16/02/2015

9.599.(16fev2015.7.55') Carlos Paredes

Nasceu a 16fev1925
e morreu a 23jul2004
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Foto de Eduardo Gageiro (ambos nasceram a 16fev)
CARLOS PAREDES
Faria hoje 90 anos.
Não tememos em afirmar que Carlos Paredes, ao lado de seu pai Artur Paredes, é o maior guitarrista português.
Está ao nível dos grandes músicos do Mundo.
Compositor virtuoso,verdadeiro humanista, lutou sempre por uma sociedade melhor e mais justa. Acreditava na bondade dos homens, apesar de ter sido preso e torturado pela PIDE, tendo perdoado a quem o denunciou.
Tímido por natureza, fugia dos elogios e refugiava-se na sua guitarra: "sou um humilde guitarrista, nada mais que isso", teimava em afirmar.
Homem culto e sensível, afligia-se com as dificuldades e o Futuro dos jovens.
Muito mais se poderia dizer...ouçamos e celebremos a sua Música e vamos desejar-lhe um Feliz Aniversário e agradecer-lhe pelo que nos deixou e que a tantos inspira!
Obrigado, Mestre!
Fotografia de Eduardo Gageiro.
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Ouvi-lo:
Movimento Perpétuo
https://www.youtube.com/watch?v=k9cqXIk2B04&list=RDl6umgftdxYI&index=2
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Canção de embalar
https://www.youtube.com/watch?v=l6umgftdxYI
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Balada de Coimbra
https://www.youtube.com/watch?v=n5xAPrbF7Rc
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Verdes Anos
https://www.youtube.com/watch?v=XwhV1ivYNsQ
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Nas Asas da Saudade

https://www.youtube.com/watch?v=bj9XCJiYdo0&list=RDbj9XCJiYdo0#t=5
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https://www.facebook.com/photo.php?fbid=467957076685581&set=pcb.467958393352116&type=1&theater
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Carlos Paredes, um revolucionário, um comunista que lutou até à morte e só a doença o conseguiu vencer! Um dos maiores guitaristas e músicos de sempre! Um HOMEM de uma só cara! Grande exemplo para alguns “seres rastejantes” que por aí andam...
A biografia de Carlos Paredes está ligada desde os primeiros anos à guitarra portuguesa - uma tradição familiar iniciada pelo seu avô Gonçalo Paredes, tio-avô Manuel Paredes, seu pai e por ele continuada.
Filho de Artur Paredes, empregado bancário e músico amador e de Alice Candeias Rosas Paredes, professora do ensino secundário, nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925.
Herdou de seu pai um espólio musical muito rico e todo um trabalho de investigação e experimentação e num legado genético o talento acumulado de três ou quatro gerações.
Aproveitando a técnica do pai, sintetizou a execução tirando o máximo partido das características do instrumento e redirigiu-o para um repertório nunca antes abordado ou pensado. Fê-lo com uma qualidade artística invulgar.
Se por um lado herda o talento musical do pai, por outro recebe a sensibilidade cultural da mãe que foi determinante na instrução da própria personalidade, nas opções ideológicas e na aproximação constante ao seu povo e à sua cultura, bem patentes na sua grandiosa obra musical.
Durante anos trabalhou no Hospital de São José, e por consequência de ter aderido ao PCP foi preso pela PIDE em 1958 por um período de 18 meses. Devido ao sigílo, foi expulso da função pública em Março de 1960, ano em que inicia "oficialmente" a sua carreira musical, por convite na elaboração da banda sonora para a curta metragem "Rendas de Metais Preciosos" na qual compõe "Verdes Anos". Foi acompanhado por Fernando Alvim, com quem iniciou aqui uma longa e frutuosa colaboração de quase 25 anos.
Foi reintegrado no Hospital de São José em Outubro de 74, tendo-se reformado 12 anos mais tarde. Rejeitou sempre a possibilidade de se consagrar músico profissional e de abandonar o emprego, por acreditar na dificuldade de se viver da música em Portugal. É da sua autoria a frase "Amo demasiado a música para viver dela".
Paredes foi praticamente até ao fim da sua carreira um músico amador com talento e trabalho de músico profissional. Somente em 1990 viu ser-lhe atribuido um subsídio de mérito pelo então Secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, para dois anos mais tarde ser condecorado com a Ordem Militar de Santiago pelo Presidente da República, Mário Soares.
Casou duas vezes, a segunda das quais com Cecília de Melo com quem gravou em 1970 o album “Meu País”. Foi pai de 6 filhos, nenhum com aptidões musicais de destaque, interropemdo-se assim o ciclo de guitarristas da "dinastia" Paredes.
Em 83, inicia a colaboração com Luísa Amaro, guitarrista erudita. Há muito que Paredes pretendia enveredar pelo ramo clássico, e é com a sobriedade musical de Luísa Amaro, que vê parcialmente concretizada essa possibilidade. É com ela também que partilha o resto da sua vida.
Em finais de 93, foi-lhe diagnosticado mielopatia que o impossibilitou de voltar a tocar.
Morreu a 23 de Julho de 2004.
Mas a sua música permanece viva, cada vez mais viva, revelando não apenas o artista mas também o homem. Um homem cuja modéstia e invulgar dimensão humana torna melhor quem o ouve tocar.
De Carlos Paredes disse Aurélio Santos:
“A maior magia, aquela que despertava gestos generosos e que inspirava sorrisos, apertos de mão, longos abraços, era o calor solidário que detinha aquele grande espaço de alma. Dedicada aos outros, às grandes causas, as que podem abalar o mundo. Talvez não objecto de grandes aplausos em palco. Mas ele retinha milhões de palmas anónimas e só audíveis pelos muitos desconhecidos que compreendem o movimento que passa e perpassa na história dos homens.
Só por estúpida injustiça se poderia chamar-lhe ingénuo. Aquele olhar pensativo reflectia outro pensamento. Inconformado com aquilo que via e vivia. E querendo transformar a música funesta que ressoava à sua volta.
Por isso ele era comunista.
A sua vida é uma canção. Que ele nos deixa como herança”.
“Não lhe cortaram as mãos quando esteve preso. Mas sem guitarra inventou um pente, para tocar nas grades. Não teve fundações nem instituições com o seu nome. Mas deixou-nos a coisa mais importante que achou: a herança do seu caminho”
De Carlos Paredes disse Manuel Jorge Veloso:
“Mas ver Paredes a tocar, é também ficar de olhos fitos na sua atitude intelectual e física, em estreita comunhão com (e ligação à) guitarra. Desde o carinho com que a vigia, a suspende, a envolve, ao arrebatamento com que a inicia; desde a subtileza com que a percorre, desenhando sinuosas linhas melódicas, ao vigor com que nela rasga insuspeitados acordes - é vê-lo ondular, dialogar, respirar com ela.
Afinal, o tocar de Carlos Paredes é, também, uma certa maneira de amar”