09/11/2017

8.024.(9noVEMbro2017.7.7') Revolução Francesa...18 Brumário.Napoleão

em construção
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9noVEMbro...
DI contra o fascismo e o anti-semitismo

Foto de Emília Barroso.
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Revolução Francesa
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avante
20abril2011
http://www.avante.pt/pt/1951/emfoco/114119/
Antecedentes do processo histórico

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Na já referida Introdução à terceira edição alemã de A Guerra Civil em França, texto no qual Karl Marx analisa a Comuna de Paris, Friedrich Engels nota que o «desenvolvimento económico e político da França colocava Paris num contexto que «nenhuma revolução poderia ali rebentar que não tomasse um carácter proletário». O proletariado, «que pagava com o seu sangue a vitória, surgia, depois, com reivindicações próprias».
Ainda que «imprecisas e confusas» dado o grau de amadurecimento do operariado parisiense, estas reivindicações apontavam sempre para «a eliminação do antagonismo de classes», e, mesmo não estando claro como é que isso sucederia, a própria reivindicação apavorava a burguesia, que antevia «um perigo para a ordem social estabelecida» no sentido em que «os operários que a colocavam estavam ainda armados».
Assim, «para os burgueses que se encontravam ao leme do Estado – prossegue Engels –, o desarmamento dos operários era imperativo», razão pela qual «depois de cada revolução conquistada pela luta dos operários, nova luta, que termina com a derrota dos operários».
Tal foi o caso da revolução de 1830, a partir da qual, como expressou o banqueiro Lafitte, passou a reinar o capital financeiro. A mesma superação do proletariado pela burguesia e esmagamento brutal da classe operária ocorreu em 1832 e 1839, em Paris, e em 1834, em Lyon, casos de revoltas que não se tornaram revoluções, por um lado, fruto da incipiente organização dos coveiros do capitalismo, e, por outro, da penetração das ideias blanquistas e prodhunistas, à época dominantes entre os círculos associativos da classe.
Tal foi ainda o que aconteceu na revolução de 1848, quando a classe operária parisiense, então «muito mais autónoma do que suspeitavam os burgueses» e constituindo-se já como «uma força no Estado», é empurrada para a insurreição.
«Seguiu-se – continua Engels – um banho de sangue dos prisioneiros desarmados (...). Era a primeira vez que a burguesia mostrava até que louca crueldade de vingança é levada, logo que o proletariado ousa surgir face a ela como classe à parte, com interesses e reivindicações próprias».
«E, ainda assim, 1848 foi uma brincadeira de crianças perante a sua raiva de 1871», conclui Engels.

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O proletariado armado durante as revoluções francesas do século XIX fazia tremer a burguesia
Contexto da Comuna

Os processos revolucionários que dobram a segunda metade do século XIX em França e que permitem compreender os acontecimentos precedentes são analisados por Marx no 18 Brumário de Luís Bonaparte e em A Luta de Classes em França. Partindo do curso real dos acontecimentos, Marx constata que a revolução proletária tem de empreender a tarefa de quebrar a «máquina burocrática e militar» que é o poder do Estado, centralizado e aperfeiçoado pelas sucessivas revoluções, mas constituindo, como se lê no Manifesto do Partido Comunista, «apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa».
Com efeito, em 1852, Marx e Engels consideram que a restauração do Império com Luís Bonaparte foi o corolário de um processo que, inevitavelmente, teria de resultar na «única forma de governo possível numa altura em que (...) a classe operária ainda não tinha alcançado essa capacidade [de governar]». Os fundadores do marxismo também não podiam ir mais além na questão de saber por o quê substituir o instrumento transitório de dominação de classe que constitui o Estado após a sua aniquilação pela revolução proletária. A questão só pôde ser desvendada quando a Comuna de Paris a colocou na ordem do dia.
No poder, Luís Bonaparte extremou o favorecimento das fracções da burguesia constituídas pelo capital financeiro e pelos latifundiários. Intensificou a exploração da classe operária e das massas laboriosas, incluindo o campesinato. Empreendeu aventuras militares, a última das quais, contra a Prússia, inaugurou, segundo Marx, «o dobrar de finados do Segundo Império».
A 2 Setembro de 1870, o próprio Bonaparte é feito prisioneiro junto com um numeroso exército. Dois dias depois, é novamente proclamada a República, cujo executivo de salvação nacional reúne toda a grande burguesia francesa. Nas forças armadas, dominavam os generais que preferiram render-se a distribuir armas ao povo. Só na Paris cercada pelos prussianos a classe operária decidiu assumir a defesa da pátria, armando 200 novos batalhões da Guarda Nacional.
Os generais reaccionários ainda procuraram desbaratar o proletariado levando a cabo missões suicidas contra os germânicos, mas o operariado parisiense não depunha as armas.

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Fontes:

Obras Escolhidas de K. Marx e F. Engels em Três Tomos, Editorial «Avante!»
Obras Escolhidas de V. I. Lénine em Seis Tomos, Editorial «Avante!»
ABC do Marxismo-Leninismo – A Comuna de Paris, Editorial «Avante!»
A Comuna de Paris na Actualidade, Aurélio Santos, in O Militante
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18 de Brumário - Napoleão
Golpe do 18 Brumário foi um golpe de estado ocorrido na França, e que representou o fim da Revolução Francesa, a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder e a consolidação dos interesses burgueses no país. No calendário revolucionário francês, este dia ocorreu em 18 de brumário do ano IV (9 de novembro de 1799 no calendário gregoriano).
Passados 10 anos do início da Revolução Francesa, o país vinha sendo governado por um colegiado de líderes chamado de Diretório. Napoleão havia retornado de sua desastrosa campanha no Egito, e a França sofria com revoltas internas, além de uma ameaça real de invasão da Segunda Coalizão (forças reunidas pelos monarcas europeus liderados pelos Habsburgo e pela Rússia para acabar com a França Revolucionária).
Num primeiro momento, os deputados do Conselho dos Quinhentos e do Conselho de Anciãos se recusam a modificar a Constituição, mas, em face da forte pressão a que foram submetidos, acabam cedendo e nomeando um governo provisório que recebeu o nome de Consulado, onde três membros exerciam o poder de modo igualitário: Emmanuel Joseph Sieyès, Napoleão Bonaparte e Roger Ducos. Pouco depois, o Consulado seria reformado e deixaria de ser provisório, recebendo outros dois membros, Jean Jacques Régis de Cambacérès e Charles-François Lebrun, além de Napoleão, que permaneceu como cônsul.
Logo, porém, o futuro imperador começa a acumular poder em detrimento dos outros dois componentes, e acaba por se tornar o Primeiro Cônsul, passando a governar sozinho no dia 18 brumário (de "bruma" ou "névoa" em francês). Napoleão utilizou muito de seu prestígio nos campos de batalha para derrubar seus opositores e consolidar seu poder, abrindo assim caminho para coroar-se imperador cinco anos mais tarde. Mesmo com a grande instabilidade política e econômica que havia naquele momento, Napoleão se valeu do forte apoio recebido da burguesia que defendia um governo forte para pacificar o país e gerar um ambiente de ordem. Alguns políticos astutos do Diretório deram o apoio necessário a Napoleão (ao contrário de outros, que se opuseram à sua tomada do poder) e propuseram o uso da força militar para que ele assumisse o governo, pois perceberam que ele era o homem certo para consolidar o novo regime. Assim foi feito, e numa ação eficaz, apesar de tumultuada, Napoleão fechou a Assembléia do Diretório. Era o início do primeiro dos três períodos de Napoleão como governante da França, seguindo-se o Império e mais tarde, o Governo dos Cem Dias.
https://www.infoescola.com/historia/golpe-do-18-brumario/
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via wikipédia
golpe de Estado de 18 de brumário do ano VIII (brumário, palavra derivada de "bruma" ou "névoa", em francês - pelo calendário da Revolução Francesa, correspondente a 9 de novembro de 1799 pelo calendário gregoriano)[1] iniciou a era do governo napoleônico na França.
Os admiradores de Napoleão criaram um jornal em Paris que divulgava a imagem de um general patriota, invencível e adorado pelos seus soldados. Nacionalismo, glórias militares, ideais de igualdade fascinavam os franceses. Napoleão valeu-se de sua ação no Egito e de sua vitória sobre os exércitos ítalo-austríacos para formular sua imagem de herói nacional francês. O general recebeu uma recepção apoteótica quando retornou a Paris e, em seguida, começou a planejar o golpe de Estado.[1] Napoleão, ainda que jovem, destacou-se como um dos mais respeitáveis generais do exército francês durante a Revolução. Sua habilidade na guerra devia-se principalmente à verdadeira reforma que empreendeu com suas tropas, concedendo vantagens, motivação, profissionalização e, sobretudo, a infusão de um espírito nacional nos soldados. O exército de Napoleão foi o primeiro exército popular da história ligado à ideia de nação, ao contrário dos exércitos tradicionais, associados à aristocracia.[2]
Em plena crise generalizada, os promotores do golpe derrubaram o Diretório e criaram o Consulado, estabelecendo um novo regime na França, protagonizado pelo jovem general Napoleão Bonaparte, que assumiu o cargo de primeiro-cônsul. O golpe foi acolhido com entusiasmo pela burguesia, que aspirava à paz, à ordem interna e à normalização das actividades. Os conspiradores do golpe não temiam o general Bonaparte, escolhido para liderar o movimento, pois acreditavam que acabariam por reduzir a sua importância.
burguesia e os políticos astutos do Diretório perceberam que o general Bonaparte era o homem certo para consolidar o novo regime. Propuseram-lhe que utilizasse a força do exército para assumir o governo. Assim foi feito. Numa ação eficaz, apesar de tumultuada, Napoleão fechou a Assembleia do Diretório. Foi o golpe que ocorreu no dia 18 do mês de brumário do ano VIII, que marcaria o início de um período em que a burguesia consolidaria seu poder económico. Napoleão pôde, assim, reprimir tanto os revolucionários que estavam à esquerda quanto os monarquistas que estavam à direita política.[2]
Após o Golpe do 18 de Brumário começa o regime do Consulado, quando a burguesia, ansiosa por dar um fim à instabilidade política, que já durava dez anos (de 1789 a 1799), concentra o poder na mão de três cônsules: Napoleão BonaparteRoger Ducos, e Emmanuel Joseph Sieyès.
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Marx
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avante
15maio2008
http://www.avante.pt/pt/1798/emfoco/24609/
Karl Marx nasceu há 190 anos
Genial teórico e dirigente revolucionário
Teórico notável, Karl Marx, sempre com a próxima colaboração do seu amigo e colaborador Friedrich Engels, foi também um eminente dirigente proletário. Nestas páginas, lembramos alguns momentos fundamentais da vida e da obra destes dois geniais pensadores revolucionários, cujo contributo para a luta revolucionária do proletariado é único.
Karl Marx nasceu a 5 de Maio de 1818, em Trier, na província renana da Prússia, filho do advogado Heinrich Marx e de Henriette Pressburg. Dois anos e meio depois, na mesma província, mas em Barmen, nascia aquele que se tornaria seu fiel amigo e próximo colaborador, Friedrich Engels, filho do industrial têxtil Friedrich Engels e de Elisabeth van Haar.
Entre 1930 e 1935 Marx estuda no liceu em Trier. Em Outubro do ano seguinte, vai para a Universidade de Berlim, onde se inscrevera na Faculdade de Direito. Mas é a filosofia que o atrai e, em 1841, recebe o título de doutor em Filosofia, pela Faculdade de Iena. A sua tese de doutoramento é intitulada Diferença da Filosofia da Natureza de Demócrito e Epicuro.
Nos escritos e no percurso do jovem Marx, é já possível antever a sua fidelidade à causa revolucionária, que marcaria os anos seguintes da sua vida. Em 1935, em Reflexões de um jovem perante a escolha de uma profissão, escreve: «Se tivermos escolhido a posição na vida na qual mais podemos fazer pela humanidade, não haverá dificuldades que nos possam vergar, porque são sacrifícios para o bem de todos; não desfrutamos de pequenas alegrias limitadas e egoístas, pelo contrário, a nossa felicidade pertence a milhões de homens.»

Primeiros passos revolucionários

1842 é um ano decisivo para Karl Marx. No início desse ano, faz a sua primeira intervenção como publicista, com o artigo Observações sobre o mais recente decreto prussiano sobre a censura. Em Maio, colabora já com a Gazeta Renana, onde defende os interesses da «massa pobre, política e socialmente sem posses». Esta colaboração dá frutos e, em Outubro, torna-se chefe de redacção do jornal. Nos seus artigos, esboça-se já a passagem do idealismo para o materialismo, da democracia revolucionária para o comunismo.
Em Novembro, conhece o homem que se tornaria o seu mais próximo amigo e colaborador. A caminho de Inglaterra, Engels visita a redacção da Gazeta Renana.
Entre Maio e Outubro de 1843, Karl Marx vive em Kreuznach, onde escreve Para a Crítica da Filosofia de Hegel. Entretanto, em Junho, casa com Jenny von Westphalen. No final de Outubro, o casal chega a Paris, onde Marx frequenta reuniões de operários e entra em contacto com a Liga dos Justos.
No ano seguinte, em Fevereiro, sai o número duplo da revista Anais Franco-Alemães. Os artigos de Marx Para a Questão Judaica e Para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Introdução, traduzem a passagem definitiva para o materialismo e o comunismo.
Entre Abril e Agosto, trabalha nos Manuscritos Económico-Filosóficos. Nesta obra afirma, por exemplo, que «o operário tornou-se uma mercadoria e é uma sorte para ele quando consegue encontrar quem a compre» e que «quanto mais objectos o operário produz, tanto menos pode possuir e tanto mais cai sob a dominação do seu produto, do capital». A 28 de Agosto encontra-se novamente com Engels, desta vez em Paris. É neste segundo encontro que se inicia verdadeiramente a sua grande amizade e colaboração. Começam a escrever a sua primeira obra conjunta, A Sagrada Família, ou a Crítica da Crítica Crítica. Contra Bruno Bauer e Consortes.

Dirigentes proletários

O ano de 1845 começa com a expulsão de Marx de França. É já em Bruxelas que redige as famosas Teses sobre Feuerbach, que Engels considerará o «primeiro documento onde está consignado o germe genial da nova visão do mundo». É nesta obra que Karl Marx afirma que «os filósofos têm apenas interpretado o mundo de diversas formas; trata-se de o transformar».
Entre Julho e Agosto, Marx e Engels viajam para Inglaterra, onde estabelecem contactos com os dirigentes do cartismo e com os dirigentes londrinos da Liga dos Justos. No final do ano, começam a escrever A Ideologia Alemã. É aqui que formulam a tese de que o Estado «nada mais é do que a forma de organização que os burgueses se dão, tanto externa como internamente, para garantia mútua da sua propriedade e dos seus interesses».
No início de 1846, Karl Marx e Friedrich Engels fundam o Comité de Correspondência Comunista de Bruxelas, preparando o terreno para a criação de uma organização proletária internacional. É nesse período que aceitam o convite do comité londrino da Liga dos Justos para aderirem à organização e colaborarem na sua reorganização e elaboração de um programa.
No ano seguinte, Marx escreve a obra Miséria da Filosofia, considerada por Lénine uma das «primeiras obras do marxismo maduro». É nesta obra que afirma que «nas mesmas relações nas quais se produz a riqueza se produz também a miséria».
Nesse mesmo ano, Engels participa, em Londres, no Congresso da Liga dos Justos. Marx não está presente por razões económicas. A liga foi reestruturada e passou a designar-se Liga dos Comunistas. A divisa adoptada é de Marx e Engels: «Proletários de todos os países, uni-vos!»
No final de 1847, dá-se o segundo Congresso da Liga dos Comunistas em Londres. Marx e Engels tomam parte activa nos trabalhos. O Congresso encarrega-os da elaboração do Programa e aprova os Estatutos.
Em Dezembro, Marx dá conferências na Associação dos Operários Alemães de Bruxelas sobre economia política. Daqui nasceria mais tarde a obra Trabalho Assalariado e Capital. 
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Tempos de revolução

1848 inicia-se com a publicação, em Londres, do Manifesto do Partido Comunista, primeiro documento programático do marxismo (ver páginas seguintes ). Em Março, Marx e Jenny são presos em Bruxelas e libertados 48 horas depois. Marx e a família deixam a Bélgica e rumam a França onde, coincidindo com a publicação do Manifesto, eclodira a revolução democrática burguesa. A luta nas barricadas conduziu à proclamação da República.
No início de Abril, Marx e Engels vão para a Alemanha, onde se desencadeara também a revolução, para participarem directamente nos acontecimentos. No último dia de Maio, é publicado o primeiro número da Nova Gazeta Renana. Marx é o director e Engels um dos redactores. Anos mais tarde, Lénine referir-se-ia a este jornal, como «o melhor, insuperável órgão do proletariado revolucionário». Engels caracterizaria desta forma o trabalho no jornal nesses tempos de revolução: «Vê-se o efeito de cada palavra diante dos olhos, vê-se como os artigos caem como se fossem granadas e como a carga explosiva rebenta».
A 16 de Maio de 1849, as autoridades prussianas expulsam Marx. Engels é perseguido por ter participado no levantamento de Erberfeld.
Após uma breve passagem por Paris, de onde também seria expulso, Marx muda-se para Londres em Agosto. A família junta-se a ele em Setembro e Engels chega dois meses depois.

O longo exílio

Em Março de 1850, Marx e Engels redigem a Mensagem da Direcção Central da Liga dos Comunistas. Neste documento, tiram-se as lições da luta do proletariado na revolução passada e traça-se o programa da sua acção futura. A Nova Gazeta Renana inicia a publicação de uma série de artigos de Marx sob o título «De 1848 a 1849». Mais tarde, estes textos serão compilados e publicados por Engels com o título As Lutas de Classes de 1848 a 1850. Na Primavera deste ano, Marx entrega-se aos seus trabalhos de Economia Política. Engels vai para Manchester como empregado da casa Ermem e Engels, o que lhe permite prestar uma ajuda regular a Marx e à família.
Em 1851, Marx e Engels começam a colaborar com diversos jornais ingleses e norte-americanos: Notes to the People e The People's Paper e, nos Estados Unidos da América, o New York Daily Tribune. Entre Dezembro e Março do ano seguinte, Marx redige O 18 Brumário de Louis Bonaparte.
No final desse ano, entrega-se ao folheto Revelações sobre o Processo dos Comunistas em Colónia.
Entre 1861 e 1863, Marx trabalha no manuscrito que comporta todas as partes do futuro O Capital, incluindo a da crítica histórica «Teoria sobre a Mais-Valia». Entre Agosto desse ano e Dezembro de 1865, redige uma nova versão, insistindo nos problemas que constituirão os volumes II e III.

A Internacional 

A 28 de Setembro de 1864, é fundada, numa reunião pública em Saint-Martin's Hall, em Londres, a Associação Internacional dos Trabalhadores, que passaria à história como a I Internacional. Marx é eleito para o Comité Provisório, futuro Conselho Geral. Um mês depois, redige a Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores e os Estatutos provisórios. Na Mensagem, define os objectivos da classe operária: «conquistar o poder político.» Nos Estatutos, surge a famosa consigna: «A emancipação das classes operárias tem de ser conquistada pelas próprias classes operárias.»
Nos dias 20 e 27 e Junho de 1865, Marx profere conferências nas reuniões do Conselho Geral, que serão publicadas mais tarde com o título Salário, Preço e Lucro. Nestes textos, afirma, por exemplo, que os sindicatos «fracassam geralmente por se limitarem a uma guerra de guerrilha contra os efeitos do sistema existente, em vez de simultaneamente o tentarem mudar, em vez de usarem as suas forças organizadas como uma alavanca para a emancipação final da classe operária, isto é, para a abolição última do sistema de salários».
Em Agosto de 1866, Marx redige as Instruções para os Delegados do Conselho Geral ProvisórioAs Diferentes Questões, destinadas aos participantes no Congresso da I Internacional, que se realizaria no mês seguinte.

... e O Capital 

No dia 14 de Setembro de 1867, surge O Capital, obra económica fundamental de Marx. Entre Outubro desse ano e Junho do ano seguinte, Engels escreve várias recensões da obra, para melhor a difundir. Num destes textos, Engels realça que «desde que há no mundo capitalistas e operários não apareceu nenhum livro que fosse de tanta importância para os operários como este que temos diante de nós. A relação entre capital e trabalho, o gonzo sobre que gira todo o nosso sistema de sociedade de hoje, está aqui pela primeira vez desenvolvida».
O Congresso da I Internacional, reunido em Bruxelas entre 6 e 13 de Setembro de 1868, aprova uma resolução onde se aconselha os operários de todos os países a estudarem O Capital de Marx. No ano seguinte, é fundado em Eisenach o Partido Social-Democrata da Alemanha, o primeiro partido de inspiração marxista.
A 20 de Setembro de 1870, Engels é eleito por unanimidade para o Conselho Geral da I Internacional. Desempenhará as funções de secretário-correspondente para a Bélgica, Itália, Espanha, Portugal e Dinamarca. Engels dirá mais tarde que «descrever a actividade de Marx na Internacional significaria escrever a história dessa mesma associação».

A Comuna e os últimos anos 

Durante a Comuna de Paris, em 1871, Marx e Engels organizam importantes manifestações de trabalhadores a favor da Comuna. Em contacto permanente com a Comuna, Marx e Engels prestam ajuda aos seus membros e organizam uma vasta campanha de apoio.
Após o esmagamento da Comuna, Marx escreve A Guerra Civil em França, apelo do Conselho Geral da Internacional, no qual mostra o alcance histórico e universal da Comuna de Paris enquanto primeira tentativa de instauração da ditadura do proletariado. Na ocasião, escreve que a «classe operária não pode apossar-se simplesmente da maquinaria de Estado já pronta e fazê-la funcionar para os seus próprios objectivos». O «verdadeiro segredo» da Comuna de Paris era, para Marx, o seguinte: «ela era essencialmente um governo da classe operária, o produto da luta de classe produtora contra a apropriadora, a forma política, finalmente descoberta, com a qual se realiza a emancipação económica do trabalho».
Nos anos seguintes, Marx, com Engels, prossegue a sua actividade revolucionária. Em 1875, envia para a Alemanha as suas notas críticas ao projecto de programa do futuro partido operário alemão unificado (e que seria publicado por Engels em 1891 sob o título Crítica ao Progrma de Gotha). Nestas notas, Marx destaca que «entre a sociedade capitalista e a comunista fica o período da transformação revolucionária de uma na outra. Ao qual corresponde também um período político de transição cujo Estado não pode ser senão a ditadura revolucionária do proletariado».
Em 1879, Marx e Engels colaboram com o jornal clandestino do Partido Social-Democrata Alemão e no ano seguinte Marx trabalha nos livros II e III de O Capital. Em Maio, numa nota biográfica de Engels, considera o companheiro «um dos mais eminentes representantes do socialismo contemporâneo».
Em 1882, Marx e Engels escrevem um prefácio à edição russa do Manifesto, no qual afirmam já que a Rússia «forma a vanguarda da acção revolucionária na Europa».
Nos últimos anos da sua vida, Marx dedicou-se ao aprofundamento dos seus estudos de Economia Política, enveredando também, por outras áreas, como análise matemática, agroquímica e geologia, ou química orgânica e mineral.
A 14 de Março de 1883, Karl Marx morre em Londres. 
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1852, Marx, O 18 de Brumário de Louis Bonaparte
https://www.marxists.org/portugues/marx/1852/brumario/index.htm
O trabalho de Marx O 18 de Brumário de Louis Bonaparte, escrito na base de uma análise concreta dos acontecimentos revolucionários em França em 1848-1851, é uma das obras mais importantes do marxismo. Neste trabalho foram desenvolvidas todas as teses fundamentais do materialismo histórico: a teoria da luta de classes e da revolução proletária, a doutrina do Estado e da ditadura do proletariado. Tem uma importância extraordinariamente grande a conclusão de Marx sobre a questão da atitude do proletariado em relação ao Estado burguês."Todas as  revoluções aperfeiçoavam esta máquina - indica Marx -, em vez de a destruir." (Ver o presente volume, p. 125.)

No trabalho O 18 de Brumário de Louis Bonaparte foi desenvolvida a questão do campesinato como aliado da classe operária na revolução iminente, explicado o papel dos partidos políticos na vida social e formulada uma caracterização profunda da essência do bonapartismo.
















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"Imediatamente depois do acontecimento que surpreendeu todo o mundo político como um raio caído de um céu sereno, condenado por uns com gritos de indignação moral e aceite por outros como tábua de salvação contra a revolução e como castigo pelos seus extravios, mas contemplado por todos com assombro e por ninguém entendido, imediatamente depois deste acontecimento Marx surgiu com uma exposição breve, epigramática, em que se explicava na sua conexão interna toda a marcha da história francesa desde as jornadas de Fevereiro, se reduzia o milagre de 2 de Dezembro a um resultado natural e necessário desta conexão, e não era necessário tratar o herói do golpe de Estado a não ser com o desprezo que plenamente tinha merecido. E o quadro foi traçado com tanta mestria que cada nova revelação tornada pública desde então nada mais fez do que fornecer novas provas de quão fielmente ele reflecte a realidade. Esta iminente compreensão da história viva do dia-a-dia, esta penetração clara nos acontecimentos, no próprio momento em que se produzem é, de facto, exemplar. [...]"*
* Friederich Engels,"Prefácio à 3ª Edição Alemã" de 1885.
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9noVEMbro1799
Revolução Francesa e o Golpe do 18 de  Brumário - Napoleão
 https://www.youtube.com/watch?v=9OJpmNPcW3Y