05/03/2015

9.686.(5mar2015.7.44') Julius e Ethel Rosenberg

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5abril1951

 Julius e Ethel Rosenberg são condenados à morte, acusados de espionagem a favor da U.R.S.S.

No dia 5 de Abril de 1951, o casal Julius e Ethel Rosenberg foi condenado à cadeira eléctrica. Eram acusados de ter passado à URSS  informações sobre a bomba atómica.
Para compreender a execução do casal Julius e Ethel Rosenberg, em 1953, é preciso retroceder vários anos. Às 8h do dia 17 de Julho de 1950, agentes do FBI bateram à porta do apartamento da família Rosenberg em Manhattan. Julius Rosenberg, 32 anos, nem teve tempo para terminar sua higiene matinal. Foi preso ainda com espuma de barbear no rosto.
Era o desfecho de uma série de episódios, que tiveram início logo no começo da Guerra Fria. Em Agosto de 1945, a bomba atómica explodiu em Hiroshima, selando a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Em seguida, começou o conflito Ocidente-Oriente e surgiu a Cortina de Ferro. Os espiões russos e norte-americanos  esforçavam-se por descobrir os segredos militares e nucleares do adversário. A primeira bomba atómica russa explodiu quatro anos depois de Hiroshima e Nagasaki, em 28 de Agosto de 1949. Enquanto a opinião pública se mostrava perplexa diante da demonstração de poder dos russos, a CIA começou a  questionar-se como os soviéticos haviam tido acesso aos segredos nucleares. Em Fevereiro de 1950 foi preso o cientista britânico Klaus Fuchs, que havia participado do projecto nuclear americano. Ele revelou ter revelado dados importantes sobre a produção da bomba a agentes russos. Esta revelação desencadeou uma série de prisões, até se chegar ao soldado David Greenglass, irmão de Ethel Rosenberg. Greenglass confessou haver entregue a Julius Rosenberg várias ilustrações das lentes especiais, desenvolvidas para a bomba no laboratório de Los Alamos. A prisão dos Rosenberg aconteceu em plena época de histeria anti-comunista nos Estados Unidos. Qualquer pessoa que alguma vez tivesse manifestado qualquer simpatia pelo regime soviético era considerada suspeita. O processo que se seguiu foi marcado por essa histeria. O caso Rosenberg teria de ser exemplar. Julius alegou inocência, mas foi incriminado por uma série de testemunhas. O juiz Irving Kaufman considerou o crime "pior que assassinato"  responsabilizou Rosenberg pelos 50 mil soldados mortos na Guerra da Coreia. Apesar de a União Soviética ter negado qualquer envolvimento com Rosenberg, ele e a esposa foram condenados à cadeira eléctrica no dia 5 de Abril de 1951. Nos dois anos seguintes, o seu advogado tentou de tudo para reverter a sentença. A opinião pública mundial protestou, o Papa Pio XII interveio, tudo em vão.
O casal foi um símbolo tanto para a esquerda como para a direita. Para uns, representou a injustiça capitalista; para outros, a ameaça comunista. No dia 19 de Junho de 1953, Ethel e Julius Rosenberg foram executados na cadeira eléctrica da prisão de Sing Sing. Só em 1997, Alexander Feklisov, ex-superagente russo e contacto de Julius Rosenberg, confirmou que este havia sido espião, mas Ethel nunca soubera de nada.
Fontes: DW
wikipedia (Imagens)
Arquivo: diagram.png bomba Greenglass
David Greenglass - Esboço de uma implosão nuclear - ilustra o que ele supostamente deu aos Rosenberg para passar para a União Soviética
http://estoriasdahistoria12.blogspot.pt/2018/04/05-de-abril-de-1951-julius-e-ethel.html
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6março1951
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20jun1953
Na terra do tio Sam a «caça às bruxas» macartista avançava e Ethel e Jules Rosemberg eram cruelmente executados na prisão de Sing Sing em 20 de Junho de 1953.
http://www.avante.pt/pt/2289/temas/147102/
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Nesse ano de 1936, 
em que Meeropol escreveu o poema «Fruta amarga», calcula-se em quase 200 o número de negros assassinados como resultado do sistema racista. Só nos primeiros seis meses de 2016, 125 negros morreram às mãos da polícia, muitos deles em circunstâncias que, de Philando e Alton, diferem apenas no local, na hora ou no número de tiros. O que nos diria hoje o poeta? O mesmo que um dia adoptou os filhos do casal de comunistas Julius e Ethel Rosenberg, executados na cadeira eléctrica?
http://www.avante.pt/pt/2224/internacional/141224/
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"Sim, sim, pode me definir assim [como espião]"

"O que eu fiz era simplesmente defensivo, um canhão antiaéreo"

"O que ele [Julius Rosenberg] forneceu aos soviéticos era porcaria"

"Ela [Ethel Rosenberg] era apenas culpada por ser mulher de Julius"
MORTON SOBELL 
ex-réu que admitiu aos 91 anos ter espionado para a União Soviética junto com o executado Julius Rosenberg
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1309200815.htm
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Ethel Rosenberg era inocente, diz ex-réu
Após negar acusação por mais de 50 anos, Morton Sobell confessa que ele e Julius Rosenberg espionaram para Moscou

Ethel, executada com o marido em 1953 após ser condenada por conspiração, "era apenas culpada por ser mulher de Julius", diz ele 

SAM ROBERTS 
DO "NEW YORK TIMES", EM NOVA YORK

Em 1951, Morton Sobell foi julgado e condenado em companhia de Julius e Ethel Rosenberg, todos os três acusados de espionagem. O casal foi executado em junho de 1953, na primeira aplicação da pena de morte por espionagem contra civis na história americana. Sobell cumpriu mais de 18 anos de prisão e, ao ser libertado, em 1969, viajou a Cuba e ao Vietnã e se tornou defensor de causas progressistas. Reiterou ao longo dos anos ser inocente. Mas anteontem Sobell, 91, reverteu sua posição e esclareceu aspectos de um caso que continua a alimentar paixões. Admitiu pela primeira vez ter sido espião soviético. E implicou Julius Rosenberg em uma conspiração que transmitiu aos soviéticos informações militares e industriais confidenciais, além daquilo que o governo dos Estados Unidos definiu como "o segredo da bomba atômica". Perguntei a Sobell, que vive em Nova York, se, como engenheiro elétrico, ele entregou segredos militares aos soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial, quando a União Soviética era aliada dos EUA. Em resumo, ele havia sido espião? "Sim, sim, pode me definir assim", ele respondeu. Sobell concorda com a avaliação consensual de historiadores de que Ethel Rosenberg estava ciente da espionagem de seu marido, mas não era partícipe. "Ela era apenas culpada de ser a mulher de Julius." Ontem os Arquivos Nacionais americanos, em resposta a um pedido do Arquivo de Segurança Nacional (organização sem fins lucrativos), deram acesso a jornalistas e historiadores à maior parte dos depoimentos do caso. A confissão de Sobell reforça a tese de que Ethel pode ter sido incriminada indevidamente pelos promotores.

Opinião do filho
O filho mais novo dos Rosenberg, Robert Meeropol, descreveu a confissão de Sobell na quinta-feira como "forte". "Eu sempre afirmei que isso era uma possibilidade", disse ele. Na entrevista, Sobell estabeleceu uma distinção entre espionagem atômica e os detalhes de sistemas de radar e engenharia que ele admitiu ter furtado para os soviéticos. "O que eu fiz era simplesmente defensivo, um canhão antiaéreo", afirmou. O dispositivo que ele menciona, o radar SCR 584, teria sido usado contra aviões americanos no Vietnã e na Coréia, acreditam especialistas. Sobell sustenta que os desenhos e outros detalhes da bomba atômica que o governo alegava terem sido fornecidos a Julius Rosenberg por David Greenglass, o irmão de Ethel, não tinham muito valor para os soviéticos, exceto para comprovar informações obtidas por outros espiões. Greenglass era um maquinista do Exército americano em Los Alamos, local em que a primeira bomba atômica foi construída. "O que ele forneceu aos soviéticos era porcaria", disse Sobell sobre Julius Rosenberg, seu ex-colega no City College de Nova York, nos anos 30. Mas a acusação contra eles foi de conspiração. O governo precisava apenas provar que os Rosenberg tinham a intenção de entregar segredos militares a uma potência estrangeira. Depois da detenção de Julius Rosenberg, Sobell fugiu para o México e viveu sob falsa identidade. Foi preso e repatriado em agosto de 1950. Foi sentenciado a 30 anos de prisão. Os Rosenberg foram executados na cadeira elétrica. Em entrevista em 2001 para um livro meu, "The Brother", David Greenglass reconheceu ter mentido ao afirmar que sua irmã havia datilografado suas anotações sobre a bomba, a mais grave prova conta ela. A alegação dele surgiu meses depois do depoimento de Greenglass e de sua mulher, e apenas semanas antes que o julgamento começasse, em 1951. Promotores admitiram esperar que a sentença de morte contra Ethel convencesse seu marido a confessar e implicar outros envolvidos -agentes identificados em comunicações soviéticas interceptadas. O plano fracassou, disse William Rogers, então subsecretário da Justiça americano. "Ela pagou para ver nosso blefe", disse ele, em entrevista.

Falsa acusação
Os depoimentos ao júri divulgados quinta-feira parecem mostrar ainda mais lacunas no caso contra Ethel, que tinha 34 anos e dois filhos pequenos. Ela foi detida ao deixar o tribunal depois do depoimento. Acatando as objeções de Greenglass, um juiz federal se recusou a liberar seu depoimento. Mas as transcrições divulgadas anteontem não trazem a menção ao fato de Ethel ter datilografado anotações. "Isso significa que o depoimento de Ruth Greenglass ao júri contradiz a acusação que levou Ethel Rosenberg à cadeira elétrica", disse Thomas Blanton, diretor do Arquivo de Segurança Nacional, uma organização que contesta as normas oficiais de sigilo e opera da Universidade George Washington. Ronald Radosh, um estudioso do caso e um dos que solicitaram a liberação dos arquivos, disse que o depoimento "confirma o que sempre suspeitamos, ou seja, que a história de que ela datilografou as anotações foi inventada". Ainda assim, as transcrições de depoimentos indicam que Ethel Rosenberg estava ciente da conspiração. A idéia de espionar foi mencionada por seu marido pela primeira vez em 1944, no apartamento do casal, em Manhattan, de acordo com Ruth Greenglass. "Fiquei horrorizada", ela afirmou, mas acrescentou que Ethel "me pediu que falasse com David. Ela achava que, mesmo que eu fosse contra a idéia, deveria ao menos discuti-la com ele, ouvir o que ele tivesse a dizer"
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Tradução de PAULO MIGLIACCI
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1309200814.htm
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Ethel: “Somos jovens, demasiados jovens para morrer".
Os judeus comunistas norte-americanos Julius (1918 – 1953) e Ethel Rosenberg (1915 – 1953) foram executados após serem condenados por espionagem, acusados de passar informações sobre a bomba atômica para a União Soviética, numa pena de morte ainda hoje controversa. Ex-líder da Liga Jovem Comunista, Julius se casou com Ethel desde 1939, formando-se em engenharia elétrica e trabalhando para o exército norte-americano como técnico de radar. Segundo a confissão de um ex-agente da KGB, ele foi recrutado pelos russos em 1942, oferecendo documentos confidenciais da Companhia Emerson Electric que revelavam segredos de estado. Em 1950, descobriu-se que o físico Klaus Fuchs, um refugiado alemão, passara aos soviéticos, durante a Segunda Guerra Mundial, importantes documentos contendo informações sobre pesquisas nucleares. Este terminou por dedurar o sargento David Greenglass, que por sua vez entregou o cunhado Julius e a irmã Ethel. O julgamento dos Rosenbergs começou em 6 de março de 1951, atraindo espetacular atenção da mídia e se transformando numa peça propagandística de anti-comunismo. O governo norte-americano não havia se recuperado da derrota na China, liderada pelo comunista Mao Tse-Tung, tampouco da massacrante Guerra da Coréia. Entre o julgamento e a execução, houve uma série de protestos e acusações de anti-semitismo. Jean-Paul Sartre chamou o caso de "um linchamento legalizado que mancha de sangue toda uma nação". Outros, incluindo não-comunistas como Albert Einstein e artistas como Dashiell Hammett, Jean Cocteau, Pablo Picasso, Fritz Lang, Bertolt Brecht e Frida Kahlo, também protestaram. Até mesmo o conservador Papa Pio XII condenou a execução. Indiferente aos apelos, o juiz do caso afirmou que eles haviam cometido "pior que assassinato". A condenação serviu como combustível para as investigações de "atividades anti-americanas" do senador Joseph McCarthy. A Casa Branca se viu inundada por milhares de cartas e telegramas contra a pena de morte do casal. Centenas de pessoas se concentraram do lado de fora da prisão de Sing-Sing, em Nova York, onde Julius e Ethel estavam encarcerados, portando faixas e cartazes que exigiam a libertação dos acusados. No entanto, o casal foi executado, e sem nada ter revelado. Julius morreu após a primeira sessão de choques elétricos, enquanto Ethel continuou com o coração batendo. Então foram aplicadas mais três séries de eletrocussão, o que resultou em uma grande quantidade de fumaça saindo de sua cabeça. Documentos divulgados em 1995 provaram que Julius Rosenberg era o chefe de uma importante rede de espionagem soviética e que Ethel estava a par das atividades do marido. Eles recebiam dinheiro e material fotográfico da KGB. Mesmo assim, a condenação do casal a morte na cadeira elétrica foi um ato político cruel, deixando profundos traços de indignação na consciência coletiva mundial. Portanto, nunca é tarde para se comover com uma das últimas frases de Ethel: “Somos jovens, demasiados jovens para morrer".
http://cinzasdiamantes.blogspot.pt/2010/03/audazes-e-malditos-uma-tragedia.html
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Os EUA têm uma história de histórias terríveis
O irmão da Ethel testemunhou contra a irmã!!!
5jun1951
http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2015/06/64-anos-depois-estilhacos-do.html

05 junho 2015


64 anos depois, estilhaços do assassinato dos Rosenberg ou...

Voltando ao traste que,
mentindo, atirou a irmã
para a cadeira eléctrica



http://nsarchive.gwu.edu/news/20150519/
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Via Wikiédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Julius_e_Ethel_Rosenberg

http://pit935.blogspot.pt/2014/03/eventos-em-destaque-no-dia-6-de-marco.html
 Estados Unidos: Tem início o julgamento do caso Julius e Ethel Rosenberg
Julius Rosenberg (Nova York, 12 de maio de 1918 – Prisão de Sing Sing, Nova York, 19 de junho de 1953) e Ethel Greenglass Rosenberg (Nova York, 25 de setembro de 1915 – Prisão de Sing Sing, Nova York, 19 de junho de 1953) foram judeus comunistas estadunidenses que foram executados em 1953 após serem condenados por espionagem. As acusações foram em relação à transmissão de informações sobre a bomba atômica para a União Soviética. A execução deles foi a primeira de civis por espionagem na História dos Estados Unidos.
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https://www.youtube.com/watch?v=B027cw2_KDI
Exibição do filme DANIEL [130' / Reino Unido, EUA/ 1983 de Sidney Lumet] seguida de palestra com Robert Meeropol, filho de Julius e Ethel Rosenberg, mortos em cadeira elétrica em 1953 e noite de autógrafos do livro Uma Execução na Família.
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