15/04/2015

9.938.(15ab2015.7.7') Neste dia...15abril...vou rELEVAR: UM+30.avÔ,Tomas Tranströmer, Luís Sacadura, Leonardo da Vinci, Henry James, Sartre E A POESIA DE JOAQUIM PESSOA

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2017
UM+30avÔ
+1 bELO AMAnheCER
a SINfonia da passarada
e a satisfAÇÃO
DE além do aeroporto de andoRInhas
a minha varanda
na FLOReira
ter 1 ninho de pintasilgos 
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2016
30.avô
10h 00' 01"
bELOS tRIOS
como este:
urge abRRaçAR-TE
beijAR-TE
olhAR-TE
(no dm da arte)
*
o encontrAR-TE no DM d' arte
*
(Quando perdi tantos amigos e amigas
com 17, 22, 33 e sempre tão poucos anos de vida..)
Ficou claro
                 que tenho de viver
                                         intensamente o instante.
Como se fosse o último.

(A morte foi rápida para eles e elas, foi zás...
Desde os 55 anos (18.4.2006) que ando + x com este pensar:)

Daqui a pouco posso morrer.
Daí que queira dizer
                         às minhas filhas
 à minha família
                      às mulheres da minha vida
aos camaradas
                    aos amigos
que já vivi tantooooooooo
que cada miNuto
conquistado é 1 privilégio!

Estou a gostar de envelheCER!

e agHora avÔ
ainda +
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2016
a serra by Graça Silva

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1082764461767029&set=a.211013438942140.52240.100001004569506&type=3&theater
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2014
Vale Furado by Adelino Pataias

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152356446814819&set=a.10150262398389819.346034.835759818&type=3&theater
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1953
Luís Sacadura
 da Vestiaria d' ALCOBAÇA que vos abRRaça
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/02/960717fev20152055-luis-sacadura.html
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 1919
fernANDO nAMORa..."Intimidade

Que ninguém hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.
Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não o afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê."

em "Mar de Sargaços"
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/78048abril20141355-fernando-namora.html
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1843
 Henry James
"As ideias são, na realidade, força.

*

Vive tanto quanto possas, é um erro proceder de outra maneira.

*

A arte faz a vida, o interesse, a importância; não conheço nenhum substituto que tenha a força e a beleza deste processo.

*

É preciso muitíssima história para forjar uma pequena tradição.

*

Não prestes atenção ao que alguém te diga sobre outro. Acostuma-te a julgar cada um por ti mesmo."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2017/02/687728fev201777-henry-james.html

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1452
Leonardo da Vinci
 "Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende."
"Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro."
“Do mesmo modo que o metal enferruja com a ociosidade e a água parada perde sua pureza, assim a inércia esgota a energia da mente.”
"A paciência faz contra as ofensas o mesmo que as roupas fazem contra o frio; pois, se vestires mais roupas conforme o inverno aumenta, tal frio não te poderá afetar. De modo semelhante, a paciência deve crescer em relação às grandes ofensas; tais injúrias não deverão afetar a tua mente."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/77753abril20141331-leonardo-da-vinci.html
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1980
morreu Jean Paul Sartre
 1 vivaaaaaaa à sua obra: A Imortalidade Pela Literatura, a Filosofia Como Meio de a Aceder
Simone de Beauvoir: Com que contava para sobreviver - na medida em que pensava sobreviver: com a literatura ou com a filosofia? Como sentia a sua relação com a literatura e a filosofia? Prefere que as pessoas gostem da sua filosofia ou da sua literatura, ou quer que gostem das duas?
Jean-Paul Sartre: Claro que responderei: que gostem das duas. Mas há uma hierarquia, e a hierarquia é a filosofia em segundo e a literatura em primeiro. Desejo obter a imortalidade pela literatura, a filosofia é um meio de aceder a ela. Mas aos meus olhos ela não tem em si um valor absoluto, porque as circunstâncias mudarão e trarão mudanças filosóficas. Uma filosofia não é válida por enquanto, não é uma coisa que se escreve para os contemporâneos; ela especula sobre realidades intemporais; será forçosamente ultrapassada por outros porque fala da eternidade; fala de coisas que ultrapassam de longe o nosso ponto de vista individual de hoje; a literatura, pelo contrário, inventaria o mundo presente, o mundo que se descobre através das leituras, das conversas, das paixões, das viagens; a filosofia vai mais longe; ela considera que as paixões de hoje, por exemplo, são paixões novas que não existiam na Antiguidade; o amor...
Simone de Beauvoir: Quer dizer que para si a literatura tem um carácter mais absoluto, a filosofia depende muito mais do curso da história; está mais submetida a revisões?
Jean-Paul Sartre: Ela chama necessariamente revisões porque ultrapassa sempre o período actual.
Simone de Beauvoir: De acordo; mas não há um absoluto no facto de ser Descartes ou de ser Kant mesmo se eles têm de ser ultrapassados de certa maneira? Eles são ultrapassados mas a partir do que me trouxeram; há uma referência a eles que é um absoluto.
Jean-Paul Sartre: Não o nego. Mas isso não existe em literatura. As pessoas que gostam de Rabelais de todo o coração, lêem-no como se ele tivesse escrito ontem.
Simone de Beauvoir: E de uma maneira absolutamente directa.
Jean-Paul Sartre: Cervantes, Shakespeare, lemo-los como se eles estivessem presentes; Romeu e Julieta ou Hamlet, são obras que parecem ter sido escritas ontem.
Simone de Beauvoir: Dá pois a primazia da sua obra à literatura? No entanto, no conjunto das suas leituras e da sua formação, a filosofia desempenhou um enorme papel.
Jean-Paul Sartre: Sim, porque a considerei como o melhor meio de escrever; era ela que me dava as dimensões necessárias para criar uma história.
Simone de Beauvoir: Não se pode ainda assim dizer que a filosofia era apenas um meio em si.
Jean-Paul Sartre: De início, foi.
Simone de Beauvoir: Ao princípio, sim; mas depois quando se vê o tempo que passou a escrever L'Être et le Néant, a escrever a Critique de la Raison Dialétique, não se pode dizer que isso era simplesmente o meio de fazer obras literárias; foi também porque, em si, isso o apaixonava.
Jean-Paul Sartre: Sim, interessava-me, é uma verdade. Queria dar a minha visão do mundo ao mesmo tempo que a fazia viver por persongaens nas minhas obras literárias ou em ensaios. Descrevia essa visão aos meus contemporãneos.
Simone de Beauvoir: Em suma, se alguém lhe dissesse: «É um grande escritor, mas, como filósofo, não me convence», preferi-lo-ia a alguém que lhe dissesse: «A sua filosofia é formidável, mas como escritor pode mudar de ofício?».
Jean-Paul Sartre: Sim, prefiro a primeira hipótese.
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2014/04/785215abril2014138-hj-e-dia-de-jean.html
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1931
Tomas Tranströmer: In The Deleted World
"Nós sentimo-nos sempre mais jovens do que realmente somos. Trago dentro de mim próprio os meus rostos anteriores, tal como a árvore contém os seus anéis. A soma deles sou eu. O espelho apenas vê o meu rosto mais recente, enquanto que eu conheço todos os meus rostos anteriores."
"A meio da vida, a morte chega para tomar as nossas medidas. A visita é esquecida e a vida continua. Mas o fato está a ser costurado às escondidas."
http://uniralcobaca.blogspot.pt/2015/03/980527mar2015182-tomas-transtromer.html
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e a poesia de Joaquim Pessoa:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=650461478430586&set=gm.922466697795441&type=1&theater
"Dispo-te. Despes-me. 
Despidos,
vestimo-nos de amor."
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Foto de Mar da Palha.
https://www.facebook.com/mardapalha.dcl/photos/a.172535788416.149938.172530728416/10153281614318417/?type=1&theater
Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais 
todas as coisas que na vida eu emprenhei. 
Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais, 
como as tais coisas nas quais nunca pensei. 

Demais foram as sombras. Mais e mais. 
Cada vez mais ardentes as sombras que tirei 
do imenso mar de sol, sem praia ou cais, 
de onde parti sem saber por que embarquei. 

Amei demais. Sempre demais. E o que dei 
está espalhado pelos sítios onde vais 
e pelos anos longos, longos, que passei 

à procura de ti. De mim. De ninguém mais. 
E os milhares de versos que rasguei 
antes de ti, eram perfeitos. Mas banais. 

 in 'Ano Comum'

fotografia: José Manuel Fernandes
Bica, Lisboa.

*

POEMA 24

Bebo este café que as tuas mãos
me oferecem. Sabor de todas as mães ainda grávidas,
leite de lava vegetal, esplendor negro
no fruto branco do olhar.
Hoje é um dia igual a dias tão iguais,
café nos lábios, sol lavado, uma leitura,
jornal e poema. Oposição clara dos olhos à celebração
do corpo. Tomo este café num tempo
de obscuras certezas, de claríssimas dúvidas,
o tronco inclinado para o dia,
a voz merecendo-se, o peito em busca de respostas.
Uma palavra jovem, imediata, livre,
reúne todos os meus ossos. A língua desce
os degraus do açucar. Sorvo a sorvo
identifico-me, saúdo-te.
À mesa do amor.


in À MESA DO AMOR, Litexa Editora, 1994
(Ed. esp. ilustr. por Isabel Mendes Ferreira)