A 6 de julho de 1983 a ARepública (PS.PSD:CDS) aprova por maioria, a autorização legislativa que permite abrir os sectores da banca, dos seguros, dos adubos e dos cimentos à iniciativa privada...
Agora fica a descoberto mais uma fatia do roubo sistemático ao longo das governações PS.PSD.CDS...Abocanhavam o orçamento de estado em benesses e negócios...
Empresas de advogados e economistas...Consultadorias pagas a peso de ouro...Salários pagos a ex-ministros e SEstado...Uma porcaria impressionante do bloco central d'interesses
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3abri2017
PCP
1 - Os últimos desenvolvimentos no sistema bancário em Portugal, nomeadamente o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a venda do Novo Banco à Lone Star, evidenciam o quadro de submissão do País às instituições da União Europeia e a perda de soberania nacional nos planos económico e financeiro.
A situação do sector bancário em Portugal está marcada pelas consequências do domínio político e económico alcançado pelo capital financeiro, fruto das políticas de capitulação da responsabilidade de PS, PSD e CDS-PP, que têm conduzido a uma crescente financeirização da nossa economia.
Uma banca dominada por interesses do grande capital, atolada em tráficos de influências, ilegalidades, práticas dolosas, deploráveis comportamentos éticos, saque pessoal de rendimentos e capitais, negócios obscuros e ilícitos, numa lastimosa sucessão de escândalos financeiros.
Uma banca que não só se revela incapaz de financiar a economia como, pelo contrário, descapitalizou as próprias instituições, se tornou dependente do socorro público, lesou o Estado com os auxílios e a perda de receitas fiscais, aumentou o défice e a dívida pública, agravou a situação financeira do País, acumulou milhares de milhões de Euros de lucros privados e de prejuízos públicos.
O povo português não tem nem deve pagar a entrega de instituições saneadas com fundos públicos aos grupos bancários transnacionais, como na recente compra do Banif pelo Santander e agora na venda do Novo Banco à Lone Star.
O Estado português não tem que ficar com os prejuízos e, ainda por cima, ficar sem os bancos.
2 - Mais de dois anos e meio após a aplicação da medida de Resolução do Banco Espírito Santo e da criação do Novo Banco, como banco de transição, num processo com custos elevadíssimos para o País, conduzido pelo governo PSD e CDS que, durante quatro anos, esconderam o que se passava no GES e no BES, foi anunciado no passado dia 31 de Março a conclusão do processo de venda do banco à Lone Star, um Fundo estrangeiro conhecido pela sua natureza especulativa, de idoneidade duvidosa e envolvido em vários processos judiciais.
A Lone Star passa a deter o terceiro maior banco nacional, praticamente a custo zero, o investimento de mil milhões de Euros é feito no reforço de capital do seu próprio banco, regista algum risco na carteira de activos colocados no chamado “side bank” e aponta para a redução de mais umas centenas de trabalhadores e de encerrar mais umas dezenas de balcões.
A entrega do Novo Banco à Lone Star, decidida pelo Governo do PS, seguindo o caminho do anterior governo do PSD/CDS e secundada pelo Presidente da República, não é, como afirmou o actual Primeiro Ministro, nem a menos má das soluções nem a única solução possível.
De facto, esta entrega é uma má solução que pode trazer prejuízos directos para o Estado, superiores a três mil milhões de Euros. É que na gestão da chamada carteira de activos de difícil recuperação, o Estado pode vir a ser chamado a cobrir provisões de imparidades em mais alguns milhares de milhões de euros, para além dos custos económicos e sociais de colocar nas mãos de um grupo monopolista este importante instrumento para o apoio ao desenvolvimento económico e social do País, que é o Novo Banco, - o primeiro banco nacional na relação com o apoio às micro, pequenas e médias empresas.
É uma má solução porque, ao contrário do que é afirmado, serão os trabalhadores e o povo português a pagar este negócio por via das perdas do Estado associadas ao Fundo de Resolução.
A mistificação que uniu PSD, CDS e governador do BdP de que residiria nesse Fundo de Resolução (tutelado pelo Ministério das Finanças e o BdP) a solução encontrada – cujo montante ascendia a umas escassas centenas de milhões de euros – constituía um embuste dirigido a enganar os portugueses. Tratou-se de esconder e iludir a drenagem, de facto, de mais de 4,9 mil milhões de euros de dinheiros públicos do chamado Fundo de Recapitalização.
Mas alguém acredita hoje que os bancos integrados no Fundo de Resolução vão pagar o empréstimo que receberam do Estado?
Como afirmou o Presidente do Banco de Investimento Global numa entrevista ao Público no dia 24 de Agosto de 2015, “Dizer que os contribuintes não vão pagar a Resolução do BES pura e simplesmente não é verdade. Os contribuintes vão pagar e bem, pois o Estado vai receber menos impostos da Banca”. Ele lá sabe do que fala e dos compromissos que existem.
A venda do Novo Banco não é mais do que o resultado da imposição da supervisão bancária e a resolução bancária únicas da União Europeia que alienam ainda mais a capacidade e o poder do País.
Sim havia uma outra solução, no interesses do País e do seu desenvolvimento soberano se a única opção admitida pelo governo não fosse a de amarrar a intervenção no sector financeiro a regras impostas por outros que debilitam ainda mais a capacidade de controlo do Estado português sobre o sistema bancário nacional, aumentam a dependência e a submissão às pressões do BCE e da União Europeia (DGComp).
Procurando justificar a decisão de venda, o Primeiro Ministro fez o exercício de comparar com os custos da nacionalização do Novo Banco, 7.000 milhões de Euros, fruto da imposição de rácios por parte do BCE por ser um banco nacionalizado. Mais uma vez o que determinou a decisão de não nacionalizar, não foi o interesse nacional, mas as imposições das instituições europeias que o Governo do PS assume como opção.
Reafirmamos que o PCP não abdicará da sua acção determinada para integrar o Novo Banco na esfera pública. A nossa intervenção continuará a ser determinada pelo objectivo, não de favorecer a liquidação do Novo Banco, mas de assegurar a sua integração no sector público bancário, o que exige uma clara atitude de rejeição e enfrentamento das exigências da União Europeia no sentido de serem revistos quer os prazos, quer as condicionantes que visam impedir a integração do Novo Banco no controlo público, suspendendo de imediato o processo de venda.
Assim, o PCP irá entregar na Assembleia da República, um Projecto de Resolução que recomenda ao Governo suspender o processo de venda e considerar as medidas necessárias à nacionalização do Novo Banco.
Para o PCP a banca pública é a única possibilidade de garantir o interesse público e nacional, de evitar gravosas orientações determinadas pelos centros do capital financeiro transnacional, de limitar as distorções da concorrência pela grande concentração bancária privada, de recuperar uma alavanca imprescindível para o desenvolvimento soberano do País.
O povo português não quer nem deve pagar a entrega de instituições saneadas com fundos públicos aos grandes grupos financeiros privados.
Perante o sentimento de impunidade dos responsáveis pela situação que se vive no sector bancário fica a pergunta: até quando o Estado português vai ter de suportar, com dinheiros públicos, as consequências de uma gestão de dezenas de anos, contrária aos interesses nacionais, para que se tomem medidas sérias e eficazes para que de uma vez por todas a banca possa desempenhar o seu papel de apoio à economia nacional e às famílias?
3 - O PCP denuncia a campanha contra o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos que o PSD e CDS desenvolvem, consolidando uma estratégia que tem por objectivo criar o máximo de dificuldades ao desenvolvimento da actividade do banco público, apostando claramente na sua posterior privatização.
O Partido Comunista Português considera que, no actual contexto político e económico do País, é fundamental definir uma estratégia de reforço da capacidade de intervenção do banco público, a Caixa Geral de Depósitos, no apoio à economia nacional e às famílias portuguesas que inclua a necessidade de recapitalização realizada pelo Estado, o seu reforço e não a sua desvalorização e redução da sua actividade, como tem vindo a acontecer com o fecho de agências, venda de importantes activos e a redução do número de trabalhadores.
Como o PCP sempre afirmou, a recapitalização sendo condição necessária não é por si condição suficiente. O chamado plano de negócios associado à recapitalização resultante da imposição da União Europeia (DGComp) que, a pretexto da defesa da livre concorrê ncia, impõe uma redução da taxa de mercado do banco público, ao mesmo tempo que o obriga à emissão de dívida subordinada com uma taxa de juro de 10,75% não serve o País nem a CGD.
Uma crítica que não se confunde com os que hoje reclamam pelo apuramento das razões e dimensão dos montantes de recapitalização, mas que nunca manifestaram preocupação pela concessão de crédito a clientelas e amigos e que expuseram a CGD a entidades como a Parvalorem, a Parups, e Participações SGPS no valor de 2.100 milhões de Euros de obrigações subscritas e 1.000 milhões de Euros de papel comercial.
O PCP reafirma a sua oposição ao encerramento de agências e serviços da CGD e ao condicionamento da recapitalização ao recurso compulsivo a obrigações que contitui um autêntico saque aos recursos públicos.
4 - A situação no Montepio Geral - Associação Mutualista e na Caixa Económica não podem deixar de suscitar legítimas inquietações. Informações que envolvem o actual Presidente da Associação Mutualista, uma política de risco de créditos inexistente, créditos concedidos com poucas ou nenhumas garantias de retorno. Este é um filme que se repete mais uma vez e que exige, não o silêncio do Banco de Portugal e do Governo, mas uma intervenção determinada no sentido de esclarecer e tomar as medidas necessárias que salvaguardem os interesses dos mais de 600 mil associados do Montepio Geral e dos depositantes da Caixa Económica.
5 - Portugal precisa de reconstruir um forte sector de propriedade pública na área financeira, muito especialmente no sector bancário.
A dominação monopolista sobre o sector, restaurada com as privatizações e o favorecimento de sucessivos governos, não serviu, antes pelo contrário prejudicou directamente o interesse público e o interesse nacional. A banca privada não serviu os utentes, nem os clientes, nem as famílias, nem os micro, pequenos e médios empresários, nem a economia nacional, nem os trabalhadores, nem as regiões, nem o País.
É um imperativo nacional colocar a banca sob controlo público, contributo indispensável para uma efectiva resposta aos problemas do País sufocado pelos constrangimentos e chantagens dos mecanismos do Euro e da União Europeia, pela sucessão de escândalos na banca que consomem milhares de milhões de euros de recursos públicos. Uma política patriótica e de esquerda que pela sua dimensão patriótica, inscreve a soberania e independência nacionais como objectivo central.
http://www.pcp.pt/sobre-ultimos-desenvolvimentos-no-sector-bancario-em-portugal***
4.4.2017
A contestação à venda do Novo Banco vai ao plenário da Assembleia da República. O BE agendou um debate e o PCP vai apresentar um projecto de resolução para travar o negócio e exigir o controlo público.

http://www.abrilabril.pt/nacional/entrega-fundo-abutre-vai-votos-na-ar?from=onesignal
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Cavaco é sapiente para tudo e para nada.
Aqui
para lavar mãos
ou para safar costados
passa a bola para o governo...
Entretanto os pequenos accionistas que o "adoram" investiram...Vamos ter + episódios nesta podridão financeira e dos agiotas...O capitalismo tem milhões de histórias d'exploração e engano...
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8jan2017
postei:
a bomba bancária sempre a explodir na cobrança ao povo...agHora que já tantos defendem a nacionalizAÇÃO do ex-BES... URGE TER MEMÓRIA...ps.Soares e Medina Carreira (que tds as semanas se arma em campeão...) é que deram condições para que Salgado Espírito Santo e + agiotas banqueiros tivessem condições para entrar na privatização e depois fossem "donos disto tudo"...
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6jan2017
postei no face:
ex-BES.nOVO banco...CuRIOso ver tanta gente, agHora, a defender a nacionalizAÇÃO!!!

http://www.abrilabril.pt/nacional/os-segredos-dos-abutres-que-rondam-o-novo-banco
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Dias depois de o Banco de Portugal anunciar que Sérgio Monteiro recomenda a entrega do Novo Banco ao fundo abutre Lone Star, o PCP lembra o seu projecto de resolução exigindo a sua manutenção na esfera pública.

http://www.abrilabril.pt/nacional/controlo-publico-do-novo-banco-vai-entrar-na-agenda-parlamentar
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4jan2017
escreVIVI no face:
ai a "nossa" CGD ao serviço do centrão d'interesses...PS.Costa a nomear o ministro da saúde do PSD.CDS...e a UE é que tem de dar aval!!!...ai soberania..."Perante isto não deixa de ser estranho que toda a nossa comunicação social, tão lesta ao longo de 2016 a explorar todos os lamentáveis episódios que se registaram em torno do principal Banco do nosso sistema financeiro, tão lesta a dar voz a todos os boatos que alguns, bem conhecidos de todos nós, lançaram em torno da CGD (por alguma razão nomearam durante décadas a sua gente para a Administração e para muitas posições de chefia do banco), não se interrogue por que carga de água um Governo de um país da União Europeia tem o seu principal banco em gestão corrente, não podendo tomar qualquer grande decisão e vendo a sua imagem deteriorar-se no mercado financeiro, enquanto aguarda que suas doutas Exas. decidam pronunciar-se sobre a proposta que têm em cima da mesa?"
"É estranho ainda que esta mesma comunicação social não se interrogue, por que razão um Estado soberano da União Europeia tem que obter um parecer obrigatório do BCE sobre a sua escolha das pessoas que irão integrar o Conselho de Administração de um Banco Público?"
"Até quando vamos aguentar todas estas sucessivas desconsiderações sobre Portugal e os portugueses?"
http://www.abrilabril.pt/da-para-pensar
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3jan2017
escreVIVI no face:
Banco de Portugal renova o contrato ao "craque" das privatizações, ex-SE do governo de Passos.Portas...Salário milionário para vender, com certeza, ao desbarato, para + tarde uns ganharem e nós todos perdermos!!!

https://www.facebook.com/abrilabrilpt/photos/a.228040880941401.1073741828.135016033577220/244200162658806/?type=3&theater
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"novo" banco...bento do cavaco e do espírito sai (porquê?...entra "stock" para vender ao desabarato...Soares lembra que espírito quando falar...PCP alerta...Raquel Varela pergunta bem...
14set2014
"novo" banco ou as VELHAS TRAFULHICES...
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bento do cavaco e nomeado pelo espírito sai...
Não podemos ignorar que Vitor Bento era homem de confiança de Cavaco Silva e conselheiro de estado nomeado pelo Presidente da República
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entra "stock" para vender ao desabarato...
Stock da Cunha andou nos mercados... Vai ser o Presidente do banco vendido ao desbarato...Aos capitais amigos que vêm resolver o problema antes das eleições, à psd.cds!!!
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Mário Soares lembra que espírito quando falar...
Não podemos esquecer que foi Mário Soares e Medina Carreira quem os trouxe para a privatização da Banca nacionalizada!!!
Não podemos esquecer que Ricardo Salgado Espírito Santo era unha com carne com Soares.Cavaco. e outros governantes...
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PCP alerta:
aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=V9A57AOtadE&list=UU4uS0WJVijZukDpEikxMZtw
no Debate público - «35 anos do Serviço Nacional de Saúde»
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e
http://observador.pt/2014/09/13/pcp-vai-chamar-ministra-das-financas-ar-para-esclarecer-negociata/
O secretário-geral do PCP anunciou este sábado que o partido vai apresentar uma iniciativa no parlamento para ouvir de urgência a ministra das Finanças sobre o Novo Banco, no qual considerou haver “indícios de uma grande negociata”.
“O conhecimento de que a administração do Novo Banco apresentou a sua demissão, devido a discordâncias com o governador do Banco de Portugal, que insiste em vender rapidamente e em força o Novo Banco, e também pelo facto de Vítor Bento alegar ter encontrado uma situação bem diferente, confirma que o que está em curso é uma operação que tem todos os indícios de uma grande negociata para sustentar a continuação da especulação financeira, com grandes prejuízos públicos, e à qual o PCP manifesta a sua oposição”, afirmou.
O líder comunista falava num debate, em Lisboa, sobre os 35 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando-o também um “importante momento para denunciar todas as tentativas da sua destruição e entrega aos grandes grupos privados de prestação de cuidados, transformando assim este direito num grande negócio para os grupos económicos”, algo que “demonstra a captura do poder politico pelo poder económico e financeiro”.
“Com estes novos elementos, o PCP irá propor a ida da ministra das Finanças à Assembleia da República para que o Governo clarifique qual a situação criada com a demissão da administração do Novo Banco e saber, afinal, onde se encontra o poder de decisão destes processos – estamos a falar do império da família Espírito Santo, para onde já foram 4.400 milhões de euros em recursos públicos”, declarou Jerónimo de Sousa.
O secretário-geral comunista assinalou ainda a importância redobrada da constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o processo de resolução do Banco Espírito Santo e criação do Novo Banco, proposta recentemente pelo PCP e que vai ser votada na Assembleia da República na sexta-feira.
A equipa de gestão do Novo Banco liderada por Vítor Bento confirmou hoje, em comunicado, que durante a semana apresentou ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos desempenhados na administração da entidade.
Jerónimo de Sousa falou de Espírito Santo Saúde, “José de Mello Saúde, HPP, Lusíadas e Trofa”, e da possibilidade de, “caso se confirme a venda” da Espírito Santo Saúde “ao grupo Ángeles ou AMIL, passar o controlo destas empresas para mãos de investidores estrangeiros, mais de 60 unidades de saúde, entre as quais grandes hospitais e quatro Parcerias Público-Privadas (PPP)”.
“Estes grandes grupos controlam 83% do chamado mercado da saúde, qualquer coisa como 1500 milhões de euros por ano, mais de metade das unidades de saúde em Portugal, das quais 23 são hospitais”, condenou, adiantando ser “o momento para a acabar com as PPP e denunciar os acordos da ADSE com estes grupos”
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http://observador.pt/2014/09/14/quem-e-eduardo-stock-da-cunha/
Eduardo Stock da Cunha, 51 anos, foi o banqueiro escolhidopor Carlos Costa para substituir Vítor Bento na administração do Novo Banco, de acordo com o Expresso. Stock da Cunha estava a trabalhar no Lloyds, depois de ter sido convidado por António Horta Osório, fundador do Santander Portugal. Antes, foi administrador do Santander nos Estados Unidos.
O banqueiro nasceu numa família numerosa, sendo o terceiro de oito irmãos. Numa entrevista dada à jornalista Anabela Mota Ribeiro, em 2006, Stock da Cunha contou que provém de uma família católica e que o pai “é um português daqueles antigos”, enquanto a mãe viveu muito tempo fora de Portugal. Foi dela que herdou o apelido Stock, de origem judaico-alemã.
Stock da Cunha é formado em Economia pela Universidade Católica (UC) e tem um MBA da Universidade Nova, mas admitiu nessa entrevista que no final do segundo ano na UC “não estava a achar graça ao curso”. Apesar de não ter desistido – “não vou deitar fora quarenta por cento”, terá pensado na altura – decidiu envolver-se no jornalismo, tendo integrado a secção de Economia no jornal “A Tarde”. Em 1984 acabou por ser convidado para trabalhar na Rádio Renascença.
Na conversa com a jornalista Anabela Mota Ribeiro, o banqueiro falou longamente sobre o sucesso, o fracasso, a reputação e a honra. Stock da Cunha define o fracasso como o sentimento de que “algo não correu bem”, acrescentando: “E que não correu bem porque não dei de mim tudo, tudo, para evitar que tal sucedesse. É algo que consistentemente se desvia dos objetivos que tracei, em termos profissionais, familiares, pessoais”.
Quando questionado sobre a possibilidade de recomeçar depois de um hipotético desaire, Stock da Cunha disse ter “sérias dúvidas” que isso seja possível, por achar que os portugueses, ao contrário dos americanos, não estão preparados para “poder recuperar”, depois de se terem tomado “atitudes menos éticas”. A esta observação pessoal, o banqueiro acrescentou um comentário: “De certa forma, estou de acordo que assim seja”. Stock da Cunha disse ainda que “cometer um ato desonroso, entrar num negócio e ficar rico” não é “ter sucesso”, admitindo ter dúvidas que “aos 40 anos, quem rouba e é corrupto” possa alguma vez deixar de o ser.
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Via observador:
via David Dinis
Os motivos da saída de Vítor Bento e as dúvidas que ficam em aberto
Pouco mais de um mês depois de o Novo Banco ter nascido, Vítor Bento e a sua equipa viram-se perante uma situação ainda mais difícil do que imaginavam quando foram convidados em julho para liderar o velho BES. Depois de alguns contactos ligados ao processo, o Observador faz a síntese do problema, aos olhos de quem agora sai – mas cruzando argumentos com outros envolvidos no processo. Aqui fica uma síntese em pontos.
- Um mandato radicalmente diferente. Quando foi convidado em julho para presidir ao novo Conselho de Administração do BES, Vítor Bento tinha como objetivo recuperar um banco em crise, mas com rácios de solvabilidade suficientes para se montar uma estratégia de recuperação. Incluindo a entrada de novos parceiros, num aumento de capital necessário. As contas fechadas do primeiro semestre deitaram por terra esta expetativa. O Banco de Portugal viu-se obrigado a intervir e criou o Novo Banco, uma instituição sem os ativos tóxicos, mas no limbo – com o objetivo final de uma venda e financiada pela concorrência.
Logo à partida, porém, Vítor Bento mostrou resistências ao mandatoque lhe foi imposto: queria cinco anos para pôr em prática o seu projeto para o Novo Banco. Não o conseguiu. Ficou cedo claro que havia entre a administração e o Banco de Portugal e Governo uma divergência de modelo e de estratégia. - De mãos atadas. Diz quem trabalhou no banco neste tempo que, sendo um banco de transição, o Novo Banco não pode dar um passo sem consultar (e sem ter a autorização escrita e formal) do Banco de Portugal. A pressão dos clientes para que se desbloqueassem problemas, mas também dos media – com notícias a cada dia sobre os mais variados ângulos e problemas, tornaram a pressão altíssima, sem que a administração sentisse ter os instrumentos para resolver em devido tempo. O Novo Banco acabou, em suma, paralisado pela situação (e com um mandato muito indefinido).
Mas há outro lado nesta história: quem conte que em várias matérias, como a venda de ativos, a administração do Novo Banco não quisesse dar um passo sem que o banco central o autorizasse. Passando o ónus, a responsabilidade, para o regulador. - Pequenos grandes problemas, como o papel comercial. Tornou-se um dos exemplos mais notórios da dificuldade do Novo Banco em resolver problemas pendentes com a separação do BES. O papel comercial do Grupo Espírito Santo vendido a clientes nos balcões do BES continua sem resolução. O Banco de Portugal passou a bola para o banco, Vítor Bento apresentou algumas soluções possíveis para o pagamento aos clientes (uma das quais a sua transformação em depósitos), mas o regulador pediu os inventários, para evitar riscos. Só na semana passada, soube o Observador, se chegou a um consenso — sendo a solução mais provável precisamente a dos depósitos. Mas nada se faz sem a assinatura do Banco de Portugal e essa ainda não está no papel.
A outra versão é esta: na deliberação de 14 de agosto o Banco de Portugal foi claro na ordem: a solução a que o banco chegasse não podia ter impactos negativos nas contas do banco, leia-se, nos rácios de capital. Sob pena de prejudicar toda a estratégia montada para a venda (e a própria estabilidade do banco). - Pressão para vender — e dois poderes a quem reportar.Desde cedo que o Banco de Portugal deixou claro ter prioridade numa venda rápida do banco. Mas, não sendo essa a sua missão natural, e tendo ainda que coordenar os passos com o Governo (cujo empréstimo financiou toda a operação de salvamento do banco), há quem no Novo Banco sinta que o processo tem sido menos linear do que devia. Sobretudo quando Vítor Bento, José Honório e João Moreira Rato tentavam preparar um plano de médio prazo, que procurasse dar outras garantias aos potenciais interessados.
Banco de Portugal e Governo têm outro entendimento: o de que só vendendo rapidamente é possível preservar os ativos e dar estabilidade à instituição. - Contas incertas, calendário difícil. A resistência da equipa de Vítor Bento numa venda rápida prendia-se com isso: a necessidade de tempo para consolidar o Novo Banco, de forma a garantir um bom preço de venda final (e a solidez do próprio banco). Foi pedido à McKinsey um plano estratégico há 10 dias, que demorará mais de um mês a ser apresentado; Foi pedido à PricewaterHouseCoopers que auditasse o balanço provisório (sem o qual se crê que seja difícil avançar com a venda), um relatório que não chega antes de outubro; e ainda ao Deutsche Bank para que fizesse a avaliação dos ativos, o que só começou a ser feito a 12 de agosto, depois de o Banco de Portugal ter fechado o perímetro do Novo Banco. Aqui se metem problemas como o do BES Angola, cujas imparidades deixaram de estar garantidas pelo Governo de José Eduardo do Santos. Tudo isto demorará tempo a ser entregue e esclarecido.
Mas, entretanto, o Banco de Portugal contratou o BNP Paribas para obter um plano de venda do banco (que tanto pode ser em bloco, como não). A notícia desta semana, do Diário Económico, de que o regulador pediu esse plano já para o final deste mês surpreendeu uma vez mais a equipa de Vítor Bento.
Com tudo isto, sobram muitas dúvidas e problemas para a próxima administração. Começando por se saber se os restantes membros nomeados para a administração do banco se mantêm em funções ou se Carlos Costa terá mais pessoas para substituir.
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Raquel Varela
A saga do BES contínua, e 5 mil milhões de euros depois, já sabemos os detalhes das conversas entre a, b e c, mas ainda não fomos informados do mais importante:
1 - Quais os accionistas falidos com a falência do Banco?
2 - Quais os accionistas que não faliram depois da nacionalização do Banco?
Porque quando se diz que o BPN custou 7 mil milhões, esquece-se de dizer que houve alguém que deixou de perder esses 7 mil milhões. Com o BES é justamente isso que ainda não sabemos: com quem está o dinheiro que todos pagámos?
Num país onde se publica a lista de devedores às finanças e ao Estado em nome da transparência e onde não se pode comprar um pastel de nata sem que uma máquina comunique quem o comprou directamente às finanças, não era democrático o Estado publicar num portal a lista dos accionistas que devem aos contribuintes 5 mil milhões de euros? Posso garantir que são muito menos do que os trabalhadores portugueses, cuja vida está toda escrutinada em computadores das finanças e da segurança social, para garantir que não foge um cêntimo à transparência estatal...
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via jalves e blogue mirante
Com respeito e apreço pelo autor, transcrevo o seguinte texto do escritor Carlos de Matos Gomes, recebido por e-mail, que faz meditar sobre a estratificação social fomentada e legalizada por políticas de moral duvidosa
NÃO TER ONDE CAIR MORTO
A notícia de que a família Espirito Santo não tinha um único bem em seu nome elucidou-me sobre o tipo de sociedade em que vivemos, aonde chegámos. Juristas meus amigos garantiram-me que é perfeitamente legal um cidadão, ou cidadã, ou uma família não ter qualquer bem em nome próprio. Nunca tinha colocado a questão da ausência de bens no quadro da legalidade, mas no da necessidade. Acreditava que pessoas caídas na situação de sem-abrigo, refugiados, minorias étnicas não enquadradas como algumas comunidades ciganas podiam não ter nada em seu nome, mas até já ouvira falar no direito a todos os cidadãos possuírem uma conta bancária, um registo de bens, nem que fosse para prever uma melhoria de situação no futuro.
Considerava um ato de reconhecimento da cidadania ter em seu nome o que pelo esforço, ou por herança, era seu. Chama-se a isso “património”, que tem a mesma origem de pai e de pátria, aquilo que recebemos dos nossos antecessores e que faz parte dos bens que constituem a entidade onde existimos.
Estes conceitos não valem para os Espirito Santo, para estes agora desmascarados e para os da sua extracção que continuam a não ter bens em seu nome, mas têm o nome em tantos bens, em paredes inteiras, em tetos de edifícios, em frontarias, em supermercados, em rótulos de bebidas.
O caso da ausência de bens dos Espírito Santo trouxe à evidência o que o senso comum nos diz dos ricos e poderosos: vivem sobre a desgraça alheia. Até lhe espremem a miséria absoluta de nada possuírem. Exploram-na. No caso, aproveitam a evidência de que quem nada possui com nada poder contribuir para a sociedade para, tudo tendo, se eximirem a participar no esforço comum dos concidadãos. Tudo dentro da legalidade e da chulice, em bom português.
Imagino com facilidade um dos seus advogados e corifeus, um Proença de Carvalho, por exemplo, a bramar contra a injustiça, contra o atentado às liberdades fundamentais dos pobres a nada terem, à violência socializante e colectivista que seria obrigar alguém a declarar bens que utiliza para habitar, para se movimentar por terra, mar e ar, para viver, em suma. Diria: todos somos iguais perante a lei, todos podemos não ter nada, o nada ter é um direito fundamental. Para ter, é preciso querer, e os Espirito Santo não querem ter, querem o direito de usar sem pagar. O mesmo direito do invasor, do predador.
A legalidade do não registo de bens em nome próprio para se eximir ao pagamento de impostos e fugir às responsabilidades perante a justiça é um exemplo da perversidade do sistema judicial e da sua natureza classista. Esta norma legal destina-se a proteger ricos e poderosos. Quem a fez e a mantem sabe a quem serve. Os Espirito Santo não são gente, são empresas, são registos de conservatória, são sociedades anónimas, são offshores com fato e gravata que recebem rendas e dividendos, que pagam almoços e jantares. Não são cidadãos. As cuecas de Ricardo Espirito Santo não são dele, são de uma SA com sede no Panamá, ou no Luxemburgo. A lingerie da madame Espirito Santo é propriedade de um fundo de investimento de Singapura, presumo porque não sou o contabilista. Mas a ausência de bens registados pelos Espirito Santos em seu nome diz também sobre a sua personalidade e o seu carácter. A opção de se eximirem a compartilhar com os restantes portugueses os custos de aqui habitar levanta interrogações delicadas: Serão portugueses? Terão alguma raiz na História comum do povo que aqui vive? Merecem algum respeito e protecção deste Estado que nós sustentamos e que alguns até defenderam e defendem com a vida?
Ao declararem que nada possuem, os Espirito Santo assumem que não têm, além de vergonha, onde cair mortos!
O ridículo a que os Espirito Santo se sujeitam com a declaração de nada a declarar com que passam as fronteiras e alfândegas faz deles uns tipos que não têm onde cair mortos, uns párias.
A declaração de “nada a declarar” em meu nome, nem da minha esposa, filhinhos e restante família dos Espirito Santo, os Donos Disto Tudo, também nos elucida a propósito do pindérico capitalismo nacional: Os Donos Disto Tudo não têm onde cair mortos! O capitalismo em Portugal não tem onde cair morto!
Resta ir perguntar pelas declarações de bens dos Amorins, o mais rico dos donos disto, do senhor do Pingo Doce, do engenheiro Belmiro, dos senhores Mellos da antiga Cuf, dos senhores Violas, dos Motas da Engil e do senhor José Guilherme da Amadora para nos certificarmos se o capitalismo nacional se resume a uma colecção de sem abrigo que não têm onde cair mortos! É que, se assim for, os capitalistas portugueses, não só fazem o que é costume: explorar os pobres portugueses, como os envergonham.
Os ricos, antigamente, mandavam construir jazigos que pareciam basílicas para terem onde cair depois de mortos – basta dar uma volta pelos cemitérios das cidades e vilas. Os ricos de hoje alugam um talhão ao ano em nome de uma sociedade anónima! Os Espirito Santo, nem têm um jazigo de família!
Eu, perante a evidência da miséria, se fosse ao senhor presidente da República, num intervalo da hibernação em Belém, declarava o território nacional como uma zona de refúgio de sem-abrigo, uma vala comum e acrescentava a legenda na bandeira Nacional: “Ditosa Pátria que tais filhos tem sem nada!”
Carlos de Matos Gomes
NÃO TER ONDE CAIR MORTO
A notícia de que a família Espirito Santo não tinha um único bem em seu nome elucidou-me sobre o tipo de sociedade em que vivemos, aonde chegámos. Juristas meus amigos garantiram-me que é perfeitamente legal um cidadão, ou cidadã, ou uma família não ter qualquer bem em nome próprio. Nunca tinha colocado a questão da ausência de bens no quadro da legalidade, mas no da necessidade. Acreditava que pessoas caídas na situação de sem-abrigo, refugiados, minorias étnicas não enquadradas como algumas comunidades ciganas podiam não ter nada em seu nome, mas até já ouvira falar no direito a todos os cidadãos possuírem uma conta bancária, um registo de bens, nem que fosse para prever uma melhoria de situação no futuro.
Considerava um ato de reconhecimento da cidadania ter em seu nome o que pelo esforço, ou por herança, era seu. Chama-se a isso “património”, que tem a mesma origem de pai e de pátria, aquilo que recebemos dos nossos antecessores e que faz parte dos bens que constituem a entidade onde existimos.
Estes conceitos não valem para os Espirito Santo, para estes agora desmascarados e para os da sua extracção que continuam a não ter bens em seu nome, mas têm o nome em tantos bens, em paredes inteiras, em tetos de edifícios, em frontarias, em supermercados, em rótulos de bebidas.
O caso da ausência de bens dos Espírito Santo trouxe à evidência o que o senso comum nos diz dos ricos e poderosos: vivem sobre a desgraça alheia. Até lhe espremem a miséria absoluta de nada possuírem. Exploram-na. No caso, aproveitam a evidência de que quem nada possui com nada poder contribuir para a sociedade para, tudo tendo, se eximirem a participar no esforço comum dos concidadãos. Tudo dentro da legalidade e da chulice, em bom português.
Imagino com facilidade um dos seus advogados e corifeus, um Proença de Carvalho, por exemplo, a bramar contra a injustiça, contra o atentado às liberdades fundamentais dos pobres a nada terem, à violência socializante e colectivista que seria obrigar alguém a declarar bens que utiliza para habitar, para se movimentar por terra, mar e ar, para viver, em suma. Diria: todos somos iguais perante a lei, todos podemos não ter nada, o nada ter é um direito fundamental. Para ter, é preciso querer, e os Espirito Santo não querem ter, querem o direito de usar sem pagar. O mesmo direito do invasor, do predador.
A legalidade do não registo de bens em nome próprio para se eximir ao pagamento de impostos e fugir às responsabilidades perante a justiça é um exemplo da perversidade do sistema judicial e da sua natureza classista. Esta norma legal destina-se a proteger ricos e poderosos. Quem a fez e a mantem sabe a quem serve. Os Espirito Santo não são gente, são empresas, são registos de conservatória, são sociedades anónimas, são offshores com fato e gravata que recebem rendas e dividendos, que pagam almoços e jantares. Não são cidadãos. As cuecas de Ricardo Espirito Santo não são dele, são de uma SA com sede no Panamá, ou no Luxemburgo. A lingerie da madame Espirito Santo é propriedade de um fundo de investimento de Singapura, presumo porque não sou o contabilista. Mas a ausência de bens registados pelos Espirito Santos em seu nome diz também sobre a sua personalidade e o seu carácter. A opção de se eximirem a compartilhar com os restantes portugueses os custos de aqui habitar levanta interrogações delicadas: Serão portugueses? Terão alguma raiz na História comum do povo que aqui vive? Merecem algum respeito e protecção deste Estado que nós sustentamos e que alguns até defenderam e defendem com a vida?
Ao declararem que nada possuem, os Espirito Santo assumem que não têm, além de vergonha, onde cair mortos!
O ridículo a que os Espirito Santo se sujeitam com a declaração de nada a declarar com que passam as fronteiras e alfândegas faz deles uns tipos que não têm onde cair mortos, uns párias.
A declaração de “nada a declarar” em meu nome, nem da minha esposa, filhinhos e restante família dos Espirito Santo, os Donos Disto Tudo, também nos elucida a propósito do pindérico capitalismo nacional: Os Donos Disto Tudo não têm onde cair mortos! O capitalismo em Portugal não tem onde cair morto!
Resta ir perguntar pelas declarações de bens dos Amorins, o mais rico dos donos disto, do senhor do Pingo Doce, do engenheiro Belmiro, dos senhores Mellos da antiga Cuf, dos senhores Violas, dos Motas da Engil e do senhor José Guilherme da Amadora para nos certificarmos se o capitalismo nacional se resume a uma colecção de sem abrigo que não têm onde cair mortos! É que, se assim for, os capitalistas portugueses, não só fazem o que é costume: explorar os pobres portugueses, como os envergonham.
Os ricos, antigamente, mandavam construir jazigos que pareciam basílicas para terem onde cair depois de mortos – basta dar uma volta pelos cemitérios das cidades e vilas. Os ricos de hoje alugam um talhão ao ano em nome de uma sociedade anónima! Os Espirito Santo, nem têm um jazigo de família!
Eu, perante a evidência da miséria, se fosse ao senhor presidente da República, num intervalo da hibernação em Belém, declarava o território nacional como uma zona de refúgio de sem-abrigo, uma vala comum e acrescentava a legenda na bandeira Nacional: “Ditosa Pátria que tais filhos tem sem nada!”
Carlos de Matos Gomes
BES.Cavaco.governo.BdP.
19dez2014
https://www.facebook.com/960198530674380/photos/a.960209104006656.1073741828.960198530674380/966610230033210/?type=1&theater
Miguel Tiago resume:
Silenciar o PCP é ocultar os avanços da Comissão de
Inquérito
Quem ler as notícias de jornal de dia 19 de Dezembro de 2014 sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito do BES/GES ficará com uma ideia muito distante daquela que na realidade se verificou. Então vejamos, para não variar, a comunicação social faz o papel que tem feito desde o início, desviar atenções para questões laterais e aproveitar para promover um membro específico da Comissão, dando resposta à estratégia interna de uma certa tendência de um certo partido, com o evidente apoio de um outro partido.
Ora, durante a audição de Álvaro Sobrinho, várias questões foram abordadas, mas arrisco a reduzir o texto às essenciais: o destino do dinheiro que o BESA solicitou ao BES e as imparidades associadas e os contornos dos negócios da ESCOM. Estranhamente, alguns partidos levantaram a dúvida sobre o papel da dívida de Angola no colapso do BES de 30 de Julho, parecendo querer validar a tese de Salgado, quando é mais do que sabido que o relatório e contas de 30 de Julho não constitui nenhuma provisão para a dívida de Angola, com excepção de uma pequena parcela por juros incobráveis.
Tanto o BE, como o PS, que aliás parecem preparar juntos a estratégia de inquérito, insistem em construir uma linha de inquérito judicializada, sempre alimentando a ilusão de que a esta comissão cabe apurar as responsabilidades pessoais e criminais de cada interveniente. A estratégia é liquidatária da Comissão, apesar de ser a que os jornais mais gostam, porque contribui para a ideia de que as comissões de inquérito não servem para nada. BE e PS, e PSD - com motivos diferentes - concentram o inquérito em responsabilidades individuais, dando ao inquérito contornos de interrogatório ao estilo de filme americano e com isso parecem querer substituir-se aos tribunais e à investigação judiciária. O resultado dessa linha de inquérito será, infelizmente, o habitual "as comissões de inquérito não servem para nada, ninguém vai preso." E assim será sempre que a expectativa constituída for essa, pelo simples facto de que não é para isso que servem as comissões de inquérito.
É habitual ver os jornais a apagarem o papel do PCP, tal como é habitual vê-los a fabricar factos. Mas o que se passou ontem e a forma como todos os jornais ignoram as denúncias que o PCP fez durante a audição com Sobrinho é mais ostensiva do que o normal silenciamento. Salgado já tinha dito, Sobrinho repetiu: a dívida do BESA ao BES foi para comprar obrigações do tesouro da República de Angola (1.5 mil milhões de dólares) e o restante foi para financiar empresas exportadoras portuguesas. O PCP denunciou quem eram essas empresas e disse os valores de empréstimos que o BESA fez a algumas delas. Sobrinho não confirmou porque invocou o sigilo bancário, mas não desmentiu.
Os jornais, estranhamente, continuam a afirmar que «os deputados não obtiveram resposta para a pergunta "para onde foi o dinheiro?"». Só podem ser retiradas três conclusões dessa consideração que surgem invariavelmente em todos jornais: ou os jornais querem esconder o destino do dinheiro, ou não querem permitir que se perceba que o PCP o denunciou naquela audição, ou ambas.
A forma como os órgãos de comunicação social ocultam o trabalho do PCP, não é só grave por ser demonstração da orientação política que dirige as redacções, mas também porque tolhe o serviço público que deveriam prestar. A ânsia de esconder o PCP leva-os a esconder também os factos que o PCP refere. Isso foi assim ontem, como foi assim desde a primeira audição.
Faço apenas uma breve e incompleta resenha:
- o PCP foi o primeiro partido a referir a importância das imparidades de crédito e da evolução das carteiras de crédito - a comunicação social ignorou até que outros partidos começaram a pegar no tema;
- o PCP foi o primeiro partido a questionar a forma como a dívida de Angola foi provisionada e durante mujito tempo fê-lo sozinho - a comunicação social ignorou até que outros partidos começaram a pegar no tema;
- o PCP foi durante várias audições o único partido a pegar nas emissões de obrigações - a comunicação social ignorou até que o BE decidiu pegar, apesar de o BE o ter feito nos exactos termos em que o PCP o vinha fazendo ao longo de sucessivas audições;
- o PCP foi o primeiro partido a questionar o BES e o BdP sobre os procedimentos de avaliação de risco - a comunicação social continua a ignorar porque só na reunião com o BESA o PSD veio a pegar no tema.
Ontem, o PCP denunciou que o BES concedeu uma linha de crédito ao BESA e que essa linha de crédito originou uma dívida do BESA ao BES que actualmente está nos 2,7 mil milhões de euros porque uma parte havia sido emprestada pelo BESA ao Estado Angolano (1,5 mil milhões de USD) e outra parte a empresas exportadoras não desvendadas. Não desvendadas até que o PCP finalmente as desvendou, no seguimento do que alguma comunicação social (o Expresso) já tinha conseguido fazer. As ditas empresas exportadoras eram afinal de contas a ESCOM (Espírito Santo Commerce) e a Vaningo, entre outras que o Expresso já denunciara. Sucede porém que a ESCOM e a Vaningo são empresas ligadas ao Grupo Espírito Santo. A ESCOM recebeu um empréstimo de 308 milhões de euros, a Vaningo recebeu quase 200 milhões e a Nazaki - empresa ligada à Sonangol e a Manuel Vicente - recebeu também cerca de 200 milhões.
Resta saber qual a parte desses empréstimos que foi paga. E se foi paga alguma parte, por que motivo então a dívida do BESA ao BES continua provisionada quase a 100% no Novo Banco?
Cada vez mais se percebe que os banqueiros se andaram a encher à custa de créditos concedidos a si próprios, sejam eles banqueiros em Angola, sejam na Suíça, Luxemburgo ou Portugal. Os mesmos banqueiros que te negam a ti o crédito para comprar casa, ou simplesmente para sobreviver, e que não te perdoam nem uma centena de euros de capital ou juros, atribuíam a si mesmos milhões de euros em créditos pelos quais nunca pagavam um tostão porque eles próprios decidiam não cobrar.
É um esquema perfeito: tu metes o dinheiro no banco; o banqueiro empresta o teu dinheiro a ele próprio; o banqueiro não paga o empréstimo ao banco que é dele; o banco não faz a cobrança porque o devedor é o dono do banco; o teu depósito desaparece; o Estado paga o teu depósito; o banqueiro desaparece com o depósito original.
Publicada por Miguel Tiago no blogue Autoridade Nacional
Via Jerónimo de Sousa
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/jeronimo-sousa-diz-presidente-esta-numa-posicao-defensiva-no-caso-bes
Jerónimo de Sousa diz que o Presidente está numa “posição defensiva” no caso BES
Por Agência Lusa
publicado em 8 Set 2014 - 23:18
Para Jerónimo de Sousa, as declarações do Presidente da República adensam ainda mais as dúvidas dos portugueses e evidenciam a necessidade de se avançar com o inquérito parlamentar proposto pelo PCP
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou-se hoje convicto de que as últimas declarações de Cavaco Silva sobre o caso BES podem significar que o Presidente da República se está a colocar numa posição defensiva.
"Eu creio que é uma posição defensiva, cautelosa, tendo em conta a dúvida legítima, que hoje muitos portugueses têm, e agora, pelo que descobrimos, até o Presidente da República, em relação ao processo de avaliação e caracterização que o Governo e o Banco de Portugal fizeram de um banco sólido, que não precisava de qualquer ajuda", disse.
"E, de repente tudo se desmoronou, numa demonstração de que essa informação e que essas afirmações não correspondiam à realidade, tendo em conta o buraco que se descobriu posteriormente", acrescentou o líder comunista.
Durante uma visita à Festa das Vindimas, em Palmela, Jerónimo Sousa comentou as declarações do Presidente da República sobre o caso BES no passado domingo, em que o chefe de estado dizia esperar que o Governo lhe comunicasse os "factos relevantes" logo que tivesse conhecimento deles, manifestando ainda o desejo de que isso tivesse acontecido em relação ao caso BES.
"O Presidente da República não tem ministérios, não tem serviços de execução de políticas, não tem serviços de fiscalização ou de investigação e, portanto, recebe toda a informação das entidades oficiais", disse em Arganil, o chefe de Estado.
Para Jerónimo de Sousa, as declarações do Presidente da República adensam ainda mais as dúvidas dos portugueses e evidenciam a necessidade de se avançar com o inquérito parlamentar proposto pelo PCP.
"Quando o próprio Presidente da República coloca dúvidas. É porque as coisas tendem, com certeza, a ficar mais complicadas. E é por isso que valorizamos muito o nosso inquérito parlamentar, ao BES e ao Grupo GES, na medida em que podemos estar apenas perante a ponta do iceberg. Já lá vão 4,5 mil milhões de euros de fundos públicos e a nossa inquietação é que isto possa não ficar por aqui", concluiu.
"Eu creio que é uma posição defensiva, cautelosa, tendo em conta a dúvida legítima, que hoje muitos portugueses têm, e agora, pelo que descobrimos, até o Presidente da República, em relação ao processo de avaliação e caracterização que o Governo e o Banco de Portugal fizeram de um banco sólido, que não precisava de qualquer ajuda", disse.
"E, de repente tudo se desmoronou, numa demonstração de que essa informação e que essas afirmações não correspondiam à realidade, tendo em conta o buraco que se descobriu posteriormente", acrescentou o líder comunista.
Durante uma visita à Festa das Vindimas, em Palmela, Jerónimo Sousa comentou as declarações do Presidente da República sobre o caso BES no passado domingo, em que o chefe de estado dizia esperar que o Governo lhe comunicasse os "factos relevantes" logo que tivesse conhecimento deles, manifestando ainda o desejo de que isso tivesse acontecido em relação ao caso BES.
"O Presidente da República não tem ministérios, não tem serviços de execução de políticas, não tem serviços de fiscalização ou de investigação e, portanto, recebe toda a informação das entidades oficiais", disse em Arganil, o chefe de Estado.
Para Jerónimo de Sousa, as declarações do Presidente da República adensam ainda mais as dúvidas dos portugueses e evidenciam a necessidade de se avançar com o inquérito parlamentar proposto pelo PCP.
"Quando o próprio Presidente da República coloca dúvidas. É porque as coisas tendem, com certeza, a ficar mais complicadas. E é por isso que valorizamos muito o nosso inquérito parlamentar, ao BES e ao Grupo GES, na medida em que podemos estar apenas perante a ponta do iceberg. Já lá vão 4,5 mil milhões de euros de fundos públicos e a nossa inquietação é que isto possa não ficar por aqui", concluiu.
Via observador

http://observador.pt/2014/09/07/cavaco-espero-que-governo-tenha-comunicado-logo-os-factos-revelantes-sobre-o-bes-ao-pr/
***
Via i
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/cavaco-culpa-governo-falta-informacao-sobre-bes
...
Recorde-se que a 21 de Julho, a menos de duas semanas do BES ter sido dividido no Novo Banco e no Bad Bank por decisão do regulador, o chefe de Estado sustentou as suas declarações sobre a firmeza do BES em garantias que lhe foram prestadas pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Nessa altura disse que os portugueses podiam confiar no BES "dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa".
...
***
Via público
http://www.publico.pt/politica/noticia/cavaco-levanta-duvidas-sobre-informacao-que-recebeu-no-caso-bes-1668915
Cavaco levanta dúvidas sobre informação que recebeu no caso BES
Presidente da República disse por duas vezes que espera ter recebido toda a informação relevante sobre o BES.
Cavaco Silva disse este domingo esperar ter sido informado atempadamente pelo Governo e com informação relevante sobre o caso BES, numa declaração que visa chamar a atenção directamente o Executivo de Passos Coelho.
Cavaco Silva lembrou que é ao Executivo que cabe informar o Presidente, sobretudo, quando há comentadores políticos - como é o caso de Marques Mendes - que têm revelado as soluções encontradas para o BES e para o Novo Banco ainda antes de serem anunciadas oficialmente.
Nas primeiras declarações públicas depois de férias e do desfecho do caso BES,Cavaco Silva sublinhou que a informação relevante tem que ser comunicada no timing certo e pelos canais oficiais.
Em Arganil, onde participou nas comemorações no dia do município, Cavaco Silva respondeu aos jornalistas sobre as declarações públicas que fez sobre o BES, ainda antes de ter sido dividido em dois, ao transmitir uma mensagem de confiança na instituição, ainda que se tivesse baseado na informação dada pelo Banco de Portugal . “O Presidente não tem ministérios, não tem serviços de execução política, não tem serviços de fiscalização ou investigação, e portanto recebe toda a informação das entidades oficiais e espera que o Governo logo que tenha conhecimento de informação relevante a comunique. Eu espero que tenha acontecido assim [no caso BES], que é o que resulta da Constituição”, afirmou o Presidente da República.
No passado dia 21 de Julho, Cavaco Silva, numa visita a Seul, afirmou que os portugueses podiam confiar no BES de acordo com informações que recebia do Banco de Portugal. Nove dias depois o BES apresentava prejuízos recorde e duas semanas após serem conhecidos os números o Banco de Portugal anuncia a criação do Novo Banco, deixando no BES todos os activos tóxicos. Um dos advogados dos pequenos accionistas daquele banco, Miguel Reis, responsabilizou, em entrevista ao jornal i, o Presidente e o governador do Banco de Portugal pelas perdas dos seus clientes que considerou terem sido convencidos a investir na antiga instituição pelas declarações tranquilizadoras de ambos. Na sequência destas dúvidas, a Presidência transcreveu, na íntegra, no site oficial as perguntas dos jornalistas e as respostas de Cavaco Silva.
Esta manhã, o Chefe de Estado sublinhou que, de forma geral, é informado pelo Governo e que “é essa informação a que atribui importância”. Embora – acrescentou – registe o que os agentes económicos e sociais “dizem” e que “muitas vezes tem em conta nas conversas com o Governo”.
O Presidente deixou, no entanto, um elogio ao Banco de Portugal pela solução encontrada. “Considero que o Banco de Portugal, de acordo com as competências que lhe cabem, nos termos da lei e tendo em conta as regras comunitárias, enfrentou uma situação extremamente difícil da forma melhor para defender os interesses nacionais”, afirmou aos jornalistas.
Questionado pelos jornalistas sobre a sugestão da ministra das Finanças de discutir a dívida pública no Parlamento, Cavaco Silva concordou com a ideia e lembrou que esse foi o tema da sua tese de doutoramento há 40 anos. Mas deixou um aviso: "Discutir a dívida pública não significa reestruturar".
21jun2014
Se até o BPortugal não confia naqueles "ilustres banqueiros"
se os obrigaram a abdicar
se nem Angola, nem o governo psd.cds lhes dá apoio em 2,5 mil milhões de euros...
A HETACOMBE está para breve?
***
arrepia os salários destes ladrões:
Ricardo Salgado e restantes administradores recebiam, cada um, mais de 500 milhões de euros por ano
***
Tds diziam que o BES era diferente do BPN...Afinal...
SWAPs...PPPs
***
estas ligações da política para a banca e da banca para a política do centrão d'interesses continuam...
saíu do TC para deputado do PSD, para o SIRP (Serviço de Informações da RPortuguesa) e agora para o BES
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21jul2014
em junho2013 HONÓRIO NOVO encostava Carlos Costa do BdPortugal
https://www.youtube.com/watch?v=Tig2K_qsqio&feature=share
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Jornal de negócios
Onze questões sobre o BES
21 Julho 2014, 00:01 por Rui Peres Jorge | rpjorge@negocios.pt
À medida que os episódios se sucedem é muito evidente que Ricardo Salgado não pode ser o único vilão; que Carlos Costa e Carlos Tavares não são os heróis que alguns apregoaram; e que o Governo – e a troika - sabem há muito que uma bomba poderia rebentar.
A novela Espírito Santo seria simplesmente espectacular não fossem os riscos que coloca à retoma, às contas públicas e à confiança sobre o sector financeiro e as reformas implementadas durante os anos da troika. Os desenvolvimentos dos últimas semanas confirmam que muita coisa está a mudar em Portugal, sem dúvida. Mas são também a prova de que muitas outras teimam em mudar demasiado devagar, com destaque para o comportamento irresponsável de gestores financeiros de topo, para a mão suave do Banco de Portugal e da CMVM, e para as dificuldades de cooperação entre os dois supervisores no controlo de um sector que insiste em desiludir.
Esta lentidão é mais extraordinária porque ao contrário do que aconteceu nos anos que antecederam os casos BPN, BCP e BPP, a história recente ensinou-nos (relembrou-nos) os muitos perigos que o sistema financeiro coloca à economia. Se isso não bastasse, a sucessão de escândalos internacionais já pós crise "sub-prime" e a resistência das instituições financeiras à mudança deveria chegar para uma lógica de tolerância zero em relação às práticas de gestão bancária.
À medida que os episódios se sucedem é muito evidente que Ricardo Salgado não pode ser o único vilão; que Carlos Costa e Carlos Tavares não são os heróis que alguns apregoaram; e que o Governo – e a troika - sabem há muito que uma bomba poderia rebentar. Percebe-se agora melhor porque é que os 6,4 mil milhões de euros do empréstimos internacional não podiam ser usados, mesmo após a conclusão do programa de ajustamento.
É cedo para tirar conclusões sobre o que se passou. Mas é já tempo de definir algumas das perguntas que deveriam ter resposta para que se possam apurar responsabilidades e, como prometeu Vítor Bento aos seus trabalhadores, conquistar a confiança dos mercados. Aqui ficam onze:
1. Na sequência da recusa do BES de recorrer a capital público durante o programa de ajustamento, o Banco de Portugal e o Governo garantiram que a decisão era baseada em critérios financeiros e acautelaram o risco de ser uma tentativa de fugir a controlo adicional?
2. Que mudanças materiais ocorreram para apenas numa auditoria de final de 2013 terem sido identificados riscos relevantes na exposição do BES ao GES?
3. A identificação dos riscos só no final do programa de ajustamento devem-se a dificuldades de obtenção de informação com os instrumentos e equipas de supervisão disponíveis, a má avaliação da informação apurada nas várias auditorias, ou a complacência dos reguladores face às fragilidades identificadas?
4. O financiamento de empresas do grupo através da venda de dívida nos balcões e gabinetes do banco foi avaliada pelos reguladores antes do final de 2013?
5. Qual o conhecimento que o ROC de há muitos anos (a KPMG) tinha sobre as contas e as práticas do banco, nomeadamente a relação com o GES?
6. O que sabe o Banco de Portugal sobre as contas do BES Angola (BESA) nos últimos quatro anos? E sobre a situação actual?
7. Onde está a garantia legal do Governo angolano sobre as perdas no BESA? O que diz exactamente? Em que jurisdição legal pode ser exercida e contestada?
8. Se o BES exercer a garantia sobre as perdas no BESA, o que recebe em troca o Estado Angolano?
9. Se Angola não cumprisse o definido na alegada garantia, qual o impacto para as contas do BES?
10. Qual a exposição das instituições financeiras nacionais às várias empresas do GES e à dívida subordinada do BES?
11. Que medidas estão a ser tomadas para garantir que o BES mantém um funcionamento regular na concessão de crédito à economia?
avante17jul2014
http://www.avante.pt/pt/2120/assembleiadarepublica/131264/
BES espelha os desmandos da Banca
Que não se repita o BPN!
O PCP critica a «atitude de silêncio e cumplicidade» do Governo e do Banco de Portugal perante os factos que envolvem o Banco Espírito Santo, reclamando uma intervenção «rigorosa e transparente» que «salvaguarde o interesse nacional e apure a real situação» daquele grupo financeiro.
«O que é que o Governo está a fazer? Vai continuar a assistir sem intervir? Vai deixar que a situação se deteriore para depois nacionalizar os prejuízos como fez o anterior «governo com o BPN?», inquiriu, dia 10, no Parlamento, o deputado comunista Paulo Sá.
Essa intervenção das entidades responsáveis, na perspectiva do PCP, deve determinar o «controlo público da actividade do banco» e recusar qualquer cenário que repita uma «situação semelhante ao BPN em que os portugueses sejam chamados, mais uma vez, a pagar os desmandos da banca privada».
Veiculada era assim pela bancada do PCP a preocupação que tem vindo a avolumar-se face a notícias que têm surgido nas duas últimas semanas sobre as dificuldades naquele grupo dominado pela família Espírito Santo e o «risco sistémico» daí resultante.
Que esse risco é real prova-o as cotações em bolsa das maiores empresas portuguesas, bem como a suspensão das acções do BES a meio da passada semana, depois de estas se terem afundado 17%, sem falar nos juros da dívida pública que de imediato registaram uma subida em todos os prazos.
Factos que ocorrem – foi ainda Paulo Sá a fazer o filme dos acontecimentos – na sequência de notícias nos últimos anos sobre um conjunto de irregularidades nas empresas do Grupo Espírito Santo, a par do eventual envolvimento de alguns dos seus administradores em casos de fraude e branqueamento de capitais.
«Buraco» gigantesco
São assim evidentes as consequências desastrosas que podem advir para Portugal do ponto de vista económico e social, alertou o deputado do PCP, que insistiu na crítica ao Governo por nada fazer e nada dizer sobre o assunto.
Registe-se que ainda há cerca de duas semanas numa audição em comissão parlamentar, questionada pelo PCP sobre a situação do GES e do BES, a ministra das Finanças recusou-se pura e simplesmente a adiantar qualquer esclarecimento.
Tudo somado, «vai ganhando consistência» a possibilidade de estarmos perante um novo BPN, admitiu o parlamentar comunista, essa escandalosa fraude que ficou marcada por uma falsa nacionalização que socializou os prejuízos do banco deixando intocáveis os activos da Sociedade Lusa de Negócios (SLN).
Ainda sobre este caso, Paulo Sá recordou que foi por decisão do então governo do PS de Sócrates que os contribuintes foram chamados a pagar o buraco do BPN, buraco que vai em mais de 3500 milhões de euros mas que pode duplicar caso ocorram os piores cenários, advertiu Paulo Sá, que lamentou não se ter extraído lições e o Governo nada ter aprendido com o caso.
Polvo
O sector bancário é de resto um «exemplo gritante do Estado capturado pelos grandes interesses privados», afirmou o parlamentar comunista na declaração política que proferiu em nome da sua bancada e no decurso da qual não poupou críticas ao que disse ser um sector que «viveu da actividade especulativa, que transferiu para o estrangeiro em dividendos e lucros milhares de milhões de euros, e que dispõe de recursos do Estado – dos recursos de todos nós – como se fossem seus».
Dito de outro modo, um sector que faz parte daquela «ínfima minoria» que, «tendo capturado o Estado e estendido os seus tentáculos pelos principais centros de decisão política», se vai apossando de «parcelas crescentes da riqueza nacional, por via dos juros da dívida pública, dos benefícios fiscais, das parcerias público-privadas, dos contratos SWAP ou de outras benesses».
Pelo controlo público
Quando rebentou a crise financeira, em 2007/2008, foram os estados que um pouco por todo o mundo, para salvar os bancos, puseram os contribuintes a pagar muitos milhares de milhões. Só na Europa foram introduzidos no sistema financeiro 4,5 biliões de euros (4,5 milhões de milhões), lembrou Paulo Sá, sublinhando que desde então nada foi feito não obstante muito se ter dito sobre a necessidade de actuar sobre o sistema financeiro. «Foi tudo fogo de vista e basicamente tudo ficou na mesma», lamentou o deputado comunista.
Respondendo a Pedro Filipe Soares (BE), que também abordara o tema em declaração política, Paulo Sá reafirmou a posição do PCP quanto à necessidade de haver o controlo público da Banca e do sistema financeiro, colocando-os ao serviço do povo e do País e não ao serviço de meia dúzia de privilegiados de uma ou outra família.
«Isto é que resolveria os problemas da Banca em Portugal», asseverou.
Travar o desastre
Cerca de 470 mil empregos destruídos, mais 670 mil desempregados, 600 mil portugueses lançados na pobreza e outros 300 mil forçados a emigrar, perto de 100 mil empresas liquidadas. Este é o trágico balanço de três anos de política da troika, que fez de Portugal uma nação «mais pobre, mais desigual, mais dependente», na qual, coexistindo com esta dura realidade, prospera uma casta de poderosos.
Foi este retrato do País que não passou à margem da declaração política do PCP neste final de sessão legislativa, com Paulo Sá a lembrar que este é o Governo que, contra a Constituição e servindo «diligentemente os interesses do capital», impõe simultaneamente uma política de «redução de rendimentos dos trabalhadores e de liquidação de direitos».
Acusando o Governo e os partidos que o suportam de terem em curso uma «gigantesca operação de propaganda» destinada a «iludir as reais consequências da sua política» sobre a vida de milhões de portugueses, Paulo Sá desmascarou a tese da «saída limpa» e da «recuperação económica», observando que aqueles que falam do «fim da crise» são os mesmos que «omitem recentes dados sobre o recuo do PIB no 1.º trimestre deste ano».
«Falam da diminuição do desemprego, ignorando as centenas de milhares de portugueses que se viram forçados a emigrar», registou, afirmando não haver dúvidas de que o mesmo se passa em relação à dívida pública, que o Governo diz ser «sustentável», não obstante o seu valor não parar de crescer, ultrapassando hoje os 130% do PIB.
Também no plano da consolidação orçamental, diversamente do que se diz, não se vislumbra nenhuma razão para optimismo, considerou o parlamentar do PCP, que condenou o Executivo por esconder que nos «três primeiros meses deste ano já foram consumidos 34% do défice previsto para a totalidade do ano».
O que está em curso é, pois, uma campanha de mistificação que tem como único objectivo perpetuar a política da troika, por via de outros instrumentos, como o Tratado Orçamental, concluiu o deputado comunista, o que do seu ponto de vista só dá mais força à exigência de romper com a política de direita e afirmar uma política patriótica e de esquerda, como defende o PCP.
***

Reforma de Salgado superior a 900 mil euros Regras do banco definem que a reforma é igual à última remuneração fixa acrescida da média dos prémios recebidos durante todos os mandatos.
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/reforma-de-salgado-superior-a-900-mil-euros
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"O verdadeiro objectivo dos 'planos de resgate' foi salvar os bancos"
Harald Schumann, jornalista alemão que está a realizar um documentário sobre a troika, explica ao PÚBLICO por que acusou o Governo português de "censura".
Há uma semana, na conferência de imprensa de rotina do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, o ministro da Presidência, foi interpelado, em inglês, por um jornalista que se queixava do silêncio do Governo português perante as suas perguntas. A imagem passou nas televisões. Harald Schumann, editor do diário berlinense Tagesspiegel, e autor do livro A Armadilha da Globalização esteve em Portugal a filmar um documentário para o canal Arte, sobre o efeito da troika nos países intervencionados.
É o seu segundo documentário depois da crise financeira. O primeiro chamou-se “Quando a Europa salva os bancos quem paga?”. Vista por seis milhões de europeus, esta investigação de Schumann pode ter causado má impressão nos governantes portugueses. Foi, pelo menos, isso que lhe disseram, para justificar o silêncio de Carlos Moedas, Maria Luís Albuquerque e Pedro Mota Soares…
O que se passou na conferência de imprensa?
Nós estávamos há várias semanas a pedir entrevistas à ministra das Finanças e ao ministro do Emprego, e também ao coordenador do programa de ajustamento, o secretário de Estado Carlos Moedas. Mas os nossos pedidos ou eram adiados ou nem sequer recebiam resposta. Quando a equipa de filmagens chegou e iniciámos a rodagem, na semana passada, foi-nos transmitido, por porta-vozes, que os ministros e o secretário de Estado não queriam ser entrevistados para o documentário. Por isso perguntei ao ministro Marques Guedes a que se devia esta recusa peremptória de colaborar com um filme que será difundido em, pelo menos, seis países europeus. O senhor Guedes apenas disse que não lhe cabia comentar as recusas dos colegas e que devíamos continuar a tentar.
Nós estávamos há várias semanas a pedir entrevistas à ministra das Finanças e ao ministro do Emprego, e também ao coordenador do programa de ajustamento, o secretário de Estado Carlos Moedas. Mas os nossos pedidos ou eram adiados ou nem sequer recebiam resposta. Quando a equipa de filmagens chegou e iniciámos a rodagem, na semana passada, foi-nos transmitido, por porta-vozes, que os ministros e o secretário de Estado não queriam ser entrevistados para o documentário. Por isso perguntei ao ministro Marques Guedes a que se devia esta recusa peremptória de colaborar com um filme que será difundido em, pelo menos, seis países europeus. O senhor Guedes apenas disse que não lhe cabia comentar as recusas dos colegas e que devíamos continuar a tentar.
E que razões vos deram para manter a recusa?
Oficialmente, disseram-nos que os governantes não queriam participar num documentário que só será exibido em Janeiro próximo e que, até lá, muitas coisas poderiam acontecer, tornando os seus depoimentos desactualizados. Como o que queríamos deles era uma avaliação do que aconteceu ao longo do programa de ajustamento, creio que estas razões não são credíveis. Nos bastidores, mais tarde, fomos informados de que a minha “má reputação” teria sido a razão fundamental para que recusassem qualquer entrevista.
Oficialmente, disseram-nos que os governantes não queriam participar num documentário que só será exibido em Janeiro próximo e que, até lá, muitas coisas poderiam acontecer, tornando os seus depoimentos desactualizados. Como o que queríamos deles era uma avaliação do que aconteceu ao longo do programa de ajustamento, creio que estas razões não são credíveis. Nos bastidores, mais tarde, fomos informados de que a minha “má reputação” teria sido a razão fundamental para que recusassem qualquer entrevista.
Como é que interpreta isso?
Bom, só pode querer dizer que o facto de eu ser conhecido como um jornalista crítico, independente, me causou má reputação neste Governo. Infelizmente, isso confirma o problema básico de toda a operação da troika de credores na crise da zona Euro: O chamado ajustamento está organizado de uma forma opaca, por vezes arbitrária ou até ilegal. Os seus responsáveis sabem-no, e pretendem evitar perguntas críticas.
Bom, só pode querer dizer que o facto de eu ser conhecido como um jornalista crítico, independente, me causou má reputação neste Governo. Infelizmente, isso confirma o problema básico de toda a operação da troika de credores na crise da zona Euro: O chamado ajustamento está organizado de uma forma opaca, por vezes arbitrária ou até ilegal. Os seus responsáveis sabem-no, e pretendem evitar perguntas críticas.
O seu documentário é sobre o efeito da troika. Onde tem filmado, além de Portugal?
Até agora estivemos na Grécia e em Portugal. Na próxima semana filmaremos na sede do FMI, em Washington. Mais tarde iremos à Irlanda e ao Chipre e, é claro, a Bruxelas e a Frankfurt, para entrevistar os responsáveis da Comissão Europeia e do BCE.
Até agora estivemos na Grécia e em Portugal. Na próxima semana filmaremos na sede do FMI, em Washington. Mais tarde iremos à Irlanda e ao Chipre e, é claro, a Bruxelas e a Frankfurt, para entrevistar os responsáveis da Comissão Europeia e do BCE.
Até agora, o que vos foi possível observar?
A ideia de resolver o problema da dívida através da austeridade falhou completamente. A dívida é agora ainda mais insustentável do que era, há três anos. Os programas são, também, extremamente enviezados. Todo o fardo é assumido pelos trabalhadores e pelos contribuintes normais, enquanto as elites privilegiadas, que conseguem evadir a sua riqueza através dos offshores, e que são as maiores responsáveis pela crise, até conseguem lucrar com os programas de ajustamento. Por exemplo, quando conseguem comprar activos valiosos ao Estado a preços de saldo.
A ideia de resolver o problema da dívida através da austeridade falhou completamente. A dívida é agora ainda mais insustentável do que era, há três anos. Os programas são, também, extremamente enviezados. Todo o fardo é assumido pelos trabalhadores e pelos contribuintes normais, enquanto as elites privilegiadas, que conseguem evadir a sua riqueza através dos offshores, e que são as maiores responsáveis pela crise, até conseguem lucrar com os programas de ajustamento. Por exemplo, quando conseguem comprar activos valiosos ao Estado a preços de saldo.
Essa é, até agora, a vossa principal conclusão?
O “resgate” errado, que apenas salvou os investidores estrangeiros, principalmente alemães, de perderem nos maus investimentos que fizeram, mina a confiança nas instituições democráticas dos países afectados. Os Governos e os Parlamentos desses países parecem ser apenas marionetas nas mãos de desconhecidos, e não eleitos, burocratas estrangeiros. E, ou, de investidores.
O “resgate” errado, que apenas salvou os investidores estrangeiros, principalmente alemães, de perderem nos maus investimentos que fizeram, mina a confiança nas instituições democráticas dos países afectados. Os Governos e os Parlamentos desses países parecem ser apenas marionetas nas mãos de desconhecidos, e não eleitos, burocratas estrangeiros. E, ou, de investidores.
O que mais o surpreendeu na situação portuguesa?
O facto de terem tido - em proporção - a maior manifestação de todos os países em crise, mas que não teve qualquer impacto… Se, na Alemanha, 10% da população saísse à rua para protestar, o que significaria uma manifestação de 8 milhões de pessoas, nenhum Governo sobreviveria a isso intacto.
O facto de terem tido - em proporção - a maior manifestação de todos os países em crise, mas que não teve qualquer impacto… Se, na Alemanha, 10% da população saísse à rua para protestar, o que significaria uma manifestação de 8 milhões de pessoas, nenhum Governo sobreviveria a isso intacto.
Os cidadãos alemães estão conscientes do que se passa nos países da periferia?
Infelizmente, não. De modo nenhum. A maioria dos alemães acredita realmente que o seu Governo está a “ajudar” os gregos e os portugueses com “dinheiro dos contribuintes”.
***Infelizmente, não. De modo nenhum. A maioria dos alemães acredita realmente que o seu Governo está a “ajudar” os gregos e os portugueses com “dinheiro dos contribuintes”.
Octávio Teixeira...26junho2014
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=748013&tm=9&layout=123&visual=61
Para Octávio Teixeira, o "padrinho" continuará a controlar o BES
O comentador do Conselho Superior da Antena 1 entende que a guerra na família Espírito Santo é o menor dos problemas, destacando que "esta é mais uma demonstração dos banqueiros portugueses que revela múltiplas atividades ilegais como a fraude fiscal, falsificação de contabilidade, utilização do dinheiro dos depositantes em função de benefícios próprios e a promiscuidade entre banqueiros e o poder político". Octávio Teixeira assinala que tudo indica que o "padrinho", referindo-se a Ricardo Salgado, continuará a mandar em tudo.
***
https://www.facebook.com/468902759851708/photos/a.468913473183970.1073741828.468902759851708/674180279323954/?type=1&theater
O DONO DISTO TUDO
.por Vasco Cardoso
Corria o ano de 1991, Cavaco liderava o Governo e as privatizações – depois de anos de conspirativa preparação – caíam de maduras, com a entrega às mãos do grande capital de sectores e empresas estratégicas do País, como era o caso do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa. Aquela que havia sido um dos principais sustentáculos do regime fascista, a família Espírito Santo, voltava assim a possuir o mesmo banco que a Revolução de Abril tinha justamente colocado, por via da sua nacionalização, ao serviço do povo português. As privatizações na banca, acabariam – com o papel activo do PS, do PSD e do CDS – por varrer todo o sector financeiro com a excepção, para já, da CGD.
O percurso que se lhe seguiu é conhecido: domínio avassalador do sector financeiro sobre a economia nacional e milhares de milhões de euros de lucros transferidos para os bolsos de accionistas e especuladores. Milhões que alguns têm o descaramento de atribuir à excelência da gestão privada, mas cuja origem está não só nas largas margens de lucros construídas à custa da exploração dos trabalhadores, dos depositantes e dos custos do crédito cobrado às famílias, ao Estado e às pequenas e médias empresas, mas também nos numerosos apoios e benefícios concedidos pelo Estado. A determinada altura, o poder e a influência de Ricardo Salgado no País levou a que o apelidassem nos círculos financeiros com o título de DDT, o Dono Disto Tudo!
Na natureza destes negócios estiveram e estão presentes inúmeras práticas fraudulentas – que no caso do BPN e de outros submergiram com as consequências que se conhecem – e que agora têm vindo a estalar por todos os lados no BES perante o silêncio cúmplice do Governo e do Banco de Portugal. A «guerra dos tronos» no seio da família Espírito Santo que entretém a comunicação social é apenas a espuma que encobre um problema bem mais profundo e cuja dimensão vão continuar a ocultar enquanto puderem.
Seria um engano pensar-se que nos restantes bancos tudo vai bem, porque não vai! Se há coisa que este processo revela é a incompatibilidade radical entre a defesa dos interesses nacionais e a propriedade privada da banca. Se há assunto que a situação no BES coloca na ordem do dia é que deve ser o povo português, de facto, o dono disto tudo!
Fonte: Avante!
.por Vasco Cardoso
Corria o ano de 1991, Cavaco liderava o Governo e as privatizações – depois de anos de conspirativa preparação – caíam de maduras, com a entrega às mãos do grande capital de sectores e empresas estratégicas do País, como era o caso do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa. Aquela que havia sido um dos principais sustentáculos do regime fascista, a família Espírito Santo, voltava assim a possuir o mesmo banco que a Revolução de Abril tinha justamente colocado, por via da sua nacionalização, ao serviço do povo português. As privatizações na banca, acabariam – com o papel activo do PS, do PSD e do CDS – por varrer todo o sector financeiro com a excepção, para já, da CGD.
O percurso que se lhe seguiu é conhecido: domínio avassalador do sector financeiro sobre a economia nacional e milhares de milhões de euros de lucros transferidos para os bolsos de accionistas e especuladores. Milhões que alguns têm o descaramento de atribuir à excelência da gestão privada, mas cuja origem está não só nas largas margens de lucros construídas à custa da exploração dos trabalhadores, dos depositantes e dos custos do crédito cobrado às famílias, ao Estado e às pequenas e médias empresas, mas também nos numerosos apoios e benefícios concedidos pelo Estado. A determinada altura, o poder e a influência de Ricardo Salgado no País levou a que o apelidassem nos círculos financeiros com o título de DDT, o Dono Disto Tudo!
Na natureza destes negócios estiveram e estão presentes inúmeras práticas fraudulentas – que no caso do BPN e de outros submergiram com as consequências que se conhecem – e que agora têm vindo a estalar por todos os lados no BES perante o silêncio cúmplice do Governo e do Banco de Portugal. A «guerra dos tronos» no seio da família Espírito Santo que entretém a comunicação social é apenas a espuma que encobre um problema bem mais profundo e cuja dimensão vão continuar a ocultar enquanto puderem.
Seria um engano pensar-se que nos restantes bancos tudo vai bem, porque não vai! Se há coisa que este processo revela é a incompatibilidade radical entre a defesa dos interesses nacionais e a propriedade privada da banca. Se há assunto que a situação no BES coloca na ordem do dia é que deve ser o povo português, de facto, o dono disto tudo!
Fonte: Avante!
***
Vitor Bento

http://economico.sapo.pt/noticias/vitor-bento-sera-o-novo-presidente-executivo-do-bes_196947.html
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http://www.publico.pt/economia/noticia/bes-e-credit-agricole-com-tres-elementos-cada-no-conselho-estrategico-do-bes-1661764
Vitor Bento

http://economico.sapo.pt/noticias/vitor-bento-sera-o-novo-presidente-executivo-do-bes_196947.html
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Vítor Bento e Mota Pinto deverão integrar Conselho Estratégico do BES
Espírito Santo Financial Group confirma, através da CMVM, escolhas de Vítor Bento para presidente executivo e de Moreira Rato para responsável do pelouro financeiro.

será o chairman!!!
*
é o PSD a tomar conta do BES
tal como o PS se meteu no banco do Jardim
***
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1496766367208131&set=a.1386177241600378.1073741828.100006243463312&type=1&theater
***
Nota 1
Só existe uma maneira de dar sumiço a 4.200.000.000,00€ nas contas de um banco: é roubá-lo.
Só para termos uma ideia, o buraco do BES equivale a qualquer coisa como a construção de 62 estádios de futebol como os do Mundial do Brasil…
Só existe uma maneira de dar sumiço a 4.200.000.000,00€ nas contas de um banco: é roubá-lo.
Só para termos uma ideia, o buraco do BES equivale a qualquer coisa como a construção de 62 estádios de futebol como os do Mundial do Brasil…
Nota 2
O avô do ex-presidente do BES encontrava-se todos os domingos com Salazar e era então o intermediário preferido no branqueamento do ouro que os nazis saqueavam aos judeus antes de os gasearem.
Só entre 1936 e 1944 as reservas de ouro do Banco de Portugal aumentaram 67,5 milhões de dólares. Compreende-se a amizade.
Nomes sugestivos como José Eduardo dos Santos ou o falecido Augusto Pinochet faziam parte do portfólio de clientes da família Espírito Santo.
A Operação Furacão também rondou a sua porta.
Ao nível dos quadros dirigentes do banco sabemos que Miguel Frasquilho (PSD) passou a dirigir a AICEP (aquela que gere 80% do QREN) e que Paulo Mota Pinto (PSD) deixa o Parlamento para se dedicar a chairman do BES…
O avô do ex-presidente do BES encontrava-se todos os domingos com Salazar e era então o intermediário preferido no branqueamento do ouro que os nazis saqueavam aos judeus antes de os gasearem.
Só entre 1936 e 1944 as reservas de ouro do Banco de Portugal aumentaram 67,5 milhões de dólares. Compreende-se a amizade.
Nomes sugestivos como José Eduardo dos Santos ou o falecido Augusto Pinochet faziam parte do portfólio de clientes da família Espírito Santo.
A Operação Furacão também rondou a sua porta.
Ao nível dos quadros dirigentes do banco sabemos que Miguel Frasquilho (PSD) passou a dirigir a AICEP (aquela que gere 80% do QREN) e que Paulo Mota Pinto (PSD) deixa o Parlamento para se dedicar a chairman do BES…
Nota 3
O ano passado, em visita ao Alqueva, Ricardo Salgado afirmou que “os portugueses preferem ficar com o subsídio de desemprego” do que trabalhar.
Porém, não se coibiu de meter uma cunha a Passos Coelho e outra a José Eduardo dos Santos para tentar que o Estado financiasse a recuperação das contas.
Cá pela nossa cidade vamo-nos entretendo em denunciar quem vai aos CTT para receber o Rendimento Mínimo e até faz uns biscates por fora ou tem um negociozito paralelo.
Temos um olho clínico para ver a sardinha, mas não conseguimos vislumbrar os tubarões…
O ano passado, em visita ao Alqueva, Ricardo Salgado afirmou que “os portugueses preferem ficar com o subsídio de desemprego” do que trabalhar.
Porém, não se coibiu de meter uma cunha a Passos Coelho e outra a José Eduardo dos Santos para tentar que o Estado financiasse a recuperação das contas.
Cá pela nossa cidade vamo-nos entretendo em denunciar quem vai aos CTT para receber o Rendimento Mínimo e até faz uns biscates por fora ou tem um negociozito paralelo.
Temos um olho clínico para ver a sardinha, mas não conseguimos vislumbrar os tubarões…
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201687663748046&set=a.1208825835470.25455.1673450130&type=1
***"O verdadeiro objectivo dos 'planos de resgate' foi salvar os bancos"
Harald Schumann, jornalista alemão que está a realizar um documentário sobre a troika, explica ao PÚBLICO por que acusou o Governo português de "censura".
***
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=270321699819765&set=a.130526690465934.1073741826.100005258101403&type=1&theater
banco mau
banco bom
estes psd.cds e o BdP pensam que enganam toda a gente?
Como é possível fazer td esta trampalhada monumental
num fds
via CMinistros eletronicamente
e cavaco a despachar eletronicamente
A FORÇA DO CAPITAL!!!
***
Honório deputado do PCP avisa Carlos Costa do BdP em 2013!!!
https://www.youtube.com/watch?v=Tig2K_qsqio&feature=share
***
8ag2014
velhas trafulhices capitalistas nOVO banco...banco mau...
O ESTUDO DE EUGÉNIO ROSA
http://nblo.gs/Z2pt0
*
o centrão d'interesses PS.PSD.CDS e o BES!!!
mas há muito mais!!!

***
OPINIÃO DE MARIA HELENA FIGUEIREDO
5AG2014:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=725557977481047&set=a.100544829982368.1003.100000805541445&type=1&fref=nf
***
em março2014...PCP:
Ainda sobre o BES, a "resolução" do Banco e a União Bancária. Em Março deste ano o PCP dizia o seguinte:
O acordo sobre a União Bancária é mais um ataque à soberania nacional
Sexta 21 de Março de 2014
Nota do Gabinete de Imprensa
1. O acordo entre o Conselho e a maioria de deputados do Parlamento Europeu sobre o Mecanismo Único de Resolução (MUR) é mais um passo na concretização da gigantesca operação de concentração e centralização do sector bancário na UE a que chamam de "união bancária". Com o avanço deste processo, os Estados perderão o - pouco ou quase nenhum - poder de controlo, regulação e intervenção sobre a banca que ainda detinham vendo assim ainda mais limitada a possibilidade deste sector estratégico ser colocado ao serviço do desenvolvimento económico.
2. A falsa alegação de que, com a constituição deste fundo, se colocará um ponto final na salvação da banca por parte dos Estados, é apenas uma forma de branquear o processo de transformação de dívida privada em dívida pública- a constituição do MUR não exclui que tal venha a acontecer de novo -, de que o caso do BPN em Portugal continua a ser um vergonhoso exemplo. Na verdade, trata-se uma manobra para dissimular o facto de serem sempre os povos e os recursos públicos a assumir os incomportáveis custos e riscos da especulação e gestão danosa do sector financeiro.
3. O PCP chama a atenção para o facto de, ao mesmo tempo que se avança no aprofundamento da expropriação de poderes aos Estados membros, tornando ainda mais opaca e sem escrutínio a situação que envolve o sector financeiro, se continuar a dar espaço à especulação em torno das dívidas públicas, como é exemplo o processo que permite à banca continuar a financiar-se junto do BCE a menos de 1% e a cobrar aos Estados e às famílias juros de 5%, 6%.
4. Inserindo-se num processo ainda mais vasto a que dão o nome de “União Bancária”, a criação deste MRU destina-se, não a reforçar os mecanismos ditos independentes de controlo, supervisão e fiscalização do sector financeiro, mas a aprofundar o papel central que o BCE tem, no processo de concentração e centralização de capital e de subordinação das decisões da UE aos interesses dos megabancos, do sistema financeiro e dos seus interesses predadores, num desesperado esforço para implementar mecanismos que permitam aos seus accionistas voltar às elevadas taxas de lucro. Simultaneamente, esta decisão, aprofunda a completa desvalorização do papel do Banco de Portugal, sem prejuízo da avaliação negativa que fazemos sobre a forma como tem actuado.
5. Para o PCP o avanço no processo de constituição da "união bancária", a que o governo português deu o seu acordo, e em que o PS participou com entusiasmo, feito em nome da defesa da União Económica e Monetária e do Euro, acrescentará consequências profundamente negativas às que já hoje os trabalhadores e o povo português vivem, decorrentes da perda de soberania sobre a política monetária, orçamental e fiscal, procurando amarrar ainda mais o País a um rumo que ameaça seriamente a independência nacional e o direito do povo português a um desenvolvimento soberano.
6. Para o PCP a solução para os problemas do País não passa pela perda de soberania sobre este sector estratégico para a economia nacional, mas antes, pela recuperação do controlo público sobre a banca comercial, pelo reforço dos mecanismos de controlo e supervisão deste sector, pela limitação à chamada livre circulação de capitais, como há muito o PCP vem defendendo, bem como pela inversão das políticas que condensadas no Tratado Orçamental retiram aos Estados membros da UE instrumentos de soberania económica e monetária essenciais para assegurar o desenvolvimento económico e social
***
nas recentes eleições europeias a CDU:
"7 - As falsas soluções
Os subscritores do Pacto de Agressão, PS, PSD e CDS/PP, assim como outras forças ditas "europeístas", apresentam o federalismo e a "união política" como a solução para os problemas do país, como aliás sempre o fizeram desde a adesão de Portugal à UE. Direita e social-democracia alimentam uma campanha de propaganda em torno da "democratização" dos processos de decisão nomeadamente por via da falsa ideia da"eleição" do Presidente da Comissão ou do ilusionismo em torno do reforço do papel do Parlamento Europeu, ao mesmo tempo que alienam a soberania nacional.
Acenam com a necessidade de aprofundar a União Económica e Monetária para salvaguardar o euro, escondendo que este processo pressupõe a perda total da soberania orçamental e a manutenção de políticas e objectivos que eternizam o empobrecimento e o retrocesso económico, ou seja a lógica dos Pactos de Agressão.
O reforço da União Económica e Monetária e a vigência do Tratado de Lisboa e do Tratado Orçamental manterão intocáveis a liberalização da circulação de capitais e a procura incessante da redução dos custos do trabalho. Manter-se-á a política do Euro forte e os privilégios que daí decorrem para as grandes potências como a Alemanha e o desastre económico que significa para países, como Portugal. É deixado intocável o circuito que permite à banca financiar-se junto do Banco Central Europeu com juros de menos de 1% e posteriormente cobrar aos Estados juros agiotas que lhe permitem fabulosos lucros.
A União Bancária não significando qualquer nível de protecção dos Estados face à agiotagem da banca privada e das agências de rating por si controladas, retiraria o pouco que resta de controlo soberano dos Estados sobre a banca para promover um processo de decisão centralizado na UE sobre falências, fusões e aquisições de acordo com os interesses do grande capital financeiro, recorrendo sempre que necessário aos recursos públicos para tapar os buracos da má gestão e da especulação financeira.
Este conjunto de falsas "soluções", que como o recente acordo governamental na Alemanha demonstra, são defendidas pela direita e pela social-democracia, revelam, por si só, a profundidade da crise e as contradições em que está mergulhado o edifício de poder da União Europeia."
***
Eugénio Rosa explica em 4ag2014
http://nblo.gs/YWbnR
Espoliação dos pequenos acionistas e o Estado transformado em prestador de último recurso
Eugenio Rosa – Economista - este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com Pág. 1
A ESPOLIAÇÃO DOS PEQUENOS ACIONISTAS DO BES E A TRANSFORMAÇÃO DO
ESTADO EM PRESTADOR DE ÚLTIMO RECURSO QUE TEM DE PAGAR OS DESMANDOS
DOS BANQUEIROS
Carlos Costa, antigo diretor do BCP no tempo de Jardim Gonçalves, e agora governador do
Banco de Portugal, acabou de tirar da “cartola a solução milagrosa” para o caso BES
apresentando como aquela que garante os depósitos aos clientes, assegura a continuidade
do negócio, e evita que o Estado “meta um centavo” no BES. E o governo e os seus
defensores nos media, a começar por Marques Mendes e Rebelo de Sousa, numa gigantesca
operação de manipulação da opinião pública repetem até à exaustão o mesmo, talvez
convencidos que uma mentira repetida muitas vezes transforma-se numa verdade. Por isso
interessa analisar com a objetividade e com os dados disponíveis, que ainda são poucos,
esta questão até porque ela preocupa os portugueses, e também porque já ouvimos muitas
vezes a mesma cantiga que depois se transforma num pesadelo para os contribuintes.
A INCOMPETÊNCIA DA CMVM E DO BANCO DE PORTUGAL QUE VAI SAIR CARA AOS PEQUENOS
ACIONISTAS E CERTAMENTE TAMBÉM AOS CONTRIBUINTES
Foi confrangedor ouvir Carlos Costa dizer que tinha sido enganado por Salgado Espirito
Santo para explicar os prejuízos de 3.500 milhões € do BES no 1º sem.2014, e que tinha
mentido quando, há uma semana, repetia que a situação do BES era sólida já que o banco
“detém um montante de capital suficiente para acomodar eventuais impactos negativos
decorrentes da exposição assumida perante o ramo não financeiro do Grupo Espírito Santo (GES)
sem pôr em causa o cumprimento dos rácios mínimos em vigor", mesmo na Assembleia da
República. E para se desculpar afirmou que os atos de má gestão que determinaram os
prejuízos gigantescos registaram-se nos últimos dias, quando é evidente que isso não é
verdade, pois nos últimos dias, com as chamadas “cartas de conforto”, apenas foram
confirmados atos de má gestão ou de gestão danosa realizados no passado.
E tudo isto é mais grave quando em Junho deste ano o BES fez um aumento de capital de
1.045 milhões €, com a autorização da CMVM e do Banco de Portugal que desta forma
confirmaram que a informação que o banco deu ao “mercado” era verdadeira. Tal como
afirmou Carlos Tavares, presidente da CMVM, na Assembleia da República referindo-se aos
gestores da Portugal Telecom em relação à aplicação de 900 milhões € no GES, não basta
dizer que não sabiam, "porque se não sabiam, deviam saber". E isto plica-se à CMVM e ao
Banco de Portugal, pois se Carlos Tavares e Carlos Costa não sabiam, deviam saber pois é
para isso que são bem pagos. Pode-se estar aqui perante um crime de mercado, e aqueles
que subscreveram as ações poderão agora vir dizer que foram enganados pelos supervisores
e exigir indemnizações. E será o Estado, ou melhor, os contribuintes que as terão de pagar.
Mas não é só a esta nível que a “solução milagrosa” engendrada pelo governo e pelo BdP
poderá ser contestada. O capital do BES estava representado por 5.624.961.683 ações,
estando 9,8%, ou seja, 551.246.245 ações detidas por empresas e particulares, muitos
destes últimos pequenos acionistas, que investiram as suas poupanças em ações do BES
confiantes não só no banco mas nas garantias dadas pelos supervisores de que as contas
divulgadas pelo BES eram verdadeiras e podiam-se confiar nelas. Estes pequenos acionistas,
cujo nº se desconhece, mas que devem ser muitos milhares, sentem-se agora defraudados e
enganados, tendo perdido todas as suas poupanças O Banco de Portugal, no lugar de ir ao
património pessoal dos administradores do BES e do GES e de todos aqueles que engaram
os portugueses e cometeram atos danosos, preferiu meter no mesmo saco responsáveis e
não responsáveis e obrigar todos a pagar a fatura. É previsível que muitos reajam. Portanto,
vai-se certamente assistir a cenas públicas muito semelhantes às que se verificaram em
outros bancos (BPP, BPN), agora com a diferença que os balcões do chamado “novo banco”
serem os mesmos do BES o que não deixará de se refletir no risco reputacional do “novo
banco” reduzindo o seu valor e aumentando os prejuízos prováveis do Estado.
A MENTIRA DE QUE NÃO SERÃO UTILIZADOS FUNDOS PÚBLICOS DOS CONTRIBUINTES
A “solução milagrosa” assenta numa grande mentira: que o Estado, ou seja, os contribuintes,
não terão de “meter um centavo”.. O “novo banco” vai ser recapitalizado em 4.900 milhões €
pelo “Fundo de resolução”, cuja administração é nomeada pelo Banco de Portugal e pelo
Ministério das Finanças, que não tem dinheiro (no fim de 2013 tinha apenas 185 milhões €, a
maioria receita de impostos), por isso o Ministério das Finanças vai fazer um empréstimo,
utilizando o dinheiro da “troika”, que terá de ser pago pelos contribuintes portugueses
incluindo juros. O Estado será reembolsado do empréstimo quando o “novo banco” for
vendido a privados, e se o preço for inferior ao empréstimo, o Estado paga à “troika” e depois
irá receber na medida em que os bancos paguem as suas quotas ao Fundo de resolução. É
um “grande negócio para o Estado” que cheira muito a BPN. Mas as eventuais
consequências para o Estado, ou seja, para os contribuintes desta “solução milagrosa” não
ficam por aqui. E isto porque a solução engendrada pelo BdP e pelo governo faz lembrar
aqueles empresários que, para fugir ao fisco ou à justiça, transferem os seus bens (os ativos
bons) para uma 3ªpessoa de confiança ficando na sua posse apenas as dividas (os ativos
tóxicos) pensando, que desta forma, se desresponsabilizam-se em relação à sua gestão
danosa e não têm de pagar as dividas. No quadro 1 está a situação do BES em 30.6.2014.
Quadro 1- Balanço sintético consolidado do BES em 30.6.2014
ATIVO (o que possui e tem a haver) Millhões € PASSIVO (o que deve) Milhões €
Caixa e bancos 1.962,9 BCE (emprestimos obtidos) 8.613,7
Aplicações financeiras 24.780,5 Outros empréstimos 24.354,5
Crédito a clientes 45.886,9 Recursos de clientes (depósitos) 36.685,2
Outros ativos 7.586,0 Provisões 3.357,1
Passivos subordinados 977,7
Outros passivos (dividas) 1.984,2
TOTAL DO PASSIVO 75.972,4
CAPITAIS PRÓPRIOS (dos acionistas) 4.243,9
TOTAL DO ATIVO 80.216,3 PASSIVO+CAPITAIS PRÓPRIOS 80.216,3
Os “Recursos de clientes “, constituídos fundamentalmente por depósitos no BES totalizavam,
em 30.6.2014, 36.685,2 milhões € (compare-se este valor com os 1.490 milhões € existentes
no Fundo de Garantia de Depósitos- ver o nosso estudo 38-2014). Quando se afirma que os
depósitos vão ser transferidos para o “novo banco”, isso não significa que vá ser transferida
essa importância em dinheiro para o “novo banco”, já que essa importância não existe em
dinheiro pois encontra-se aplicada em crédito a clientes, em aplicações financeiras, incluindo
em empresas do GES, e em outros ativos. E são este tipo de ativos que garantem o
reembolso dos depósitos dos clientes e outras dívidas (por ex. empréstimos do BCE).
A questão que se coloca é esta: Que ativos e valor ficam no “BES velho”? Segundo o
comunicado do Banco de Portugal ficarão no “BES velho” os “Ativos problemáticos, que, no
essencial, correspondem a responsabilidades de outras entidades do Grupo Espírito Santo e
às participações no Banco Espírito Santo Angola, S.A., por cujas perdas respondem os
acionistas e os credores subordinados do Banco Espírito Santo, S.A.”. Segundo as contas do
1º semestre do BES esses ativos são fundamentalmente as exposições a empresas do GES:
Rio Forte e subsidiárias (270,8M€); ESFG e subsidiárias (927,6M€); Diversos (373,4M€;
Tranquilidade e subsidiárias (226,1M€); dividas de entidades do GES subscrita por clientes do
GES nos balcões do BES (3.107M€); BESA-Angola (3.879,8M€), o que soma 8.784,8 milhões
€. Nas contas do 1º sem.2014, as provisões do BES foram reforçadas em 1.669,9 milhões €,
o que fez aumentar brutalmente os prejuízos determinando que Capitais Próprios
pertencentes aos acionistas se reduzissem, entre o 1º Trim.2014 e o 2º Trim.2014, em
2.773,37 milhões €,passando de 7.017,28M€ para 4.243,9M€. No “BES velho” ficarão os
ativos tóxicos referidos anteriormente e o Capital Próprio dos acionistas ainda existente
(4.243,9M€) mais os “Passivos subordinados” (977,7 M€), pois são estes que terão de
suportar os prejuízos que resultarão dos ativos tóxicos, já que a maioria se transformarão em
perdas. No entanto, esta “solução” levanta questões que certamente vai dar origem a uma
prolongada batalha nos tribunais que poderá terminar com decisões que se traduzirão em
muitas centenas de milhões € que o Estado, ou seja, os contribuintes terão de pagar. Para
concluir isso basta recordar que os principais acionistas, que mais perdem não é apenas
família Espirito Santo, empresas portuguesas (PT e outras), e pequenos acionistas mas
também grandes grupos económicos estrangeiros – Crédit Agricole (França), Banco Bradesco
(Brasl), CRM (EUA), BlackRock (EUA) – que certamente se sentirão espoliados com a “solução
milagrosa” do BdP de transferir o que é bom para o “novo banco” e deixar o que é mau no
“BES velho”, e não ficarão passivos e vão procurar sacar do Estado. Para utilizar um dito
popular “a procissão apenas vai no adro” e o Estado (os contribuintes), foi assim
transformado em “prestador de último recurso” a quem caberá pagar a fatura final que poderá
ser muito pesada causada pela incúria e incompetência quer das entidades de supervisão
quer do governo.
Eugénio Rosa – edr2@netcabo.pt – 4.8.2014
este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com
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Agostinho Lopes do PCP
http://videos.sapo.pt/NLIy946fjlMqoBaflqVz
O PCP acusa o Governo de se esconder atrás do Banco de Portugal. Os comunistas reiteram a intenção de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito a todo este caso. O PCP diz que o Governo e o Banco de Portugal estão a prejudicar os contribuintes e a salvaguardar os interesses da anterior administração do BES.
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deputado do PCP:
João Oliveira
http://videos.sapo.pt/hnyg0syLqUpfcO8KaDo0
O líder parlamentar do PCP diz que apesar do partido defender a nacionalização dos bancos em Portugal, a entrada do Estado para fazer face aos prejuízos de bancos privados não é nacionalizar. João Oliveira deixou bem claro no programa A Propósito da SIC Notícias que é contra uma intervenção deste tipo no BES.
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Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
Prejuízos do BES: expressão de uma gestão danosa e da cumplicidade de governos e supervisores
Quarta 30 de Julho de 2014ARTIGOS RELACIONADOS
Declaração de Paulo Sá, Deputado
"A culpa do buraco do BES não pode morrer solteira"
Quinta 31 de Julho de 2014Conferência de Imprensa, Agostinho Lopes, membro do Comité Central
A defesa dos interesses nacionais face aos desenvolvimentos no BES e no Grupo Espírito Santo
Sábado 26 de Julho de 2014
Os prejuízos do primeiro semestre - 3577 milhões de euros - hoje revelados pela nova administração do BES, da confiança da Ministra das Finanças, Banco de Portugal e os ainda accionistas Família Espírito Santo, evidenciam a ligeireza e pouca transparência com que Governo e autoridades de supervisão têm abordado a situação. Aliás, ontem foi tornado público pela imprensa que o Banco de Portugal terá, em data recente, feito uma injecção de liquidez no BES, coisa que estranhamente o seu Governador ocultou dos deputados da Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República (COFAP) na audição de Julho. A cada dia que passa alarga-se o abismo do desastre financeiro do BES/GES e os riscos, ou as certezas, dos seus possíveis e graves impactos na economia portuguesa!
Está assim, e ainda mais actual, a exigência do PCP de um apuramento rigoroso da situação, dos responsáveis e das consequências dos desastres do BES/GES, nomeadamente, a real exposição de outras entidades do sector financeiro e grandes empresas àqueles. Reafirmando ser indispensável a intervenção dos poderes públicos para limitar danos e salvaguardar o interesse público e a economia nacional, o PCP insiste na recusa de que se faça recair sobre os trabalhadores e o povo a factura da canalização de dinheiros públicos, o que vai sendo indiciado pelas declarações de alguns responsáveis. Todos os prejuízos devem ser ressarcidos pelo património e recursos da família Espírito Santo e demais accionistas institucionais.
O PCP reitera a necessidade de serem salvaguardados os interesses dos pequenos aforradores e das pequenas e médias empresas, e alerta para as manobras já em curso, para fazer recair sobre os trabalhadores do BES e GES – mais de 20 mil – os custos da gestão danosa, especulação financeira e abusiva captura pessoal de capitais e rendimentos, através de despedimentos massivos, que sob a capa de reestruturações se encontram já na agenda dos responsáveis do Grupo e Banco Espírito Santo.
Eia , Eia ,
que coisa extraordinária ,
Corte-se em tudo , corte-se nos hospitais , nos médicos e enfermeiros , corte-se nos medicamentos e nas terapias , corte-se nas escolas , nos professores , corte-se a reforma aos malandros dos idosos , expulsemos os jovens deste país , porque aqui não há pão para malucos , o que é que pensavam ?
Eia , Eia ,
Exterminemos o estado social pois os Portugueses habituaram-se mal , cortemos os subsídios de férias e isso vale mil milhões , fechemos escolas e isso valerá mais mil , alguns idosos que não sobrevivam , pouparão milhões ao estado e à segurança social . Vendamos a água , a rede eléctrica , as comunicações , e talvez nos salvemos da insustentabilidade , com mais uns quantos mil milhões , tudo para pagarmos honrosamente aos nossos credores .
Mas , alto lá e pára tudo ,
Se um banqueiro e seu bando destroem uma quantidade obscena de dinheiro com práticas ilegais e gestão danosa , encobrindo sucessivamente as perdas com a circulação do dinheiro por moradas obscuras , alavancando virtualmente e de forma camuflada para o regulador , escondendo informação ,
Aí , pára tudo ,
E , miraculosamente , o supervisor invisual com a ajuda divina do pai e do filho , visto que o dito espírito santo agora é nome mau , produziu um passo mágico em que do nada cria um Novo Banco e da cartola tira 5 milhares de milhões de patacas sem importância que afinal estavam para ali esquecidas , e substituindo-se ao governo que está a banhos na Manta (mais que) Rota , rapidamente limpa os crimes do sector financeiro com o dinheiro público , para daqui a uns tempos o vender imaculado e apetecível , provavelmente com um "desprezível" prejuízo para o contribuinte , mas novamente pronto para apresentar grandes lucros aos seus futuros donos privados .
Extraordinário !
Miguel Estudante
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BES recebe injecção de 4900 milhões de euros e passa a chamar-se Novo Banco
O Estado vai injectar cerca de 4400 milhões de euros no BES, via Fundo de Recapitalização. O Banco Espírito Santo muda de nome para Novo Banco. Os outros bancos a operar em Portugal entram com 500 milhões.
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https://www.facebook.com/canalmoritzptnet/photos/a.200318570040618.50644.194137590658716/721676511238152/?type=1&theater
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UM PAÍS DE PESADELO
Na realidade vivo no país da trapalhada, da trapaça, do faz de conta, da desonestidade, das associações de malfeitores autorizados, e de desgovernos que, ainda que não possam ser facilmente apodados de corruptos – uma vez que, até ao momento, têm-se resguardado bem das evidências que permitiriam utilizar tal adjectivação (ver a questão dos submarinos) –, pelo menos, não deixam de mostrar à sociedade como se rouba quem trabalha e, ao mesmo tempo, como se poupa quem vive de expedientes financeiros e da burla aos seus clientes, aproveitando-se de um mau Estado Regulador que não actua em tempo útil e faz recair o prejuízo resultante dos desmandos sobre os contribuintes – a banca.
Este é o país de fartar vilanagem, do vale tudo contra os mais desfavorecidos e a favor dos malfeitores engravatados. Não chegou ter acontecido as desgraças pagantes pelo erário público do BPN e o BPP (mas há mais), vem agora à liça o BES – um banco onde chafurda a vigarice total –, agora fresquinhamente transformado em Banco MAU e Banco BOM, como por artes de magia máxima executadas pelo Regulador e pelo desgoverno em funções. Quer um quer outro, munidos da autoridade institucional e política adequadas, só detectaram a existência de desregulação de um banco onde dois milhões de depositantes confiavam os seus pertences, quando o mesmo surge totalmente desregulado – o que quer dizer que os mecanismos do Regulador (que tão mau efeito obteve no caso BPN), apenas actuam quando a catástrofe emerge, ou seja, quando o escândalo passa para além da taprobana da vigarice total.
As inúmeras auditorias da KPMG e sob a tutela do BdP – que muitíssimo dão a ganhar às empresas que as executam – nada encontraram de anormal na actividade do banco BES VÍGARO, excepto as de Setembro e Dezembro de 2013 que, apresentando indícios de situação financeira grave, não chegaram para o Regulador (BdP) intervir seriamente, a fim de evitar os desmandos Salgados em milhões de euros perpetrados nestes últimos seis meses.
E eis que o Regulador, agora, surgindo com um passe de mágica, trasforma um banco em dois – um Bom e um Mau –, criando estruturas dicotómicas económico-financeiras de enorme alcance para o erário público e, naturalmente, para o contribuinte pagante.
Assim, o banco Bom, agora baptizado de Novo Banco, irá lidar com tudo o que não foi afectado pela descomunal vigarice de um tal Salgado (Espírito Santo de orelha), injectando nele 4.900 MILHÕES DE EUROS, de um Fundo de Resolução que, por não ter dinheiro suficiente, vai buscar aos fundos troikanos cerca de 4.400 milhões – dinheiro este que vai pura e simplesmente aumentar a dívida pública e, quiçá, o déficit, indiciando claramente que, assim sendo, algo irá recair, mais tarde ou mais cedo, sobre o contribuinte. Mas não fica por aqui o atento e venerador Regulador do grande Capital: reabilitado o banco Bom será o mesmo democraticamente entregue à gestão privada, para gáudio dos afortunados que tenham capacidade financeira para o deglutir limpinho. Ou seja, o dinheiro do contribuinte, ainda que este possa vir a ser ressarcido (com todas as naturais dúvidas que os antecedentes têm proporcionado), avança para ‘salvar’ a má gestão da iniciativa privada, a qual, por ironia, vai buscar lucros imensos à actividade de agiotagem a esse mesmo contribuinte.
O banco Mau, por sua vez, irá ficar com tudo o que produziu de mau: os chamados produtos tóxicos, recaindo sobre os accionistas a responsabilidade de os solver. Uma ideia bonita e salomonicamente justa se assim acontecer. No entanto, se tal não acontecer, então quem irá suportar o lixo tóxico sobrante só poderá ser o Estado, e bem assim o contribuinte. Não creio que tudo venha a ser assim tão simples, a avaliar pelas declarações do Regulador sobre esta questão, a qual não foi quase nada explicada. Todos sabemos que certos investimentos em acções incorrem em risco. Contudo, qual é a responsabilidade do Regulador ao permitir, dando o seu idóneo aval, que o BES tivesse feito um aumento de capital de 1.045 milhões de euros, há pouco mais de seis meses, através de todos aqueles que se dispuseram a investir no banco quando, afinal, o mesmo já estava suficientemente podre? E vão estes accionistas ficar de mãos abanar sem recorrer a tribunais, face à cobertura da operação dada pelo BdP? Questões que não foram abordadas pelo Regulador na sua triunfante comunicação ao país sobre como criar um banco novo e como deixar o velho num estado que ninguém sabe. Na verdade, tudo o que ouvimos deste Regulador e do desgoverno sobre o BES, até há bem pouco tempo, era que quase tudo estava bem, e o que não estava não era suficiente para que o BES (agora o banco velho) não pudesse ser naturalmente reestruturado.
Estamos perante um Regulador distraído, senão mesmo incompetente, e um desgoverno que já tão bem conhecemos pela suas enormes investidadas contra quem trabalha e paga impostos, que tudo fazem para que este país se afunde na trapalhada, na trapaça, no faz de conta, na desonestidade, nas associações de malfeitores autorizados.
PQOP!
PQOP!
J. Nuno Miranda
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