02/04/2014

7.753.(2abril2014.7.7') Ricardo Reis...Heterónimo de Fernando Pessoa

Nasceu a 13jun1888
e morreu a 30nov1935
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ver Fernando Pessoa
7.162
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30jul2016
fui ver a peça da BARRACA, encenada pelo Hélder Costa. 
1936 O ano da Morte de Ricardo Reis, baseada na obra de José Saramago
ver o Fernando Pessoa morto há poucos meses a dialogar com o RR
o ano de 1936...nazismo.fascismo.Campo de concentração do tarrafal...Pide a organizar-se
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barraca:
http://www.abarraca.com/index.php?option=com_barraca&view=emcena&format=pdf&id=220
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FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO:
1936, O Ano da Morte de Ricardo Reis – adaptação teatral pela Barraca
http://www.josesaramago.org/1936-ano-da-morte-ricardo-reis-adaptacao-teatral-do-romance-pela-barraca/
RicardoReis_ABarraca©LuisRocha_102
Sobre a obra:
1936, o Ano da morte de Ricardo Reis
a partir do romance de José Saramago
um espectáculo de Hélder Mateus da Costa
Este belo e profundo romance convida a uma reflexão dramatúrgica muito entusiasmante.
Começa pela invenção do encontro entre Fernando Pessoa já falecido e o heterónimo Ricardo Reis, com casos reais de sexo e paixão, também de ambiente surdo, falso e pesado, e porque fala com humor da relação criador / “obra / figura/personagem”.
Além disso, define como protagonista principal da obra, o ANO em que a trama se desenvolve.
E que ANO!!??
1936! Alguns dados… Comemoração dos 10 anos do golpe militar de 28 de Maio de 1926 que foi o pontapé de saída para o início do fascismo, especialização da polícia política com o apoio da Gestapo, fundação da Mocidade Portuguesa, Legião Portuguesa e campo de concentração do Tarrafal… Mussolini invade a Etiópia com o silêncio cúmplice das casas Reais Europeias, Hitler intensifica o ataque aos judeus, começo da guerra civil de Espanha…
Nos tempos de hoje, de frágil memória, menoridade cívica e ética, fundamentalismos, militarismos, imperialismo financeiro gerando miséria e horror Universais, renascendo a tenebrosa fénix nazi-fascista, aqui está uma obra que demonstra que as convulsões sociais nunca – infelizmente – , passaram a “coisa” datada e de dispensável interesse arqueológico.
Hélder Mateus da Costa
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Arquivo pessoa
http://arquivopessoa.net/textos/1832

Cada momento que a um prazer não voto

Cada momento que a um prazer não voto
Perco, nem curo se o prazer me é dado;
        Porque o sonho de um gozo
        No gozo não é sonho.
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Para ser grande, sê inteiro; nada 
Teu exagera ou exclui; 
Sê todo em cada coisa; põe quanto és 
No mínimo que fazes; 
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Cada dia sem gozo não foi teu:
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.

Não pesa que ames, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco,se te é grato.

Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
art" tak cheoung pun"

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Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.
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Em Tudo quanto Olhei Fiquei em Parte

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa 
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto 
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.

Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.

in Odes

***

  in ODES  (Ática, Lisboa, 1946/1994)
CADA COISA A SEU TEMPO TEM SEU TEMPO
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no Inverno os arvoredos,
Nem pela Primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do sol).
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
(30-7-1914)
*
Fotografia: Intimacy Fire, de Charles Whitman
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"Porque tão longe ir pôr o que está perto -
O dia real que vemos? No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele."


 com Giane Jeronymo.
***
"...O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.
A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.
Ah! sob as sombras que sem qu'rer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro..."
***
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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, 
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

 in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

***
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
***

Segue o Teu Destino
Ricardo Reis, em "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Ler mais:
http://www.portaldaliteratura.com/poemas.php?id=1361

Publicado por Fidelizarte Lda
***
Via Gisela Mendonça:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10200449564995226&set=pb.1639690204.-2207520000.1398330635.&type=3&theater
Por que tão longe ir pôr o que está perto — 
A segurança nossa? Este é o dia, 
Esta é a hora, este o momento, isto 
É quem somos, e é tudo.
 ***

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=651305254924434&set=a.107207769334188.12956.100001348957610&type=1&theater
Colhe o Dia, porque És Ele
Uns, com os olhos postos no passado, 
Vêem o que não vêem: outros, fitos 
Os mesmos olhos no futuro, vêem 
O que não pode ver-se. 

Por que tão longe ir pôr o que está perto -
A segurança nossa? Este é o dia, 
Esta é a hora, este o momento, isto 
É quem somos, e é tudo. 

Perene flui a interminável hora 
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto 
Em que vivemos, morreremos. Colhe 
O dia, porque és ele. 

in "Odes"
*
Francesca in The Bridges of Madison County
***

https://www.facebook.com/349094905211303/photos/a.349115855209208.1073741828.349094905211303/748910068563116/?type=1&theater
Mestre, são plácidas 
Todas as horas 
Que nós perdemos, 
Se no perdê-las, 
Qual numa jarra, 
Nós pomos flores.

Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida.
Assim saibamos,
Sábios incautos,
Não a viver,

Mas decorrê-la,
Tranquilos, plácidos,
Lendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza...

À beira-rio,
À beira-estrada,
Conforme calha,
Sempre no mesmo
Leve descanso
De estar vivendo.

O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.

Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.

Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranqüilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.

 em "Odes"

Arte - Ernesto Arrisueno

***
Via JERO e LUSA

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"Para ser grande sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa".