29/09/2014

8.804.(29set2014.2.22) Neste dia...29setembro...Vou rELEVAR: 197.avô, dm CORAÇÃO.Mário Botas.Paulo Assunção.Cervantes.Caravaggio.Unamuno.Antonioni.Zola.Machado de Assis.Bernardo Santareno...e a poesia de Joaquim Pessoa

***
2016
197.avÔ
como eu gosto da SIMplicidade
dos bELOS porMAIORES
que vou encontrando
na riBEIRA
cantante

como eu gosto
tantoooooooooo
das danças ternas
que vamos entrelançando
com os nossos corpos nus

como eu gosto
dos lindos olhares
que fazemos
1 ao outro
e o silêncio
qu'impera
tem a música
do gRRacias a la vida

como eu gosto
d' entregar-me
ao instante
com o criar beleza
e viVERDADE

como eu gosto
de mergulhar
contigo
por aí
da nascente
da ribeira
até ao mar de fetos
(afectos)
até ao oceano de gaivotas
bem à beira do Atlântico
*
como eu gosto de te ver soRRir
e gargalhar
mesmo quando estás
no delíquio

como eu gosto de te ver
sem dúvidas
sem perguntas ciumentas
preocupada, apenas,
com o agHora

como eu gosto de te ver
a conversar
em silêncio
com muita palavra
nas pontas dos dedos
ou no entreLAÇAR dos corpos
**
Ricardo Carriço no cine-teatro

https://www.facebook.com/RicardoCarrico.Oficial/photos/gm.295291930847547/1203333849708497/?type=3&theater
***
2015
nazaré by Manuel Pinto
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1654359094806921&set=pcb.1654359251473572&type=3&theater

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1654359131473584&set=pcb.1654359251473572&type=3&theater
*

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1654359158140248&set=pcb.1654359251473572&type=3&theater
*
2014

Nazaré (12h) by Manuel Pinto
***
hj tb é DM marítimo e do petróleo
https://www.facebook.com/BibliotecaMunicipaldeAlcobaca/photos/a.444379262309624.1073741825.150448905035996/1116001891814021/?type=3&theater
***
Hj é Dia mundial do corAÇÃO
urge corAGIR + e +
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/09/880128set20141733-urge-coragir29setdia.html
***
1568
Miguel de Cervantes
 "Não é bem que os homens honrados se façam verdugos dos seus semelhantes".
"Um homem sem honra é pior do que um homem morto".
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/788823abril201477-dia-mundial-do-livro.html
***
1571
Caravaggio
https://www.youtube.com/watch?v=IdoWped65CE
***
1864
Miguel de Unamuno: "Vencereis, mas não convencereis."
(sobre os franquistas)
Foi contestado pelo general Millán-Astray que pronunciou a frase que se tornaria uma expressão da brutalidade do fascismo espanhol: "Abaixo a inteligência e viva a morte!". Unamuno respondeu simplesmente com um "Viva a vida!" e deixou o auditório sob escolta.

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/09/880529set201477-miguel-unamuno.html
***
1902
morreu Émile Zola
 1 vivaaaaaaaaa à sua obra
"Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa."
"O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito."
"O amor, como as andorinhas, dá felicidade às casas."
"A verdade marcha e nada conseguirá detê-la."
"O que é o amor? - um conto simples, dito de muitas maneiras."
"Que patifes, as pessoas honestas."
"Um romancista é constituído por um observador e por um experimentador."

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/09/880629set2014717-emile-zola.html
***
1908
morreu Machado de Assis
 "Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/06/829720jun2014717-machado-de-assis.html
***
1912
Michelangelo Antonioni
https://www.youtube.com/watch?v=WXwt2r8wj-w
***
1978
Paulo Assunção
1 extraordinário músico percussionista das bandas da Vestiaria e da Força Aérea... e prof. de música e...
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1769537843261253&set=a.1769240786624292.1073741967.100006151639141&type=3&theater
***
1981
morreu Bernardo Santareno
1 vivaaaaaaaaaa à sua obra
" , Medo. O mesmo medo que enruga a mais pura alegria, que gera cobras na cama dos amantes, que deita neve nos mais negros cabelos, que seca o leite no peito das mães… No meu país quem governa é o medo! Os olhos e os ouvidos do medo crescem e multiplicam-se por toda a parte: Nem o pai, nem a mãe, nem a esposa,nem o irmão servem de porto abrigado; armadilhas de traição eles podem ser também. Em Portugal, as varejeiras do medo por toda a banda voam e em todas as cousas, vivas e mortas, de imprevisto pousam. Muitas, muitíssimas são; sem conto, realmente. As nojentas, as ardilosas, as pestíferas varejeiras do medo!
(Aponta enérgico para o sítio do palco onde o Estudante Pálido, meio oculto entre as pregas da cortina de fundo, aparece espiando o Judeu:)
Espião miserável, varejeira maldita!!
(O Estudante Pálido, como uma sombra, logo desaparece.)
Conhecem-se pelo fedor a podre, pela luz assassina dos olhos…
(Levanta-se com ímpeto; escarninho, desesperado:)
Na Europa civilizada, Portugal é a fortaleza do Medo; espiões e polícias, os seus alicerces e guarda!"

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/09/880729set201488-bernardo-santareno.html
***
1983
morreu Mário Botas
um vivaaaaaaa à sua obra
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/03/975118mar2015733-mario-botas.html
***
e a poesia de Joaquim Pessoa
para começar bem o dia:
TIAGO
*
Eu sou Tiago. O outro. Guardador
das mais repetidas incertezas, das manhãs
que haverá daqui a pouco, já no próximo milénio.
No meu livro de horas existe uma torre branca,
uma floresta com árvores que nenhuma tempestade derruba,
uma criança -- eu, Tiago -- que é por vezes o Pequeno Príncipe
e se demora no alto da inquietação e do encanto.
Esse Velho Livro que um poeta, um frade, uma princesa
e um pintor escreveram para mim. Hoje
sou como a luz do dia. Chego ardente, a vibrar,
trago coisas, lumes, gestos, esperanças.
Sou um herói, um aluno, um mestre, alguém
que procura estudar as raízes do vento. Um rei
que tem como reino apenas um canto, às vezes
soberano imenso de uma pequena sala.
No meu traje, umas vezes vermelho, outras cor da terra,
medito nos prodígios, espero mais um dia, sinto
o coração correr como um cavalo tímido
e às vezes alto, nobre, senhor de muitas guerras.
Eu sou Tiago. O outro. Aquele que ama a água
como a abelha ama o pólen,
e o pardal as searas.
Saúdo-vos a todos. E começo por ti.
*
a incluir em
A CASA DE VERSOS, Antologia.
**

https://www.facebook.com/etcpoesias/photos/a.212326572142653.54351.211900355518608/811800095528628/?type=1&theater
Outono

Uma lâmina de ar
Atravessando as portas. Um arco,
Uma flecha cravada no Outono. E a canção
Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.

É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
Cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
Como se, de repente, não houvesse mais nada senão
A imperiosa ordem de (se) amarem.

Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
Que a minha boca recusa. É outono
A pouco e pouco despem-se as palavras.

**


https://www.facebook.com/112890882080018/photos/a.114014221967684.7650.112890882080018/739726179396482/?type=1&theater
in GUARDAR O FOGO (Ed. Edições Esgotadas, 2013)

POEMA QUADRAGÉSIMO SEXTO

Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar.

Falemos dos brilhos estilhaçados
desta casa súbita que é o teu corpo
devoluto. A noite devora as palavras possíveis,
o sofrimento que pulsa em tua boca
e torna a minha boca vulnerável.
O amor é um nada que a liberta, uma luz
que desce dos ombros para o ventre
e fecunda as sementes da tua virgindade,
essa que faz agora parte de uma dor quase
amigável, na lividez do tempo,
e que entregas em minhas mãos, beijando-as,
tornando-te parte dos meus versos, da
minha forma mais profunda de gostar
de ti.

Amar-te, é escrever-te.
Amar-te é deixar que me toques até ser teu,
até que te deites no meu corpo e adormeças
inteira dentro de mim.

Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar. Cheiram a ti. São para ti. 
Um "bouquet" de palavras que floriram
neste tempo de amor.

http://youtu.be/icxJVi6aj58
*
Pintura de ©Montserrat Gudiol: Pareja (1972)
*
(LT e CC)


**