13/04/2015

9.935.(13ab2015.7.7') Neste dia...13abril...vou rELEVAR: 28.avô, Gunter Grass,Eduardo Galeano, Seamus Heaney, DI Beijo, Jean de La Fontaine,Samuel Beckett, Jerónimo de Sousa, António Ferreira Gomes, Genoma, Jaime Salazar Sampaio e as 3 pitadinhas de Joaquim Pessoa:

***
2017
UM+28avÔ
há instantes com pessoas que são lugares perdidos
                                                                         que podem dar em perdição
porque surgem dúvidas,
muito passado  a remoer
e o agHora perde-se
há que interVIR
                    positivamente
voltar a sincronizar
os tempos
e viver
o instante
com td a energia
e criACTIVIDADE
paixão e amor
***
2016
 28.avô
+SENTIR
- palavrear
*
1 pintasilgo pica 5x o vidro da janela do escritório.
*
O bELO esvoaçar das andorinhas
para começar bem o dia.
*
agHora
é presente
preSENTE
é escOLHA
para o corAGIR
(de corAGEm)
para COLHER
AMAnhã
*
perdemos SEMPRE
quando ficamos à espera
*
Estar com a diferença
e com a igualdade.
AniMAR ambas!
*
Há quem comente
que frio
que ventania
e eu penso:
que bELA tempestade!
*
Preciso de paz
profunda
profundamente
bem no ÂMAgo
***
memórias deste dia em 2016:
serra dos candeeiros by Graça Silva
"Entardecer. 
Dois pássaros dançam... 
O infinito é igual a Um."
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1081562498553892&set=a.211013438942140.52240.100001004569506&type=3&theater
*
s.MARtinho by Fernanda Matias

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1584721815189529&set=pcb.10154205307478969&type=3&theater

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1584721838522860&set=pcb.10154205307478969&type=3&theater
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2015...memórias deste dia:
morreu Gunter Grass.....1 vivaaaaaaaaaa à sua obra: "Desde o colapso do socialismo, o capitalismo ficou sem rival. Esta situação anormal desencadeou o seu ganancioso e - acima de tudo - o seu poder suicida. Agora a crença é que tudo - e todos - estão num jogo justo."
"Na tristeza flutua o riso."
"O trabalho de um cidadão é manter a boca aberta."
"Hoje em dia eu sei que todas as coisas são vistas, nada deixa de ser visto, até o papel de parede é melhor memorizado que os seres humanos."
"Mesmo os maus livros são livros, e por isso são sagrados."
"Tu és vaidoso e perverso - tal como um génio deve ser."
"Se me pedissem para pensar num novo termo para a tentação, eu recomendaria a palavra «maçaneta», porque o que são essas protuberâncias colocadas nas portas se não para nos tentar..."

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/10/889816out2014747-gunter-grass.html
*
e tb morreu
EDUARDO GALEANO
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/08/856312ag20141331-eduardo-galeano.html
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Dia Internacional do Beijo
e a poesia do PALMA RODRIGUES:
O BEIJO
O beijo é a fronteira do pecado
Mas tem razão de ser enquanto exprime
O gesto de carinho mais sublime,
Promessa do amor mais desejado.
Fingimento pode ser, por outro lado
Ou mesmo desventura, dor e crime.
Beijar a outro alguém que não se estime
É um caminho breve mas errado.
Um beijo pode ser o do perdão,
Aquele que mais toca o coração,
O tal que nos conduz aonde for.
Fronteira do pecado ou fantasia,
Ele torna melhor o nosso dia,
Quase que santifica o nosso amor!
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 hj (e tds os dias) é dia internacional do Beijo..."O Beijo é um delicioso truque que a natureza criou para interromper a fala quando as palavras tornam-se supérfluas..."
Picasso
 http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/78069abril2014818-pablo-picassomorreu-8.html
*
hj é dia (AMAnhã tb) do BEIJO
beija eu...https://www.youtube.com/watch?v=40MdALPWnTw
*
 cá estão os beijinhos para as amigas e aquel'abRRaço para os amgs do face...e recordar as matinés dançantes de teen...
 https://www.youtube.com/watch?v=4CJ_ZfFaIxE&list=RD4CJ_ZfFaIxE
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1695
morreu Jean de La Fontaine..."Quando desejamos pomo-nos à disposição de quem esperamos.""Bem melhor sozinho do que com tolos.""As pessoas que não fazem barulho são perigosas."
"Nada há de mais perigoso do que um amigo ignorante; Mais vale um sábio inimigo."
"E todos acreditamos facilmente naquilo que se teme e se deseja.""Não sejamos tão exigentes: Quanto mais transigentes, mais hábeis."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/782713abril2014115-hj-e-dia-de-la.html
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1906
Samuel Beckett..."O hábito é uma grande surdina."
" Toda a palavra é como uma mácula desnecessária no silêncio e no nada""Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.""Sim, a partir do momento em que se conhece o porquê, tudo se torna mais fácil, uma simples questão de magia."
"As lágrimas do mundo são inalteráveis. Para cada um que começa a chorar, em algum lugar outro pára. O mesmo vale para o riso."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/samuel-beckett.html
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1939
Seamus Heaney
A finalidade da arte é a paz.
*
Tudo o que eu sei é uma porta para dentro da escuridão.
*
O que nos é estranho, é um enorme nada que nós tememos.
*
Mesmo que as esperanças que criaste sejam frustradas, a esperança tem que ser mantida.
*
Eu comecei a pensar na vida como uma série de ondulações que se vão alargando a partir de um centro original.
*
A poesia é sempre um pouco misteriosa, e tu tentas encontrar a tua relação com ela.

http://uniralcobaca.blogspot.pt/2017/01/426426jan201777-seamus-heaney.html
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1947
1 vivaaaaaaaaaaaaa ao camarada Jerónimo de Sousa:"...A pertinência, a justeza e a necessidade da renegociação da dívida podem ser expeditamente reconhecidas se notarmos que nestes cinco anos, de 2011 a 2015, o Estado pagou em juros 40,8 mil milhões de euros, o equivalente a 23% do PIB de 2015. E se acrescentarmos o que prevê pagar este ano, mais 8,5 mil milhões, então o total ascende a perto de 50 mil milhões. Para se ter uma ideia da brutalidade, compare-se com os 25 mil milhões dos fundos estruturais que Portugal recebe da União Europeia, no actual quadro comunitário de 2014 a 2020.
São milhares de milhões de euros que anualmente se perdem para o investimento e o gasto social públicos, a promoção do crescimento económico e do emprego, o combate à pobreza e às desigualdades.
O Estado português não se pode dar ao luxo de gastar todos os anos, só em juros da dívida, quase tanto ou mais do que gasta com a saúde ou com a educação dos portugueses. E ainda por cima para chegar ao final do ano e constatar que a dívida pública ficou praticamente na mesma.
Isto é deitar dinheiro para um poço sem fundo. Nem se reduz significativamente a dívida, nem se investe no País e no seu povo. A dívida tornou-se simplesmente um mecanismo de extorsão de recursos públicos e nacionais, sobretudo para o estrangeiro, que se perpetua, quando não se agrava.
Os trabalhadores, a população e o País sacrificam-se a pagar uma dívida que é impagável, o problema repete-se de ano para ano e quem ganha são aqueles que especularam com os títulos da dívida, como os bancos e os fundos de investimento, ou que se aproveitaram das debilidades do País, como os credores da troika.
E o País não sai deste absurdo: a dívida é um tributo que se paga à agiotagem internacional pelo estranho privilégio de a manter tal como está. Portugal não resolve nenhum dos seus problemas, pelo contrário agrava muitos deles, com a manutenção e a eternizarão do pagamento da dívida usurária.
Vários países da União Europeia têm problemas semelhantes. Portugal só tem vantagens em promover, à escala europeia, um movimento concertado de renegociação das dívidas pública e externa, desde logo para com a própria Comissão Europeia e o BCE, com o reescalonamento dos montantes e das condições de pagamento, que liberte recursos para o investimento produtivo, anime o crescimento económico e confira razoabilidade e sustentabilidade à dívida reestruturada.
Mas independentemente dessa acção externa, no País não se pode ficar de braços cruzados.
Antes de mais é preciso compreender que a dívida é estruturalmente insustentável. Insustentável, impagável e insuportável. Em termos sociais e em termos financeiros.
Em certos contextos, como o presente e como há pouco o afirmámos, nomeadamente de baixas taxas de juro e de aquisição mensal massiva de títulos de dívida aos bancos pelo BCE, o endividamento público e nacional pode parecer controlado, gerível, até ligeiramente desanuviado. O prolongamento e reforço do programa de expansão monetária do BCE actua no sentido de conservar as taxas de juro baixas.
Até haverá quem tenha a ilusão do regresso à situação, estilhaçada pela crise internacional em 2008, em que os países do euro, Portugal como a Alemanha, tinham sensivelmente o mesmo custo na emissão de dívida. Ou de que uma prolongada baixa dos juros das novas emissões de refinanciamento da dívida venha a reduzir substancialmente o seu juro a pagar em relação ao volume e valor da dívida.
É não perceber que a situação europeia, e ainda mais a nacional, está presa por arames. Que o País não contará para sempre com essa espécie de “alinhamento favorável dos astros”, que aliás em nada depende dele. Que sempre que os juros aumentem, se corre o risco de a dívida voltar a tomar o freio nos dentes. Que mesmo que as taxas permaneçam baixas, a dívida é de tal forma colossal que o seu serviço continuará a pesar e a constranger a aplicação dos recursos, a recuperação, o crescimento, a acção social do Estado, as contas públicas, a redução do défice e da própria dívida.
A dívida compara-se com os rendimentos. É assim para uma pessoa, uma empresa ou um País. A dívida pública ou externa é aferida em relação ao rendimento nacional. Se o produto cresce, a dívida, em termos relativos, diminui. É fundamental fazer crescer o País. Mas para isso é preciso investimento, especialmente público. São precisos recursos, nomeadamente os desperdiçados no serviço da dívida. O País caiu num impasse, na armadilha da dívida. Crescendo pouco não consegue diminuir a dívida e a dívida tão pouco deixa o País crescer como devia.
A dívida pública e a dívida externa portuguesas são, uma e outra, das maiores do mundo. No final do ano passado, a dívida pública (na óptica de Maastricht) era de 128,8% do PIB e a dívida externa (dada pela posição de investimento internacional) era de 109,4%.
Como a dívida externa líquida do País é constituída sobretudo pela componente externa da dívida pública, renegociar a dívida pública é simultaneamente fazer o mesmo à dívida externa.
Esta renegociação da dívida é um imperativo nacional, para remover um dos mais poderosos obstáculos presentes, o desvio de recursos para o capital financeiro e o estrangeiro, que fazem falta ao desenvolvimento do País.
A renegociação é um imperativo e a reconsideração dos montantes, e não apenas dos prazos e dos juros, uma necessidade incontornável. O alisamento dos picos das amortizações mais próximas, o alongamento dos prazos, a diminuição das taxas de juro, só por si não permitiria uma libertação satisfatória dos recursos comprometidos no pagamento da dívida.
Por isso o PCP propôs uma renegociação da dívida directa do Estado, incluindo o empréstimo da troika, que abata fortemente os montantes em dívida (pelo menos em 50%) e que, em conjunto com a diminuição das taxas de juro e o alargamento dos prazos, assegure uma redução substancial (pelo menos em 75%) dos seus encargos anuais.
Independentemente de evoluções posteriores, a experiência bem sucedida de numerosas reestruturações de dívidas soberanas, desde a situação verificada com a Alemanha do pós-guerra, passando pela experiência da Argentina, ou do Equador, atesta a possibilidade e a viabilidade de avançar por este caminho também no nosso País.
Uma renegociação que parta de uma auditoria aprofundada à dimensão, origem, natureza, credores e evolução previsível da dívida directa do Estado e que, bem assente nessa base, recorra, se necessário, à suspensão fundamentada do pagamento da dívida directa do Estado.
Renegociar implica certamente discutir com os credores, mas implica também uma defesa firme dos interesses nacionais. A própria Assembleia Geral das Nações Unidas, a 10 de Setembro do ano passado, reconheceu esse direito aos Estados soberanos, “que não deve ser frustrado ou impedido por quaisquer medidas abusivas”.
Mas não basta atacar a dívida. É preciso atacar as causas profundas do endividamento nacional, para que ele não se reproduza.
O abandono do aparelho produtivo, a desprotecção do mercado interno, as privatizações, a financeirização da economia, os apoios e o desvio de colossais recursos públicos para a banca, o favorecimento do grande capital e da especulação financeira, a submissão às imposições da União Europeia. E muito especialmente a adesão ao Euro, que contribuiu para a degradação do aparelho produtivo e a substituição de produção nacional por importações, que estimulou o endividamento no estrangeiro e a especulação com os títulos de dívida.
O País não andou a “viver acima das suas possibilidades”, andou foi a produzir abaixo das suas possibilidades (e a distribuir muito mal a riqueza criada). É preciso defender a produção nacional. É preciso produzir mais para dever menos.
A banca estimulou o endividamento cá dentro e endividou-se lá fora. Foi um agente destacado do endividamento externo do País. Quando se viu em dificuldades foi beneficiada pelos auxílios do Estado e o fornecimento de liquidez do Eurosistema. É preciso disciplinar e reorientar o sistema financeiro. É preciso controlar publicamente a banca.
O Euro contribuiu muito para o endividamento público e externo do País, que começaram a trepar com a adesão ou a sua preparação. É preciso uma moeda ajustada à capacidade produtiva e exportadora do País, que ajude a financiar a economia em vez de promover a austeridade. É preciso reaver a soberania monetária.
É fundamental que o País, e já agora o actual governo, não se iludam com uma falsa normalidade, de aparente estabilização do volume da dívida, e muito menos se resignem a essa normalidade usurária e espoliadora, que manieta o País e que lhe entrava o crescimento.
Qualquer estratégia que recuse tocar na dívida, designadamente nos seus montantes, com a justificação de que será paulatinamente reduzida com o contributo da política monetária expansionista europeia engana-se a si própria e engana o País.
As intervenções do BCE podem ajudar a reduzir os juros, mas mostram-se cada vez mais ineficientes e, eventualmente, perversas. O dinheiro não chega à economia real, é desviado para a especulação. A volatilidade dos fluxos da massa de liquidez criada retrai o crédito às empresas. As taxas de juro negativas afectam as rentabilidades dos bancos e a oferta de crédito. O enorme endividamento desincentiva o investimento, apesar dos baixos juros.
Além de que, em caso de agravamento da crise, o País encontra-se singularmente desprotegido, mais do que em 2008. A dívida gigantesca condiciona o recurso ao dispêndio público, as taxas de juro europeias de curto prazo nulas ou negativas e a saturação da liquidez na esfera financeira roubam a margem de progressão das políticas monetárias, como as que têm vindo a ser avançadas pelo BCE.
Nesta matéria, já sabemos que não faltarão quer os defensores do imobilismo paralisante com as suas falaciosas fundamentações a garantir que a dívida é sustentável, mas também os defensores das meias soluções que não são solução nenhuma, escondidos atrás de conceitos dúbios e enganosos, com o pretexto de não assustar credores, que podem fazer aumentar os juros ou levar a famosa agência de notação canadiana (DBRS) a desclassificar o rating da dívida portuguesa para lixo.
Mas é agora e não quando for tarde de mais, com o País mais debilitado e com menor poder negocial, que a renegociação da dívida deve ser feita.
Da nossa parte não deixaremos de tomar as iniciativas que vão ao encontro da sua efectivação, certos também de que a solução do problema da dívida é igualmente inseparável da concretização de outros eixos da política patriótica e de esquerda que propomos ao País.
Convictos que o País não está condenado ao declínio económico e social e à crescente dependência e subalternização, mais uma vez reafirmamos que há soluções para os problemas nacionais e que o caminho de regressão económica e social pode e deve ser interrompido pela acção convergente de todos os democratas e patriotas, dando força a um verdadeiro projecto alternativo para o País."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/11/913928nov20141331-jeronimo-de-sousa-10.html
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1989
 morreu o ex- Bispo do Porto
António Ferreira Gomes
que confrontou Salazar com a pobreza do país. Uma carta do bispo ao ditador esteve na base da sua expulsão de Portugal em 1958.
"A Igreja deverá pregar a não-violência ativa e a objeção de consciência, como meios mais eficazes e de base mais cristã para forçar a solução de situações injustas. Com a preferência por estes meios, não queremos excluir o direito à resistência ativa contra uma tirania evidente e prolongada".
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10202971906693234&set=a.1029365188983.3914.1670949754&type=1&theater
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2003
 Genoma
humano é descodificado a 99,99%. Cientistas de seis países apresentam a descoberta da sequência a que chamam "o livro da vida".
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2010
morreu Jaime Salazar Sampaio
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2016/04/814113abril201677-jaime-salazar-sampaio.html
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2012
PSD.CDS e...PS
aprovam as duas propostas de resolução para a ratificação do Tratado que cria o Mecanismo Europeu de Estabilidade e do Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária.
O actual PSCosta continua sem pôr em causa esta votação!!!
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/09/876924set2014855-28set201415ha-dividao.html
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e as  pitadinhas de Joaquim Pessoa:
2014

Joaquim Pessoa para começar bem o domingão 13 d'abriLIBERDADE
NOITE BRANCA
Por detrás da fechadura existe o circo
e o lugar comum é agora a nossa cama.
Os ouvidos do mar, a trança dos incêndios, tudo ali
se move. Pressinto filigranas e anjos desajeitados
com uma presença obscura e obstinada.
Aguentar-me só é a ordem que não desejo cumprir.
Fico surpreendido esperando a manhã amendoada
vendo que em vez do sol surgem crianças
bandos de crianças vindas de planetas distantes
que abriram as portas do céu com mãos colegiais
cheirando a sabonete e com uma alegria
cheia de coelhinhos brancos,
e olham para Rute a minha meiga Rute
como se quisessem trocá-la com a lua
envolvendo-a em sorrisos próximos e ágeis
antes do primeiro gesto.

Agora estou a caminho de domingo de manhã,
o único passageiro afastado da janela,
desinteressado por cães e borboletas.
Toda a noite sonhei com beijos e uma tempestade,
atravessei por uma ponte por cima de peixes tristes
e precisei de beber. Fiquei a olhar para mim e a humidade
caiu e abanou as árvores. Fumei longos cigarros
encostado à minha porta enrolando folhas lentas,
cresci para as casas ameaçando entrar por um país
cheio de salas de jantar, com toalhas brancas,
magnólias, e mãos, apenas mãos servindo às mesas
enquanto por corredores limpos uma dor latejava
e crescia indignada.
Em tudo o que busco,
há um pouco de mim e uma claridade
sem resposta. Ando
à procura de Deus
sob as pedras,
nas praias,
nos cartazes de propaganda,
nos restos de conversa,
nos filmes de espiões,
nos restaurantes,
nos becos,
nos livros,
nos amigos,
nas prateleiras,
nas latas de feijão,
nos beijos,
nas lutas de classes,
na imprensa,
nos olhos acocorados de alguns empregados de escritório,
nas fábricas,
nos frutos,
não sabendo o que fazer das mãos
que apresentam ainda cintilações de uma noite branca
onde as dúvidas poisam
como corvos.
Não sei se o que me basta,
me basta. É preciso ir até ao fundo.
Pela minha relação comigo passam todos os outros: eu
não abaterei nunca uma árvore com um verso,
não farei nunca um pão de uma metáfora,
não retirarei carvão da minha escrita,
não pescarei nenhum atum com a caneta.
Sei a cor dos meus versos, é verdade,
e faço um poema louco cheio de cerejeiras
no cimo das quais posso colocar um bando de melros
e matar os melros todos com dois tiros
ou com um simples risco sobre o verso
onde eu os tinha poisado.
Por vezes sinto que tenho frio e acredito nas coisas
pela maneira prolongada de as olhar. A surpresa
trago-a nos dentes e tem o sabor de uma carne rosa.
Detesto a minha culpa. E vejo-a
como se nunca lhe tirasse os olhos de cima.
O mar vem por aí às terças e às quintas
tirando partido de uma paz frágil, e também
me faz acreditar no ignorado local que fica
atrás de nenhuma porta,
onde se casam a ternura e o ódio
e às vezes acontece um pouco de felicidade inesperada
mas que sempre ali esteve e ali voltará a ficar
retida para sempre.
Que vou eu fazer
com as minhas mãos?
*
in OS DIAS DA SERPENTE.

 Nasci. O sol andou mais um bocado
atrás da lua, a falsa lua cheia
que afinal era nova, a nova ideia
de que não há futuro sem passado.

Passou a minha mãe um mau bocado
à hora em que o meu pai comia a ceia,
o "ruço" mastigava a sua aveia
e o melro debicava no silvado.

Foi uma festa a que assisti chorando
sem dar conta de tudo ser assim
uma espécie de novo memorando:

a hora, o dia, o mês e de onde vim.
Foi tudo registado, assinalando
também um velho nome: Joaquim.

do livro "O Pouco é para ontem"

Arte - Katie M. Berggren

 
 https://www.facebook.com/sonhararealidade2013/photos/a.349115855209208.1073741828.349094905211303/541417789312346/?type=3&theater
*
Estou Mais Perto de Ti porque Te Amo

Estou mais perto de ti porque te amo. 
Os meus beijos nascem já na tua boca. 
Não poderei escrever teu nome com palavras. 
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me. 

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto. 
Quero a tua boca aberta em minha boca. 
E amo-te como se nunca te tivesse amado 
porque tu estás em mim mas ausente de mim. 

Nesta noite sei apenas dos teus gestos 
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos. 
Trago as mãos distantes do teu peito. 

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte. 
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim. 
E eu estou perto de ti porque te amo. 

 in 'Os Olhos de Isa'

*

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=832883076746857&set=gm.920114288030682&type=1&theater
CADA UM TENTA ENCONTRAR AQUILO QUE PROCURA

Cada um tenta encontrar aquilo que procura,
a abelha a flor viva e fresca, o abutre a carcaça apodrecida.
Uns saciam-se de vida, outros satisfazem-se com o que a morte
lhes oferece.
Tempo e paciência. Tempo e paciência.
Nós não estamos em paz, nunca estamos em paz,
não sabemos sequer a intensidade que tem a nossa fé.
Procuramos a beleza sem capacidade para preservar a beleza
das coisas mais belas que herdámos, objectos, costumes, pensamentos,
até mesmo a simplicidade que a natureza fabrica.
O lema é não sentir nada, nem sequer simpatia, pelos vivos,
pelos mortos, pelos moribundos.
Manter o inimigo por perto é a estratégia. Quem,
de entre nós, não atirou já uma segunda pedra?

Trago para ti alguma coisa. Alguma novidade? Sinto
que posso contar-te tudo, sou eu que devo confessar-me.
Amaste-me? Eu também te amei, amo-te ainda
com um amor que irá sobreviver-me.
O meu pai partiu com o pai dele num pequeno navio
cujo pavilhão pertencia a um país que não terá lugar na história,
onde o egoísmo e a miséria passavam as fronteiras livremente.
Quando chorava em pequeno bastava-me uma canção
de embalar,
hoje preciso de ouvir a tua voz, tendo o direito de permanecer calado.
Venho da idade da pedra. Mesmo de antes. Muita gente
quer saber como estou. O mais sensato é fingir que não os ouço,
voltar a casa definitivamente.

Os peixes da ignorância nadam contra a luz.
Quando acaba a montanha começa o trabalho azul dos
camponeses
e a canção da chuva e a metamorfose da semente e a voz essencial dos pássaros.
Um instante de beleza pode demorar a vida inteira.
Não há heróis nem santos. O boi é um deus que trabalha por
cinco homens,
há uma linguagem musical que é o coro do sofrimento,
os arcanjos e os anjos têm os pés inchados e as penas e a pele fedem de transpiração.
Apanho um comboio e um barco, viajo para lá do acontecimento
que é sentir-me ser dali. Vou-me embora de mim.

Este diálogo não acabou e não acabará nunca. Vou
com os camponeses da cidade, feliz como um animal doméstico,
por vezes como um cão vadio no inverno, cuja felicidade
é apenas atingir a primavera seguinte.
Vou com as gaivotas que procuram a vida
nos milhares de toneladas de lixo da civilização. Vou também
com a dor de todos os massacres e com os missionários confortáveis
que querem governar o mundo sem saber governar o próprio estômago.
E vou ainda com. E com. E com. E com.
E vou ainda.
in VOU-ME EMBORA DE MIM, 2.ª ed.
Litexa Editora, 2002

Foto de Jerry N Uelsmann

*
Tenho orgulho em ti, orgulho em quem acredita que sempre é possível. Em ti, que repartes o que recebes e voltas a receber o que ofereceste como natural recompensa da tua generosidade.
Ser solidário, amante do amor, coração aberto aos outros e ao mundo.
Tenho orgulho também na tua força, e na tua coragem, e na tua inspiração. Perdi a conta às vezes que respondeste a ofensas com um sorriso. Vi-te tentar passar com toda a discrição entre gente que adoraria ser reconhecida a teu lado. Sempre que
perdeste, ganhaste a admiração dos que venceram. Quando ganhaste, sempre procuraste não exibir a condição de vencedor.
Porque acreditas, porque sabes que é possível ser melhor, ainda que não se possa ganhar sempre, e que nem sempre acrescentamos alguma coisa à nossa vida quando ganhamos.
E tenho orgulho em ti, sobretudo, porque nunca fazes seja o que for para conseguir esse orgulho, essa admiração genuína e profunda por parte dos que te conhecem e que nunca precisaram de fazer o
mínimo esforço para gostar de ti. E porque é muito o carinho, a ternura, o amor que tens necessidade de oferecer à vida, sem nada pedir em troca, sem nada esperar em troca.
É por tudo isto o imenso orgulho que tenho em ti. E nem direi o teu nome porque sei que não gostarias que o fizesse.