16/06/2014

8.277.(16jun2014.7.7') Boccaccio

Giovani Boccaccio
Nasceu a 16junho1313
e morreu a 21dez1375
***
Decameron
https://www.youtube.com/watch?v=ZUJnhhoysLU
de Piero Paolo Pasolini
***

21 de Dezembro de 1375: Morre Giovanni Boccaccio, escritor e humanista italiano

Sábio e poeta italiano, nasceu em 1313 *(Paris) e morreu a 21 de dezembro de 1375 (Certaldo, Toscana, Itália). Filho de um mercador toscano, Boccaccio passou a sua infância em Florença, e, em 1328, o pai enviou-o para um escritório do banco dos Bardi, em Nápoles, onde se iniciaria na arte do negócio. No entanto, o interesse pela literatura desde cedo revelado por Boccaccio levou-o a estudar Direito Canónico, o que permitiu uma aproximação às elites intelectuais napolitanas, nomeadamente a admiradores e amigos de Petrarca. Outro facto importante ocorreu durante este período: Boccaccio conheceu Fiammetta, por quem se apaixonou, transformando-a na personagem dominante ao longo da sua obra.Em 1340, regressa a Florença, trazendo consigo uma série de obras completas: La caccia di Diana (1334), o seu primeiro trabalho, que consistia num poema escrito em tercetos; Il filoloco (1336), uma obra de cinco livros escrita em prosa e que tratava as venturas e desventuras de Florio e de Biancofiore; Il filostrato (1338), um pequeno poema escrito em oitavas que versava a história de Troilo e Griselda; e Teseida (terminada em Florença em 1340-41), um épico de 12 cantos escrito em oitavas, cuja história se prende com o amor de dois amigos, Arcita e Palémon, por Emília, com as Guerras de Teseu como pano de fundo. Nestas obras, os temas de cavalaria e de amor eram enriquecidos pela arguta observação de Boccaccio sobre a realidade e pela retórica ornamental, não elevando o italiano ao nível da literatura latina, como também contribuindo para a dignificação dos poemas escritos em oitavas.Boccaccio manteve-se bastante ativo em Florença, apesar das sérias dificuldades económicas que atravessou. De 1341 a 1345 escreveu Il ninfale d'Ameto, obra em prosa e tercetos; L'amorosa visione (1342-43), um poema alegórico com 50 cantos em tercetos; Elegia di Madonna Fiammetta (1343-44), escrita em prosa; e Il ninfale fiesolano (1344-45), um poema em oitavas sobre o amor entre o pastor Africo e a ninfa Mensola. Finalmente, entre 1348 e 1353, Boccaccio escreve a sua mais famosa obra: Decâmeron, que narra a fuga de sete mulheres e três homens de Florença (atacada pela Peste Negra) para algures no campo, onde, durante dez dias, cada membro do grupo é rei (ou rainha) durante um dia, dedicando mais cinco dias a dissertações diversas.
Entretanto, em 1350, Boccaccio conhece Petrarca, a quem olha como mestre. Aliás, Petrarca confirmou-se como capaz de o aconselhar, ajudar e orientar, e, juntos, através da troca de ideias e obras, lançaram as sementes do Humanismo. Nos anos seguintes, apenas a obra Il Corbaccio (1354-55, uma sátira sobre uma mulher que lhe provocou um profundo desgosto de amor) foi escrita em italiano, dedicando-se Boccaccio a obras escritas em latim, como a enciclopédia De genelogia deorum gentilium, iniciada em 1350 e continuamente revista até à sua morte; Bucolicum carmen (1351-66), uma série de eclógas alegóricas sobre factos contemporâneos; De claris mulieribus (1360-74), uma coleção de biografias de mulheres famosas; e De casibus virorum illustrium (1355-74), onde se retrata o triste destino dos demasiado afortunados. Esta mudança na escrita deve-se não à influência de Petrarca, mas também ao enfraquecimento da sua saúde e a alguns desgostos de amor que o levaram mesmo a viver de modo austero, quase monástico.
A tradução para latim dos poemas de Homero feita por Leonzio Pilato permitiu a Boccaccio e a Petrarca conhecer o verdadeiro ponto de partida do Humanismo. Entretanto, para além das obras clássicas, Boccaccio, ao contrário de Petrarca, estudava os seus imediatos predecessores, nomeadamente Dante, chegando a conceber a obra Vita di Dante Alighieri ou Tratatello in laude di Dante e, em 1373, a fazer leituras públicas da Divina Comédia na Igreja de S. Stefano de Badia, em Florença. Após a morte de Petrarca em 1374, refugia-se em Certaldo, onde morre a 21 de dezembro de 1375.O desejo de Boccaccio de estudar e interpretar a literatura clássica, bem como a dedicação demonstrada em elevar o nível qualitativo da literatura vernacular, dando inclusive destaque às diferentes experiências humanas no quotidiano em obras como Elegia di Madonna Fiammetta ou Decâmeron, caracterizam a sua personalidade humanista, a qual inspirou muita da produção literária renascentista nos séculos seguintes.
Giovanni Boccaccio. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
* Não existe certeza quanto ao dia e mês de nascimento
wikipedia (Imagens)


Arquivo: Boccaccio por Morghen.jpg

Ficheiro:Andrea del Castagno Giovanni Boccaccio c 1450.jpg
Giovanni Boccaccio  - Andrea del Castagno



Giovanni Boccaccio - Raffaello Sanzio Morghen 
Arquivo: Gustaf Wappers001.jpg


Boccaccio lê o Decameron à Rainha Joana de Nápoles - Egide Charles Gustave Wappers
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/12/21-de-dezembro-de-1375-morre-giovanni.html?fbclid=IwAR1EJShpiMk_vn9aIjx-SyLckczBqZZJaDHnNeC5uZwEPfOyf2JRalXu-cw
***
VIA CITADOR
Giovani Boccaccio
"Os ignorantes julgam a interioridade a partir da exterioridade."
"Mais vale agir na disposição de nos arrependermos do que arrependermo-nos de nada termos feito."
"As ligações de amizade são mais fortes que as do sangue da família."
"A súbita pobreza abriu-lhes os olhos, que a riqueza lhes havia mantido fechados.""A pobreza não tira a nobreza a ninguém, a riqueza sim.""Num voo de pombas brancas, um corvo negro junta-lhe um acréscimo de beleza que a candura de um cisne não traria.""Fazer grande estardalhaço a propósito de uma ofensa de que fomos vítimas, não atenua o desgosto, mas aumenta a vergonha.""As riquezas pintam o homem, e com as suas cores cobrem e escondem não apenas os defeitos do corpo, mas também os da alma.""O amor é de uma natureza tal que quanto mais se ama mais se deseja amar.""A pobreza é exercitadora das virtudes dos nossos talentos.""E tem certeza disso: é casta apenas aquela que nunca foi pedida por ninguém, ou que, se pediu, não foi ouvida."