30/09/2018

8.236.(30seTEMbro2018.9.9') Manuel Beja

Manuel Afonso Lourenço Beja
Nasceu a
e morreu a 30seTEMbro2018
Um grande camarada d' Alcobaça
emigrante na Suíça
onde teve uma luta permanente pelos direitos dos emigrantes portugueses
foi Conselheiro das Comunidades Portuguesas na Suíça...
*
Investiu, nos últimos anos,  no restauro de casa em ruína junto ao Alcoa, em Chaqueda...
*
No último ano tem atacado, com sucesso, um cancro...
Nos últimos dias teve pneumonia, mas que estava a curar...
Ontem, quem esteve com ele, Rui Bento, recomendou que ele não ficasse em casa, que tinha acabo de ser pintada interiormente...
*
Também deu ao Rui Bento a sua bicicleta antiga, para o passeio promovido pela
Associação Azenhas

 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215492836985515&set=pcb.10215492840425601&type=3&theater
de que Manuel Beja era o Presidente da Assembleia Geral
*
Queria falar comigo neste almoço convívio!!!
***
30seTEMbro2018
14.14.14" postei no face
esta postagem do unir
e  "1 vivaaaaaa a um grande camarada / amigo...Faleceu, de súbito, o camarada Manuel Beja, durante dezenas de anos, conselheiro dos portugueses emigrantes na Suíça...Vivia à beira Alcoa, em Chiqueda...Em breve escreverei, aqui, onde será o velório e o funeral... Sentidos pêsames para toda a família"
*
 Bravíssimooooo para Associação Azenhas...Chiqueda/Aljubarrota d’ Alcobaça que vos abRRaaaaaça....Almoço após passeio bicicletas antigas... com a bicicleta do camarada Manuel Beja, infelizmente, sem a presença dele, faleceu de madrugada
  Na foto está Rui Bento com a bicicleta do Manuel Beja..Rui esteve com Manuel Beja...Manuel Beja entregou-lhe a sua bicicleta antiga...Antes de ir para o Hospital, disse-lhe que queria falar comigo...Já não falamos!!!...
fotos by mim
 A imagem pode conter: Rui Bento, bicicleta e ar livre
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215492836985515&set=pcb.10215492840425601&type=3&theater
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215492836945514&set=pcb.10215492840425601&type=3&theater
soRRisooo giroo da jornalista do Alcoa: Catarina
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215492837145519&set=pcb.10215492840425601&type=3&theater
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10215492837945539&set=pcb.10215492840425601&type=3&theater
***

23maio2014 houve homenagem a José Afonso...Café Paris

Manuel Beja, Henrique Bértolo e Basílio Martins, com outros,
tiveram a iniciativa de evocar Zeca Afonso, em Alcobaça
no Café Paris...
 https://uniralcobaca.blogspot.com/2014/05/811724maio2014131313-ontem-houve.html
***
1ouTUbro2018
Região de Cister
 
O alcobacense Manuel Beja faleceu, na madrugada deste domingo, com 73 anos. 
Natural de Chiqueda, o antigo conselheiro das comunidades portuguesas na Suíça lutava contra um cancro. Nos últimos anos, Manuel Beja era presidente da Assembleia Geral da Associação Azenhas de Chiqueda.
A vida do alcobacense ficou marcada pela defesa dos direitos dos emigrantes, quer como sindicalista, quer como conselheiro das comunidades portuguesas na Suíça durante três décadas. Essa sua dedicação valeu-lhe a comenda da Ordem de Mérito, atribuída em 2007 pelo Presidente da República.
Foto: Jornal de Leiria
 https://www.regiaodecister.pt/noticias/faleceu-manuel-beja
**
Via postagem do sobrinho Luís Lourenço Beja:

 Manuel Beja - Emissora Nacional - Emissora das Beiras - Caramulo - Anos 70
Foto tirada pelo meu pai "Quim Alfaiate" eu lembro-me de visitar os estúdios da rádio com o meu tio na realização.
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205389436092866&set=a.1119652049006&type=3&theater
***
26ouTUbro2016

Quem é Manuel Beja!

O Ex.mo Sr. Manuel Beja, é o Conselheiro das Comunidades portuguesas na Suíça...

Presidente da Comissão dos Fluxos Migratórios do Conselho Comunidades Portuguesas (CCP).

De seu nome: Manuel Afonso Lourenço Beja





A Revista Repórter X um elo de ligação com este blogue, obrigado a todos  por fazerem parte do leque de amigos, estou sempre convosco: http://revistareporterx.blogspot.ch/
Para além da Suíça e Liechtenstein, estamos também na Póvoa de Lanhoso, Câmara Municipal, Casa da Botica e Espaço Jovem
Representantes e Marketing, Patrícia Antunes e Cyber Café
Colaboração Agência Nunes Viagens

*

quinta-feira, 17 de março de 2011


Trabalhadores consulares vão entrar em greve na suíça

Sabe-se que a situação salarial dos trabalhadores consulares, professores e outros funcionários do Estado português em actividade na Suíça, se agrava há vários meses, sem que o Governo Sócrates / PS “mexa uma palha” para a sua solução. A indiferença e o reconhecido desdém dos actuais governantes perante a precária situação financeira dos seus funcionários, provocada pela diferenciação cambial e os actuais cortes orçamentais, merecem, por parte da comunidade portuguesa residente na Suíça a total condenação. O Governo português não está a honrar com os seus compromissos, garantindo, como é sua obrigação, os meios de sustentabilidade necessários aos funcionários em actividade no exterior. Senão, vejamos, considerando as perdas cambiais e os cortes salariais, em média, os salários dos funcionários consulares rondam um pouco mais de três mil francos suíços, menos que o salário mínimo garantido a um trabalhador da indústria hoteleira. Deste montante, mais de 60 por cento, são destinados a pagamento das rendas dos alojamentos, fora o resto. Com salários deste valor é impossível viver condignamente na Suíça. A ameaça de greve, no decorrer do mês de Março, dos funcionários consulares e diplomáticos da embaixada em Berna, consulados de Genebra, Zurique, os escritórios em Lugano e Sion e a delegação da ONU, é mais do que compreensível; “é a última alternativa que lhes resta”. Para além da prevista greve, as autoridades portugueses tiveram conhecimento, na sequência de um abaixo-assinado que lhes foi entregue, do provável envio de uma carta de denuncia da situação a Micheline Calmy-Rey, Presidente da Confederação Helvética e Ministra dos Negócios Estrangeiros Suíça, “explicando a situação de precariedade em que vivem os funcionários consulares portugueses neste país.” Se tal acontecer, a imagem de Portugal fica ao nível das “repúblicas das bananas”, longe, muito longe, da imagem digna de Portugal parceiro internacional respeitado, um país moderno, na linha da frente da União Europeia. A realidade é amarga! Ao ser mantida por muito mais tempo pode levar as famílias dos funcionários a terem de recorrer à assistência social local. O Governo Sócrates / PS sabe disso e não age. Perante o facto, das duas, uma, ou estamos presente um Governo que está a dormir, ou que pretende alastrar a guerra social contra os trabalhadores e a população portuguesa para fora das suas fronteiras. Também pode ser as duas coisas! Estamos certos que os trabalhadores consulares vão conseguir superar os desânimos, as resignações, os medos, e lutar contra este estado de coisas. E, não esqueçam, serão mais fortes com a solidariedade dos utentes, com a solidariedade comunidade portuguesa. É preciso derrotar esta política que a todos penaliza.
Vamos dar uma volta a isto!


Manuel Beja
Conselheiro das Comunidades Portuguesas / Suíça
manuel.beja@bluewin.ch
 http://conselheirodascomunidadesportnasuica.blogspot.com/
***
50anos da A.P.Zurique
15jun2012
Quando a Associação Portuguesa de Zurique (APZ) foi criada, a 14 de junho de 1962, as estatísticas suíças registavam apenas 481 cidadãos de origem portuguesa no país. Meio século depois, os portugueses tornaram-se no terceiro maior grupo de estrangeiros [mais de 200 mil] na Suíça e a associação "democratizou-se" para acompanhar a comunidade.
"Na época, os portugueses eram muito poucos, uma elite, pessoas que tinham residência na Suíça e faziam parte de famílias com grande poder económico em Portugal, funcionários de bancos, seguradoras e grandes empresas", recordou Manuel Beja, conselheiro da comunidade portuguesa, que foi secretário da associação e posteriormente presidente da assembleia geral durante 20 anos.
Foi a chegada dos primeiros contingentes de trabalhadores sazonais portugueses e a revolução de abril de 1974 em Portugal que contribuiu decisivamente para a transformação.
"É evidente que essa transformação trouxe alguns conflitos iniciais entre os que queriam uma associação de fato e gravata e os outros, que na maioria trabalhavam na agricultura, e que tinham muito peso", acrescentou.
Na década de 1980, tornou-se "no rosto da contestação" dos emigrantes ao Estado português por causa do encerramento, em 1979, do consulado de Portugal em Zurique, contestação que só acalmou com o regresso dos serviços consulares em 1987.
A associação, a mais antiga da Suíça, foi ainda responsável pela criação da primeira escola de língua e cultura portuguesa, frequentada semanalmente por 50 crianças, e destacou-se na defesa do sistema oficial do Ensino do Português na Suíça.
Assumiu ainda o ensino básico de alemão para adultos, disponibilizando salas e professores, e desenvolvendo esforços para interessar os emigrantes pela aprendizagem da língua local, responsabilidade posteriormente assumida pelas autoridades suíças.
Inicialmente, as atividades da APZ, que incluíam ainda festas, palestras e folclore, funcionavam nas instalações da Missão Católica Francesa.
Nos anos 1980, conseguiu a sua sede social, que passou a acolher os serviços oficiais de apoio à emigração.
O apoio social, ainda que informal, continua hoje a fazer-se na associação, que fornece refeições gratuitas a algumas pessoas da comunidade em "extrema dificuldade".
A APZ foi distinguida, em 1990, pelo então Presidente da República, Mário Soares, com a Ordem de Mérito pelos serviços prestados à comunidade.
Atualmente, a associação mantém como única atividade cultural um grupo coral alentejano e promove cursos para promover a integração dos cada vez mais emigrantes que vão chegando à Suíça.
Rui Venâncio, presidente da APZ há quatro anos, lembrou que dos 500 sócios que a associação teve sobram hoje 150, lamentando a falta de apoio do Estado português e o desinteresse dos jovens.
"Os tempos não estão fáceis e cada vez há menos pessoas interessadas neste tipo de casas. As pessoas não têm tempo nem interesse. Os jovens que já nasceram cá estão muito integrados na cultura suíça não ligam a isto. São os mais velhotes que vão mantendo isto ainda com vida", disse.
"A associação tem passado por momentos maus, já esteve à beira de fechar e vamos lutando no dia a dia, mas não é fácil", adiantou, acrescentando que seria bom que os dirigentes políticos portugueses se lembrassem da APZ.
Mais otimista, Manuel Beja não deixa contudo de manifestar preocupação pelo futuro da coletividade.
"Vejo a situação com um misto de otimismo e preocupação porque (...) as pessoas pensam fazer uma vida mais citadina, olhando menos para a comunidade (...), mas muitos começam a entender que é necessário manter os contactos com o país de origem e os mais novos começam a aparecer nas coletividades".
Manuel Beja considera o movimento associativo "um pilar muito importante da ligação de Portugal às comunidades e na integração dos países de origem" e lamenta que não seja "mais bem acarinhado" pela comunidade e pelo estado português.

 https://www.dn.pt/portugal/interior/50-anos-a-apoiar-emigrantes-2611184.html
***
15maio2009
Conselheiro da comunidade confiante que limitação seja só para novos candidatos

O conselheiro da comunidade portuguesa na Suíça Manuel Beja disse hoje acreditar que a eventual decisão de limitar a atribuição de vistos a cidadãos da União Europeia deverá afectar apenas os novos candidatos a imigrantes no país.

"A decisão pode ir no sentido de suspender temporariamente a atribuição de novos vistos B - que são atribuídos por cinco anos -ou suspender a sua renovação. Não acredito que vá neste último sentido porque essas pessoas têm vidas estáveis, com trabalho e filhos na escola", disse Manuel Beja, acrescentando que a maioria dos portugueses residentes na Suíça são titulares de um visto deste tipo.

A imprensa suíça tem vindo a noticiar que devido ao aumento do desemprego na Suíça, as autoridades poderão limitar os vistos de trabalho a imigrantes provenientes de 17 países da União Europeia (UE).


A medida, prevista numa cláusula de protecção dos acordos bilaterais que a Suíça mantém com a UE, deverá afectar apenas os chamados vistos B, com duração máxima de cinco anos, atingindo sobretudo as duas comunidades que mais têm chegado ao país após a assinatura do acordo bilateral: a alemã e a portuguesa.

Em 2007, viviam na Suíça 193.300 portugueses, tendo entrado no país nesse ano 15.400, cerca de dez por cento do total dos novos imigrantes. A comunidade portuguesa é a que mais está a progredir na Suíça, segundo Manuel Beja, que adianta que esta restrição irá impedir a estabilização dos imigrantes e suas famílias no país.


Apesar de admitir que a decisão suíça, que deverá ser aprovada na quarta-feira, está prevista no acordo bilateral assinado entre a Suíça e a União Europeia, Manuel Beja considera que se está perante uma medida de "proteccionismo do mercado de trabalho suíço".

"A Suíça quer manter uma taxa de desemprego estável e é isso que dá origem a esta medida", frisou Manuel Beja, acrescentando que existe também uma percentagem significativa de portugueses sem trabalho no país.

"Já há algum tempo que se nota uma grande percentagem de desempregados portugueses como consequência da crise económica. Fala-se num número superior a dez mil desempregados", disse, sublinhando que o desemprego está a afectar principalmente os portugueses que estão há mais de 20 anos na Suíça.


A taxa de desemprego na Suíça subiu nos últimos meses de 2,6 para 3,5 por cento, tendo a Secretaria Federal de Economia (SECO) registado 136.700 desempregados até Abril.

Apesar de a maioria dos estrangeiros desempregados no país ser oriunda da região dos Balcãs (Sérvia, Montenegro e Kosovo), as taxas de desemprego também têm vindo aumentar entre os trabalhadores europeus.

Segundo dados da SECO, o número de desempregados portugueses aumentou de 5.621 em 2007 para 8.144 em Abril de 2009 (um aumento de cerca de 45 por cento). No mesmo período, o desemprego na comunidade imigrante alemã aumentou de 2.867 para 5.337.

A suspensão dos vistos poderá vigorar apenas durante dois anos.

Jornal Público, aqui, acedido a 02 de Julho de 2009
 http://observatorioemigracao.pt/np4/647.html
***
26seTEMbro2004
"Estou bastante chocado com esta decisão do povo suíço. Trata- se de um resultado ainda pior do que foi há dez anos relativamente ao direito da nacionalidade e dos esforços da terceira geração em obter o passaporte suíço", afirmou.
"Estava perfeitamente convencido que à terceira vez que este referendo ia para discussão, seria aprovado", continuou o responsável, considerando o resultado uma "injustiça enorme".

Os eleitores suíços rejeitaram hoje a facilitação do processo de naturalização de imigrantes de segunda e terceira geração, depois de uma intensa campanha nas vésperas do voto, que diversos partidos e organização denunciaram como racista e xenófoba.
Cinquenta e dois por cento dos eleitores suíços rejeitaram uma primeira proposta de legislação que dava cidadania automática a estrangeiros de terceira geração nascidos na Suíça, isto é filhos de pessoas nascidas no país ou netos de imigrantes residentes na Suíça há muito. Uma segunda proposta, que pretendia facilitar o acesso à cidadania para a segunda geração, foi rejeitada por uma maioria ainda maior: 57 por cento.
Manuel Beja garante que o 'não' afectará tanto a comunidade portuguesa como qualquer outra comunidade imigrante na Suíça, referindo que milhares de jovens já nascidos no país continuam a ter dificuldades de acesso a formação e a empregos. "Todos os que venham a nascer ou já nasceram aqui serão afectados por isso. No futuro imediato, continuam a ter dificuldades no acesso à aprendizagem e ao emprego. Ainda que não os rejeitem darão sempre preferências a quem tem passaporte suíço", sustentou.
Especialmente negativo, na opinião do conselheiro português, é o facto de o 'não' ser apoiado por muitos imigrantes, inclusive portugueses, que entretanto já adquiriram a cidadania suíça.
 https://www.publico.pt/2004/09/26/mundo/noticia/suica-conselheiro-das-comunidades-portuguesas-chocado-com-resultados-do-referendo-1204444
***
3aGOSTO2005

Os portugueses na Suíça que pretendam regressar definitivamente a Portugal podem continuar a levantar a partir de 2007 os valores descontados para o fundo da caixa de pensões graças a um acordo entre os dois países.

O acordo bilateral entre a Suíça e a União Europeia impediria os emigrantes que regressassem a Portugal depois de 31 de Maio de 2007 de levantarem os fundos da caixa de pensões (conhecido por segundo pilar), complemento de reforma obrigatório que os estrangeiros podem reclamar quando regressam ao país de origem.
Desde 1985 que todos os trabalhadores na Suíça são obrigados a descontar para o segundo pilar que poderá ser levantado quando se atinge a idade da reforma ou, no caso dos estrangeiros, quando regressam ao país de origem.
Um acordo assinado no mês de Julho entre as autoridades dos dois países garante que os portugueses que regressem a Portugal podem continuar a usufruir desta facilidade mesmo após 31 de Maio de 2007, disse à Agência Lusa o conselheiro das comunidades portuguesas na Suíça Manuel Beja.
De acordo com o conselheiro, os fundos das caixas de pensões só podem ser levantados quando os emigrantes abandonam definitivamente a Suíça, fixam residência em Portugal e não se inscrevam na segurança social portuguesa no prazo de três meses após o seu regresso.
Em comunicado, o Conselho das Comunidades Portuguesas - órgão de consulta do Governo para as questões da emigração - congratula-se com a assinatura do acordo entre as autoridades de Portugal e da Suíça.https://www.rtp.pt/noticias/pais/emigrantes-podem-continuar-a-levantar-fundos-de-reforma_n14655
***
30seTEMbro2018
Via Rui Bento
 É com enorme tristeza que comunico o falecimento do Nosso Eterno presidente da Associação Azenhas de Chiqueda...
*
25jul2017
Entrevista ao ptcomunidades
 "Penso que há medo. Medo das pessoas, medo de assumir uma posição e medo do poder do capital. Porque na realidade o problema, como é o meu, dado que estou reformado e tenho a residência na Suíça, penso que se poderia conseguir uma solução equilibrada e justa, porque Portugal nunca contribuiu em nada para a minha situação e não é o país que me paga a minha reforma. Porque as cargas fiscais que Portugal aplica a todos os cidadãos portugueses, como é evidente, como a nós que um dia desejamos regressar em definitivo, são taxas exageradas e desproporcionais a quem nunca contribuiu e nada fez pelo nosso bem-estar. Seria aceitável Portugal encontrar uma taxa que fosse ao encontro do que as pessoas pagariam nos países de acolhimento."
 “Sei que muitos portugueses não estão a ter uma vida fácil na Suíça” “Não creio que exista um futuro para o movimento associativo. O que vai existir são grupos de interesses privados”.

 







Manuel Beja
Mesmo afastado do mundo sindical, porque o Manuel Beja está reformado, acompanha bem de perto os problemas da comunidade. O Manuel Beja foi o primeiro sindicalista português e durante muitos anos foi uma voz ativa no seio da comunidade portuguesa. Critico, um acérrimo defensor dos seus ideais e dos valores que acredita que servem para que a sociedade seja melhor e mais solidária. Mesmo afastado do Sindicato e do Conselho das Comunidades, continua atento a tudo que diga respeito à comunidade portuguesa que vive na Suíça.
— Estás afastado das lides sindicais, dado que estás reformado, mas acompanhas ainda os problemas da comunidade portuguesa?
Manuel Beja – Eu vivo os problemas da comunidade portuguesa. Claro que acompanho à distância, mas com uma enorme preocupação. O passado é passado, vivi uma situação que me deixou muito satisfeito aquando do processo da integração da comunidade na Suíça, quando terminou o estatuto sazonal, mas nos dias de hoje as coisas mudaram, infelizmente. Sinto que existe uma maior precaridade nos dias de hoje, e muito pouca disponibilidade de as pessoas colaborarem com o mundo associativo.
–O que é que mais te preocupa?
Manuel Beja – Bem, estou numa situação em que já entrei na terceira fase da vida. Esta terceira fase da vida dá muito para pensar. Um dos assuntos que realmente preocupa é a situação dos pensionistas portugueses. Muitos gostariam de ir para Portugal gozar a sua reforma, muitas sem serem valores elevados, mas muitos não o fazem, porque Portugal é pouco sensível e fecha as portas a todas estas pessoas, que investiram uma vida no país, e que estão sujeitos a uma carga fiscal desproporcionada a quem nunca fez nada, mesmo nada, pelos seus filhos emigrantes. Portugal, para com os emigrantes, procedeu sempre com uma política de hipocrisia e de cinismo. Concedem muitos benefícios aos estrangeiros que desejam radicar-se em Portugal, mas ainda não encontraram uma solução para os emigrantes reformados que desejam radicar-se em Portugal.
–Pensas que existe má vontade política?
Manuel Beja – Penso que há medo. Medo das pessoas, medo de assumir uma posição e medo do poder do capital. Porque na realidade o problema, como é o meu, dado que estou reformado e tenho a residência na Suíça, penso que se poderia conseguir uma solução equilibrada e justa, porque Portugal nunca contribuiu em nada para a minha situação e não é o país que me paga a minha reforma. Porque as cargas fiscais que Portugal aplica a todos os cidadãos portugueses, como é evidente, como a nós que um dia desejamos regressar em definitivo, são taxas exageradas e desproporcionais a quem nunca contribuiu e nada fez pelo nosso bem-estar. Seria aceitável Portugal encontrar uma taxa que fosse ao encontro do que as pessoas pagariam nos países de acolhimento.
–Mas existe um decreto-lei que isenta os portugueses por um período de 10 anos?
Manuel Beja – Conheço essa lei, sei que existe, mas, no entanto, essa lei não é clara e não é totalmente abrangente e precisa. E não é clara que se fique totalmente isento de impostos. Tem de haver uma política clara e um decreto que vá direcionado apenas para os portugueses que viveram e recebam reformas de um outro estado-membro, o que não é o caso. No meu caso, com a minha reforma, eu pagaria uma taxa fiscal de 45% em Portugal. Na Suíça pago 11%. Na minha situação existem milhares de portugueses, não só os que trabalharam na Suíça, como aqueles da França, Alemanha, Luxemburgo e todos os demais.
–Não será que se vive uma certa hipocrisia quando se evoca a política da saudade, do investimento e, quando é para esclarecer e clarificar uma situação, ninguém faz nada?
Manuel Beja – Sabes, o problema é que o Estado não tem interesse em nos ouvir. Este problema já foi levantado há muitos anos, e até à data ninguém nos quis ouvir. Nem querem. Sabes, eles evocam que todos os portugueses têm de estar em pé de igualdade. Acho muito bem. Mas a verdade é que estou fora de Portugal há mais de 40 anos e, se passar a minha morada fiscal para lá, mais de um 1/3 da minha reforma vai para os cofres de Portugal, tirando-me capacidade e alguma dignidade a uma qualidade de vida para qual eu trabalhei num outro Estado, e que Portugal nunca contribuiu. Como tal, seria mais justo encontrar uma taxa que fosse ao encontro do que se paga no país de acolhimento. Eu investi algo em Portugal, mas muitos portugueses investiram todo o seu suor na sua terra. E agora? Proporcionaram riqueza, proporcionaram bem-estar pelos seus investimentos, muitos até substituíram o Estado português ao ajudarem os seus familiares, e agora? Se recebes 3 mil, tens de deixar mil aos cofres do Estado. Com este decreto-lei em vigor não vamos a lado nenhum.
–Nunca a comunidade atingiu os números atuais, somos perto de 280 mil na Suíça. Como vês esta evolução?
Manuel Beja – Apesar da livre circulação de pessoas, a verdade é que sinto a comunidade muito mais insegura do que antes. No estatuto sazonal, sabíamos que era um estatuto discriminatório, tinhas as suas regras, mas sabíamos com o que poderíamos contar, neste momento estamos a viver uma insegurança, porque muitas das pessoas vivem na precariedade dos trabalhos a prazo e na dificuldade em encontrar o alojamento, que muitos por vezes não podem pagar, porque não têm um posto de trabalho estável. Depois, os ditos trabalhos à hora, em que os patrões se servem da disponibilidade destas pessoas, que ficam reféns de as chamaram ou não. Estou a falar do setor das limpezas, como exemplo. Existem outros. Como tal, existe uma precariedade e sei que muitas pessoas vivem com extrema dificuldade, até porque o preço dos alojamentos, o aluguer das casas, estão por preços exorbitantes, depois ainda se tem de somar o seguro médico. Sei que muitos portugueses não estão a ter uma vida fácil na Suíça. Tudo isto é um problema acrescido para uma plena integração das famílias portuguesas na Suíça. Também é verdade que a comunidade não se mobiliza como há uns anos. Por muito que se possa apontar o dedo aos Sindicatos, falo de todos os Sindicatos, as pessoas devem acreditar no trabalho destes, porque se muito foi conseguido nos últimos anos, estou a falar, por exemplo, no setor da hotelaria, da construção, este último com a reforma antecipada, aos 60 anos, uma grande vitória sindical, o setor das limpezas que tem agora um contrato coletivo, fraco, mas existe uma base de trabalho, tudo isso foi conseguido com o movimento Sindical. Se as pessoas que chegam agora à Suíça encontram algumas regras e benefícios, mas claro está que muito ainda se pode fazer, foi graças aos Sindicatos, e muitas delas agora afastam-se, o que é uma pena e uma injustiça pelo trabalho realizado. Claro que sei que há falhas, mas temos de ver o que de bom foi conseguido graças ao trabalho Sindical. E uma base de apoio e de mobilização passa pelos Sindicatos.
–E o movimento Associativo?
Manuel Beja  – Está moribundo e em fase de desaparecer. Esta é a realidade. Muito poucas coletividades respeitam os valores associativos. Futuro? Não creio que exista um futuro para o movimento associativo. O que vai existir são grupos de interesses privados.
Adelino Sá, GAZETA LUSOFONA, https://www.gazetalusofona.ch/edicao-julho-2017/
https://www.pt-comunidades.com/manuel-beja-vive-os-problemas-da-comunidade/
***
30seTEMbro2018
 Carlos Pereira:
Acabo de tomar conhecimento da morte do Manuel Beja.
Fomos colegas no Conselho das Comunidades Portuguesas durante 11 anos. Eu eleito em França e ele na Suíça. Fomos colegas durante 5 anos no Conselho Permanente (primeiro quando eu fui Vice-Presidente e depois quando fui Presidente do CCP).
O Manuel Beja sempre nos impressionava: quando falava, havia silêncio na sala. Comunista de gema, era sobretudo homem de palavra, respeitador de compromissos, fiel aos ideais que defendia, refletia duas vezes antes de dar opiniões e sobretudo ouvia a opinião dos outros.
Esteve sempre ao meu lado.
Participamos juntos em muitas lutas… pelo bem coletivo e nunca pelo nosso interesse pessoal.
Curiosamente, nesta fotografia está ao lado de um outro colega nosso, o Figueiredo, eleito nos Estados Unidos, que também já nos deixou.
O Manuel Beja pode ter partido, mas para além de deixar saudade, deixa-me um respeito.

 
 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2249384705103536&set=a.192999200742107&type=3&theater
***