18/02/2016

3.416.(18fev2016.8.8') Giordano Bruno

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A 17 de Fevereiro de 1600, o filósofo Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, no Campo dei Fiori, após ter passado oito anos nos cárceres da Inquisição
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A EXECUÇÃO DE GIORDANO BRUNO PELA INQUISIÇÃO

A 17 de Fevereiro de 1600, o filósofo Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, no Campo dei Fiori, após ter passado oito anos nos cárceres da Inquisição.

Antes de executá-lo, os carrascos cortaram a sua língua para impedi-lo de proferir "palavras horríveis". A condenação do filósofo como herege por ordem do papa Clemente VIII encerrou uma vida de peregrinações, disputas e tormentas.
Nascido em 1548, na cidade de Nola, perto de Nápoles, Giordano Bruno ingressa na Ordem dos Dominicanos na sua juventude, abraçando mais tarde, em Genebra, a doutrina de João Calvino.
Acusado de heresia, foge para assumir uma carreira de estudos e viagens. Lecciona a teologia calvinista inicialmente em Toulouse e depois em Paris, Oxford e Wittenberg.
Dotado de uma memória prodigiosa que lhe permitia recitar, de cor, sete mil passagens da Bíblia ou ainda mil poemas de Ovídio, o filósofo era muito bem visto pelos príncipes da Europa.
Incansável e em constante oposição às escolas tradicionais, jamais encontrou um posto permanente. Os seus grandes trabalhos metafísicos, «De la causa, principio, et uno» (1584) e «De l'infinito, universo e mondi» (1584), foram publicados em França. Mais tarde, essas obras surgiriam também em Inglaterra e na Alemanha. Bruno também escreveu sátiras e poesias.
Em 1591, viajou para Veneza, onde foi processado por heresia pela Inquisição. Após a sua prisão em Roma, foi queimado na fogueira. Bruno desafiou todo o dogmatismo, inclusive o da cosmologia copernicana, cujos princípios fundamentais sustentava. Acreditava que a nossa percepção do mundo estava relacionada com a posição no espaço e no tempo no qual nos vemos. Havia, portanto, várias maneiras possíveis de interpretação do mundo. Consequentemente, não se podia postular uma verdade absoluta e nem estabelecer qualquer limite ao progresso do conhecimento.
Imaginava o mundo composto por seres individuais, governados por leis fixas de relacionamento. Esses elementos, chamados mónadas, eram definitivos, indivisíveis, imateriais e baseados numa divindade panteísta infinita, que se manifesta em nós e no mundo todo. A influência de Bruno na filosofia que se seguiu, especialmente na de Spinoza e Leibniz, foi profunda.
Sensibilizado pelas descobertas de Copérnico, Bruno imaginou um universo infinito em que Deus seria a alma. Concebeu uma pluralidade de mundos análogos ao nosso, num universo que não teria sido criado mas que teria existido por toda a eternidade. Esta filosofia panteísta se opunha frontalmente à teologia cristã.
Giordano Bruno publica as suas ideias em 1584, em italiano e em latim. Todavia, não se contenta em apenas pensar e escrever. De natureza combativa, antagoniza-se com a maioria dos teólogos e pensadores do seu tempo.
A condenação do filósofo é representativa da intolerância e de excessos ideológicos no fim da Renascença, tanto no campo católico quanto no protestante. Em 1553, o médico Michel Servet foi submetido à mesma sentença de Bruno, em Genebra, por iniciativa de Calvino. Em 1633, Galileu era denunciado pela Inquisição, mas retracta-se e escapa da fogueira.

Fonte: Opera Mundi