21/09/2014

8.740.(21set.2014.9.55') Arthur Schopenhauer

Nasceu a 22fev1788
e morreu a 21set1860
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3NOvemBRO2019
Via Ricardo Miguel
"Entretanto, cada um tem no seu próximo um espelho, no qual vê claramente os próprios vícios, defeitos, maus hábitos e repugnâncias de todo o tipo. Porém, na maioria da vezes, faz como o cão, que ladra diante do espelho por não saber que se vê a si mesmo, crendo ver outro cão."
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21 livros em PDF

“O mundo é minha representação” é a afirmação que abre a obra O mundo como Vontade e representação (1819) de Arthur Schopenhauer (1788 – 1860). Para ele, “todo objeto, seja qual for a sua origem, é, como objeto, sempre condicionado pelo sujeito, e assim essencialmente apenas uma representação do sujeito”.
Uma boa definição do mundo como representação é dada po J. Ferrater Mora, no Dicionário de Filosofia: ” A representação é (…) o mundo tal como é dado, em sua inconsistência, em sua enganosa  e aparente multiplicidade”. A razão tem do mundo essa noção ilusória porque percebe somente as manifestações da Vontade. Esta, no entanto, não é múltupla; apenas se manifesta como multiplicidade. Em si, a vontade é única e irredutível.
Separamos 21 obras do autor para download, 10 livros e 11 textos.
Segue, abaixo, a lista com os nomes das obras e o link para download (em vermelho):
A arte de escrever | A arte de insultar | A metafísica do belo | Aforismos para a sabedoria da vida | Dores do mundo | Esboços de uma história da doutrina do ideal e do real | Metafísica do amor, metafísica da morte | O Mundo Como Vontade e Representação (Livro III) | O Mundo Como Vontade e Representação (Livro IV) | A morte e a dor | Algumas palavras sobre o panteísmo | Como vencer um debate sem precisar ter razão: 38 estratagemas | Do pensar por si | O sistema cristão | O vazio da existência | Religião, um diálogo | Sobre a filosofia universitária | Sobre educação | Sobre livros e leitura | Thomas Mann
Para fazer o download das obras CLIQUE AQUI!
https://farofafilosofica.com/2016/11/28/arthur-schopenhauer-21-obras-para-download/
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A vontade de viver

É muito necessário demonstrar isto, já que todos as filósofos que me precederam (…) fazem consistir a essência do homem e, de certa maneira, seu centro, na consciência cognitiva: todos concebem o Eu (ao qual muitos atribuem uma hipóstase transcendente que chamam “alma”) como dotado essencialmente de conhecimento e de pensamento e, somente depois, de forma secundária e derivada, o consideram dotado de Vontade. Esse antigo erro (…) deve ser desmascarado (…) [e] poderia ser aplicado em parte, sobretudo, nos filósofos cristãos, porque todos eles tendiam a estabelecer a maior distância entre o homem e o animal e, paralelamente, entendiam de maneira vaga que essa diferença está na inteligência, não na Vontade. Assim (…) surgiu neles a tendência de fazer da inteligência o essencial e até de representar a Vontade como mera função da inteligência.
A consequência desse erro é a seguinte: sendo notório que a consciência cognitiva é aniquilada com a morte, os filósofos devem admitir que a morte é ou o aniquilamento do homem, hipótese contrária pela qual se resolve nossa convicção interna, ou a duração dessa consciência; mas para aceitar essa ideia é necessária uma fé cega, pois cada um de nós pode convencer-se, por experiência própria, de que a consciência está em completa e absoluta dependência do cérebro e de que é tão difícil conceber uma digestão sem estômago quanto um pensamento sem cérebro. Desse dilema não se pode sair senão pelo caminho que indico na minha filosofia, que é a primeira a colocar a essência do homem não na consciência, mas na Vontade, que não se encontra necessariamente ligada à consciência. (…) Assim, compreendidas essas coisas, chegaremos a convicção de que essa medula, substância íntima, é indestrutível, apesar do aniquilamento certo do consciência com a morte e apesar de sua não-existência antes do nascimento. A inteligência é tão perecível quanto o cérebro, do qual é produto, ou melhor, função. Mas o cérebro, como todo organismo, é o produto ou fenômeno da Vontade, que é a única imortal.
in O mundo como Vontade e representação. vol. 1, cap. XVIII.
https://farofafilosofica.com/2018/02/21/a-vontade-de-viver-texto-arthur-schopenhauer/
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Arthur-Schopenhauer.jpg
http://obviousmag.org/cinema_pensante/2015/07/por-um-mundo-mais-filosofico.html
Pelo pensamento do filósofo Julio Cabrera, autor do livro "O cinema pensa", Schopenhauer inseriu a emoção no pensamento filosófico
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Frase Quanto menos inteligente um homem é
http://www.frasesnofacebook.com.br/frases-famosas/quanto-menos-inteligente-um-homem-e-1865/
Quanto menos inteligente um homem é menos misteriosa lhe parece a existência.
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Via Graça Silva:
http://www.netmundi.org/filosofia/2015/07/31/a-etica-em-shopenhauer/
Não tenho reparo em colocar-me em aberta oposição a Kant, que não reconhece bondade ou outra virtude que as derivadas da reflexão abstrata e particularmente da noção de dever e do imperativo categórico, considerando o sentimento de compaixão como uma debilidade, porém, de nenhum modo, como uma virtude. (SCHOPENHAUER, 2001, p. 609)
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para Schopenhauer, o mundo é vontade e representação. Essa representação segue os moldes kantianos, uma vez que Schopenhauer se apropriou de parte da filosofia de Kant. Não conhecemos o mundo em si, mas o mundo que nos é apresentado através dos sentidos e processados por nosso aparelho cognitivo. Não conhecemos o mundo, mas os fenômenos que se apresentam. Conhecemos nossa representação da realidade , — os fenômenos —mas não a realidade em si.
Mas a vontade, muito além da “boa vontade” kantiana e do imperativo categórico, se estende a toda a natureza, que nos demonstra todos os dias que essa vontade, irracional e cega, move todos os seres vivos. Todos os seres lutam por sua vida, desde insetos até as plantas, e o ser humano não está além da natureza.

A ilusão da razão

A razão iludiu o homem com a sensação de controle, mas Schopenhauer mostrou que o homem mal tem o domínio de si mesmo, sendo movido por uma vontade irracional. Descartes descobriu o “eu”, e Schopenhauer, antes mesmo de Nietzsche ou Freud, mostrou que não temos controle algum sobre este “eu” racional.
A princípio, esta parece ser uma perspectiva pessimista que retira do homem qualquer ilusão de controle. Essa força que move a natureza (e, por conseguinte, todos os homens) é também egoísta e centrada na subsistência. É um conatus , por assim dizer, que busca apenas existir e permanecer vivo apesar de todas as enormes dificuldades e sofrimentos que o mundo nos impõe.
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Não conheço nada mais absurdo que a maior parte dos sistemas metafísicos, que explicam o mal como uma coisa negativa; só ele, pelo contrário, é positivo, visto que se faz sentir. (...) A vida do homem é um combate perpétuo, não só contra males abstratos, a miséria ou o aborrecimento, mas também contra os outros homens... Trabalho, tormento, desgosto e miséria, tal é sem dúvida durante a vida inteira o quinhão de quase todos os homens. O mundo é o inferno, e os homens dividem-se em almas atormentadas e em diabos atormentadores.... Onde foi Dante buscar o modelo e o motivo do seu 'inferno' senão no mundo real?
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Por isso, desejo, em oposição à forma referida do princípio moral kantiano, estabelecer a seguinte regra: com cada pessoa com que tenhamos contato, não empreendamos uma valorização objetiva da mesma conforme valor e dignidade, não consideremos portanto a maldade da sua vontade, nem a limitação do seu entendimento, e a incorreção dos seus conceitos, porque o primeiro poderia facilmente ocasionar ódio, e a última, desprezo; mas observemos somente seus sofrimentos, suas necessidades, seu medo, suas dores. Assim, sempre teremos com ela parentesco, simpatia e, em lugar do ódio ou do desprezo, aquela compaixão que unicamente forma a ágape pregada pelo evangelho. (SCHOPENHAUER, 1983, p.188)
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Via Graça Silva:
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"Quem não ama a solidão, também não ama a liberdade.
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é." 
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“ A solidão é o destino de todos os grandes espíritos ”
Ilustração TINA BERNING
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O Homem - Um Ser Egoísta
O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. [...] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência.
Desse modo, todas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção. Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: "Tudo para mim e nada para os outros" é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.
 in "A Arte de Insultar"
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Via Citador
Arthur Schopenhauer
http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/arthur-schopenhauer
(só a 1ª página de 22)
"Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível."
"O perfeito homem do mundo seria aquele que jamais hesitasse por indecisão e nunca agisse por precipitação."
"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende."
"Quanto mais restrito o nosso círculo de visão, acção e contacto, tanto mais felizes seremos; e, quanto mais amplo, tanto mais frequentemente nos sentiremos atormentados ou angustiados, pois, com essa ampliação, multiplicam-se e aumentam as preocupações, os desejos e os temores."
"Só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor. É sempre de tais pessoas, e não dos assalariados, que vêm as grandes descobertas."
"Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso, imprudente, ridículo e comum. Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de actos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno."
"O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele."
"Se quisermos avaliar a situação de uma pessoa pela sua felicidade, deve-se perguntar não por aquilo que a diverte, mas pelo que a aflige."
"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem."
"Lembramo-nos melhor dos primeiros anos de vida do que dos subsequentes. Quanto mais vivemos, tanto menos os acontecimentos nos parecem importantes, ou suficientemente significativos para serem depois ruminados; todavia, este é o único meio para fixá-los na memória, caso contrário, serão esquecidos logo que passarem."
Sabedoria de Vida é Usufruir o PresenteNão permitir a manifestação de grande júbilo ou grande lamento em relação a qualquer acontecimento, uma vez que a mutabilidade de todas as coisas pode transformá-lo completamente de um instante para o outro; em vez disso, usufruir sempre o presente da maneira mais serena possível: isso é sabedoria de vida. Em geral, porém, fazemos o contrário: planos e preocupações com o futuro ou também a saudade do passado ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somento o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira.
Ora, para o eudemonismo, tudo isso é bastante positivo, mas uma filosofia mais séria faz com que justamente a busca do passado seja sempre inútil, e a preocupação com o futuro o seja com frequência, de modo que somente o presente constitui o cenário da nossa felicidade, mesmo se a qualquer momento se vier a transformar-se em passado e, então, tornar-se tão indiferente como se nunca tivesse existido. Onde fica, portanto, o espaço para a nossa felicidade? 

 in "A Arte de Ser Feliz"
Quem não Ama a Solidão, não Ama a LiberdadeNenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas. 
Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas acções, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo. 

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é. 

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogéneos causa um efeito incómodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza. 
Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em óptima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina. 

 in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
O Homem - Um Ser EgoístaO motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. [...] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência. 
Desse modo, todas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção. Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: "Tudo para mim e nada para os outros" é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo. 
 in "A Arte de Insultar"Nunca Tomar Ninguém como ModeloPara as nossas acções e omissões, não é preciso tomar ninguém como modelo, visto que as situações, as circunstâncias e as relações nunca são as mesmas e porque a diversidade dos carácteres também confere um colorido diverso a cada acção. Desse modo, duo cum faciunt idem, non est idem (quando duas pessoas fazem o mesmo, não é o mesmo). Após ponderação madura e raciocínio sério, temos de agir segundo o nosso carácter. Portanto, também em termos práticos, a originalidade é indispensável; caso contrário, o que se faz não combina com o que se é. 

in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'