leitos,

de onde voam lágrimas,
para, neles, se deitar

o sol.

o amor.
o amor é a luz depois da noite,

mas é também a noite
dos amantes.
e os seus olhos.

é, talvez, a delonga das cerejas
e a maturação das dores,

e a impossibilidade
das manhãs
lentas
do desespero.

o amor.
é, talvez, a rubra declaração
que o sol faz às ondas
quando, sobre as algas,
penetra as trevas
e ilumina
o oceano.

o amor.

***
29ag2014

as pessoas são estranhas, entranhas de coisa nenhuma, cheias de vento

onde as mãos se acobardam. as pessoas são assim: uvas apodrecidas

pelas chuvas de verão, inconstantes e incoerentes como as nuvens e os gestos

que dizem ser, mas de que nunca são capazes. as pessoas são assim, estranhos

movimentos em redor das luzes, das quais fogem quando alguém as acende

e, por dentro, as incendeia de um fulgor que temem. são apenas pessoas,

e as pessoas nada são, senão as sementes do que, um dia, na infância, sonharam

ser. e não são. são apenas pessoas, híbridos de luz e escuridão, de palavras

sem corpo, e de corpos de nada. de nenhures. de coisa nenhuma. porque são

finitas, ao contrário das pedras, elas próprias erodidas pelo vento. as pessoas, não,

são apenas isso: pessoas, finitas e frágeis e receosas das intempéries que residem

nos olhos dos outros. protegem-se atrás das palavras, e nada são, senão

o que sonharam ser, num tempo longínquo de amoras bravias colhidas pelas mãos

pequenas, de cerejas tiradas do alto, mais maduras e grandes, sem medo de cair,

e de dedos-de-bruxa colados aos dedos, encantadores e roxos na sua simplicidade.

as pessoas são estranhas, entranhas de coisa nenhuma, cheias de vento

onde os gestos se acobardam. são assim: coisa nenhuma. são medo e fuga.

as pessoas são apenas isso, e por isso, nada são.

***

***

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014


todos estamos sós

Todos os dias, procuramos um rosto no meio da multidão. Não o encontramos e, todavia, continuamos na demanda que nos impele, e nos faz nascer todas as palavras no peito. Estamos sós e, ainda assim, sonhamos que as mãos que tacteamos nos sonhos se abrem em ternos gestos de carinho. 
Estamos sós, mas falamos com as palavras como se nos devolvessem vias e certezas. Serão claras todas as luas da nossa existência? Serão vivas as marés que nos confrontam com a vivacidade do mar? Serão sós as aves que, a nosso lado, anunciam o fim de tarde e a procura de alimento? 
Talvez a solidão esteja viva apenas em cada um dos corações sonhadores que recusam a vulgaridade dos dias comuns. 
Ou teremos que nos render à imensa evidência de que todos estamos sós até que o abraço anunciado nos roube uns instantes de contentamento.


***

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014


inseguras, trémulas, as palavras.

deixou fugir as palavras
por entre as folhas do peito.

inseguras, trémulas, as palavras.

deixou fugir as névoas
onde as palavras
se esconderam.

inseguras, trémulas, as palavras
desfolharam caminhos e
esconderam
as mãos,

trémulas
e inseguras, as mãos
-mais ainda do que as palavras-,
sublinhadas pela ausência do voo.

onde se escondem os olhos,
moram as palavras
das aves,
rémiges
da vontade, alheias
ao temor e à inquietude.

inseguras, trémulas, as palavras.

e a paixão.
***
[nem da dor de perder as asas]

não saberás, 
nunca, 
o valor do voo que, 
nos teus braços, 
julguei iniciar.
17ag2014
***

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eis os caminhos, 
raiados de luz
e névoa.

eis a noite, 
saída das ruas
e da memória.

eis o silêncio,
inesperado
e
aflito,
dos passos.

eis a mulher,
serenada na dança
e no sobressalto
da lua.

****
eis as palavras sussurradas ante a força das areias,
na ondulação ciciante das ondas baixas e 
na nudez inesperada das rochas,

onde cada um dos teus ontens, se consubstancia
em palavras, presentes em cada um dos 
abraços com que percorres

o poema.
9.ag2014
**

amarei sempre a praia improvável dos dias
e a serenidade solar de agosto. cedo chegará
o tempo das uvas e do mosto e dos luares
precipitados nas encostas. é das noites, 
que gostas, e da brisa suave que impele
as nuvens. mas eu amarei o mar e o azul
onde se espelham as asas das aves marinhas.
amarei a litania das ondas onde deito as pedras
e suavizo os ângulos secos do sorriso.
amarei sempre a nudez improvável da alma
e o deserto dos olhos serenados pelo azul,
deserto pleno de imagens e de leituras anteriores.
amarei sempre as praias de todos os amores,
e a luz praienta onde me deito.
serei sempre agosto e as cigarras,
e os dias todos que vivi. agora, e aqui,
deito na água os dias de ontem
e as mágoas espalhadas no algaço.
o som das ondas residirá, sempre, no abraço
aquático com que constróis a areia.

4ag2014
***

domingo, 27 de Julho de 2014


as rosas semeadas nos dedos

não mais cantarei o adeus que impuseste, 
antes os abraços de todos os encontros.


evitarei as ruas por onde, antes, caminhei
lado a lado com o sonho mitigado pela breve
presença das tuas mãos. não mais cantarei
o adeus que impuseste, ou as noites breves,
corrompidas pelo amanhecer das partidas.

cantarei, antes, as rosas semeadas nos dedos
e as auroras desfolhadas por onde mãos 
ténues de luz se passeiam agora. não mais
iluminarei velas antigas, de framboesa e ténue
luz, antes a solar claridade do beijo rubro
que o passado me devolveu. cantarei braços
fortes e abraços eternos, carícias longas
e longos invernos semeados nos abraços
que, agora, nos damos. cantarei o passado
reencontrado. e as manhãs de agora.
***

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esta noite, uma vez mais, os cabelos desenharão os beijos 
nas imagens povoadas do teu rosto.
uma vez mais, desejarão as linhas 
desenhadas pelos teu dedos,
onde as névoas afastam as gotas dos pesadelos
e as sombras das solidões.

esta noite, uma vez mais, terei lençóis de luz,
e cabelos pendurados na ponta de cada uma das estrelas
que, em mim, fazes nascer, quando lhes tocas.

quando tocas nos meus cabelos.

esta noite, uma vez mais, os cabelos desenharão os beijos
onde, dantes, desenhaste as uvas e o mosto,
as viagens de agosto, e os futuros ainda improváveis.

esta noite, uma vez mais, dá-me as palavras que te peço,
e a presença que me ilumina. esta noite. 

***

18 de Julho de 2014


esta noite, escreverei para ti.

esta noite, escreverei para ti.

sabes amar as palavras deitadas
sobre os teus dedos, como as vinhas
do norte e a terra sob os teus pés.

sabes do amor e das palavras,
e fertilizas o olhar da noite
com o indizível das uvas
e o futuro das sementes 
que, de ti, nascem. 

a cada manhã.

seremos sempre a poesia
que das vozes emana. 

amar-me-ás 
sob o céu azul dos futuros 
antevistos.
e sobre o húmus
e o útero da terra,
e sobre o corpo,
Gaia-mãe, dança 
da terra sobre os dedos,
e sobre as folhas
ávidas do verão
dos seres. 

esta noite, escreverei.

para ti.
**

17 de Julho de 2014




vives entre a alma e o sol,

deitado entre ti e ti,

de ti perdido,

de ti ali,

onde 

as nuvens soltas

navegam delírios vestidos

de noite. vives entre a alma e 

o que não sei. vives, em mim, noite

tempestuosa de olhos desassossegados.



inertes.



vives entre a alma e os dedos,

florescendo mágoas 

e solidões

por entre 

medos.

de ti perdido, 

imaginas encontros de mãos

e sussurrares de aves finalmente tocadas

pelas primaveras do tempo. vives entre a alma,

e o que não sei. vives nas ondas submarinas do ventre



sôfrego.



vives onde não sabes,

e não vives nada, perdido de ti,

entre ti e as névoas das tuas dúvidas.



vives na sombra 

do limbo das folhas,

onde a seiva segrega 



o amarelecer dos dias. 

***

17jul2014

quando amanhecer, não estarás aqui. serás só a sombra inóspita dos corpos

quando amanhecer, não estarás aqui.

serás só a sombra inóspita dos corpos-

amantes de ontem. quando amanhecer,

serás a névoa que antecede a chuva,

e os trigais ceifados dos meus olhos.



na insólita melodia dos corpos-amantes,

ficas apenas enquanto o sol amadurece

as mãos, e os corpos se digladiam 

sob o antecipado adeus. na triste

melancolia do corpo nú, antecedes

a manhã, e as chuvas de maio. quando

amanhecer, o teu corpo será o breve

traço de luz desenhado nos lagos. 



quando amanhecer, procurarei por ti.

quando amanhecer, procurarás por mim.

mas teremos já partido para o lugar 

onde as águas se movem, e o dia

recomeçará em cada um de nós, 

insuspeito, inóspito como o deserto

de estarmos sós. quando amanhecer.
**
deita-te a meu lado, 
e fala-me da transcendência. diz-me
onde residem

os poemas, e revela-me a luz de outrora.

deita-te nos meus braços,
e fala-me da saudade. diz-me onde 
reside a sede, e a fome, e a vontade de ser abraço, poema
inscrito num braço, que me prende e segura. conta-me dos dias sonoros, 
e da velocidade dos movimentos dos dedos, quando, maravilhados,
inscreveram em si próprios o poema. deita-te a meu lado,
e reencontra, no corpo que se arqueia,
as palavras que procuras.

e fica. fica a meu lado,
e revela-me as ondas da paixão,
e os olhares que desnudam, e a alegria
de se ser onde o poema se inscreve na carne.

deita-te a meu lado,
e fala-me da transcendência.

(respiguei do face
16jul2014)
***

.ama-me.

.ama-me.
.ama-me como se fosse fácil.
.ama-me como se fosse o caminho
do dia, iluminado pela fresca luz da manhã.

.ama-me.
.como se o dia se tranformasse
e o caminho se fizesse com asas soltas
e as flores cantassem litanias de um amanhã.

.ama-me.
.como se a noite que me habita,
fosse apenas a voz de um corvo que foge no voo
e se esconde atrás das nuvens chorosas da tempestade.

...pois a tempestade que me habita
é a noite do fogo e da asa sem cor.
.e a viagem que faço é oração e dor.
.e é de amor que o coração crepita.

.ama-me.
.ama-me como se fosse fácil.

(relido e postado aqui: a 11.jul.2014)
***
do seu 2º livro PANGEIA:
(...)

fosses próximo da lava, e seriam de fogo,
as tuas palavras. mas elas são do vento que ondula os oceanos, e flui, invisível, 
como invisíveis são as memórias, e, do vento, são as palavras. as tuas.

no vento das palavras, morrem arribas: encostas do ventre. fósseis, e nuas.

(excerto do poema "Arribas", do livro "Pangeia", 
a publicar brevemente pela Alphabetum Editora)
(respiguei do facebook.7.7.
2014)

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203695889385277&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
lavrarás o peito onde te florescem as mãos
e se dissecam passados reencontrados. 

sob as mãos, lavrarás as novas auroras, 
e os dias da carne que se inscreve no outro, 
e no outro se adensa, refletindo o brilho toado
das húmidas gotas de orvalho que, antes,
nos caíram do rosto. lavrarás a terra
semeada nos seios de todas as madrugadas,
e os cabelos onde perdes as mãos e nelas
te reencontras.

podias escrever sobre o amor, antes de o reencontrares.

agora, escreves sobre os seios onde aprofundas
o corpo, na procura da eternidade possível
das manhãs.

na noite, procuras o encontro dos lábios.
é na minha boca, que lavras futuros.

(respiguei do facebook: 5jul2014.21h11'12")
***

http://terradencanto.blogspot.pt/2014/07/se-em-mim.html

quarta-feira, 2 de Julho de 2014


sê, em mim

abraça os ramos que de mim se estendem para além do visível
ondula as águas com os braços claros do teu corpo
agita os seios da terra, na procura do ventre
sê, em mim, mais do que terra
revolvida. sê, em mim,


semente.
***

http://terradencanto.blogspot.pt/2014/06/quando-vieres-traz-contigo-os-dias.html
quando vieres, traz contigo as luzes da aurora
e os braços com que, outrora, enlaçaste o meu corpo.
não esperes. cerca-me com os olhos da demora

e abraça os azuis do peito e as manhãs 
tristes. quando vieres, traz contigo os dias brancos
do teu corpo, e os troncos vivos que, das raízes

dos teus pés, se erguiam em demoradas carícias.
não demores. o tempo é fugaz como a juventude
que, em nós, habitava. toda a eternidade reside,
hoje, nos teus ombros se, neles, segurares os cabelos

que, de mim, voam na invenção das noites
e dos sonhos. os corvos voam no centro
das fibras negras que, nos teus dedos, enrolas

para, de seguida, beijar. não demores.

quando vieres, traz contigo o mundo de outrora,
e abraça-me. mais não quero, senão as danças
de Hátor quando Hórus descansa.



nem da dor de perder as asas

não saberás,
 nunca, 
o valor do voo que, 

nos teus braços, 
julguei iniciar.


terça-feira, 24 de Junho de 2014


abro-te os lábios




abro-te os lábios com a urgência 

de quem desce as águas fortes de um rio

e, nelas, não pára a corrente que me conduz 

ao eterno que em ti reside e me leva às tuas pernas 

sobressaltadas onde a luz dos teus beijos te eleva o corpo

na voz da noz da flor do desejo. da flor da paixão. 



onde te sei. 
****
.apetecia-me rasgar as veias
com que desenho as asas, 
com que arrisco o voo,
com que derrubaria 
ameias.
.apetecia-me rasgar as veias
com que desenho casas,
com que invento azuis
nos arabescos
da alma.
24junho2014
***

http://terradencanto.blogspot.pt/2014/06/o-beijo-e-serena-queda-das-maos-sobre-o.html
o beijo é a serena queda das mãos sobre o corpo,
a quietude incerta das manhãs húmidas 
de suor

e a agitação dos olhos, onde as mãos
iniciam voos
e madrugadas.

é no beijo que nasce a (e)terna mansidão
dos corpos.

o beijo é a fonte do poema,
orgasmo das mãos
e ventre das palavras

a noite e as asas de tudo,
o tudo e o nada que confunde,
as antíteses todas
de todas as vidas.

***

corpos desejantes

somos corpos flutuantes
nas escarpas
do desejo

corpos desejantes
à escala
de um beijo

somos corpos de antes
na procura
do corpo

desejo de agora
à escala
do amor

somos corpos flutuantes
na aventura
do olhar
inscrito nas veias

à procura
de Ser


http://terradencanto.blogspot.pt/2014/06/escreverei-meia-noite-do-poema.html

escreverei à meia noite do poema

escreverei à meia noite do poema, 
onde se desfazem as pedras das calçadas
e os teus passos.

escolheste seguir as pedras de ontem,
e os caminhos levantaram o pó 
dos teus passos.

escreverei à meia noite do poema,
onde o vento desfez a noite, ela própria
uma ave assustada ante a imensidão
do desejo.

morrem os corpos na espera,
enquanto a meia noite do poema se declina
na cor das cerejas.

é na confluência dos dedos
que se desocultam as noites dos corpos,
entidades desejantes, meia noite das vidas
nuas, encontro sobre o leito,
ventos-sul do peito,
quando a meia noite do poema
se escreve nas peles.
*
descanso 
sob as asas ocultas 
nos seios 

dos teus braços;

sob o sol poente
da noite 

do meu ventre;
sob as águas da tua boca
e da corporalidade
do teu ser
descanso
sobre as ondas

descalças

dos poemas
que jazem nas linhas
das axilas,
onde encosto as linhas
do rosto antigo,
e me permito sonhar

cálidas
rubras
manhãs
em que acordo em ti.

(postados em 7junho no face)
*

*

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203460793748033&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
onde te escondes, quando a noite cerca as sombras
e as desfaz, tornando-as nébulas no olhar, e densidade
negra por sobre as espáduas e o ventre?

onde te escondes, sempre que a noite vigia os incómodos
sussurros dos amantes, mitigados pelo raiar da lua que, sobre
os corpos, se declina em invulgares contornos, de corpos
redondos e interstícios onde as peles se não encontram?

onde quer que estejas, és o olhar que se estende sobre os dedos
que movo no ar, incógnitos bailados do pensamento,

onde tanto se diz, por entre aquilo que se procura.


1junho2014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203450502890768&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
Poema 7 (em silêncio)

das rochas, o desabrochar
silencioso das flores. é a travessia
última das manhãs: aquela
que se faz silente,
sob o marulhar
dos dedos que procuram, no dia,
o renascer da alma
(onde as rochas perduram
e o mundo recomeça a brotar
das águas).

do meu novo livro, "Pangeia", a sair brevemente

*
31maio2014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203445328921422&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
despojado de luz, o olhar das sereias 
tornou-se abraço nunca dado, mar
salgado onde os sonhos não flutuam, 
ser etéreo de horizontes estranhos.

despojado de luz, o olhar das mulheres,
onde as mãos se liquefazem: ausência.

***

26maio2014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203406957282155&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
fiquei parada no meio do vento,
submersa pela vontade de me espraiar em ti,

mas foi imensa a extensão do ar,

e alada a praia de onde partiram os braços.

fiquei parada, submersa no meio do vento,
perdidas as asas da memória e os olhos negros
da tua presença sobre o meu corpo.
foi imensa, a onda que me submergiu
e condenou. fiquei parada,

no meio do vento.

onde as árvores me estendem os braços,
derreto as névoas imensas de além mar, perdendo-me
nas raízes-seiva de quem sou.

perdida no seio das águas,
fiquei parada no meio do vento. os vórtices
que me elevam às nuvens mais não são,
que ondas perdidas do seu rumo, erguidas elas

à sofreguidão dos sonhos. 

*
25maio2014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203398309825974&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
talvez as ondas tenham despojado de luz
as estrelas nelas espelhadas,

ou talvez fosse apenas a noite,
soprando o mar para além do horizonte.

se fosses tu, certamente preencherias
a noite de luz. a não ser que a aurora se demorasse,
a cavalo na noite, ensombrada pelo receio
de ser um dia novo, onde os homens têm medo.

talvez as ondas segurem as estrelas
para além do céu, quando a noite se demora.

ou talvez o calor nos devolva o dia,
e nos dê a exata medida dos sonhos.

talvez tu, na sonora imensidão das ondas,
sejas a espuma que delas nasce,
etéreo,
apenas sonho.

***
procuro folhas por entre o sal
e o fogo
da existência das noites

e sei do sal e do fogo

das ausências,

como se fossem vida e morte
e toda a noite que temos dentro

ainda que dela fujamos.

sei da noite e do sal,
como sei do azul e dos teus dedos,
sabedores do sabor dos meus segredos

e das toadas e
das luzes
e das vielas

serás sempre o sal e o sol e o fogo
e todas as ruas por onde caminho
**
22maio2014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203378088560455&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
PANGEIA (excerto de poema do meu próximo livro de poesia)

(ouvindo Pedro Burmester, “Variações Goldberg” de J. S. Bach)

(...)
somos aves longínquas perdidas desencontradas quando, na dança das pernas,
suamos verões e chuva rente aos olhos, lágrimas de seixo e lágrimas de água, sobre
pestanas límpidas e espigas de trigo. somos corpos à beira de si mesmos, cognoscentes
dos perigos das pedras. somos construção, somos sonhos de união. continentes à deriva. deriva dos beijos. somos corpos à beira de um precipício. deriva.

**
12maio2014

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as aves seguram os búzios na ponta do bico

os búzios permanecem solitários, 
no bico das aves;

as aves continuam solitárias
na redoma madrepérola
do espaço (aparentemente livre)

em que se movem.

***
4maio2014

existe o regresso, ansiado e entrevisto,
entre dedos e entre histórias, entre rostos e memórias,
entre ditos, entre dentes e entre palavras dormentes,
suaves flores dos meus dedos. segredos.

*
foste apenas um raio de sol perdido entre os meus olhos. nada mais foste, pois não soubeste raiar de luz as escolhas da tua vida. de todas elas, a mais fácil foi partir. de todas elas, a mais imperdoável, foi partir. dos teus dedos, nada mais ficou dos momentos que antecipavam o beijo, senão a mágoa…
***
29abril2014

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203216419278824&set=a.1554816397863.2072458.1458792324&type=1&theater
os meus braços curvos foram ao encontro da madrugada do teu nome

içaram manhãs, por entre pedaços de madrepérola, encontrando praias
onde as conchas se perderam. levantaram voo, os meu braços, ao encontro
das mãos que me ofereces. encontrá-las-ão, os meus braços. 

preciso que não desistas. não ergas nevoeiros onde os braços te fogem,
nem plantes árvores gigantes para te cercares onde os voos todos
do meu corpo te não encontrem. saberei sempre onde estás, se perto
de mim, todavia, ficares. os meus braços curvos são aves sonâmbulas,
porventura estranhas, porventuras raras, na procura da imensidão
da paixão. içaram algas, os meus braços curvos, salientes nos ossos
de todos os ramos, secos, de árvores gigantes. encontra-os, não desistas.

fica comigo. saberei erguer os braços sobre ti, envolvendo-te o peito
com todas as suaves carícias dos meus dedos. procura-me. estarei
onde encontrares os meus braços.

***
postado no face
em 7fev2015
SÚPLICA
ouve-me nos movimentos das pálpebras,
onde é sonora a ausência em que habito;
onde se espraiam vozes sumidas; onde 
vivem giestas, e piam aves estranhas...
olha-me nos recantos da paixão antiga,
e desnuda-me os ombros de aurora. sê
inteiro, marinheiro das minhas águas e
cálida emoção que se derrete no calor
das minhas lágrimas antigas. sê a luz
onde tudo, dantes, era ilusão de néon.
ama-me. e devora-me os olhos e a boca
e os braços com que te cerco e sinto.
sente, de mim, a lágrima de luz coberta
de seda, onde te deitas e recobres de ser
marinheiro da minha sede. ama. em mim,
encerra as noites de aves estranhas, sê
luz ansiada-procurada-antes interdita. e
ama-me

(setembro 2012)
***
POEMAS DO 1º LIVRO

Nome 

Nuvens são ilhas que navegam sobre mim .
Brancas-claras-luzentes, sentimento sem fim 
Num poema que se desfaz nas letras

Do teu nome

As montanhas são pálpebras que se abrem na manhã.
Recebem em si as nuvens transformadas no amanhã
Que persigo nos teus olhos, que me falam

Do teu nome

Nuvens são círios que me acendem na noite;
luzes-brilhos- viventes, casas onde pernoito
e encontro o brilho-claro-desejoso e ardente

Do teu nome

Nas histórias da vida, vivem-se rapsódias de amor.
Nelas, encontra-se luz. brilho, sol e calor .
Nelas, sei-me gente, sei-me flor e sei-me luzente

nas letras completas do teu nome
nas pálpebras que se abrem no teu nome
na harpa dedilhada na harmonia do teu nome

Poesia que acontece na luz
Nome que me ama e seduz

TU

*
Lucidez

a lucidez, clara e estranha perspicuidade
é a razão que quero afastar de mim 
sempre que a noite me invade 
e a estranheza se abate 
sobre nós 


***
de 2012
repostado no face em 2noVEMbro2017
procuro folhas por entre o sal
e o fogo
da existência das noites
e sei do sal e do fogo
das ausências,

como se fossem vida e morte
e toda a noite que temos dentro
ainda que dela fujamos.
sei da noite e do sal,
como sei do azul e dos teus dedos,
sabedores do sabor dos meus segredos
e das toadas e
das luzes
e das vielas
serás sempre o sal e o sol e o fogo
e todas as ruas por onde caminho
 Foto de Susana Duarte.
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Susana Duarte, autora

A editora Alphabetum apresenta esta sexta-feira, dia 14 de dezembro, às 18 horas, o primeiro livro de poesia da psicóloga Susana Duarte, no centro cultural e casa de fado “àCapella”, na zona histórica de Coimbra.
Neste lugar de culto, dedicado desde 2003 à divulgação da canção da cidade e escolhido pela autora para dar a conhecer a sua obra de estreia, pode cantar-se e ouvir-se o fado, mas também apreciar saborosos petiscos, enquanto se degusta um bom vinho ou contempla a cidade pelas amplas vidraças dos corredores laterais.

A apresentação da obra está a cargo do jornalista e professor Jorge Castilho, seguida pela leitura de alguns poemas por diseurs convidados, entre os quais se encontram a filha e a mãe da autora, com interlúdios musicais da responsabilidade de António Ataíde, cultor da canção de Coimbra e amigo de Susana Duarte.

No prefácio - assinado pela poetisa Maria Elisa Rodrigues Ribeiro, mãe da autora - "Pescadores de Fosforescências" é revelado como "um exemplo de que a luz da vida circundante, expressa por vocábulos de intensidade musical, pode irradiar em direção ao âmago do leitor, transmitindo mensagens de luz, de paz, de amor, saudade e sonho”.

Questionada sobre o título do livro, Susana Duarte explica que “sendo a fosforescência um fenómeno de emissão de luz e sendo eu uma profunda crente na capacidade de gerar luz em sentido metafórico, o título nasce da visão do amor como algo de profundamente regenerador, luminescente, gerador de luz e de vida”.

Natural de Coimbra, cidade onde também trabalha, Susana Duarte cultiva o prazer da escrita poética desde os primeiros anos de escolaridade. Em 2009 começou a escrever no blogue “Terra de Encanto” e na sua página pessoal do Facebook, onde tem divulgado um pouco do seu profundo sentimento poético.

A obra da autora é a mais recente publicação da Alphabetum Edições Literárias cujo conceito de base é a aposta exclusiva em novos talentos e a promoção das suas carreiras no mercado literário e online, através de um contato próximo com os autores e da gestão personalizada de cada obra.

O livro está à venda por €15,50 na Fnac, Bertrand, livrarias locais e no website da editora com 10% de desconto.
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De: Alphabetum Editora <newsletter@alphabetum.pt>
Data: 13 de dezembro de 2012 09:00
Assunto: Apresentação - PESCADORES DE FOSFORESCÊNCIAS, a obra de estreia de SUSANA DUARTE.
Para: suerduarte@gmail.com



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Apresentação - PESCADORES DE FOSFORESCÊNCIAS, a obra de estreia de SUSANA DUARTE.
Apresentação - PESCADORES DE FOSFORESCÊNCIAS, a obra de estreia de SUSANA DUARTE.


Com a chancela da editora Alphabetum, o livro de poesia "Pescadores de Fosforescências", deSusana Duarte, será apresentado em Coimbra, no próximo dia 14 de dezembro, sexta-feira, às 18h00.



O centro cultural e casa de fado “àCapella”, numa zona histórica de Coimbra, foi o local escolhido pela autora e psicóloga para dar a conhecer a sua obra de estreia. 



No prefácio - assinado pela poetisa Maria Elisa Rodrigues Ribeiro, mãe da autora - "Pescadores de Fosforescências", é revelado como "um exemplo de que a luz da vida circundante, expressa por vocábulos de intensidade musical, pode irradiar em direção ao âmago do leitor, transmitindo mensagens de luz, de paz, de amor, saudade e sonho”.



“É nas noites de luar que encontro olhos que são candeios. Residem no mar, e são anseios de peixes que voam nas noites de que sou refém. É no ventre que ergo as asas que me levam mais além, nas flores noturnas-luzentes e brancas-iridescentes que me navegam em veias que são rios de sangue e sal das lágrimas que não deito. (...)”, in "Pescadores de Fosforescências".




A apresentação da obra está a cargo do jornalista e professor Jorge Castilho, seguida pela leitura de alguns poemas por diseurs convidados, entre os quais se encontram a filha e a mãe da autora, com interlúdios musicais da responsabilidade de António Ataíde, cultor da canção de Coimbra e amigo de Susana Duarte.

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A poesia, aqui, conjuga-se com palavras e imagens de ar, de terra, de mar, no apego telúrico às origens e na procura constante da eterna paixão. Com palavras que soam a cores, e cores que soam a presenças, presenças por vezes ausências, escrevem-se poemas que dedilha... Ler mais
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A Terra de Encanto nasceu por aí. Ganhou forma e existe. Entrevista a Susana Duarte | novembro de 2012.
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7jul2011
 Foto de Susana Duarte.
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2140900809607&set=a.1601177116852.2080927.1458792324&type=3&theater
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20mAIo2011
postei:
 
A Susana recomendou...seria bom que a Gisela traduzisse...hoje, AQUI, o poeta que assinava com minúsculas...
in time of daffodils(who know
the goal of living is to grow)
forgetting why,remember how

in time of lilacs who proclaim
the aim of waking is to dream,
remember so(forgetting seem)

in time of roses(who amaze
our now and here with paradise)
forgetting if,remember yes

in time of all sweet things beyond
whatever mind may comprehend,
remember seek(forgetting find)

and in a mystery to be
(when time from time shall set us free)
forgetting me,remember me

(e.e.cummings)
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