07/02/2015

9.539.(7fev2015.20.20') Alemanha

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3ouTUbro1990
reunificação das Alemanhas...
Ao longo da história, o centro da Europa, impressiona a constante mudança de fronteiras...
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5jun1947
Plano Marshall

É anunciado o Plano Marshall

No dia  5 de Junho de 1947, o secretário de Estado dos EUA, George Marshall, anunciou a ajuda à Europa do pós-guerra. O ponto central do Plano Marshall era a reconstrução da economia e o combate à fome e à pobreza.

As rações de pão, de uma fina fatia por dia, eram constrangedoras, anunciava o jornal londrino News Chronicle, a partir do Estado alemão da Renânia do Norte-Vestefália. Sindicatos da capital estadual, Düsseldorf, advertiam para distúrbios.

Havia protestos e greves não só na zona britânica da Alemanha então dividida, mas também na região ocupada pelos norte-americanos. A catástrofe de fome ameaçava afundar grande parte da Alemanha numa crise, em meados de 1947.

Também por causa do Inverno, que havia sido especialmente rigoroso, a imprensa apresentava  manchetes, diariamente, sobre famintos. As cidades maiores, como Berlim e Hamburgo, anunciavam o colapso das suas reservas económicas  e morais.

Na região industrial do Ruhr, no oeste da Alemanha, zona ocupada pelo Reino Unido,  lorde Francis A. Pakenham observava a miséria pessoalmente. Ele disse ao ministro da Agricultura, Heinrich Lübke, que mais tarde se tornou presidente da Alemanha: "O senhor sabe que os marinheiros estão aí para o transporte de cereais, os navios estão aí e os famintos também. O que falta são as pessoas certas no lugar certo, com o poder na mão".

Um homem no posto certo em Washington usou este poder: George Catlett Marshall, ex-responsável pela maquinaria de guerra dos Estados Unidos e então secretário de Estado. Com um discurso memorável, no dia 5 de Junho de 1947, na Universidade de Harvard, em Nova Iorque, ele delineou a política de estabilização e fortalecimento das forças de resistência económica e politica dos países da Europa Ocidental.

"A política dos Estados Unidos não é dirigida contra um país ou uma ideologia", esclareceu Marshall, "mas contra a fome, a pobreza, o desespero e o caos." E acrescentou: "Quem tentar bloquear a reconstrução de outros países não pode esperar ajuda". Ele  referia-se  ao bloco comunista do Leste Europeu.

 A partir daí, a ajuda financiada pelo Plano Marshall não aconteceu apenas na Alemanha. Até 1952, outros países europeus ocidentais necessitados receberam adubo, matérias-primas, combustíveis, máquinas e medicamentos no valor aproximado de 13 biliões de dólares.

Fontes: DW
wikipedia (imagens)
Mapa da Europa que mostra os países que receberam ajuda do Plano Marshall. As colunas azuis mostram a quantidade total relativa de ajuda por país


George Marshall
https://www.youtube.com/watch?v=ruABExgx5KE
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/06/05-de-junho-de-1947-e-anunciado-o-plano.html
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Via público

http://www.publico.pt/economia/jornal/milagre-economico-alemao-teve-ajuda-de-perdao-de-divida-26150375
Em 1953, a delegação alemã assina o acordo que lhe perdoaria parte da dívida e lhe atribuiria juros favoráveis para pagar o restante. Hoje, a Alemanha é a principal credora de países como a Grécia ou Portugal e é contrária a um perdão dessa dívida
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1953
Via dinheiro vivo
Há 60 anos, a 27 de fevereiro de 1953, 20 países, entre eles Grécia, Irlanda e Espanha, decidiram perdoar mais de 60% da dívida da Alemanha (República Federal ou Alemanha ocidental). O tratado, assinado em Londres, foi determinante para o país se tornar numa grande potência económica mundial e num importante aliado dos Estados Unidos durante as décadas da Guerra Fria contra a antiga União Soviética.
O perdão da dívida, que na prática foi uma extensão e reforço das ajudas financeiras diretas do Plano Marshall, liderado pelos Estados Unidos, permitiu aos alemães reduzirem substancialmente o fardo da dívida contraída antes e depois da Segunda Guerra Mundial.
Segundo uma análise de Éric Toussaint, historiador e presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, "a dívida antes da guerra ascendia a 22,6 mil milhões de marcos, incluindo juros. A dívida do pós- guerra foi estimada em 16,2 mil milhões. No acordo assinado em Londres a 27 de fevereiro de 1953 estes montantes foram reduzidos para 7,5 mil milhões e 7 mil milhões respetivamente. Isto equivale a uma redução de 62,6%", explica o perito.
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Macro/interior.aspx?content_id=3763585
Acordo de Londres foi assinado a 27 de fevereiro de 1957. Depois das ajudas do Plano Marshall veio o haircut. Grécia e Irlanda ajudaram

Faz 60 anos que a Alemanha teve perdão de dívida pública de 62%

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27 de Junho de 1942: O grupo de resistência anti-nazi, Rosa Branca, inicia a sua acção

A partir de 27 de Junho de 1942, nas caixas de correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazi pelo movimento de resistência "Weisse Rose".

O Rosa Branca (Weisse Rose), actuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. O seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre ele os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.
Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazis. Os textos revelavam o alto nível cultural dos seus redactores e apelavam a valores religiosos.
Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de Junho e 12 de Julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem directa, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.
A morte de 300 mil alemães na batalha de Estalinegrado, em Fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades europeias ocupadas pelos nazis e ao mesmo tempo chocou a população do país.
 A estratégia  do grupo Rosa Branca era redigir os textos em máquinas de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de cidades diferentes.
Descobertos enquanto depositavam as suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler.
Foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre Abril e Outubro de 1943.
O objectivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.
A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu os seus méritos publicamente, numa entrevista transmitida pela BBC no dia 27 de Junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram lançadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.
Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)

Sophie Scholl.jpg
 Sophie Scholl , 1942

Monumento em homenagem ao movimento " Rosa Branca" em Munique

 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/06/27-de-junho-de-1942-o-grupo-de.html
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7fev2015
O MITO DE QUE É A ALEMANHA QUE FINANCIA A UNIÃO EUROPEIA E A SENHORA MERKEL QUE QUER SER “DONA DE TUDO ISTO” QUE É A U.E. +1 estudo essencial do camarada Eugénio Rosa
Estudo completo aqui:
http://nblo.gs/13evo7
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RESUMO DESTE ESTUDO No estudo anterior provamos, utilizando dados da Comissão Europeia, como a Alemanha beneficiou com a criação da União Europeia e, nomeadamente, da zona euro. Para isso, mostramos como de uma situação deficitária, em que a Alemanha se encontrava antes da Zona Euro, em que transferia uma parte da sua riqueza para outros países, ficando com menos do que aquela que produzia, passou para uma situação altamente vantajosa, em que se apropria de uma parcela importante da riqueza criada em outros países, nomeadamente nos da União Europeia, acabando por ficar com uma riqueza muito superior à que produz. Neste estudo, como tínhamos prometido, vamos analisar os mecanismos utilizados pela Alemanha para alcançar essa situação vantajosa. Para compreender isso, é preciso ter presente que a Alemanha, contribuindo apenas com 27,14% para o “Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira” , que é responsável pelo apoio aos países da U.E. em dificuldades; e com apenas 17,99% do capital do BCE, e somente com 13% do capital do FMI, no entanto devido à submissão/vassalagem dos governos e dos “opinion-makers” que dominam os media dos países da União Europeia está a conseguir alcançar, utilizando os mecanismos subtis financeiros, aquilo que não conseguiu com as armas e guerras mas que sempre ambicionou, que é o de impor a sua vontade e domínio a toda Europa, tirando disso elevadas vantagens. A sra. Merkel, à semelhança de Ricardo Salgado, quer se “dona de tudo isto”, que é a União Europeia. Assim, a nível do “Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira”, e tomando como exemplo o caso português, a Alemanha obtém nos mercados financeiros dinheiro a uma taxa de juro que ronda os 1% e depois empresta a Portugal, através do MEEF, a uma taxa superior a 2,5%, ou seja, 2,5 vezes mais, embolsando desta forma anualmente muitos milhões € de lucro à custa de enormes sacrifícios impostos aos portugueses. Por outro lado, e como consequência de relações comerciais desiguais, a Alemanha acumulou deste que entrou para a Zona do Euro (2002-2015), segundo dados da própria Comissão Europeia, um gigantesco saldo positivo (excedente) na sua Balança de Transações correntes no montante de 2.030.800 milhões €, enquanto a Grécia acumulou um saldo negativo de 279.300 milhões €, e Portugal também acumulou um saldo negativo de 162.100 milhões €. Se limitarmos a nossa analise apenas às relações comerciais dentro (intra) da U.E., entre os diferentes países que a constituem, conclui-se, com base também em dados da própria Comissão Europeia, que a Alemanha acumulou após a entrada no euro (2002/2015), um gigantesco saldo positivo (excedente) na sua Balança Comercial de 1.293.600 milhões €, enquanto a Grécia, no mesmo período, acumulou um saldo negativo de 300.200 milhões €, e Portugal também teve um elevado saldo negativo de 230.900 milhões €. Portanto, verifica-se no seio da União Europeia profundas desigualdades, que se têm agravado com os anos, mas que a Comissão Europeia ignora, já que para a Alemanha é uma situação que lhe dá grandes benefícios. E o chamado “plano Junker” é mais um instrumento no agravamento das desigualdades no seio da U.E. pois o pais que será mais beneficiado com ele será precisamente a Alemanha. Se analisarmos apenas as relações comerciais entre Portugal e a Alemanha conclui-se que elas foram altamente desiguais e vantajosas para a Alemanha e desvantajosas para Portugal, já que Alemanha, no período 1995/2014, obteve um excedente (saldo positivo) de 40.764 milhões €, e Portugal um saldo negativo de igual montante. Uma parcela do emprego e riqueza alemão foi obtido à custa da despesa dos portugueses que se endividaram para isso, e agora acusam de serem consumistas. Afirmar como fez o ministro alemão que “promessas à custas dos outros não são realistas” leva-nos a dizer que a “riqueza dos alemães obtida à custa do agravamento das desigualdades, da miséria e dos desequilíbrios no seio da U.E. e no mundo, atingindo nomeadamente os mais frágeis, não é só irrealista como é imoral”.
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Estudo sem os quadros:
Criou-se a nível europeu o mito, propagandeado quer pelos burocratas de Bruxelas quer pelos defensores da Alemanha nos media e nos governos da U.E. que é a Alemanha que financia a União Europeia e, segundo eles, “quem paga manda”. Confrontemos essa mentira que, de tão repetida, passa como verdadeira junto de opinião pública, com a verdade objetiva dos números oficiais. Comecemos pelo chamado “Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira” (MEEF) agora responsável pelo apoio europeu aos países da U.E. em dificuldade. A quota (contribuição) da Alemanha neste mecanismo é apenas de 27,14%. A quota da França, Itália e Espanha juntas somam 59,19%, ou seja, mais do dobro da Alemanha. No BCE; a quota da Alemanha é apenas 17,99%, e no FMI é de 13%. Apesar de ter uma quota minoritária nestas instituições, a Alemanha tem na União Europeia um poder totalmente desproporcionado à sua contribuição. No passado, a Alemanha tentou por duas vezes, utilizando a força das armas, submeter os países da Europa. Agora, utilizando mecanismos mais subtis, que são os financeiros, procura alcançar aquilo que antes não conseguiu com as armas. E faz isso, utilizando mecanismos que fazem lembrar o do BES/GES: com uma pequena percentagem de capital (contribuição) domina os outros países, cuja contribuição é várias vezes superior. E isto apesar de existir no próprio Tratado de Funcionamento da U.E. (artº 20º e 328º e segts.) um instrumento que os outros Estados podiam utilizar para fazer frente a esta pretensão hegemónica da Alemanha, que é a “cooperação reforçada”. Só a fraqueza e o espirito de vassalagem perante a Alemanha dos outros governos impede isso. A Alemanha aproveita-se desse domínio consentido pelos outros países, que se colocam numa posição submissa, para os espoliar. Um ex., é o caso de Portugal. A U.E. emprestou a Portugal, através do MEEF/FEEP, 48.700 milhões €. A Alemanha contribuiu com um valor igual à sua quota (27,14%), ou seja, só com13.217milhões €. Fruto da situação vantajosa alcançada pela Alemanha após a criação da Zona Euro, a Alemanha financiou-se nos chamados “mercados” a uma taxa que ronda 1%. E depois emprestou a Portugal, através do MEEF, a uma taxa de juro média ponderada de 2,54%, ou seja, 2,5 vezes mais. É um bom negócio para a Alemanha com lucro de muitos milhões € à custa dos portugueses, já que o governo PSD/CDS para poder pagar tais juros aumenta impostos e corta nas despesas, cujas consequências são visíveis para todos no SNS, na Segurança Social e na Educação. Em relação ao empréstimo do FMI (25.600 milhões €), a situação é ainda pior já que Portugal está a pagar uma taxa de juro de 3,7%. No período 2011-2015, Portugal paga só de juros relativamente à sua divida total (45% é à U.E. e FMI), mais de 37.000 milhões €. É um valor impressionante, trágico para os portugueses, já que são eles que o pagam à custa de muitos sacrifícios. O SALDO DA BALANÇA DE TRANSAÇÕES CORRENTES DA ALEMANHA TORNOU-SE ALTAMENTE POSITIVO APÓS A CRIAÇÃO DA ZONA EURO A Balança de Transações Correntes de um país inclui a sua Balança Comercial (importações e exportações de bens e serviços) e a sua Balança de Rendimentos. O quadro 1 mostra o saldo da Balança de Transações correntes da Alemanha, de Portugal e da Grécia após a criação da Zona Euro. Quadro 1- Saldo da Balança de Transações Correntes, da Alemanha, Grécia e Portugal após a criação da Zona Euro
VER NO SITE
Antes da criação da Zona Euro em 2002, Alemanha, Grécia e Portugal apresentavam saldos negativos na Balança de Transações Correntes. Após a sua criação, a Alemanha passou para uma situação altamente positiva e vantajosa, enquanto Portugal e a Grécia se afundaram com saldos negativos cada vez maiores que determinaram grandes desequilíbrios e elevado endividamento externos, tendo sido interrompidos apenas com o início da política de austeridade recessiva, que determinou uma redução brutal no poder de compra da população e, consequentemente, no consumo e também no investimento, o que determinou uma quebra significativa nas importações. Mas as condições estruturais que determinaram a evolução verificada depois da entrada para o euro – destruição da agricultura, pescas e industrias, etc. – não foram alteradas; agravaram-se com a destruição do aparelho produtivo do país o que determina que, qualquer indício de recuperação, cause um aumento das importações. No período 2002-2015 (q.1), a Alemanha acumulou um gigantesco saldo positivo na sua Balança de Transações Corrente de 2.030.800 milhões €, enquanto a Grécia teve um saldo negativo de 279.300 mil milhões €, e Portugal também um saldo negativo de 162.100 milhões €. É evidente que a criação do euro foi altamente vantajosa para a Alemanha, que viu as suas exportações e rendimentos “explodirem”, mas para a Grécia e Portugal foi ruinosa. DESEQUILÍBRIOS PROVOCADOS PELA ALEMANHA NO SEIO DA UNIÃO EUROPEIA A situação vantajosa alcançada pela Alemanha criou profundos desequilíbrios e desigualdades no seio da própria U.E. No lugar de um desenvolvimento equilibrado que fomentasse a coesão económica e social prometido, assistiu a um desenvolvimento desigual em que os países mais fortes se aproveitaram dos mais fracos para os espoliar, o que agravou as desigualdades e o descontentamento, criando assim as condições que levarão, se não forem rapidamente invertidas, à implosão do chamado “projeto europeu”. Nos próprios regulamentos e tratados existem disposições que visam combater os desequilíbrios macroeconómicos, como os que resultam de elevados excedentes nuns países e de grandes défices em outros fruto das relações comerciais. No entanto essas disposições têm sido ignoradas pela Comissão Europeia, porque não interessa à Alemanha, preocupando-se apenas com os “défices excessivos”, agravando a situação dos países mais frágeis. Os dados do quadro 2 mostram o que se tem verificado na U.E. Quadro 2- Exportações e importações da Alemanha, Grécia e Portugal no seio da U.E.
VER NO SITE
  É importante ter presente que, para um país exportar mais do que importa, ou seja, para ter um saldo positivo na sua Balança Comercial, é preciso que outro ou outros países importem mais do que exportem, ou seja, que tenham saldos negativos nas suas Balanças Comerciais. O saldo positivo de um país é obtido à custa de saldos negativos de outros países, pois as relações comerciais são uma soma de saldo nulo. E o que revelam os dados da própria Comissão Europeia constantes do quadro 2? Entre 1996 e 2015, a Alemanha nas suas relações comerciais dentro da União Europeia acumulou um gigantesco saldo positivo (excedente) de 1.293.600 milhões €, enquanto a Grécia acumulou um saldo negativo de 300.200 milhões €, e Portugal acumulou também um saldo negativo de 230.900 milhões € nas suas relações comerciais dentro da União Europeia. Portanto, a Alemanha foi altamente beneficiada com as relações comerciais dentro da União Europeia, enquanto a Grécia e Portugal foram altamente prejudicados, agravando ainda mais as desigualdades existentes entre os diversos países. A riqueza alemã e o emprego alemão foram conseguidos à custa do emprego grego e português, que se endividaram para comprar produtos da Alemanha. Tudo isto está provocar profundos desequilíbrios a nível europeu e mundial e agravar a crise na Europa e mundo, o que levou o próprio FMI e Obama a aconselharem Merkel a mudar a sua política económica, fomentando o consumo e o investimento interno e, consequentemente as importações, o que ela tem recusado. AS RELAÇÕES COMERCIAIS DE PORTUGAL COM A ALEMANHA FORAM ALTAMENTE DESFAVORÁVEIS PARA PORTUGAL As relações comerciais de Portugal com a Alemanha entre 1995- 2014 foram altamente desfavoráveis para Portugal, como mostram os dados do INE constantes do quadro 3.
 Quadro 3 – Importações portuguesas da Alemanha e exportações de Portugal para a Alemanha – 1995- Nov.2014
VER NO SITE
Em 1995, o saldo das relações de Portugal com a Alemanha era negativo mas apenas de 43 milhões €. A partir desse ano cresceu vertiginosamente atingindo, em 2008, 3.641 milhões €, ou seja, 84,6 vezes mais. É precisamente este comércio desigual que contribui para o elevado endividamento externo de muitos países da U.E. e, em particular, de Portugal. Parafraseando o ministro de Finanças alemão podemos dizer que o excedente alemão é não só, sob o ponto de vista da sua sustentabilidade, irrealista como imoral.
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31JAN2015
+1 importante estudo do camarada Eugénio Rosa
Via facebook
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http://nblo.gs/134Qbw
A UNIÃO EUROPEIA E O EURO SERVIRAM PARA ENRIQUECER A ALEMANHA

Com a vitória do Syriza na Grécia uma santa aliança se levantou em toda a U.E. contra o
povo grego. E como não podia deixar de ser os que, em Portugal, estão sempre com sra.
Merkel e com Bruxelas, e têm acesso fácil aos media, levantaram-se em uníssono contra
um povo que teve a coragem de desafiar os burocratas de Bruxelas e de Berlim, que vêm
assim o seu poder antidemocrático e mordomias serem postas em causa.

E a santa aliança interna manifestou-se logo pela voz de Passos Coelho que, dando mais
uma vez provas do seu primarismo, classificou o programa do Syriza, que visa acudir à
tragedia humanitária que atingiu a Grécia e restabelecer a dignidade do povo grego, como um
“conto de crianças”. Na SIC, José Gomes Ferreira, o defensor da “austeridade que resulta”,
com o seu ar convencido e professoral, previu uma tragédia final para a Grécia e para a U.E.
e com isso tentou, mais uma vez, amedrontar e imobilizar os portugueses. No semanário
SOL, José António Saraiva considerou que a experiência grega, condenada ao fracasso, será
a “vacina” necessária para todos aqueles que ousam por em causa a politica de
empobrecimento imposta pela U.E. e que afirmam que existe uma alternativa a esta politica
de destruição do país. No Expresso, Henrique Monteiro carateriza o programa do Syriza
como “um programa para desesperados, irresponsável e deve ser criticado” Na RTP, José
Rodrigues Santos, em comentário de Atenas às eleições gregas, no seu ar brejeiro
característico, procurando denegrir o povo grego, afirmou que os “gregos fazem-se de
paralíticos para ter um subsidiozinho”. Outros, embora não se atrevam a exteriorizar,
desejam no seu interior o fracasso da experiencia grega para depois dizer que tinham razão,
como possuíssem a “solução milagrosa” e a alternativa não fosse lutar pela mudança.

É uma verdadeira santa aliança de todos que estão curvados perante os burocratas de
Bruxelas e a sra. Merkel, procurando assim obter as suas graças, que se levantou contra
os que ousam desafiar Bruxelas. E um dos argumentos mais utilizados nesta campanha,
embora sem se darem ao trabalho de o provar, é que os outros países e, nomeadamente
a Alemanha, não têm nem estão dispostos a pagar a fatura grega.

Interessa pois analisar com objetividade e profundidade este argumento, ou seja, se é a
Alemanha que financia os outros países, ou se o nível de vida dos alemães é conseguido
à custa da transferência de riqueza de outros países para Alemanha. Para isso vamos
utilizar dados da própria Comissão Europeia constantes da sua base de dados AMECO.

O BEM-ESTAR DOS ALEMÃES É CONSEGUIDO À CUSTA TAMBÉM DA RIQUEZA CRIADA EM
OUTROS PAÍSES E TRANSFERIDA PARA A ALEMANHA

O quadro 1,construído com dados oficiais da Comissão Europeia, mostra de uma forma
clara e sintética os resultados para três países - Alemanha, Grécia e Portugal - da criação
da União Europeia e, nomeadamente, da Zona do Euro em 2002.

Para que os dados do quadro sejam mais claros interessa ter presente o significado dos
conceitos que são utilizados nele: (1) PIB, ou seja, o Produto Interno Bruto,
corresponde ao valor da riqueza criada em cada país em cada ano pelos que residem
nesse país; (2) PNB, ou seja, Produto Nacional Bruto, corresponde à riqueza que os
habitantes de cada país dispõem em cada ano que pode ser maior do que a produzida no
país (no caso da transferência de riqueza do exterior ser superior à riqueza produzida no
país em cada ano transferida para o exterior) ou então pode ser menor que a produzida
no país (no caso de uma parte da riqueza produzida no país ser transferida para o
exterior e não ser compensada pela que recebe do exterior).


E como os próprios dados divulgados pela Comissão Europeia mostram, antes da entrar
para a União Europeia, o PIB alemão era superior ao PNB, o que significava que uma
parte da riqueza criada na Alemanha era transferida para o exterior beneficiando os
habitantes de outros países. No entanto, após a entrada para a União Europeia, o PNB
alemão passou a ser superior ao PIB alemão. Isto significa que a riqueza que os alemães
passaram a dispor apos a criação da União Europeia, e nomeadamente da Zona Euro
passou a ser muito superior ao valor da riqueza produzida no próprio país, o que é só
possível por meio da transferência da riqueza criada pelos trabalhadores dos outros
países para a Alemanha. Na Grécia e em Portugal aconteceu precisam
ver NO site o QUADRO
Observem.se com atenção os dados do quadro 1, mas recorde-se mais uma vez o 
seguinte: PIB é o valor da riqueza criada anualmente no país; o PNB é o valor da riqueza 
que o país tem ao seu dispor em cada ano.São duas coisas diferentes E quais as 
conclusões que se tiram dos dados da Comissão Europeia constantes do quadro 1? 

Comecemos pela Alemanha. Até 2002, o PNB alemão era inferior ao PIB alemão, o que 
significava que uma parcela da riqueza criada na Alemanha ia beneficiar os habitantes de 
outros países. A partir da criação da Zona Euro em 2002, a situação inverte-se 
rapidamente: o PNB alemão passa a ser superior ao PIB alemão, ou seja, superior ao 
valor da riqueza criada na Alemanha. Isto significa que uma parcela da riqueza criada em 
outros países é transferida para a Alemanha indo beneficiar os habitantes deste país. Só 
no período 2003-2015 estima-se que a riqueza criada em outros países que foi 
transferida para Alemanha, indo beneficiar os seus habitantes, atingiu 677.945 milhões €, 
ou seja, o correspondente a 3,8 vezes o PIB português. 

Na Grécia e em Portugal aconteceu precisamente o contrário como mostram os dados da 
Comissão Europeia. Na Grécia até 2001, o PNB grego (a riqueza que o país dispunha 
anualmente) era superior ao PIB (o que era produzido no pais). No entanto, a partir de 
2002, com a criação da Zona Euro, começa a verificar-se precisamente o contrário. Uma 
parcela da riqueza criada na Grécia é transferida para o exterior indo beneficiar os 
habitantes dos outros países. Em Portugal aconteceu o mesmo mas logo após a entrada 
para a União Europeia em 1996. 

Como revelam os dados da Comissão Europeia constantes do quadro 1, se 
consideramos o período que vai desde a criação da Zona do Euro (2002-2015) a riqueza 
criada na Grécia que foi transferida para o exterior, indo beneficiar os habitantes de 
outros países, já atinge 48.760 milhões €. 

Em Portugal tal situação começou logo após a entrada do nosso país para a União 
Europeia. Em 1995, o PNB português, ou seja, a riqueza que o país dispôs nesse ano foi 
superior ao PIB, ou seja, à riqueza criada nesse ano em Portugal, em 353 milhões €. A 
partir de 1996, com a entrada de Portugal na União Europeia, o PIB passou a ser 
superior ao PNB, ou seja, uma parte crescente da riqueza crida em Portugal começou a 

ser transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes de outros países. No período

1996-2015, o valor do PIB deste período (20 anos) é superior ao valor do PNB deste 
período em 70.751 milhões €. Tal é o montante líquido de riqueza criada em Portugal que 
foi transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes de outros países, incluindo os 
da Alemanha. E como mostram também os dados do quadro 1, foi principalmente após a 
entrada de Portugal na Zona Euro em 2002, que a transferência da riqueza criada em 
Portugal para outros países se acelerou mais, e foi maior (só no período da “troika” e do 
governo PSD/CDS a transferência liquida de riqueza para o exterior que foi beneficiar os 
habitantes de outros países atingiu 20.807 milhões €). 

Portanto, afirmar como fazem os defensores em Portugal da sr. Merkel e dos burocratas 
de Bruxelas que é a Alemanha que financia tudo é não compreender os mecanismos de 
funcionamento atual da economia mundial, é mentir. Mas não é apenas neste campo que 
se verifica esta transferência de riqueza. Existem outros mecanismos que abordaremos 
em estudos futuros. 

MAIS DE DOIS MILHÕES DE PORTUGUESES NO LIMIAR DA POBREZA SEGUNDO O INE 

Esta transferência maciça de riqueza criada em Portugal para outros países, associada à 
destruição nomeadamente da agricultura, das pesca e da indústria e, consequentemente, 
também do emprego, tem causado o aumento rápida da miséria como revelam os dados 

divulgados pelo INE em 30.1.2015 e constantes do quadro 2. 
ver NO site o QUADRO

Como revelam os dados do INE, em 2010, ano anterior à entrada da “troika” e do governo 

PSD/CDS, 42,5% dos portugueses, ou seja, 4.431.603 estariam no “limiar da pobreza” se 

não existissem prestações sociais; em 2013, essa percentagem já tinha aumentado para 

47,8% dos portugueses, ou seja , para 4.984.250 (+552.647). 


Mas ainda mais grave é o aumento verificado após o pagamento das prestações sociais 

(pensões, Rendimento Social de Inserção, Complemento Solidário de Idoso, abono de 

família, etc.). Como consequência da politica da “troika” e do governo PSD/CDS de cortes 

na área das prestações sociais aos mais desfavorecidos, o numero de portugueses na 

pobreza aumentou, entre 2010 e 2013, de 1.876.914 (18% da população portuguesa) 
para 2.033.324 (19,5% da população portuguesa). Em Dezembro de 2014, 35% dos 
jovens portugueses estavam desempregados, e o desemprego oficial atingia 695 mil 
portugueses. E segundo o INE o desemprego é a maior causa da miséria em Portugal 
(40,5% dos desempregados viviam no limiar da pobreza já em 2013 segundo o I.N.E.). 
As desigualdades entre ricos e pobres aumentou muito nestes últimos anos em Portugal, 
como consequência da politica de austeridade recessiva, que agrava as desigualdades, 
imposta pela “troika” e pelo governo PSD/CDS aos portugueses. Como revelam também 
os dados do INE constantes do quadro anterior, entre 2010 e 2013, o número de vezes 
que o rendimento dos 10% da população mais ricos é superior ao dos 10% mais pobres 
aumentou de 9,4 vezes para 11,1 vezes. O Coeficiente de Gini, um indicador das 
desigualdades atingiu, em 2013, 34,5%, muito superior à média da União Europeia, que é 
30,5%, sendo mesmo o mais elevado em toda a Zona Euro. 
Dizer neste contexto, como fazem Passos Coelho e Paulo Portas, e o PSD e o CDS, que 
estamos agora melhor que antes da entrada da “troika” e deste governo, é procurar 
enganar a opinião pública, é mentir descaradamente, pois as finanças e a economia 
devem servir as pessoas, e estas não devem ser sacrificadas no altar das finanças. 
Eugénio Rosa, edr2@netcabo.pt , 31.1.2015
***
28dez2014
A luta faz-se com sabedoria e com inteligência!!!
O camarada Eugénio Rosa faz estudos nos ajudam
perante uma informação presominantemente enganadora.
***
Via
https://www.facebook.com/pages/Eug%C3%A9nio-Rosa/112712558746773
aqui encontramos outros estudos...

http://nblo.gs/12kq5S
A mensagem de Natal de Passos Coelho e a dimensão do falso emprego em Portugal

Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis emwww.eugeniorosa.com Pág. 1

A MENSAGEM DE NATAL DE PASSOS COELHO, A DIMENSÃO DO FALSO EMPREGO,
A BAIXA DE SALÁRIOS PROMOVIDA PELO GOVERNO, E O “MILAGRE” DA REDUÇÃO
DO NÚMERO DE DESEMPREGADOS INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO

Na mensagem do Natal de 2014 aos portugueses, Passos Coelho afirmou: “Entramos numa
nova fase. Uma fase de crescimento, de aumento do emprego e de recuperação dos
rendimentos das famílias”. Será que estas palavras têm alguma correspondência com a
realidade. Para responder a esta pergunta questão vamos utilizar dados do próprio governo.

O CRESCIMENTO RÁPIDO DO FALSO EMPREGO EM PORTUGAL

Em estudo anterior mostramos como o governo, recorrendo à formação profissional, aos
contratos emprego inserção, aos estagiários, e aos “inativos disponíveis” estava,
administrativamente, a reduzir os números do desemprego oficial. Agora vamos mostrar como
o governo utilizando também o mesmo processo – medidas administrativas – está empolar os
dados do emprego com falso emprego. O quadro 1, com dados oficiais divulgados pelo
Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), uma entidade tutelada pelo Ministério
do Trabalho, Segurança Social e Solidariedade, mostra como o falso emprego tem

aumentado em Portugal.
(...)
Os desempregados inseridos à força (se não aceitarem perdem o direito ao subsidio de 
desemprego ou o rendimento social de inserção que eventualmente estejam a receber) nos 
Contratos Emprego-Inserção (CEI´s) e os estagiários, ambos considerados nos números 
oficiais de emprego, empolam assim de uma forma artificial o emprego oficial, e 
representam, como os dados do quadro revelam, uma percentagem cada vez maior do 
“emprego criado” em Portugal nos últimos trimestres. Entre o 4º Trim.2011 e o 3º 
Trim.2014, em número aumentou 176,2% e, em percentagem do emprego total, subiu 
186,5% (representam já 1,6% de todo o emprego). É um aumento impressionante, que 
contribui para o “aumento” do emprego de que se gaba o 1º ministro na sua mensagem 
de Natal. Mas é um crescimento falso do emprego que só engana os não estão 
informados, de que se aproveita o governo para manipular a opinião pública. Para 
Passos Coelho tudo serve, mesmo os dados sobre o emprego falso. 
GOVERNO PROMOVE BAIXOS SALÁRIOS E A EXPLORAÇÃO COM FUNDOS PÚBLICOS 
Mas para que a natureza desta “criação falaciosa” do emprego ainda se torne mais clara 
interessa analisar as características deste “falso emprego”, já que ele está associado a 
uma exploração acrescida dos desempregados que são obrigados, pelo governo, a se 
sujeitar a ele. Manuel Ferreira Leite do partido do governo (PSD), no seu programa de 
televisão, chamou aos Contratos Emprego-Inserção” “trabalho semiescravo”. 
Os Contratos Emprego-Inserção (CEI´s) encontram-se regulamentados na Portaria 20-
B/2014. Segundo o art.5-A desta portaria são abrangidos por esta medida, entre outros, “os
desempregados a receber subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego e os 
desempregados beneficiários do rendimento social de inserção”. Os contratos têm a duração 
máxima de 12 meses, mas podem ser renovados (artº 8º) e os desempregados forçados a 
aceitarem estes contratos recebem apenas, de acordo com o nº1 do artº 13º da mesma 
Portaria, para além do subsidio de desemprego ou do subsídio social de desemprego que 
estavam a receber, “uma bolsa complementar de montante correspondente a 20% do 
indexante de apoios sociais”, ou seja, a 83,8€ por mês, sendo 50% pago pelo IEFP do 
Ministério do Trabalho, Segurança Social e Solidariedade. 
Se se tiver presente que, de acordo com informação constante do site da Segurança Social 
(ver http://www4.seg-social.pt/estatisticas ), em Outubro de 2014, o subsidio médio de 
desemprego que estava a ser pago era apenas 466,22€, adicionando a este montante os 
83,4€, obtém-se uma valor médio 549,62€. 
Mas a situação é ainda pior para os desempregados que recebem o rendimento de inserção. 
A estes, segundo o nº 3 do artº 13º, como contrapartida do trabalho que são forçados a 
realizar apenas têm “direito a uma bolsa de ocupação mensal de montantes correspondente 
ao valor do indexante dos apoios sociais (IAS)”, ou seja, a 419,22€ por mês, sendo entre 80% 
e 90% pagos também pelo IEFP, e que, somados ao RSI que estes desempregados 
recebiam (em Outubro de 2014, apenas 91,4€ por mês segundo também dados do “site” da 
Segurança Social) dá somente 510,62€ por mês. 
São estes “salários de miséria” financiados com fundos públicos que são pagos a estes 
trabalhadores, que são forçados a aceitarem este trabalho nestas condições, pois caso 
contrário, perdem o direito ou ao subsídio de desemprego ou ao rendimento social de 
inserção (RSI) que estão a receber. E isto apesar realizarem um trabalho como qualquer 
outro trabalhador. O governo, as autarquias, as IPSS, etc. estão a utilizar maciçamente esta 
mão-de-obra barata e sujeita a trabalho forçado (CEI´s) para substituir trabalhadores ou que 
despedem, ou que empurram para a reforma ou aposentação prematura, ou então que 
deixam de recrutar. Segundo dados do IEFP referentes aos CEI´s, em Dez.2013, as 
autarquias já utilizavam 27.720 destes trabalhadores, o Ministério da Educação 8.344, o 
Ministério da Saúde 2.183; as IPSS, misericórdias e outras entidades semelhantes 8.933; etc. 
É exploração maciça de mão-de-obra barata e forçada promovida pelo governo atual que 
serve de exemplo a seguir pelos patrões privados condenada pelo Provedor de Justiça (ver: 
http://www.provedor-jus.pt/?action=2&kword=contrato+emprego-inser%E7%E3o&Pesquisar.x=12&Pesquisar.y=14) 
Mas esta politica de fomento de baixos salários levada a cabo por este governo não se limita 
à medida anterior. Ela estende-se aos estágios financiados com dinheiros públicos regulados 
pela Portaria 204-B/2013, que beneficiam empresas privadas e públicas, autarquias, e outras 
entidades com ou sem fins lucrativos (artº 4º). Segundo o artº 9º desta Portaria “o estágio tem 
a duração de 12 meses” podendo, no entanto, ter uma duração superior a um ano (artº11º) e, 
de acordo com artº 12º, os estagiários recebem uma bolsa mensal, paga com dinheiros 
públicos, cujo valor varia com as habilitações escolares do estagiário: (a) 3º ciclo básico: 
419,22€; (b) Ensino secundário: 503€ por mês; (c) Licenciados, com o Mestrado e 
doutorados: 691,7€ E estes trabalhadores, apesar de receberem estes valores realizam um 
trabalho idêntico ao de qualquer outro trabalhador. Findo o estágio, são obrigados a 
abandonar a empresa e, como a lei não estabelece qualquer limite à utilização de estagiários, 
são substituídos por novos estagiários. Desta forma os patrões privados e públicos utilizam 
de uma forma crescente esta mão-de-obra barata e qualificada paga com fundos públicos, 
evitando assim contratar trabalhadores permanentes para as tarefas permanentes da 
empresa ou entidade, já que o governo não impõe às empresas que nos fins dos estágios 
faça quaisquer contratações. É mais um instrumento utilizado pelo governo para promover 
uma politica de baixos salários, funcionando esta medida e a anterior também como 
instrumentos de pressão sobre os salários dos restantes trabalhadores, sendo um exemplo a 
seguir pelos patrões (entre 2012 e 2014, o salário médio diminuiu de 962€ para 948€ e a percentagem de 
trabalhadores a receber apenas o salário mínimo atingia já 12,9% segundo Ministério da Economia). 
O “MILAGRE” DA REDUÇÃO DOS DESEMPREGADOS INSCRITOS NOS CENTROS DE EMPREGO 
Embora o chamado desemprego registado, ou seja, o numero de desempregados inscritos 
nos Centros de Emprego não dê uma informação completa sobre o desemprego no país, já 
que muitos desempregados não se inscrevem nos Centros de Emprego, pois não têm 
qualquer beneficio nisso, mesmo assim, como o governo utiliza os dados do desemprego 
registado para convencer a opinião pública de que o desemprego está a diminuir no país, 
interessa analisar com objetividade os dados que são divulgados mensalmente pelo Instituto 
de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Para isso observe-se com cuidado o Quadro 2 , 
que contém os dados divulgados mensalmente pelo IEFP durante o ano de 2014. 
Quadro 2- Desempregados inscritos mensalmente nos Centros de Emprego, desempregados 
colocados pelos Centros de Emprego (arranjaram trabalho para eles), e desempregados abatidos 
mensalmente nos ficheiros dos Centros de Emprego – Ano 2014 
(...)
Segundos os dados divulgados mensalmente nas Estatísticas dos Centros de Emprego, de 
Janeiro a Novembro de 2014, inscreveram-se de novo nos Centros de Emprego 666.758 
desempregados, e os Centros de Emprego só conseguiram arranjar trabalho para 96.460. 
Isto significa que não conseguiram arranjar emprego para 570.298 desempregados que se 
inscreveram nos Centros de Emprego durante o ano de 2014. Apesar disso, entre 1 de 
Jan.2014 e 30 de Nov.2014, o chamado desemprego registado diminuiu em 92.452, pois 
passou de 690.535 (numero de desempregados em 31.12.2013 que transitou para 1 de 
Jan.2014) para 598.083. E como foi conseguido este “milagre de redução de desemprego”? 
Através do abate administrativo maciço de desempregados nos ficheiros dos centros de 
emprego, como provam os dados do quadro (coluna 5), utilizando uma multiplicidade de 
pretextos (por ex., o desempregado não respondeu ao postal enviado pelo IEFP). Nos onze 
primeiros meses de 2014 (Jan/Nov-014), foram abatidos nos ficheiros dos Centros de 
Emprego 662.750 desempregados que se encontravam neles inscritos e não foi dada 
qualquer explicação pública desse facto. É desta forma também que o IEFP e o governo 
conseguem reduzir os números do desemprego registado que depois utilizam na sua 
campanha de propaganda e de manipulação da opinião pública, 
UMA PALAVRA FINAL DE DESPEDIDA DO ANO DE 2014 A TODOS OS LEITORES 
Este é o 58º e último estudo que publicamos em 2014. Foi o nosso contributo na batalha 
contra a ideologia neoliberal dominante nos media e contra a manipulação da opinião pública. 
Esperemos que o nosso trabalho ao longo deste ano tenha sido útil aos leitores. Através da 
linguagem objetiva dos dados estatísticos que disponibilizamos, muitos deles oficiais cuja 
fonte sempre indicamos para que o leitor possa ter acesso também direto a eles, e das 
reflexões e conclusões que, com base sempre neles, tiramos procuramos apresentar uma 
análise/visão alternativa dos problemas nacionais diferente da do pensamento económico 
único dominante nos media. Confrontando dados e opiniões diferentes, o leitor poderá formar, 
de uma forma fundamentada, a sua própria opinião (esse é o nosso objetivo), que é o que 
mais importa. Para terminar, queremos desejar a todos os leitores e aos seus familiares 
Boas Entradas, Boas Festas e um 2015 melhor do que 2014. 
Eugénio Rosa, edr2@netcabo.pt , 29.12.2014
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O curriculum do Passos
https://www.youtube.com/watch?v=CZMpF8qlz1M
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11 de Agosto de 1919: É aprovada a Constituição Alemã, pela assembleia nacional de Weimar, primeira tentativa de democracia liberal.

No dia 11 de Agosto de 1919, Friedrich Ebert, membro do Partido Social-Democrata e presidente provisório do Reichstag (parlamento alemão) assina uma nova constituição, conhecida como a Constituição de Weimar, criando oficialmente a primeira democracia parlamentar republicana na Alemanha. Após a assinatura do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial e a abdicação do imperador alemão, surgiu a república na Alemanha. 


Quando o país estava prestes a perder a guerra, eclodiu uma revolta em Berlim e a marinha amotinou-se. O imperador Guilherme II abdicou e partiu para a Holanda com a família. O socialista Philipp Scheidemann proclamou a república. Dois dias depois pediria o armistício aos aliados. A Assembleia  Nacional reunida na cidade de Weimar vota a nova Constituição. Esta carta magna cria uma república democrática e parlamentar composta por 17 Länder (estados). A chegada de Hitler ao poder em 1933 colocaria fim a este regime político.


  


Ainda antes de a Alemanha reconhecer a sua derrota diante das forças aliadas nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, o descontentamento e a turbulência política grassavam no país, com o povo alemão, acossado pela fome, expressando a sua angústia e desespero com greves operárias em larga escala e motins no seio das forças armadas. 




No início de 1916, a Alemanha era governada basicamente por uma ditadura militar exercida pelo Comando Supremo do Exército chefiado pelos generais Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff. No final de Outubro de 1918, porém, com a derrota a despontar no horizonte, Hindenburg pressionou o kaiser Guilherme II e o governo germânico a formar um governo civil a fim de negociar o armistício com os aliados. O kaiser e o Reichstag, em decorrência, emendaram a constituição de 1871 em vigor, criando efectivamente uma democracia parlamentar na qual o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, príncipe Max von Baden, responderia "não" a Guilherme II e "sim" ao Reichstag. 




Esta medida, no entanto, não foi suficiente para satisfazer as forças de esquerda no interior da Alemanha, que capitalizavam o descontentamento popular e a desorganização administrativa decorrente dos derradeiros e inúteis esforços de guerra. 

Na esperança de pacificar os comunistas e os socialistas, von Baden transferiu os seus poderes a Ebert, o líder do Partido Social-Democrata (SPD), em 9 de Novembro. Nos seis meses subsequentes, o Reichstag, comandado pelo SPD, trabalhou na redacção de uma constituição que pudesse consolidar a condição da Alemanha como uma democracia parlamentar derrotando os comunistas e de certa forma traindo os anseios de boa parte da massa trabalhadora. 

Entretanto, muitos dentro da Alemanha, em particular sectores da direita emergente, acusavam o governo de, na sua visão, aceitar os termos humilhantes impostos ao país pelas forças triunfantes no Tratado de Versalhes, particularmente as exigências por reparações de guerra e cedência de territórios, justificados por uma cláusula do tratado que depositava sobre os ombros da Alemanha a culpa exclusiva pelo início da conflito. 

Acossado pelos furiosos ataques dos militares de direita e pelas críticas radicais dos comunistas e identificado por ambos os lados como responsável pela vergonha de ter aceite os termos do Tratado de Versalhes, o governo de Weimar e a sua constituição – promulgada em 11 de Agosto de 1919 – pareciam ter apenas uma ténue esperança de sobrevivência. 



Nesta atmosfera de confronto e amplo descontentamento, exacerbada pelas precárias condições económicas, elementos da extrema-direita começaram a assumir uma postura cada vez mais dominante no seio do Reichstag. Este processo, intensificada pela Grande Depressão de 1929, culminaria com a ascensão ao poder de Adolf Hitler, que explorou as debilidades do sistema de Weimar para fincar os alicerces do seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazi e assumir o poder em 1933, com apoio das forças conservadoras e parte da social-democracia, e logo depois dissolver o sistema parlamentar e impor, com base no seu ideário, um controlo absoluto sobre a Alemanha. 

Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)

A Constituição de Weimar  
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/08/11-de-agosto-de-1919-e-aprovada.html
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/08/11-de-agosto-de-1919-e-aprovada.html?spref=fb&fbclid=IwAR1NFeW6nmiMjQI_a3y23vU-4jvudHTGwXUrO3nDe7bSitptCJEVMxy_STE
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30 de Julho de 1898: Morre Otto von Bismarck, o "chanceler de ferro"

Político, primeiroministro da Prússia, chanceler do Império Germânico, Otto von Bismarck nasce a 1 de abril de em 1815, em Schönhausen, na Prússia (Alemanha), e morre a 30 de julho de 1898, em Friedrichsruh, perto deHamburgo. Foi moderado e contemporizador em questões internas e destacou-se sobretudo na política externa,onde se afirmou como um dos estadistas mais importantes da cena internacional europeia do século XIX.

Há um quadro que define a imagem que muitos alemães têm do político Otto von Bismarck : de uniformes escuros, generais e príncipes alemães  reúnem-se no salão de espelhos do Palácio de Versalhes, em França, e saúdam de braço estendido o imperador alemão Guilherme I. Contudo, quem está no centro geométrico da cena não é o monarca, mas Bismarck, ainda mais destacado por trajar uniforme branco.


Essa tela de Anton von Werner representa de forma estilizada o 18 de janeiro de 1871, data oficial da fundação do Império Alemão, quando 25 estados foram unificados sob a liderança da Prússia. E atribui-se à política de Bismarck a façanha de, na época, superar a fragmentação da Alemanha em minúsculos estados. Por todo o país há homenagens ao "chanceler de ferro": monumentos, torres, ruas e até carvalhos foram batizados com o seu nome.
Mas há também quem veja em Otto von Bismarck e no seu capacete de ponta o chanceler da guerra, um pioneiro do militarismo alemão. Afinal, somente com as guerras contra a Dinamarca em 1864, a Áustria em 1866 e a França em 1870-71 aplainou-se o caminho para a fundação do império.
Na qualidade de primeiro-ministro da Prússia, Bismarck preparara politicamente todas essas três guerras. Além disso, com os seus valores conservadores, ele é responsabilizado pela perseguição do Reich aos socialistas; por uma cultura parlamentar subdesenvolvida na Alemanha do fim de século XIX e início do xx; assim como pela criação de colónias alemãs na África e na Ásia.



Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube-lhe lançar as bases do Segundo Império, ou 2º Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecer pela primeira vez na sua história a existência de um Estado nacional único. Para formar a unidade alemã, Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força .



A partir de 1871, depois da criação do Império Germânico, conseguiu alianças importantes e planeou uma série deações diplomáticas que asseguraram a posição da Alemanha e a paz na Europa. Também nessa altura, iniciouuma série de reformas administrativas, criando uma unidade monetária comum, um banco central e um código civil e criminal. Nos Negócios Estrangeiros, revelou-se um mediador proeminente entre as grandes potências. Foi oprimeiro estadista europeu a criar um sistema de segurança social justo, oferecendo aos trabalhadores seguro deacidentes, de doença e de velhice. No entanto, a partir de 1890, as suas políticas começaram a ser atacadas e foi obrigado a demitir-se do cargo de chanceler. Dedicou os últimos anos de vida a escrever as suas memórias.    
Otto von Bismarck. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
 wikipedia (imagens)


Resultado de imagem para otto von bismarck
Otto von Bismarck em 1881


"Proclamação do Império Alemão", de Anton von Werner, 1885
 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2019/07/30-de-julho-de-1898-morre-otto-von.html?spref=fb&fbclid=IwAR2LsWM3tDMyKw8mgy2RERVNv9bUO1SwqpFEvNP2Iuz2hCFqVfSkuJVzo9g
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23 de Setembro de 1862: Bismarck é nomeado governante da Prússia e inicia a unificação alemã

No dia 23 de Setembro de 1862, o rei da Prússia, Guilherme I, afrontado por uma grave crise política, nomeia chefe do seu governo um homem de pulso, o conde Otto von Bismarck.

Os jornais liberais de Berlim só lhe davam poucos meses no poder. No entanto, iria governar o conjunto da Alemanha durante 28 anos e mudar a correlação de forças na cena europeia.

Principal Estado da Alemanha do Norte, a Prússia tinha aprovado uma constituição e formado um regime relativamente liberal em 1848, sob o reinado de Frederico-Guilherme IV da dinastia Hohenzollem. Afectado de demência em 1858, teve de confiar a regência ao seu irmão mais novo, Frederico Guilherme, já com 60 anos, quem destitui o presidente do Conselho, Otto von Manteuffel, e tenta pôr fim às intrigas que paralisavam a acção governamental.

Pretendia também reforçar o seu exército, cuja inoperância ficara demonstrada aquando das crises europeias de 1848, 1852 e 1859. A partir dos anos 1860, o regente prepara, apoiado pelo chefe do Estado-Maior Helmut von Moltke e pelo ministro da Guerra Albert von Roon, uma nova lei militar. Tratava-se de poder mobilizar 500 mil homens em caso de guerra em vez de apenas 150 mil.

Em 2 de Janeiro de 1861, com a morte do seu irmão, o regente sobe ao trono com o nome de Guilherme I. Empenha-se no seu projecto de lei militar porém encontra ferrenha oposição dos liberais que forçam a convocação de eleições legislativas para Março de  1862. Os liberais denunciavam o custo do projecto – 4 milhões de thalers suplementares por ano – o que punha em risco o desenvolvimento económico e privava a indústria de preciosa mão-de-obra.

O rei ameaça abdicar. Von Roon  assusta-se com a perspectiva de que isto levaria ao trono o seu filho, que tinha a reputação de ser um liberal convicto. O ministro sugere então ao soberano o nome de Bismarck. O rei traz à baila o temperamento ardente do indicado e as suas convicções.  Bismarck passou anos acreditando poder ascender ao governo como Ministro das Relações Exteriores e mesmo como chefe de governo com o apoio de seu amigo von Roon. Todavia, o rei afastava a ideia por incompatibilidade de carácter com o impetuoso personagem.

Em 16 de Setembro de 1862, Bismarck recebe em Paris do seu ministro do Exterior Bernstorff um telegrama cifrado informando que o rei esperava-o com urgência em Berlim. Na manhã de 22 de Setembro é introduzido no gabinete do monarca no castelo de Babelsberg, perto de Potsdam. 

O rei  mostra-lhe o acto de abdicação sobre a mesa e  diz-lhe : “Não quero mais reinar se não puder fazê-lo assumindo a responsabilidade diante de Deus, segundo minha consciência e diante de meus súbditos. Não encontro nenhum ministro disposto a dirigir o meu governo. Eis porque resolvi abdicar”.

A que Bismarck responde: “Desde Maio manifestei-me pronto – Vossa Majestade sabe – a assumir a responsabilidade do poder”.

- O senhor está disposto a sustentar os projectos militares sem modificá-los ? 

- Sim, Majestade.

- Sob que condições ?

- Nenhuma.

- É meu dever, então, prosseguir em minha luta com o senhor. Por conseguinte, não abdico.

O conde Otto von Bismarck, 47 anos, é nomeado ministro de Estado e ministro-presidente, outrora intitulado chefe de governo.

Até à morte em 1888, Guilherme I iria manter a sua confiança malgrado a incompatibilidade de génio e as acaloradas discussões entre os dois. Uma semana após a nomeação, em 30 de Setembro de 1862, Bismarck manifestaria publicamente a sua férrea vontade de unificar a Alemanha em torno da Prússia. Ao assistir a uma sessão parlamentar, pediu cortesmente a palavra para em seguida exclamar: “A Alemanha não está interessada no liberalismo da Prússia e sim na sua força (...) Após os tratados de Viena, as nossas fronteiras não se mostram favoráveis ao desenvolvimento do nosso Estado. Não serão os discursos e os votos da maioria que irão resolver as grandes questões de nossa época, como em 1848 chegamos a acreditar. Essas questões serão resolvidas sim a ferro e fogo”.


As palavras tiveram enorme repercussão e indicavam que o país caminharia para a militarização e a guerra. Bismarck percebe que tinha ido longe demais e, às pressas, vai ao encontro do rei. Após uma acesa discussão, a primeira de uma longa série, o monarca  deixa-se convencer pelos argumentos do seu ministro, que ganha carta branca para conduzir os seus projectos : reforma militar, guerra contra a Áustria e depois contra a França, acompanhadas do cumprimento de um sonho, a unificação da Alemanha em torno da monarquia prussiana.

Fontes: Opera Mundi

wikipedia (imagens)


Bismarck, Roon (centro) e Moltke (direita), os três líderes da Prússia


Otto von Bismarck




 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/09/23-de-setembro-de-1862-bismarck-e.html
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01 de Abril de 1815: Nasce Otto von Bismarck, o chanceler de ferro

Político, primeiroministro da Prússia, chanceler do Império Germânico, Otto von Bismarck nasce a 1 de abril de em 1815, em Schönhausen, na Prússia (Alemanha), e morre a 30 de julho de 1898, em Friedrichsruh, perto deHamburgo. Foi moderado e contemporizador em questões internas e destacou-se sobretudo na política externa,onde se afirmou como um dos estadistas mais importantes da cena internacional europeia do século XIX.

Há um quadro que define a imagem que muitos alemães têm do político Otto von Bismarck : de uniformes escuros, generais e príncipes alemães  reúnem-se no salão de espelhos do Palácio de Versalhes, em França, e saúdam de braço estendido o imperador alemão Guilherme I. Contudo, quem está no centro geométrico da cena não é o monarca, mas Bismarck, ainda mais destacado por trajar uniforme branco.


Essa tela de Anton von Werner representa de forma estilizada o 18 de janeiro de 1871, data oficial da fundação do Império Alemão, quando 25 estados foram unificados sob a liderança da Prússia. E atribui-se à política de Bismarck a façanha de, na época, superar a fragmentação da Alemanha em minúsculos estados. Por todo o país há homenagens ao "chanceler de ferro": monumentos, torres, ruas e até carvalhos foram batizados com o seu nome.

Mas há também quem veja em Otto von Bismarck e no seu capacete de ponta o chanceler da guerra, um pioneiro do militarismo alemão. Afinal, somente com as guerras contra a Dinamarca em 1864, a Áustria em 1866 e a França em 1870-71 aplainou-se o caminho para a fundação do império.

Na qualidade de primeiro-ministro da Prússia, Bismarck preparara politicamente todas essas três guerras. Além disso, com os seus valores conservadores, ele é responsabilizado pela perseguição do Reich aos socialistas; por uma cultura parlamentar subdesenvolvida na Alemanha do fim de século XIX e início do xx; assim como pela criação de colónias alemãs na África e na Ásia.





Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube-lhe lançar as bases do Segundo Império, ou 2º Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecer pela primeira vez na sua história a existência de um Estado nacional único. Para formar a unidade alemã, Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força .



A partir de 1871, depois da criação do Império Germânico, conseguiu alianças importantes e planeou uma série deações diplomáticas que asseguraram a posição da Alemanha e a paz na Europa. Também nessa altura, iniciouuma série de reformas administrativas, criando uma unidade monetária comum, um banco central e um código civil e criminal. Nos Negócios Estrangeiros, revelou-se um mediador proeminente entre as grandes potências. Foi oprimeiro estadista europeu a criar um sistema de segurança social justo, oferecendo aos trabalhadores seguro deacidentes, de doença e de velhice. No entanto, a partir de 1890, as suas políticas começaram a ser atacadas e foi obrigado a demitir-se do cargo de chanceler. Dedicou os últimos anos de vida a escrever as suas memórias.    

Otto von Bismarck. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.

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Otto von Bismarck em 1881


"Proclamação do Império Alemão", de Anton von Werner, 1885
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