04/04/2017

8.663.(4.4.4.44'4") Maya Angelou

Nasceu a 4.4.1928
e morreu em 2014
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notícia do Público
da morte dela
Os Estados Unidos despedem-se de “um tesouro nacional”, uma negra do sul segregado que lutou pelos direitos civis ao lado de Martin Luther King e Malcolm X.
Maya Angelou foi uma das autoras negras mais lidas dos Estados Unidos
A poeta e activista norte-americana Maya Angelou morreu esta quarta-feira. Tinha 86 anos e a sua agente, Helen Brann, explicou à comunicação social que a sua saúde se vinha deteriorando nos últimos tempos. Pouco depois, o filho, Guy B. Johnson, confirmou a notícia com uma declaração pública.
“A família está extremamente grata que a sua ascensão não tenha sido desmerecida por uma perda de acuidade ou compreensão. Viveu uma vida como professora, activista, artista e ser humano. A família está agradecida do tempo que teve com ela e sabemos que está a olhar para nós lá de cima com amor.”
Angelou, que foi convidada a ler poemas em duas tomadas de posse presidenciais – em 1993, com Bill Clinton, e de novo em 2009, com Barack Obama –, foi uma das escritoras negras mais lidas nos Estados Unidos. Entre as suas obras mais conhecidas estão I Know Why the Caged Bird Sings, de 1969, e Carta à minha filha: um legado inspirador para todas as mulheres que amam, sofrem e lutam pela vida – dedicado à filha que nunca tive, de 2008 mas editada em Portugal em 2009 pela Estrela Polar.
Professora de Estudos Americanos na Wake Forest University a partir de 1982, Angelou “era um tesouro nacional, cuja vida e ensinamentos inspiraram milhões de pessoas pelo mundo”, escreveram em comunicado os responsáveis pela universidade.
Nascida em Saint Louis, no Missouri, em 1928, e baptizada como Marguerite Ann Johnson, Maya Angelou cresceu no sul segregado. Vítima de abusos sexuais aos oito anos, foi mãe aos 16, chegando a prostituir-se antes de conseguir começar uma carreira como cantora, actriz e, depois, escritora.
Com um pequeno papel na remontagem de 1952 da conhecida ópera Porgy e Bess, de George Gershwin, foi com o elenco do espectáculo que entre 1954 e 1955 viajou por cerca de vinte países europeus e africanos. No ano anterior, tinha conhecido e casado com o músico Tosh Angelous. Foi quando começou a ter aulas de dança e conheceu o bailarino e coreógrafo Alvin Ailey, com quem chegou a ter uma dupla a que chamavam Al e Rita

Já no arranque da década de 1960, em Nova Iorque, juntou-se à Harlem Writers Guild, conhecendo, pouco depois, Martin Luther King e acabando por ser tornar numa das organizadoras do “Cabaret for Freedom”, com o qual foram angariados fundos cruciais para a Southern Leadership Conference, a organização presidida por Luther King para a luta pelos direitos civis dos negros. Nesta mesma altura, juntou-se também aos movimentos pró-castristas e à luta pelo fim do apartheid na África do Sul, conhecendo o activista Vuzumi Make, com quem se mudou por um breve período para o Egipto, onde foi editora do jornal The Arab Observer. Mudou-se pouco depois para o Gana onde conheceu e se tornou próxima de Malcolm X, a cujo movimento se juntou no seu regresso aos Estados Unidos, em 1965.
https://www.publico.pt/2014/05/28/culturaipsilon/noticia/poeta-maya-angelou-morreu-aos-86-anos-1637791
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Ainda assim eu me levanto
Você pode me riscar da História
com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui riquezas dignas do grego Midas.
Como a lua e como o sol no céu,
com a certeza da onda no mar,
como a esperança emergindo na desgraça,
assim eu vou me levantar.
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
minh'alma enfraquecida pela solidão?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
porque eu rio como quem possui
ouros escondidos em mim.
Pode me atirar palavras afiadas,
dilacerar-me com seu olhar,
você pode me matar em nome do ódio,
mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.
Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
por que eu danço como se tivesse
um diamante onde as coxas se juntam?
Da favela, da humilhação imposta pela cor,
eu me levanto.
De um passado enraizado na dor,
eu me levanto.
Sou um oceano negro, profundo na fé
crescendo e expandindo-se como a maré.
Deixando para trás noites de terror e atrocidade,
eu me levanto.
Em direção a um novo dia de intensa claridade,
eu me levanto
trazendo comigo o dom de meus antepassados,
eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
eu me levanto
eu me levanto.
https://www.facebook.com/ceppirrio/posts/644189849007810
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Via Pensador:
https://pensador.uol.com.br/autor/maya_angelou/
Aprendi que aconteça o que acontecer.... 
Aprendi que, aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora. 
Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pessoa observando como ela lida com três 
coisas: 
dia de chuva, bagagem perdida e luzes de árvore de natal emboladas. 
Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando se 
forem. 
Aprendi que ganhar a vida não é o mesmo que ter uma vida. 
Aprendi que a vida, às vezes, nos oferece uma segunda oportunidade. 
Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora. 
Tem que saber abrir mão de algumas coisas. 
Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração, em geral vem a ser a decisão correta. 
Aprendi que mesmo quando tenho dores, não tenho que ser um saco. 
Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém. 
As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas. 
Aprendi que ainda tenho muito o que aprender. 
Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você faz 
com que elas se sintam.
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Maya Angelou
Todo o meu trabalho é feito para dizer:você pode encontrar muitas derrotas, mas não deve ser derrotado.
O que é ser uma mulher fenomenal? Você liga a televisão, abre uma revista ou até mesmo caminha pelas ruas e uma chuva de propagandas cai sobre você. Use tal produto cosmético. Tinja seu cabelo de tal cor. Faça x horas de academia para ter um corpo de arrasar. Vista a roupa x para ser elegante e sexy (?). Compre, consuma, compre, consuma. Novamente fica a pergunta: o que é ser uma mulher fenomenal? Será que é uma questão puramente de aparência ou será que é uma questão de atitude?
Numa de minhas últimas aulas de Língua Inglesa falamos sobre Maya Angelou, e mais especificamente sobre um de seus poemas, Phenomenal woman, publicado no livro And Still I Rise (1978). Pseudônimo de Marguerite Ann Johnson, Maya Angelou nasceu no Missouri em 4 de abril de 1928. Vinda de uma família de escravos, participou de movimentos em prol do Civil Rights ao lado de Martin Luther King Jr. e esteve presente em vários outros marcos históricos da luta pela transformação social e política dos negros. Autora de poemas, peças de teatro, autobiografias, seriados de televisão, ensaios e livros infantis, Maya Angelou diz escrever para a voz Negra e para todos os ouvidos que podem ouvi-la, ou seja, não há barreiras para suas palavras. Entre seus autores favoritos estão Kipling, Poe, Butler, Thackeray e Henley, embora suas verdadeiras paixões sejam Paul Laurence Dunbar, Langston Hughes, James Weldon Johnson e William Edward Burghardt DuBois, todos autores negros (o que nos lembra o quanto nossas preferências estão interligadas à nossa identificação cultural). Guiada pelo seu amor à literatura, superou diversos momentos difíceis em sua vida e hoje é considerada uma das maiores vozes do cenário mundial.
Angelou é uma mulher fenomenal e em seu poema, deixou-nos o segredo da beleza. À primeira vista, os versos parecem retratar uma mulher um tanto convencida e arrogante, mas se olharmos mais atentamente, captaremos a real mensagem da autora. Trata-se do amor por quem se é e da admiração por como se é, além de uma crítica ao conceito errôneo que a sociedade tem sobre a beleza. Eis minha tradução de Phenomenal woman:
Mulheres bonitas se perguntam onde repousa meu segredo/ Eu não sou bonitinha nem feita de acordo com o tamanho de uma modelo/ Mas quando eu começo a contar a elas,/ Elas pensam que eu estou mentindo./ Eu digo/ Está no alcance dos meus braços,/ Na extensão dos meus quadris,/ No ritmo dos meus passos,/ Na curva dos meus lábios./ Eu sou uma mulher/ Fenomenalmente./ Mulher fenomenal./ É o que sou.
Eu entro em uma sala/ Tão indiferente quanto você queira/ E quanto aos homens,/ Eles se levantam/ Ou caem de joelhos./ Então eles pairam ao meu redor/ Como um enxame de abelhas no mel./ Eu digo,/ É o fogo nos meus olhos,/ E o brilho dos meus dentes,/ O balanço da minha cintura,/ E o contentamento dos meus pés./ Eu sou uma mulher/ Fenomenalmente./ Mulher fenomenal./ É o que sou.
Os homens têm se perguntado/ O que eles veem em mim./ Eles tentam muito/ Mas não conseguem alcançar/ Meu mistério mais profundo./ Quando eu tento mostrar a eles/ Eles dizem que ainda assim não conseguem ver./ Eu digo,/ Está no arco das minhas costas,/ No sol do meu sorriso,/ No percurso dos meus seios,/ Na graça do meu estilo./ Eu sou uma mulher/ Fenomenalmente./ Mulher fenomenal./ É o que sou.
Agora você entende/ Por que minha cabeça simplesmente não se curvou/ Eu não grito ou tento aparecer/ Nem tento falar alto./ Quando você me vê passando/ Você deveria se sentir orgulhoso./ Eu digo,/ Está no som dos meus saltos,/ Na curva dos meus cabelos,/ Na palma da minha mão,/ Na necessidade de me cuidar./ Porque eu sou uma mulher/ Fenomenalmente./ Mulher fenomenal./ É o que sou.
É possível perceber a feminilidade transbordando por cada parte do corpo da mulher nestes quatro versos, e por esse motivo ela não precisa gritar aos quatro ventos para chamar a atenção – sua beleza vem de dentro e isso a torna uma mulher fenomenal. Quando Angelou afirma que não é “bonitinha nem feita de acordo com o tamanho de uma modelo“, fica evidente sua autoconfiança e apreço por ser quem é e da maneira que é, mesmo tendo sido abusada sexualmente quando criança. A crítica sobre o que é belo é muito forte neste poema, visto que a autora sofreu discriminação racial num país em que a beleza pertencia apenas (teórica e estupidamente) àquelas que possuíam pele e olhos claros. Novamente, constatamos que a verdadeira beleza está muito longe daquilo que a sociedade prega.
Outra crítica que Angelou faz é em relação àqueles que questionam a autoconfiança de uma pessoa: “Mulheres bonitas se perguntam onde repousa meu segredo”, “Os homens têm se perguntado/ O que eles veem em mim./ Eles tentam muito/ Mas não conseguem alcançar/ Meu mistério mais profundo.”. De forma resumida, Phenomenal woman está aí para nos lembrar que não importa a cor de nosso cabelo ou o formato de nosso corpo, ser bonita é um reflexo de como nos sentimos a nosso respeito – a mulher fenomenal é simplesmente ela mesma.
Veja a versão original do poema de Maya Angelou, interpretado por Ruthie Foster:
https://www.youtube.com/watch?v=rkYh2BYONms
http://homoliteratus.com/fenomenalmente-maya-angelou/
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Via Soledade Diamantino Santos
"We are more alike, my friends,
than we are unalike."
Não é demais lembrá-lo, em tempos tão absurdos como os nossos.
Família Humana - Poema de Maya Angelou, que hoje faria 89 anos.
I note the obvious differences
in the human family.
Some of us are serious,
some thrive on comedy.
Some declare their lives are lived
as true profundity,
and others claim they really live
the real reality.
The variety of our skin tones
can confuse, bemuse, delight,
brown and pink and beige and purple,
tan and blue and white.
I've sailed upon the seven seas
and stopped in every land,
I've seen the wonders of the world
not yet one common man.
I know ten thousand women
called Jane and Mary Jane,
but I've not seen any two
who really were the same.
Mirror twins are different
although their features jibe,
and lovers think quite different thoughts
while lying side by side.
We love and lose in China,
we weep on England's moors,
and laugh and moan in Guinea,
and thrive on Spanish shores.
We seek success in Finland,
are born and die in Maine.
In minor ways we differ,
in major we're the same.
I note the obvious differences
between each sort and type,
but we are more alike, my friends,
than we are unalike.
We are more alike, my friends,
than we are unalike.
We are more alike, my friends,
than we are unalike.
Maya Angelou
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https://www.poetryfoundation.org/features/articles/detail/70265?utm_source=facebook&utm_medium=social_media&utm_campaign=npm17