05/09/2016

8.573.(5seTEMbro2016.13.33') Maria Isabel Barreno

Nasceu a 10jul1939
e morreu a 3seTEMbro2016
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Via Expresso:


http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-09-03-Morreu-Maria-Isabel-Barreno-voz-singular-da-igualdade

OBRA VASTA

Depois, começou a escrever poesia — embora nunca a tenha mostrado ou publicado. Em adulta, escreveu romances, num estilo transgressor e diferente, marcado pela defesa dos direitos femininos. Publicou ainda trabalhos de investigação sociológica e contos na imprensa. Ao todo, gerou mais de 20 títulos, alguns dos quais premiados.
A escritora recebeu diversas distinções, entre as quais o Prémio Fernando Namora (pelo romance “Crónica do Tempo”, em1991), e os prémios Camilo Castelo Branco e Pen Club Português de Ficção, pelo livro de contos "Os Sensos Incomuns" (1993). Em 2004 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
“Vozes do Vento” (2009), sobre a história dos antepassados do seu pai em Cabo Verde, foi o seu último romance, publicado após uma pausa de 15 anos na escrita. No ano seguinte chegou o livro de contos “Corredores Secretos seguido de Motes e Glosas”. No tempo em que não se dedicou à escrita, Maria Isabel Barreno desenvolveu atividades noutros campos 
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Via Público:

 “foi mais do que uma das 'Três Marias'"


https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-maria-isabel-barreno-uma-das-tres-marias-1743111
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https://www.facebook.com/FascismoNuncaMais/photos/a.559109110865139.1073741828.558291707613546/767649893344392/?type=3&theater
Antifascistas da Resistência
MARIA ISABEL BARRENO, MARIA TERESA HORTA, MARIA VELHO DA COSTA – «Novas Cartas Portuguesas» (1971)
Escritas em 1971 por estas três escritoras, e publicadas em Abril de 1972 com a direcção literária de Natália Correia, que publicou a obra na íntegra, as «Novas Cartas Portuguesas» foram recolhidas do mercado e destruídas, 3 dias após o seu lançamento sob o pretexto e a acusação por parte da censura de que o seu conteúdo era "insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública". Sob esta acusação, as três autoras foram levadas a julgamento, que se iniciou a 25 de Outubro de 1973.
O livro revelou ao mundo a existência de situações discriminatórias agudas em Portugal, relacionadas com a repressão ditatorial, o poder do patriarcado católico e a condição da mulher (casamento, maternidade, sexualidade feminina). Denunciou, também, as injustiças da guerra colonial e as realidades dos portugueses.
A resistência memorável das três autoras à pressão do Estado Novo, às ameaças fisicas e de perda de liberdade, (Maria Teresa Horta chegou a ser brutalmente espancada por um grupo de individuos à porta de sua casa, tendo tido de receber tratamento hospitalar), foi (é) uma verdadeira inspiração para a luta feminista. Juntas, Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa traçaram um projecto, escreveram uma valorosa obra e mantiveram-se fiéis à promessa feita de que, para o bem (o sucesso) e para o mal (a prisão, a condenação, o isolamento social), nenhuma das três revelaria qual delas teria escrito o texto, mantendo-se sempre fiéis à sua promessa.
Perseguidas e julgadas em Portugal, as três autoras foram amadas e acarinhadas, especialmente especialmente na Europa e Estados Unidos, reunindo uma solidariedade da comunidade literária portuguesa e estrangeira. O julgamento das três autoras foi seguido pelo The Times , Le Nouvel Observateur, entre outros, o que demonstra a sua dimensão internacional e o seu impacto além fronteiras.
Durante os dois anos em que durou o julgamento em Portugal, grupos de feministas organizaram escalas em frente às Embaixadas de Portugal para que o protesto fosse contínuo. Não houve sossego nem de dia nem de noite. De entre os nomes que se assumiram como defensores da obra destacam-se os de Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Doris Lessing, Iris Murdoch, Stenphen Spencer.
«As Novas Cartas Portuguesas» foram lidas pela primeira vez em público, e de forma colectiva, em França (Paris), no dia 25 de Outubro de 1973, na "Noite das Mulheres".
Este livro salienta a situação social e politica das mulheres portuguesas através de uma escrita ousada, sem pudor e até por vezes agressiva revelando um panorama do infortúnio histórico das mulheres: “O estatuto das mulheres no pensamento patriarcal foi sempre de marginalidade, estimagtização e domesticação das mesmas”.
As «Novas Cartas Portuguesas» são uma obra de valor inestimável para o feminismo, tanto português como mundial, porque marcaram com firmeza uma visão feminina, a denúncia da condição das mulheres portuguesas no Estado Novo e uma renúncia ao papel imposto a todas as mulheres portuguesas pela ditadura, pela censura, pelo conservadorismo e pelo patriarcado.
Ainda hoje o nosso país esconde, de certo modo, essa obra, não referenciando a glória da sua historia, o impacto que teve na época, e o enorme valor do seu conteúdo - talvez com receio de que contribua para uma consciência, por parte das mulheres, da sua própria força e determinação.
O titulo da obra refere-se às cartas da freira portuguesa do século XVII, Mariana Alcoforado, publicadas em Paris no século XVII, com o titulo «Lettres de la Religieuse Portuguaise» e que contavam a paixão infeliz da freira abandonada por um oficial francês, o Conde de Chamily (e que conheceram um enorme exito a partir de 1669).
Helena Pato
A partir de:
- texto de Natércia Pedroso em
http://istonaoestaaqui.blogspot.pt/…/as-3-marias-novas-cart…
- Wikipédia