29/02/2016

4.712.(29fev2016.8.8') Sahara Ocidental...Frente Polisário...

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27fev1976
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Via deputado do PCP
Bruno Dias
2016

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https://www.facebook.com/brunoramosdias/media_set?set=a.1117859702602.2020126.1110285048&type=3&pnref=story
"Por estes dias comemora-se os 40 anos da República Árabe Saharaui Democrática, proclamada em 27 de Fevereiro de 1976. Embora muito esquecido por cá, é formalmente o último país colonizado do continente africano, sob a ocupação do Reino de Marrocos. A Frente POLISARIO prossegue uma caminhada heróica de luta e resistência pela liberdade e independência da sua pátria. Já lá vão dez anos, o meu Partido deu-me a responsabilidade e a honra de o representar nas comemorações nacionais dos 30 anos da proclamação da independência, realizadas em território libertado do Sahara, onde tirei estas fotos. Recordo muitas vezes aqueles heróis, homens e mulheres de todas as idades, que se agigantam na luta de todos os dias. Parabéns camaradas. Havemos de festejar a liberdade do Sahara Ocidental. A luta continua!"
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Avante 
nov2015
http://www.avante.pt/pt/2189/internacional/137874/
Marcha da ignomínia
no Sahara Ocidental

Image 19331

Dirigentes saharauís qualificaram como provocatória a recente visita do rei de Marrocos, Mohamed VI, aos territórios ocupados do Sahara Ocidental.
O presidente da Frente Polisário e da República Árabe Saharauí Democrática (RASD), Mohamed Abdelazize, condenou a deslocação do monarca a El Aaiúne, capital do território. Reafirmou a disposição de estabelecer negociações sérias e sem condições prévias, sob a égide das Nações Unidas, tendo em vista uma solução que garanta o direito do povo saharauí à autodeterminação e à independência. E saudou as declarações do secretário-geral da ONU, que voltou a pedir a todas as partes envolvidas na região e à comunidade internacional apoio para as iniciativas do seu enviado especial, visando «um diálogo genuíno» nos próximos meses.
Um comunicado de Ban Ki-moon, divulgado por ocasião da passagem dos 40 anos da ocupação ilegítima do Sahara Ocidental por Marrocos, refere-se ao «sofrimento humano» ao longo destas quatro décadas, avisa que a situação no Noroeste de África é «alarmante» e sublinha a necessidade de «uma solução política aceitável por todas as partes que traga autodeterminação para o povo do Sahara Ocidental».
Um outro dirigente saharauí, Brahim Moktar, advertiu que se não se avançar com uma solução política para o território, existe a possibilidade real do regresso às armas. Em entrevista à agência noticiosa espanhola EFE, este responsável, que desempenha o cargo de ministro da Cooperação da RASD, disse que a intransigência marroquina, somada a 40 anos de exílio forçado de uma parte da população, tem causado a radicalização entre os jovens.Falando em Rabouni, no Sudoeste da Argélia, onde se localizam campos de refugiados saharauis, Moktar advertiu que se não se encetar o processo de negociações que conduza a um referendo, organizado pelas Nações Unidas, os jovens podem pegar em armas «para continuar aquilo que fizeram os seus pais desde 1975 até 1991». A Frente Polisário vai reunir em Dezembro o congresso geral, com a participação de 2500 delegados, a maioria dos quais com menos de 30 anos, para adoptar «decisões cruciais».
Moktar responsabilizou Marrocos pelo eventual agravamento do conflito do Sahara Ocidental, numa região já com outros focos de tensão – das rivalidades marroquino-argelinas ao activismo de grupos radicais islâmicos.
Mudar a demografia
Patriotas saharauis denunciaram a visita de Mohamed VI a El Aaiúne, na semana passada, como uma «operação de imagem», a pretexto de comemorar os 40 anos da Marcha Verde, que desencadeou, em finais de 1975, a ocupação marroquina do território, hoje a última colónia em África.
Brahim Dahane, presidente da Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves dos Direitos Humanos, afirmou que o governo de Marrocos fez deslocar agora 140 mil pessoas, a maior parte delas «militares e polícias», para garantir «manifestações populares» simpáticas ao monarca nas ruas de El Aaiúne.
Em entrevista ao jornal espanhol El País, Dahane explicou que Marrocos tem implementado uma política económica sistemática com a finalidade de «trazer cada dia mais colonos e modificar a situação demográfica de um território ocupado de forma ilegal». Ao longo destas quatro décadas, considerou, as condições de vida melhoraram «para os colonos marroquinos» mas para os saharauís «nada mudou». Marrocos construiu algumas infra-estruturas «para levar daqui os nossos recursos e para trazer a sua gente».
A Marcha Verde – a invasão do Sahara Ocidental por 350 mil marroquinos, entre colonos e forças armadas – assinalou o começo da retirada da Espanha, a antiga potência colonial, e o início da ocupação ilegal marroquina, que perdura até hoje.
Para os independentistas saharauís, o 6 de Novembro de 1975 é um dia de ignomínia. Na época, o Tribunal de Haia pronunciara-se a favor da autodeterminação da população que vivia então no Sahara Ocidental. Marrocos, com apoio de Espanha, que assistia aos últimos dias do franquismo, e dos Estados Unidos, lançou-se na ocupação de um território rico em fosfatos e, provavelmente, em petróleo. A Frente Polisário encarou a Marcha Verde como uma invasão e declarou guerra a Marrocos, até que em 1991 foi assinado um cessar-fogo entre as duas partes.
Desde então, uma missão das Nações Unidas está encarregada de acompanhar a situação no terreno e o Conselho de Segurança aprovou várias resoluções, nomeadamente sobre a realização de um referendo, a que a monarquia marroquina reaccionária foge, respondendo com a opressão militar e manobras propagandísticas.
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23ab1998
PORTUGALe o Sahara Ocidental

No conflito que opõe Marrocos à Frente Polisário (FP) há vinte e cinco anos, que causou milhares de vítimas, a deterioração das relações entre Argélia e Marrocos e o agravamento da tensão em todo o Magrebe, a posição de Portugal tem sido caracterizada por um alinhamento ilegítimo e injustificado com a política de Rabat.
Como é sabido a ONU tomou em mãos o dossier do Sahara Ocidental tendo ainda no tempo de Perez de Cuellar aprovado no Conselho de Segurança a realização de um referendum que devido às manobras dilatórias de Marrocos foi sendo adiado e estando finalmente prevista a sua realização para o próximo mês de Dezembro. Ficarão para a História as várias tentativas (algumas ainda actuais) dos dirigentes marroquinos de fazerem passar por sahuris dezenas de milhares de cidadãos marroquinos em total violação do acordo que previa o recenseamento e preenchimento dos cadernos eleitorais com base no recenseamento feito pelo governo espanhol em 1973.
A resolução 3437 de 16.11.79 do Conselho de Segurança da ONU reconhece a Frente Polisário como representante do povo sahuri e a este o direito à autodeterminação. A República Árabe Sauhri Democrática é reconhecida por setenta e dois países sendo a maioria africanos e outros do Terceiro Mundo . É indiscutível que a F.P. ganhou um enorme prestígio no seio dos movimentos de libertação nacional. Apesar da colossal diferença de meios, Marrocos não foi capaz de derrotar nem militar, nem política, nem diplomaticamente a F. P. e foi obrigado a sentar-se à mesa de negociações as quais passaram por Lisboa o ano passado. Mais tarde em Houston as partes puseram-se de acordo sob os pontos de divergência: identificação dos eleitores, acantonamentos das tropas da F. P. e de Marrocos, o repatriamento dos refugiados, a libertação dos detidos e a troca de prisioneiros.
Neste quadro a posição portuguesa deve orientar-se pela defesa dos interesses nacionais e simultaneamente por contribuir para a paz na região.
Os interesses nacionais impõem um elevado sentido de responsabilidade que, assente no respeito pelo princípio dos povos à autodeterminação, saiba ter em atenção todo o equilíbrio instável no Magrebe. Com efeito são antigas as dificuldades de relacionamento entre Argélia e Marrocos, assim como as relações entre a Líbia e a Tunísia. O embargo dos EUA imposto à Líbia agrava a tensão. Portugal só poder ter interesse num relacionamento estreito com todos estes países e com a Mauritania. Há nestes países produtos de que Portugal necessita, como é o caso do gás, do petróleo, do peixe, dos fosfatos e mercados. E há todo um vasto campo cultural a explorar. Assim sendo Portugal não pode comportar-se como se apenas existisse o interesse do monarca marroquino em toda a região. Só uma cegueira deste tipo explica que Portugal não tenha um relacionamento com uma das partes do processo, a F. P. , a qual existe por parte de outros países da Europa.
Portugal esteve, aliás, envolvido directamente na iniciativa da ONU com dois generais que comandavam as tropas da Minurso e tem vários polícias no terreno em cumprimento das tarefas para assegurar o referendum. Portugal esteve assim ligado ao processo revolucionário e deve salvaguardar um bom relacionamento com um eventual novo Estado na região, sendo por isso necessários sinais claros no sentido de encarar essa situação com toda a naturalidade e exigindo que assim seja encarado o referendum por parte de Marrocos , pois até agora ainda não declarou que aceitaria os resultados em caso de vitória da independência. Um bom relacionamento com todos os países do Magrebe é do interesse de Portugal, que forçosamente tem de ter em conta um futuro Estado no Sahara reconhecido pela ONU. E é pena que até hoje esta não tenha sido a posição portuguesa — Domingos Lopes

«Avante!» Nº 1273 - 23.Abril.98