16/02/2015

9.599.(16fev2015.7.55') Carlos Paredes

Nasceu a 16fev1925
e morreu a 23jul2004
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avante de 23feVER2017
Grande homenagem
a Carlos Paredes
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Mais de 600 pessoas participaram, no domingo, 19, numa homenagem a Carlos Paredes promovida pela Associação Conquistas da Revolução (ACR) no salão de «A Voz do Operário», em Lisboa. Na sessão participaram mais de uma dezena de artistas que, a título individual ou colectivo, fizeram questão de dar o seu contributo evocando não só o genial mestre da guitarra portuguesa como também o homem e o ser humano de excepção que foi Carlos Paredes. Apresentado foi também o filme «Devaneios flutuantes», de Pedro Sena Nunes.
No final da iniciativa, que contou ainda com a intervenção de Manuel Begonha, presidente da Direcção da ACR, cantou-se a «Grândola Vila Morena» com a presença de todos os artistas em palco: Gonçalo Lopes e Mariana Abrunheiro; Joana Bagulho; Fausto Neves, Manuel Pires da Rocha e Carlos Canhoto – trio «Músicas com Paredes de Vidro»; Samuel e Nuno Tavares; Coro Lopes Graça da Academia de Amadores de Música, com direcção artística de José Robert e participação do pianista Fausto Neves; Henrique Fraga e Marco Matos – «A nossa guitarra»; Bruno Costa e Paulo Figueiredo – Cordis; Alexandre Branco e Bruno Costa.
http://www.avante.pt/pt/2256/nacional/144242/
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NAS ASAS DA SAUDADE
https://www.youtube.com/watch?v=bj9XCJiYdo0&list=RDbj9XCJiYdo0#t=5
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variações em ré memor
https://www.youtube.com/watch?v=_AKiwaojepM&index=6&list=RDbj9XCJiYdo0
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30dez2015
in avante...Fausto Neves escreveu:
Nos 90 anos de Carlos Paredes
(1925-2015)


Na senda da inovação – marca do Festival de Espinho na última década e meia do século passado – introduziam-se então na sua programação uma forte componente de música contemporânea e alguns momentos dedicados a outras músicas e mesmo outras artes. Foi assim que surgiram no «clássico» Festival de Espinho o jazz do Hot Clube e de Pinho Vargas, os chorinhos brasileiros, o teatro de «O Bando», ou inesquecíveis espectáculos ao ar livre pela Companhia de Dança de Lisboa, assim como exposições paralelas de artes plásticas.
Verdes Anos
Era uma adolescência cercada. A guerra no horizonte como um sol de breu.
Por Coimbra passavam as águas correndo, vigiadas, rumo ao sul – onde a fome e a terra sonegada erguiam os homens do chão.
Mas a guitarra subia pelo frio, movimento perpétuo e esmeril dos dias. De longe, de muito longe, chegava esse frémito de terra acordada, dor de existir e usina de incêndios.
João Pedro Mésseder 

Foi neste âmbito que Carlos Paredes surgiu no certame, acompanhado por Luísa Amaro, que entretanto sucedera a Fernando Alvim, na base harmónica sustentada pela guitarra clássica. Apesar do piscar de olhos cúmplice desta última, deixámo-nos preocupar pelo ambiente criado por Paredes, pelas suas dúvidas permanentes e em crescendo, que saltaram várias graduações ascendentes de ansiedade ao ver a sala onde iria actuar, o grande auditório do Casino de Espinho. Será que tínhamos apostado bem na vinda do guitarrista?

Se o ambiente estava nervoso e crispado à chegada e ao primeiro contacto com a sala, pior ficou mais tarde, a breves momentos do concerto, com a sala «à cunha». Para além de toda a ansiedade de Paredes, surge uma unha alegadamente quase a partir. Num esforço sobre-humano, o nosso guitarrista consegue acertar com o bico do tubo de «Peligon» no espaço entre a unha e o dedo – ambas as mãos tremiam como canas verdes… –, lá descarregando uma boa porção de cola, perante o nosso olhar incrédulo. Conhecedor das ansiedades artísticas iminentes ao concerto, nunca tínhamos presenciado tamanho «trac»!… Será que ele seria capaz de tocar em palco uma nota que fosse na sua guitarra? Apenas a serena conformação com o estado do parceiro musical, que emanava de Luísa Amaro, me entreabriu uma ténue esperança que a coisa corresse bem…

E se correu! Entrecortando com uns eléctricos acordes de afinação as palavras cativantes de saudação ao público e de ilustração acerca do programa e da história do seu instrumento, Carlos Paredes atacou a primeira obra com uma energia sobre-humana que ganhou de imediato a sobrelotada sala de largas centenas de pessoas para um concerto memorável para todos os presentes.

No ano seguinte, Paredes regressou ao Festival. («Querem-me cá outra vez?!? Já me conheceram tudo no ano passado!...»). Queria inovar. Desta vez desejava juntar ao concerto um elemento de artes plásticas. Solicitou-nos um quadro no palco onde fixaria várias folhas de papel-cenário com desenhos feitos por si, a propósito de cada obra. Já conhecidas as brutais ansiedades pré-concerto do nosso visitante, agora preocupávamo-nos com o famoso quadro, que nos parecia muito pequeno no enorme palco do Casino e para uma sala muito, muito grande. A visibilidade estaria garantida para o público mais afastado? E os próprios delicados desenhos, que antevíramos fugazmente, iriam captar o público?

O certo é que em palco Paredes era um verdadeiro amplificador de comunicação artística. E se todos ainda temos presente a força da sua comunicação musical e guitarrística em actuação pública, essa energia mantinha-se na convicção das palavras acerca do programa e, neste caso – mistério! –, na própria «ampliação» dos desenhos: uma sala cheia, tendencialmente barulhenta, ouviu religiosamente as suas palavras e as suas referências aos desenhos e às obras correspondentes, a serem executadas na sua guitarra mágica. As explosões de aplausos sucediam-se, até ao último balbuciar de Paredes, reclamando timidamente o seu cansaço e anunciando generosamente ainda mais um «desta-vez-é-mesmo-o-último» extraprograma. 

Guitarra de liberdade 

Carlos Paredes teria cumprido neste ano que agora se esvai, 90 anos de idade, roubados por doença terrível, que o separou da sua guitarra, primeiro, e depois da própria vida. De nós todos.

Herdeiro de uma insigne família coimbrã de executantes de guitarra portuguesa – filho de Artur Paredes, neto de Gonçalo Paredes e sobrinho-neto de Manuel Paredes – Carlos estudou piano, violino e teoria musical, por insistência materna, o que lhe veio dar uma consistência suplementar no desenvolvimento autodidacta dos seus estudos na guitarra portuguesa, herança da família paterna. Tendo-se mudado para Lisboa, fez os seus estudos liceais já na capital e iniciou a sua carreira profissional na função pública (1949) como administrativo do Hospital de S. José.

Apesar de ainda fazer alguns acompanhamentos de guitarra no início da sua carreira – chegou mesmo a gravar com o pai –, Carlos Paredes entra em ruptura com a tradição paterna: afasta-se de Coimbra como área preferencial de apresentações públicas – o pai apesar de viver em Lisboa, deslocava-se amiúde à capital do Mondego, onde era considerado muito justamente como expoente máximo da virtuosidade da guitarra coimbrã – e lança o seu instrumento de eleição numa senda solista nova, virtuosística e, sobretudo, plena de liberdade.

Segundo o musicólogo Rui Néry, filho de Raul, eminente guitarrista lisboeta:

«A compreensão da obra de Paredes como compositor é contudo inseparável da sua dimensão de intérprete da mesma, muito em especial no que respeita à força emocional própria da sua sonoridade inconfundível e ao seu estilo muito pessoal de lançamento rítmico das frases. Este último é marcado pela regularidade dos grandes apoios métricos mas em simultâneo por uma enorme liberdade de dicção rítmica entre estes, associada ao uso constante e intenso do rubato na construção dos clímaxes das linhas melódicas e na das respectivas anacrusas e resoluções cadenciais. Por isso mesmo, Paredes foi sempre um parceiro particularmente difícil de acompanhar: Fernando Alvim, que o acompanhou à viola entre 1960 e 1984, distinguiu-se por uma particular capacidade de adequação às flutuações rítmicas do guitarrista, apoiando-o com fortes baixos harmónicos em todos os pontos de descarga rítmica, enquanto Luísa Amaro, violista de formação erudita que com ele passou a tocar já a partir de 1983, preferiu ter uma intervenção menos presente no plano rítmico e envolver antes a guitarra num halo de harmonias discretas, aproveitando para isso a sonoridade mais discreta das cordas de náilon da viola clássica.»

Carlos Paredes foi militante do PCP. Denunciado à PIDE, foi preso em 1958. Cruelmente separado da sua guitarra durante ano e meio de cárcere viveu duros momentos na prisão. Para sobreviver mimava a execução guitarrística apenas com os braços, por vezes com um pente, fazendo os seus colegas de cárcere temer pela sua sanidade mental. Lutava apenas contra a clausura, compunha mentalmente, sentia no seu colo as asas da sua liberdade: a sua guitarra, «passarola» e caravela de sonhos de que o tinham separado.

Saído da cadeia, foi expulso da função pública. Por vocação e pela força das circunstâncias o anónimo funcionário público que nos tempos livres emprestava a sua arte a alguns serões musicais organizados por colectividades populares, passou a ter a sua actividade artística como fonte principal de vida – embora ainda tenha exercido as funções de delegado de propaganda médica.

Nesse primeiro ano de liberdade recuperada – 1960 – escreveu a música de fundo do filme «Rendas de Metais Preciosos» (Cândido Costa Pinto) e gravou em 1962, já com Fernando Alvim, o seu primeiro disco EP a solo. Em 1963 compõe e grava o que seria um dos seus maiores sucessos: «Verdes Anos», música de fundo para o filme homónimo de Paulo Rocha, inaugurando o «cinema novo» português. Retoma a colaboração com o mesmo realizador em «Mudar de Vida». Colabora com o teatro (Cardoso Pires e Bernardo Santareno, e Grupo de Teatro de Campolide), acompanha os versos de Ary e, logo após o 25 de Abril, de Alegre.

Progressivamente popular e apreciado nos meios oposicionistas ao regime fascista, quer na intelectualidade, quer nas organizações populares e juvenis, Carlos Paredes grava o seu primeiro LP a solo, «Guitarra Portuguesa», a que se segue «Movimento Perpétuo» e o single «Balada de Coimbra». Levado aos lares portugueses pelo programa de televisão «Zip-zip», admirado publicamente por Amália Rodrigues, acaba por representar Portugal no Olympia de Paris (1967), na Feira Mundial de Osaka e na Ópera de Sidney (ambas as apresentações em 1970).

A sua fulgurante carreira nacional e internacional estava lançada, o seu talento musical de criador e de intérprete de elite, através de uma virtuosidade técnica assombrosa fazia dele um artista inigualável, que através de todas estas características rompia com o próprio fascismo, com as suas próprias e eternas timidez e modéstia que soçobravam na penumbra dos «rasgados» enérgicos das cordas da sua guitarra portuguesa, das frases melódicas enternecedoras, na velocidade cósmica das passagens rápidas do seu dedilhar insuperável. 

A festa de Abril 

E a Festa de Abril chegou em 1974. Apanhou o guitarrista com uma carreira construída a pulso, com o seu extraordinário talento a vencer a má vontade do fascismo, da pequenez nacional e… da sua própria timidez. Por incrível que pareça, a sua entrega total à Revolução dos Cravos, apresentando-se por todo o País – da mais ilustre sala ao salão de festas popular mais modesto –, e a sua reintegração na função pública – com regresso anacrónico ao serviço de Radiologia do Hospital de S. José – acabou por travar a intensificação progressiva de gravações de discos e de trabalhos de criação, anunciados pela última década.

A imensidão do trabalho cultural da Revolução de Abril absorveu-lhe completamente os tempos livres das suas funções profissionais. O CD «Espelho de Sons» apareceria a público apenas em 1988, dois anos após a sua reforma, ordenando vários originais que fora desenvolvendo em público na azáfama de 14 anos de vida democrática, nos fluxos e refluxos de Abril.

Apesar da dúvida que grita nos agudos da sua guitarra, imaginando-se até onde poderia ter ido a sua carreira se tivesse recebido um estatuto de entrega profissional exclusiva ao seu instrumento, este tempo foi, claramente, de consagração de Paredes. Figura permanente da «sua» Festa do Avante! e de inúmeras iniciativas do PCP – é célebre uma fotografia em que aquece os dedos à guitarra num bastidor de madeira de um palco da Festa, a poucos momentos de actuar – o guitarrista emparelhou com outros gigantes da música improvisada como Vitorino de Almeida (LP «Invenções Livres») (1983) e Charlie Haden (gravação em Paris – LP «Dialogues» – e concertos nos coliseus do Porto e Lisboa) (1990), participou ainda em gravações de Carlos do Carmo e de Adriano Correia de Oliveira e foi convidado especial de um concerto dos «Madredeus».

No estrangeiro representa o PCP em vários concertos realizados em países socialistas e entra no circuito comercial internacional ao actuar no Bobino de Paris (1980) e na Alte Oper de Frankfurt (1982), assegurando a primeira parte de importantes concertos de Paco Ibañez e de Carlos do Carmo, respectivamente. Em 1982 Vasco Wallencamp coreografou a sua música para o saudoso Ballet Gulbenkian em «Danças para uma Guitarra», em cujas apresentações Paredes actuou ao vivo.

Em 1984 apresenta-se finalmente como solista principal de dois grandes concertos, realizados no Auditório Nacional Carlos Alberto no Porto. Porquê só em 1984? Cegueira dos produtores musicais? A eterna modéstia de Paredes a travar a explosão da sua guitarra há tanto tempo anunciada?

Em 1990 é-lhe concedida uma bolsa de mérito cultural pela Secretaria de Estado da Cultura e em 1992 recebe a comenda da Ordem de Santiago da Espada. Nesse ano foi homenageado em três concertos – dois no teatro São Luiz da capital e um no Porto, no Teatro Rivoli.

Em 1993 inicia a gravação de um novo CD, mas já não consegue terminá-lo, devido a problemas de saúde. Toca ainda, com esforço, na apresentação da Lisboa, capital europeia da Cultura, e em Dezembro é-lhe diagnosticada uma grave doença degenerativa na medula, que o obrigou a internamento e de que faleceu em 2004.

Surgiria ainda o CD «Na Corrente» (1996), com gravações inéditas de 1971 a 1973, e o trabalho de estúdio de 1993, abruptamente interrompido, foi recolhido em «Canção para Titi».

Carlos Paredes abarca toda uma tradição guitarrística familiar e coimbrã, da qual se eleva e destaca no convívio lisboeta, no estudo organológico do seu instrumento, na sua cultura musical, na visão marxista do Mundo. O amor profundo pela sua guitarra não impedia a luta de ódio entre o criador vulcânico e os limites opressores do cordofone – tal par Eros e Tanatos –, recomeçada a cada concerto, repartindo do novo limite conquistado no anterior, para o alargar um pouco mais longe ainda. Na boa tradição clássica não se distinguia em Paredes o compositor do intérprete, nem se vislumbravam os limites de cada um dos personagens titânicos que habitavam aquele homem bom, modesto e cumpridor das suas funções profissionais administrativas.

Que se transfigurava em palco na volúpia do gesto, no sentir da dor dos gemidos ou da opulência sonora da guitarra. Mas que tinha pelo trabalho, fosse ele qual fosse, um respeito venerador – e estamos a recordar um dos tais desenhos expostos e comentados em Espinho, durante uma das peças do seu recital –, um reconhecimento materialista da história apenas ao alcance do pensamento marxista. E esta talvez seja a chave para percebermos o regresso feliz de Paredes, após o 25 de Abril, ao seu posto na Radiologia do hospital de S. José.

A sua serenidade de conversa e audácia visionária de palco acompanha-nos. O portuguesismo da sua guitarra, pelos seus dedos, atingiu a universalidade. Para nós, comunistas, a sua guitarra chama-nos à terra «Em memória de uma camponesa assassinada» para construirmos o Universo de «movimento perpétuo». Com Paredes e a sua guitarra «ao nosso lado, ao sol desta canção».

«Não se esqueça então de me enviar a gravação do Viana da Mota, está bem?» – gritou ele ainda à porta do comboio, arrancando de regresso a Lisboa. «Prometido!» – respondi-lhe. O comboio ganhou velocidade, desfocando progressivamente os acenos de despedida de Carlos Paredes, desaparecendo por fim na penumbra do horizonte. Ficou-nos a sua guitarra no coração.

http://www.avante.pt/pt/2196/temas/138492/
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16feVER2015
A EXTRAORDINÁRIA Foto de Eduardo Gageiro (ambos nasceram a 16fev)
CARLOS PAREDES
Faria hoje 90 anos. 
Não tememos em afirmar que Carlos Paredes, ao lado de seu pai Artur Paredes, é o maior guitarrista português.
Está ao nível dos grandes músicos do Mundo.
Compositor virtuoso,verdadeiro humanista, lutou sempre por uma sociedade melhor e mais justa. Acreditava na bondade dos homens, apesar de ter sido preso e torturado pela PIDE, tendo perdoado a quem o denunciou.
Tímido por natureza, fugia dos elogios e refugiava-se na sua guitarra: "sou um humilde guitarrista, nada mais que isso", teimava em afirmar.
Homem culto e sensível, afligia-se com as dificuldades e o Futuro dos jovens.
Muito mais se poderia dizer...ouçamos e celebremos a sua Música e vamos desejar-lhe um Feliz Aniversário e agradecer-lhe pelo que nos deixou e que a tantos inspira!
Obrigado, Mestre!

Fotografia de Eduardo Gageiro.

Foto de Althum.
Faria hoje 90 anos.
Não tememos em afirmar que Carlos Paredes, ao lado de seu pai Artur Paredes, é o maior guitarrista português.
Está ao nível dos grandes músicos do Mundo.
Compositor virtuoso,verdadeiro humanista, lutou sempre por uma sociedade melhor e mais justa. Acreditava na bondade dos homens, apesar de ter sido preso e torturado pela PIDE, tendo perdoado a quem o denunciou.
Tímido por natureza, fugia dos elogios e refugiava-se na sua guitarra: "sou um humilde guitarrista, nada mais que isso", teimava em afirmar.
Homem culto e sensível, afligia-se com as dificuldades e o Futuro dos jovens.
Muito mais se poderia dizer...ouçamos e celebremos a sua Música e vamos desejar-lhe um Feliz Aniversário e agradecer-lhe pelo que nos deixou e que a tantos inspira!
Obrigado, Mestre!
Fotografia de Eduardo Gageiro.
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Ouvi-lo:
Movimento Perpétuo
https://www.youtube.com/watch?v=k9cqXIk2B04&list=RDl6umgftdxYI&index=2
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Canção de embalar
https://www.youtube.com/watch?v=l6umgftdxYI
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Balada de Coimbra
https://www.youtube.com/watch?v=n5xAPrbF7Rc
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Verdes Anos
https://www.youtube.com/watch?v=XwhV1ivYNsQ
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Nas Asas da Saudade

https://www.youtube.com/watch?v=bj9XCJiYdo0&list=RDbj9XCJiYdo0#t=5
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https://www.facebook.com/photo.php?fbid=467957076685581&set=pcb.467958393352116&type=1&theater

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Carlos Paredes, um revolucionário, um comunista que lutou até à morte e só a doença o conseguiu vencer! Um dos maiores guitaristas e músicos de sempre! Um HOMEM de uma só cara! Grande exemplo para alguns “seres rastejantes” que por aí andam...
A biografia de Carlos Paredes está ligada desde os primeiros anos à guitarra portuguesa - uma tradição familiar iniciada pelo seu avô Gonçalo Paredes, tio-avô Manuel Paredes, seu pai e por ele continuada.
Filho de Artur Paredes, empregado bancário e músico amador e de Alice Candeias Rosas Paredes, professora do ensino secundário, nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925.
Herdou de seu pai um espólio musical muito rico e todo um trabalho de investigação e experimentação e num legado genético o talento acumulado de três ou quatro gerações.
Aproveitando a técnica do pai, sintetizou a execução tirando o máximo partido das características do instrumento e redirigiu-o para um repertório nunca antes abordado ou pensado. Fê-lo com uma qualidade artística invulgar.
Se por um lado herda o talento musical do pai, por outro recebe a sensibilidade cultural da mãe que foi determinante na instrução da própria personalidade, nas opções ideológicas e na aproximação constante ao seu povo e à sua cultura, bem patentes na sua grandiosa obra musical.
Durante anos trabalhou no Hospital de São José, e por consequência de ter aderido ao PCP foi preso pela PIDE em 1958 por um período de 18 meses. Devido ao sigílo, foi expulso da função pública em Março de 1960, ano em que inicia "oficialmente" a sua carreira musical, por convite na elaboração da banda sonora para a curta metragem "Rendas de Metais Preciosos" na qual compõe "Verdes Anos". Foi acompanhado por Fernando Alvim, com quem iniciou aqui uma longa e frutuosa colaboração de quase 25 anos.
Foi reintegrado no Hospital de São José em Outubro de 74, tendo-se reformado 12 anos mais tarde. Rejeitou sempre a possibilidade de se consagrar músico profissional e de abandonar o emprego, por acreditar na dificuldade de se viver da música em Portugal. É da sua autoria a frase "Amo demasiado a música para viver dela".
Paredes foi praticamente até ao fim da sua carreira um músico amador com talento e trabalho de músico profissional. Somente em 1990 viu ser-lhe atribuido um subsídio de mérito pelo então Secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, para dois anos mais tarde ser condecorado com a Ordem Militar de Santiago pelo Presidente da República, Mário Soares.
Casou duas vezes, a segunda das quais com Cecília de Melo com quem gravou em 1970 o album “Meu País”. Foi pai de 6 filhos, nenhum com aptidões musicais de destaque, interropemdo-se assim o ciclo de guitarristas da "dinastia" Paredes.
Em 83, inicia a colaboração com Luísa Amaro, guitarrista erudita. Há muito que Paredes pretendia enveredar pelo ramo clássico, e é com a sobriedade musical de Luísa Amaro, que vê parcialmente concretizada essa possibilidade. É com ela também que partilha o resto da sua vida.
Em finais de 93, foi-lhe diagnosticado mielopatia que o impossibilitou de voltar a tocar.
Morreu a 23 de Julho de 2004.
Mas a sua música permanece viva, cada vez mais viva, revelando não apenas o artista mas também o homem. Um homem cuja modéstia e invulgar dimensão humana torna melhor quem o ouve tocar.
De Carlos Paredes disse Aurélio Santos:
“A maior magia, aquela que despertava gestos generosos e que inspirava sorrisos, apertos de mão, longos abraços, era o calor solidário que detinha aquele grande espaço de alma. Dedicada aos outros, às grandes causas, as que podem abalar o mundo. Talvez não objecto de grandes aplausos em palco. Mas ele retinha milhões de palmas anónimas e só audíveis pelos muitos desconhecidos que compreendem o movimento que passa e perpassa na história dos homens.
Só por estúpida injustiça se poderia chamar-lhe ingénuo. Aquele olhar pensativo reflectia outro pensamento. Inconformado com aquilo que via e vivia. E querendo transformar a música funesta que ressoava à sua volta.
Por isso ele era comunista.
A sua vida é uma canção. Que ele nos deixa como herança”.
“Não lhe cortaram as mãos quando esteve preso. Mas sem guitarra inventou um pente, para tocar nas grades. Não teve fundações nem instituições com o seu nome. Mas deixou-nos a coisa mais importante que achou: a herança do seu caminho”
De Carlos Paredes disse Manuel Jorge Veloso:
“Mas ver Paredes a tocar, é também ficar de olhos fitos na sua atitude intelectual e física, em estreita comunhão com (e ligação à) guitarra. Desde o carinho com que a vigia, a suspende, a envolve, ao arrebatamento com que a inicia; desde a subtileza com que a percorre, desenhando sinuosas linhas melódicas, ao vigor com que nela rasga insuspeitados acordes - é vê-lo ondular, dialogar, respirar com ela.
Afinal, o tocar de Carlos Paredes é, também, uma certa maneira de amar”
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26MAR2010...DANIEL BERNARDES o compositor pianista d' Alcobaça
rELEVA  CARLOS PAREDES
Tenho que colocar na agenda
Sexta-feira, 26 de Março de 2010
20:50 - 23:50
 Cine-teatro de Alcobaça
depois apreciei
Daniel Bernardes @ Filmes Malhas e outras tralhas ao vivo no Teatro S. Jorge, Lisboa.
Jazz piano. Carlos Paredes Verdes Anos  
http://www.youtube.com/watch?v=_vSf-VjJliI&feature=related
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Festa d' avante2004

Carlos Paredes, o mestre da guitarra portuguesa recentemente falecido, vai ser 

homenageado na Festa do "Avante!" com a apresentação de um bailado de Vasco 

Wallenkamp, que substitui na abertura da festa o concerto de música clássica 

comemorativo do 30º aniversário do 25 de Abril anteriormente 

anunciado.Militante do PCP desde 1958, Paredes marcava presença constante na 

Festa do "Avante!" e a própria direcção do evento, ontem apresentado na sede 

nacional do Partido Comunista, lembrou esse facto: "Desde 1976 e enquanto a 

sua saúde o permitiu [Carlos Paredes] participou em todas as edições da festa."O 

bailado de Vasco Wallenkamp tem um cariz clássico, é de breve duração e inspira-

se em composições já apresentadas pelo coreógrafo em torno da música de Carlos 

Paredes, com especial incidência sobre o tema "Verdes Anos". Wallenkamp 

concebeu o espectáculo num curto espaço de tempo, a convite expresso da 

direcção da festa.Será a primeira vez que se executará uma peça de bailado 

clássico no palco "25 de Abril" e Ruben de Carvalho, membro da direcção da 

festa, fez questão de sublinhar que foi necessária uma "reconcepção" do palco 

principal, que habitualmente tem piso em cimento.Após esta homenagem a 

Carlos Paredes, será então comemorado o 30º aniversário do 25 de Abril com um 

concerto de música clássica que junta a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, dirigida 

por Vasco Pearce de Azevedo, e três pianistas portugueses - António Rosado, 

Mário Laginha e Pedro Burmester. Uma festa "transversal"A festa do "Avante!" 

realiza-se a 3, 4 e 5 de Setembro na Quinta da Atalaia, e, além de concertos, tem 

teatro, exposições, mostras gastronómicas e de artesanato, animação de rua, (...)
https://www.publico.pt/2004/08/20/jornal/homenagem-a-carlos-paredes-na-abertura-da-festa-do-avante-192146