14jan2016
http://www.pcp.pt/sobre-proposta-do-governo-de-modelo-integrado-de-avaliacao-externa-das-aprendizagens-no-ensino
NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP
Sobre a proposta do governo, de “Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico”
14 Janeiro 2016
Como é do conhecimento público, há muito que o PCP vem defendendo a aprovação e implementação de novos modelos de avaliação dos alunos, assentes em princípios de avaliação contínua, mais exigentes para as escolas e os seus professores, incompatíveis com a existência de exames nacionais, que apenas serviram para introduzir novos elementos de selectividade no nosso sistema educativo, com a triagem social a ser feita logo a partir do 4º ano do 1º ciclo do ensino básico.
Não foi por acaso que um dos grandes defensores dos rankings das escolas, desvalorização do ensino público e da promoção do ensino privado, David Justino, actual Presidente do Conselho Nacional de Educação e ex-ministro da educação de um Governo do PSD-CDS, grande obreiro da famigerada Proposta de Lei de Bases da Educação (autêntico atentado contra a Escola Pública), que só não entrou em vigor porque o então Presidente da República, Jorge Sampaio, não a promulgou, veio a público na véspera da apresentação da proposta do governo, defender a manutenção dos exames.
A introdução dos exames nacionais finais para cada ciclo de ensino, para além de um grave erro pedagógico, correspondeu a uma opção ideológica que, a pretexto do rigor e da qualidade do ensino, se traduziu, na verdade, na introdução de novos obstáculos e instrumentos de triagem social no percurso escolar das crianças e jovens portugueses. No essencial, a introdução desses exames, não teve outro objectivo senão o de iniciar a selecção social e económica dos estudantes logo no início dos seus percursos escolares.
Mas os exames finais de ciclo, de carácter nacional, são também uma fraude política. Uma fraude, na medida em que são anunciados como instrumentos para a qualidade, para a promoção do mérito e para a cultura da exigência e do rigor, sendo no entanto evidentes instrumentos para a introdução do facilitismo por parte de quem governa o sistema, reduzindo a avaliação a momentos sumativos e fazendo com que tais exames funcionem como justificativo para beneficiar escolas com melhores resultados, quando o exigível seria precisamente elevar a qualidade do sistema e da rede como um todo.
A proposta avançada pelo governo de um “Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico”, quando ainda faltam 2/3 do ano lectivo, é um avanço significativo no sentido de acabar com um sistema de avaliação centrado nos exames nacionais – essa “entidade tirânica que tudo submetem” como os caracterizava Salvado Sampaio, pedagogo de referência em Portugal.
Uma proposta que não vai tão longe como a proposta do PCP, mas que abre perspectivas de evolução positiva para que o exame do 9º ano venha a terminar, já que com o fim dos exames do 4º e 6º ano, este deixa de fazer qualquer sentido.
As provas de aferição agora anunciadas para se realizarem em anos não terminais dos ciclos de ensino, sem implicações na avaliação dos alunos, apenas com o objectivo de possibilitar uma intervenção a tempo de rectificar este ou aquele aspecto em termos pedagógicos e perceber o desempenho dos alunos, poderão ter grande utilidade desde que não se transformem em exames nacionais, mesmo que com outra designação.
Agora cabe ao governo criar as condições de trabalho nas escolas para professores e alunos que potenciem a avaliação continuada muito mais exigente e rigorosa do que o exame nacional, tomando entre outras, algumas medidas, nomeadamente a redução do número de alunos por turma e, em particular, quando integram crianças e jovens com necessidades educativas especiais, horários de trabalho adequados à docência, bem como a necessidade de se realizar um debate sobre os currículos, sobre a importância do profissional e sobre a organização actual dos ciclos de ensino, numa altura em que está em aplicação o alargamento da escolaridade obrigatória de 12 anos.
Por último, o PCP congratula-se com a suspensão do teste de inglês, PET, uma medida tomada pelo anterior governo que, para além de ter sido uma humilhação para centenas de professores de inglês, com formação adequada para o ensino da língua, foram obrigados a obter uma certificação na Cambridge English. Um excelente negócio para esta empresa privada.
14jan2016
ESPECIALISTA DA OCDE
ELOGIA FIM DE EXAMES
NO ENSINO BÁSICO

http://www.dn.pt/portugal/interior/especialista-da-ocde-elogia-fim-de-exames-no-basico-4978777.html
***
14jan2016
Via Observador
http://observador.pt/opiniao/nao-gostavam-do-crato-ora-tomem-la-tiago/
o REACCIONÁRIO José Manuel Fernandes a citar Mário Nogueira:
“Os exames são peça chave das políticas de elitização, tendo por objetivo realizar, precocemente, uma selecção destinada a diferenciar percursos escolares, discriminando alunos a quem não foram proporcionados os apoios adequados ao sucesso”. Está lá tudo: a elitização (que não existe), a selecção (que é marginal), a suposta descriminação social (outra falsidade a que já irei) e até o alegado desinvestimento na escola pública. Podia ter sido dita na comissão parlamentar pelo ministro ou por um dos seus secretários de Estado, pois até articula melhor os argumentos do que as suas tiradas contra a “cultura da nota”. Mas não: a frase é de Mário Nogueira...
***
14jun2015
Na véspera do início das provas nacionais, Hélder de Sousa, presidente do Instituto de Avaliação Educativa (Iave), espera uma melhoria nos resultados às disciplinas de Matemática A e Física e Química A.
“Os exames não estão a gerar melhorias das aprendizagens”
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/os-exames-nao-estao-a-gerar-melhorias-das-aprendizagens-1698771
O presidente do organismo que elabora os exames nacionais e os seus critérios de classificação, o Instituto de Avaliação Educativa (Iave), considera que o treino intensivo para estas provas, que tomou conta das escolas, “é o maior erro que se comete em matéria de prática de sala de aula”.
*
Paulo Guinote
Os exames como arma política
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/os-exames-como-arma-politica-1698947***
Ontem 2dez2014
na benedita.fm
falou-se das escolas da benedita estarem mal classificadas nos rankings...
Contraditei...
Podemos fazer muito melhor mas tb temos de saber o que queremos...
A escola não deve treinar para exame ou para a nota...
Estamos a precisar de mais escolas que respeitem o aluno
que envolvam os interesses dos alunos
que tenham professores que possam ter tempo para os alunos
com menos directividade e menos obsessão pelos currículos...
Urge ver outras experiências de Escolas que vivem outras pedagogias, com alimentar da criatividade, da arte, da imaginação sem descurar o conhecer + e melhor...
Escola da Ponte...
***
Via região de cister - 1dez2014
D. Inês de Castro é a melhor escola da região
A Escola Secundária D. Inês de Castro é a primeira escola dos concelhos de Alcobaça e Nazaré a aparecer no ranking Expresso/SIC, ocupando o 162.º lugar a nível nacional.
Na 319.ª posição está o Externato Cooperativo da Benedita, a primeira escola privada da região.
O Externato Dom Fuas Roupinho, na Nazaré, aparece em 417.º lugar do ranking.
O ranking Expresso/SIC é realizado com base nas notas dos exames nacionais do ensino secundário e básico, a partir de dados em bruto fornecidos pelo Ministério da Educação e Ciência.
Na 319.ª posição está o Externato Cooperativo da Benedita, a primeira escola privada da região.
O Externato Dom Fuas Roupinho, na Nazaré, aparece em 417.º lugar do ranking.
O ranking Expresso/SIC é realizado com base nas notas dos exames nacionais do ensino secundário e básico, a partir de dados em bruto fornecidos pelo Ministério da Educação e Ciência.
Via tintafresca.net
| Caldas da Rainha |
| Secundária Raul Proença foi a escola pública com melhores resultados nos exames |
![]() Escola Secundária Raul Proença A Escola Secundária Raul Proença, das Caldas da Rainha, obteve os melhores resultados a nível nacional, entre as escolas públicas, nos exames do ensino secundário de 2013-2014, obtendo o 34º lugar no ranking global. De acordo com a lista elaborada pelo jornal Público e pela Universidade Católica, a segunda escola da região melhor classificada é o Externato João Alberto Faria (35º lugar), de Arruda dos Vinhos, seguido da Escola Secundária da Batalha (41º), do Externato de Penafirme (42º), em Torres Vedras, e do Instituto Educativo do Juncal (58º), de Porto de Mós. Um ranking contestado pela FENPROF que acusa a atual equipa do MEC de o promover e de ter uma visão estreita de educação. Nos 100 primeiros lugares encontram-se ainda, no 59º lugar, o Colégio de S. Miguel, em Fátima- Ourém, a Escola Secundária Artur Gonçalves (63º), em Torres Novas, o Colégio Rainha D. Leonor (65º), nas Caldas da Rainha, a Escola Secundária de Alcanena (82º), a Escola Básica e Secundária Joaquim Inácio da Cruz Sobral (85º), de Sobral de Monte Agraço, o Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, de Leiria (88º), e a Escola Secundária Dr. Augusto César S. Ferreira (91º), de Rio Maior. Entre 101e 200º lugar estão a Escola Secundária de Porto de Mós (115º), a Escola Secundária José Loureiro Botas (121º), da Marinha Grande, a Escola Básica e Secundária Henrique Sommer (132º), de Leiria, a Escola Secundária da Azambuja (153º), a Escola Secundária Sá da Bandeira (165º), de Santarém, a Escola Secundária Santa Maria do Olival (167º),de Tomar, a Escola Internacional de Torres Vedras (168º), a Escola Secundária Madeira Torres (175º), de Torres Vedras, o Centro de Estudos de Fátima – CEF (182º), de Ourém, a Escola Secundária Domingos Sequeira (190º), de Leiria, e a Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo (198º), de Leiria, Entre 201 e 300º lugar estão a Escola Secundária do Entroncamento (202º), Escola Secundária Maria Lamas (206º), de Torres Novas, Escola Secundária Pinhal do Rei (209º), da Marinha Grande, Escola Secundária D. Inês de Castro (223º), de Alcobaça, Escola Secundária de Pombal (230º), Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (232º), Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro (237º), das Caldas da Rainha, Escola Secundária Henriques Nogueira (240º), de Torres Vedras, Escola Básica e Secundária D. Maria II de Vila Nova da Barquinha (242º), Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes (243º), de Abrantes, Escola Básica e Secundária de Ourém (250º), Escola Secundária Dr. Solano de Abreu (258º), de Abrantes, Escola Secundária de Peniche (266º), Escola Secundária Damião de Goes (286º), de Alenquer, Escola Básica e Secundária de Mestre Martins Correia (289º), da Golegã, Escola Básica e Secundária de Mestre Martins Correia (291º), de Ferreira do Zêzere, Entre 301 e 400 estão a Escola Secundária de Coruche (301º), Escola Secundária Dr. João Manuel da Costa Delgado (311º), da Lourinhã, Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte (322º), da Marinha Grande, Escola Básica e Secundária Fernão do Pó (323º), Escola Secundária Jácome Ratton (348), de Tomar, Escola Básica e Secundária de José Relvas (356º), de Alpiarça, Instituto D. João V (358º), de Pombal, Escola Básica e Secundária de Salvaterra de Magos (363º), Escola Secundária de Figueiró dos Vinhos (366º), Escola Básica e Secundária de Chamusca (369º), Escola Básica e Secundária da Guia (370º), de Pombal, Escola Secundária do Cartaxo (374º), Colégio João de Barros (375º), de Pombal, Externato Cooperativo da Benedita- Inst.Nª Srª da Encarnação (378º), de Alcobaça, Escola Secundária Afonso Lopes Vieira (394º), de Leiria. Entre 401 e 500º lugar estão a Escola Secundária de Benavente (421º), Escola Básica e Secundária do Cadaval (454º), Escola Básica e Secundária de Mação (478ª), Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Ribeiro Ferreira (493º), de Alvaiázere. Entre 501 e 600º lugar estão o Externato D. Fuas Roupinho (507º), da Nazaré, Escola Básica e Secundária Josefa de Óbidos (511º), de Óbidos, Escola Secundária Marquesa de Alorna (526º), de Almeirim, Colégio Cidade Roda (530º), de Pombal, Escola Básica e Secundária de S. Martinho do Porto (536º), de Alcobaça e Escola Secundária de Mira de Aire (551º), de Porto de Mós. FENPROF: “Redutor, injusto e perverso, o ranking das escolas é um ritual envolto em demagogia” A Fenprof considera que “não é possível avaliar uma escola através dos resultados dos alunos em exames nacionais. A Lei de Bases do Sistema Educativo atribui à escola um conjunto de finalidades que vão muito para além da instrução. A formação integral dos alunos passa pela aprendizagem de conteúdos, mas também pela aquisição de competências e pelo desenvolvimento de capacidades e comportamentos que não são avaliáveis em testes de papel e lápis e cujos efeitos só são muitas vezes visíveis anos mais tarde.” A Federação Nacional de Professores considera que, “para a atual equipa do MEC, dada a sua visão estreita de educação, apenas importam os conhecimentos e capacidades mensuráveis através de metas curriculares, provas nacionais e exames, daí que, embora não sendo quem atualmente elabora o ranking, é, na verdade, quem o promove.” O Secretariado Nacional da FENPROF defende que “não é legítimo comparar escolas cujas realidades educativas são diversas. Há uma multiplicidade de fatores que determinam o quotidiano escolar e que nenhuma escala classificativa poderá expressar. Uma avaliação séria das escolas (públicas e privadas) terá que ter em conta, entre outros elementos, os resultados dos alunos, mas também o contexto em que a escola se insere, os recursos de que dispõe e os processos que desenvolve.” Para a Federação Nacional de Professores, “os rankings são apresentados como pretendendo tornar pública informação credível sobre o funcionamento das escolas, mas confundem a opinião pública e as famílias com informação redutora, parcelar e distorcida. Os resultados académicos refletem realidades que devem ser analisadas à luz de muitos fatores, especialmente de ordem socioeconómica, linguística e cultural. Por isso, não é legítimo colocar em pé de igualdade, em termos de resultados esperados, todas as escolas do País (públicas e privadas, do litoral e do interior). Estes rankings nada nos dizem sobre o contexto em que cada escola se insere, os recursos de que dispõe, os processos que desenvolve e os resultados que obtém nas várias vertentes do seu trabalho.” O Secretariado Nacional da FENPROF considera que “os rankings comparam o incomparável e colocam no mesmo saco, ou seja, na mesma lista ordenada, os colégios que selecionam os seus alunos e as escolas públicas que, e muito bem, se organizam no respeito pelos princípios da educação inclusiva, acolhendo todos e a todos respondendo de forma adequada às suas necessidades.” A FENPROF admite que, numa sociedade democrática, os cidadãos têm direito a conhecer o funcionamento de um serviço público como é o da educação”, mas ressalva que “isso só é possível se for disponibilizada informação sobre todo o trabalho que se faz na escola e não apenas numa vertente que é disponibilizada pelo MEC à comunicação social, com as limitações que ao Ministério interessa.” A Federação Nacional de Professores entende que “os rankings, ao contrário do que se quer fazer crer, não estão ao serviço da melhoria da qualidade das escolas mas sim da elitização do sistema educativo e da introdução de uma lógica de mercado na educação, objetivo que é perseguido pelo atual Governo. Não é esse o caminho que a Constituição da República Portuguesa e a Lei de Bases do Sistema Educativo consagram e a FENPROF defende. O futuro constrói-se e a Democracia consolida-se com uma Escola Democrática que é pública, de qualidade, para todos, inclusiva e gratuita.” |
| 01-12-2014 |
via fenprof.pt

Os "rankings" e o ataque à escola pública
A divulgação de rankings de escolas em Portugal – iniciada em 2001, precisamente no mesmo mês em que o País de Gales anunciou que os abandonava – foi desde sempre fortemente contestada pela FENPROF, que considera esta seriação das escolas redutora, injusta e perversa.
Redutora porque não é possível avaliar escolas tendo apenas em conta os resultados dos alunos em exames nacionais, ignorando outras dimensões importantes das aprendizagens e todo o trabalho que é feito nas/pelas escolas, sobretudo nos meios mais difíceis.
Injusta porque não é legítimo comparar escolas cujas realidades educativas são diversas. A ordenação de escolas apenas com base nos resultados dos exames nacionais esconde as diferenças entre os contextos socioeconómicos dos alunos e das suas famílias, a escolaridade dos pais ou o meio em que cada estabelecimento de ensino se insere, para referir apenas alguns aspetos.
Perversa porque não se promove a melhoria das supostamente “piores escolas” expondo publicamente o seu alegado insucesso. Ao contrário, a competição introduzida pelos rankings reforça os mecanismos de seleção dos alunos, acentuando as assimetrias entre as escolas socialmente valorizadas e as que, socialmente estigmatizadas, se vêem condenadas a ser cada vez “piores”.
À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, os rankings hoje divulgados comparam escolas, públicas e privadas, sem atender aos desequilíbrios do país e a factores que a investigação comprova que influenciam fortemente os resultados dos alunos. Sem quaisquer pruridos, põem a jogar no mesmo campeonato:
- escolas privadas que seleccionam criteriosamente os seus alunos com escolas públicas a que todos (justamente) têm acesso;
- escolas públicas em que a maioria dos alunos beneficia de acção social escolar com escolas privadas com mensalidades que vão até 656,00 euros;
- escolas do interior com escolas dos grandes centros urbanos;
- escolas em que os alunos frequentam exclusivamente cursos orientados para o prosseguimento de estudos com escolas em que a maioria frequenta cursos profissionais;
- escolas em que as habilitações académicas dos pais chegam a uma média de 15 anos de escolaridade com outras em que não vão além de 8;
- escolas que levam um número reduzido de alunos a exame com outras que levam largas centenas ou mesmo milhares…
Ao longo dos últimos treze anos, defensores dos rankings têm vindo a reconhecer as suas limitações, mas insistem na necessidade e utilidade da sua divulgação. Compreende-se que o façam. Os rankings não servem para avaliar escolas, mas servem para difundir uma imagem negativa das escolas públicas, que, afastadas do topo da tabela, são apontadas como ineficazes e ineficientes. Apesar de o MEC disponibilizar, desde o ano passado, um conjunto de dados de caracterização das escolas públicas, cuja análise permite conhecer melhor a realidade de cada escola e do meio em que se insere — percentagem de alunos apoiados pela ação social escolar e dos professores dos quadros, habilitações dos pais e o peso dos cursos de ensino profissional —, a verdade é que esses dados de contexto não são ponderados para a ordenação das escolas, construída apenas com base nas médias de exame.
A forma como, na comunicação social, se catalogam as escolas como “boas” e “más”, “melhores” e “piores”, em função do lugar relativo que ocupam no ranking, é de uma enorme leviandade e falta de rigor. Mas, há que reconhecê-lo, é de grande utilidade para a promoção e favorecimento do ensino privado – objectivo perseguido pelos que advogam a liberdade de escolha das famílias e procuram introduzir lógicas de mercado em educação, e claramente assumido pelo Governo na recente alteração do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo e no guião da Reforma do Estado.
Não deixa contudo de ser curioso que o ranking hoje divulgado venha desmentir um dos argumentos usados no guião da reforma do Estado, o de que “globalmente, as escolas (privadas) com contrato de associação respondem bem nos rankings educativos”. Ora, a análise dos resultados nos exames nacionais do 9º ano mostra que as escolas com contrato de associação não têm globalmente melhores resultados do que as públicas, sendo particularmente pertinente uma comparação por concelho, pondo lado a lado privadas e públicas numa mesma região.
Independentemente da necessidade de aprofundar a discussão em torno de questões complexas associadas à informação hoje disponibilizada, nomeadamente a que se prende com a descida significativa das médias registada este ano e suas justificações, no que respeita a esta pretensa avaliação unidimensional das escolas, importa questionar que rankings teríamos se a população escolar dos estabelecimentos de ensino (públicos ou privados) colocados no fundo da tabela fosse transferida para as escolas privadas que hoje ocupam o topo. E vice-versa.
O Secretariado Nacional da FENPROF
9/11/2013
***9/11/2013
