
Jerónimo de Sousa: (...) O País não pode adiar por mais tempo uma mudança de rumo, uma verdadeira mudança e afirmar e concretizar uma verdadeira alternativa e não de soluções de mera alternância e novos arranjos como os que preparam os partidos que têm governado o País para salvar e prosseguirem a política da troika.
Uma verdadeira mudança e uma verdadeira alternativa que o PS, seja de Costa, seja de Seguro, não está em condições, nem pretende assegurar. Um e outro o que aspiram é governar com a direita. Foi isso que fizeram no passado, é isso que pretendem e se preparam para continuar. Por isso Costa e Seguro dizem em uníssono que com este PSD não, ao mesmo tempo que afirmam a sua abertura a novos entendimentos. Costa fala de um acordo de regime para dez anos, tendo a seu lado Rui Rio, Seguro lança pontes para acordos de incidência governativa e parlamentar com um PSD com cara nova, coisa que que Costa não descarta. Um e outro apostam no velho truque da mudança de líder para pôr o contador a zero das responsabilidades e abrir espaço aos entendimentos, tendo como fundo a mesma política. Lançam a farsa de uma candidatura a primeiro-ministro que não existe e, com isso, subalternizam as suas orientações e opções políticas que no essencial são iguais, como o confirma Seguro ao pedir a Costa que “ diga qualquer coisa de diferente” do que ele diz e as mesmas de sempre, dizemos nós – as mesmas políticas que servem o grande capital.
Há soluções para os problemas do País. É possível assegurar com outra política a soberania e a independência do País.
É possível com uma política patriótica e de esquerda que contrapõe às políticas económicas ao serviço do grande capital, uma nova política de desenvolvimento económico ao serviço do País.
Uma política alternativa em ruptura com as políticas dominantes da direita em Portugal e com os eixos fundamentais do processo de integração capitalista europeu, e com um novo governo patriótico e de esquerda para a executar.
Uma política que, partindo da necessidade e urgência de garantir a renegociação da dívida, assuma nas suas opções fundamentais:
- a defesa e o aumento da produção nacional, a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos;
- a valorização efectiva dos salários e pensões e o explícito compromisso de reposição dos salários, rendimentos e direitos roubados, incluindo nas prestações sociais;
- a opção por uma política orçamental de combate ao despesismo e à despesa sumptuária, baseada numa componente fiscal de aumento da tributação dos dividendos e lucros do grande capital e de alívio dos trabalhadores, dos reformados, pensionistas e das micro, pequenas e médias empresas;
- uma política de defesa e recuperação dos serviços públicos, em particular no que concerne às funções sociais do Estado;
- a assunção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais.
Uma política patriótica e de esquerda que retome os valores de Abril e dê cumprimento ao projeto de progresso e justiça social que a Constituição da República Portuguesa consagra!
Uma nova política que garanta a efectiva subordinação do poder económico ao poder político, o combate e punição da corrupção, crime económico e tráfico de influências, o fim dos privilégios no exercício de altos cargos na Administração e Empresas Públicas.
Aqui, mais uma vez, reafirmamos que Portugal não está condenado à inevitabilidade de prosseguir as mesmas políticas e o mesmo caminho que conduziu o País ao atraso e à crise.
Portugal tem alternativas!
Alternativas capazes de assegurar a construção de um Portugal mais justo, mais solidário e mais desenvolvido, afirmando a sua independência e a sua soberania na concretização do seu próprio destino.