08/08/2018

5.507.(8.8.2018.9.9') Bartolomeu Lourenço de Gusmão

Nasceu  em 1685...(em Santos ou na Capitania de S.Vicente.Brasil)
e morreu a 18noVEMbro1824 (Toledo)
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 Padre, inventor da Passarola.

Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724), por antonomásia o Voador - como precursor da navegação aérea, nasceu em 1685, no Brasil (Santos), filho dum modesto cirurgião-mor de presídio, Francisco Lourenço, e de sua mulher, Maria Álvares.
Irmão mais velho do Dr. Alexandre de Gusmão, a quem o futuro reservaria uma carreira brilhante na diplomacia e política de D. João V, fez com ele seus estudos no Seminário Jesuítico da Baía, em que ambos foram discípulos dilectos do reitor, padre Alexandre de Gusmão, cujo nobre apelido ele consentiu que adoptassem desde a adolescência, na falta de mais condigno nome de família.
Por sua precoce inteligência e aplicação a estudos eclesiásticos, fez Bartolomeu de Gusmão no seminário o noviciado para padre jesuíta, de que em breve desistia, mas mantendo a disposição de se ordenar padre secular. Em 1701, o provincial da Companhia manda-o, com 16 anos, ao Reino, a completar os estudos, e muito impressionaram logo favoravelmente em Lisboa os seus conhecimentos profundos de casuística eclesiástica, bem como o vivo engenho em matérias de Matemática e Física Experimental. Quatro anos mais tarde voltava ao Brasil, e lá comprovava a extraordinária vocação para inventos mecânicos, com uma sua bomba hidráulica de elevação de água, cuja instalação ele próprio dirigiu, para fornecimento da do rio Paraguaçu ao seu antigo seminário da Baía, erguido no alto duma colina.
Voltava em 1708 definitivamente a Lisboa, porque, no seu destino de homem, o talento de inventor mecânico atrofiava-lhe o saber eclesiástico, pois trazia então em mente outros mais altos e audaciosos projectos, entre eles o de um aparelho, ou máquina voadora, baseado no velho princípio de Arquimedes acerca dos efeitos de impulsão dos fluidos sobre os corpos neles mergulhados.
Apresentado então na corte e recebido com o maior agrado pelo monarca, requeria-lhe e obtinha em 1709 o privilégio de exclusivo sobre o seu rudimentar aeróstato, depois apelidado, irónica e pitorescamente pelo vulgo, de Passarola. Em resumo, consistia o aparelho num grande balão esférico, de tela consistente, cheio de ar aquecido por estopa a arder na abertura da base, devendo erguer-se livremente na atmosfera, mais densa que o ar quente do balão, e, ao sabor do vento, deslocar-se, voar.
Realizou-se em Agosto a primeira experiência desde o alto do Castelo de S. Jorge, perante o rei e toda a corte. A experiência, como era de prever, foi infeliz, dada a improvisada técnica simplista. Pouco depois de efectivamente se ter erguido nos ares, o aparelho incendiou-se; confirmara-se, porém, na prática, a validez da teoria de base do princípio de Arquimedes para a navegação aérea, e é de crer que se tivessem repetido novas experiências, de que não houve notícia, embora houvesse ficado na tradição que uma nova Passarola, também lançada do Castelo, teria por fim descido intacta no Terreiro do Paço.
A glória dessa primazia viria a ser contestada nos fins do século, em França, por outro aeróstato do matemático e engenheiro francês Monge, aparelho do mesmo tipo, fundado na mesma teoria, e que, menos rudimentar, fora experimentado com mais êxito pelos irmãos Montgolfier, em 1794. Posteriormente, porém, tornou-se indiscutível em conferências várias, e mesmo num recente congresso internacional de aeronáutica, que ao inventor português se ficara devendo, como seu antecessor, a glória dessa conquista do espírito humano, a abrir na História Universal um novo capítulo de progresso de extraordinárias e imprevisíveis consequências científicas e tecnológicas, políticas e sociais.
Como de regra, as infelizes tentativas do autor da «Passarela» concitaram logo as invejas e vaias dos seus detractores, reforçados pelas suspeitas da Inquisição de que Bartolomeu, o Voador, teria tido pacto com o Diabo, sem que, todavia, essa torpeza fizesse decair Bartolomeu de Gusmão no conceito e apreço do Magnânimo, em cuja corte, aliás, seu irmão Alexandre gozava já de sólido prestígio como político e diplomata.
É, aliás, obscuro e confuso o curriculum vitae de Bartolomeu de Gusmão a partir da sua proeza aerostática. Sabe-se que, um tanto deprimido moralmente, os fracassos, decepções e embates da opinião pública o reconduziram às funções eclesiásticas, conquanto em seu espírito possivelmente não esmorecesse a imaginação inventiva para fins práticos.
Em 1710, obtinha privilégio do exclusivo de uma nova bomba hidráulica para esgotar água entrada nos porões das naus; mas, em 1713, talvez receoso do Santo Ofício, abandonou sem grandes recursos materiais o País, vagabundeando quatro anos por Holanda, França e talvez Inglaterra, mantendo-se a custo em ocupações modestas, mesmo a de ervanário em Paris, até se encontrar na Embaixada portuguesa com seu irmão Alexandre, então secretário da missão diplomática do conde da Ribeira. Com ele regressou a Portugal, e então, a expensas dele, se decidiu a completar seus estudos da Baía na Universidade de Coimbra, que em 1720 o doutorava com brilho em Cânones. No ano seguinte ordenava-se padre secular, notabilizando-se, elevado a cónego, como eloquente orador sacro. Por fim, elevou-o D. João V, em 1722, a fidalgo capelão-mor da Capela Real, e já nessa categoria foi como enviado extraordinário a Roma, incumbido de tratar com a Cúria pontifícia da obtenção dos ambicionados privilégios do monarca em benefício da Sé de Lisboa e seu alto Clero.
Nada, porém, tendo obtido o padre Bartolomeu de Gusmão em todo um ano de falhadas negociações, foi seu irmão Alexandre, em 1723, substitui-lo em Roma na difícil missão. No seu regresso ao Reino, porém, designou-o D. João V sócio efectivo da Academia Real de História, entre os 50 candidatos escolhidos, o que lhe valeu terem-lhe sido impressos, até 1721, os seus sermões e outras obras, em três volumes.
Em remate de tão desorbitada existência, pelo excesso de faculdades e inquietação de espírito, uma última desventura lhe estava tristemente reservada. Com efeito, no renovado convívio da corte, viu-se por fim envolvido com um irmão do rei, infante D. Francisco, numa tortuosa intriga, suspeita de escândalo, que o forçou em 1724 a de novo se expatriar escusamente por Espanha, em companhia de outro irmão seu, frei João Álvares, carmelita descalço. Adoecendo gravemente à chegada a Toledo, teve de recolher ao hospital, onde, apesar dos seus ainda robustos 39 anos, veio a morrer esgotado por tão intensa e desordenada vida de actividades e das mais díspares ocupações, efémeros êxitos, lutas, decepções, misérias e grandezas, em permanente insatisfação de espírito, que dia a dia lhe ia minando o rico potencial de vitalidade.
Obscuramente ficava sepultado numa campa rasa de Toledo o imortal precursor da navegação aérea, hoje insuperável glória da Humanidade.
 
Bartolomeu de Gusmão
 http://conventosaramago.blogspot.com/2011/03/bartolomeu-lourenco-de-gusmao.html
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Caracterização do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão

O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão representa as novas ideias que causavam estranheza na inculta sociedade portuguesa.
Estrangeirado, Bartolomeu de Gusmão tornou-se um alvo apetecido da chacota da corte e da Inquisição, apesar da protecção real.
Homem curioso e grande orador sacro (a sua fama aproxima-o do padre António Vieira).
Bartolomeu de Gusmão evidenciou, ao longo da obra, uma profunda crise de fé, a que as leituras diversificadas e a postura "antidogmática" não serão alheios, numa busca incessante do saber.
A sua personagem risível - era conhecido por "Voador" - torna-o elemento catalisador do voo do passarola, conjuntamente com Baltasar e Blimunda.
A tríade corporiza o sonho e o empenho tornados realidade, a par da desgraça, também ela, partilhada (loucura e morte, em Toledo, de Bartolomeu de Gusmão, morte de Baltasar Sete-Sóis no auto-de-fé e solidão de Blimunda).
 http://conventosaramago.blogspot.com/2011/04/caracterizacao-do-padre-bartolomeu.html
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08 de Agosto de 1709: Bartolomeu de Gusmão apresenta a D. João V uma demonstração com um balão de ar quente

Bartolomeu Lourenço de Gusmão, cognominado “O Padre Voador” nasceu na capitania de São Vicente, no Brasil. Sacerdote secular, cientista e inventor tornou-se famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, a que chamou  “passarola” – mais conhecido na sua versão moderna, como balão de ar quente.

Cursou as primeiras letras no Colégio São Miguel em São Vicente. Prosseguiu os estudos na Capitania da Baía de Todos os Santos. Ingressou no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teve início a profícua carreira de inventor. Em1699, concluído a formação, Bartolomeu mudou-se para Salvador e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de ser ordenado, em 1701.

Viaja para Portugal, hospedando-se em Lisboa na casa do Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem de 16 anos.

Em 1702, Bartolomeu retorna ao Brasil e dá início ao processo de ordenação sacerdotal. 

Em 1708, o já padre Bartolomeu embarca para Portugal, matriculando-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Abandona a faculdade a meio e  instala-se em Lisboa. Na capital pede patente para um “instrumento para se andar pelo ar” – que se revelaria mais tarde como sendo o aeróstato ou balão – concedida em 19 de Abril de 1709. O invento, divulgado por meia Europa em estampas fantasiosas, causou celeuma. Era retratado como uma barca com formato de pássaro, ficando conhecido como “passarola”. As primeiras ilustrações da Passarola tinham sido elaboradas por um filho do Marquês de Fontes, Joaquim Francisco, com a conivência de Bartolomeu. Aluno de matemática do padre,  era a única pessoa que tinha livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado.

O monarca manifestou interesse nas  demonstrações de Bartolomeu de Gusmão. Em Agosto de 1709, o sacerdote fez perante a corte portuguesa cinco experiências com balões de pequenas dimensões construídos por ele: na primeira, realizada no dia 3 na Casa do Forte (Palácio Real), o protótipo utilizado incendiou-se antes de subir; na segunda, feita no dia 5 noutra dependência do palácio, o aeróstato elevou-se a 4 metros, quando começou a arder ainda no ar; na terceira, feita no dia 6 novamente na Casa do Forte, o balão, contendo no interior uma vela acesa, logrou fazer um voo curto, mas incendiou-se ao chegar ao chão; na quarta, feita no dia 7 no Terreiro do Paço, o balão elevou-se a grande altura, pousando lentamente minutos depois; no  dia 8 na Sala das Audiências, no interior do Palácio Real, o balão subiu até o tecto do aposento, descendo posteriormente com suavidade.


Em 3 de Outubro de 1709, na ponte da Casa da Índia, o padre fez nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de transportar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o balão subiu bastante alto, flutuou por um tempo não medido e pousou sem problemas.

Cinco testemunhas registaram estas experiências: o cardeal italiano Michelangelo Conti, eleito papa em 1721 sob o nome de Inocêncio XIII, os escritores Francisco Leitão e José Soares, membros da Academia Real de História Portuguesa, o diplomata José Brochado e o cronista Salvador Ferreira.

Estas experiências, embora com a assistência de personalidades da época, não foram suficientes para popularizar o invento. Os pequenos balões exibidos, além de não terem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controlo - eram levados pelo vento. Foram considerados perigosos, pois podiam provocar incêndios. Estes factores não permitiram a construção de um modelo grande, tripulável.



Entre 1713 e 1716, viajou pela Europa. Registou na Holanda o invento de uma “máquina para drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar”.  Viveu em Paris, trabalhou como ervanário para sustentar-se.



O padre Bartolomeu de Gusmão voltou a Portugal, quando foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com cristãos-novos, viu-se forçado a fugir para a Espanha, no final de Setembro de 1724.



Segundo o testemunho que, mais tarde, João Álvares, um irmão mais novo, daria à Inquisição espanhola, Bartolomeu teria feito a conversão ao judaísmo, em 1722, depois de atravessar uma crise religiosa. O relato de João Álvares ao Santo Ofício, ainda que deva ser visto com cautela, mostra aspectos místicos, messiânicos e megalómanos do "padre voador".



Em Toledo, Bartolomeu adoece gravemente, recolhendo-se ao Hospital da Misericórdia, onde veio a falecer em 18 de Novembro de 1724. Antes de morrer, confessou-se e recebeu a comunhão, conforme o rito católico, e assim foi sepultado na Igreja de São Romão, em Toledo. Foram feitas, ao longo de décadas, várias tentativas para localizar a sua sepultura , o que só ocorreu em 1856. Parte dos restos mortais foi transportada para o Brasil e  encontra-se, desde 2004, na Catedral Metropolitana de São Paulo.



Bartolomeu de Gusmão figura como uma das personagens centrais de Memorial do Convento, romance de José Saramago.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Bartolomeu Lourenço de Gusmão, por Benedito Calixto, em quadro de 1902


Ilustração fantasiosa da Passarola de 1709


Bartolomeu de Gusmão apresenta os seus protótipos à corte de D. João V
https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/08/08-de-agosto-de-1709-bartolomeu-de.html
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18 de Novembro de 1724 : Data provável da morte de Bartolomeu de Gusmão, o "Padre voador"

 https://estoriasdahistoria12.blogspot.com/2018/11/18-de-novembro-de-1724-data-provavel-da_18.html?fbclid=IwAR1gEFeRVrsJ8ZSQF0TPI3896gLt_wRX48-yhRtU8T86g8ryM5iSMNTpVcs
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