18/07/2016

3.345.(18jul2016.7.7') Guerra Civil Espanhola...Guernica...

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18jul2016...80 anos depois
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Via Vitor Dias

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Quanto a mim, entre tantos outros, há um dado maior que basta para ilustrar o levantamento militar franquista como uma cruzada de extermínio e "purificação": 
o facto de, já depois da sua vitória militar em Abril de 1939, o franquismo ter executado cerca de 200.000 
republicanos.
Na sua obra «Autobiografia do General Franco», o escritor Vasquez Montalban declarava recusar-me terminantemente a baixar esse número.
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Os ditadores Salazar e Franco

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O AVANTE! E A GUERRA DE ESPANHA (1.ª parte)
No próximo dia 18 de Julho assinala-se o 80.º aniversário do início da guerra de Espanha, consequência da sublevação dos generais fascistas contra a República, o governo da Frente Popular e as profundas conquistas democráticas e progressistas que atingiram interesses e privilégios das classes dominantes espanholas, incluindo a Igreja Católica.
Uma guerra que durante três anos (1936-1939) devastou a Espanha, causou centenas de milhares de mortos e de refugiados, que conheceu inauditos crimes fascistas que assumiram o carácter de genocídio.
Uma guerra em que a luta heróica do povo espanhol e a solidariedade internacionalista que se desenvolveu em todo o mundo não foram suficientes para fazer frente à agressão imperialista e colonialista da Alemanha, Itália e Portugal, que acorreram em apoio da sublevação fascista, a que se juntou a Inglaterra, a França, os Estados Unidos e o Vaticano, de forma indirecta umas vezes e de forma directa outras vezes.
A derrota da República espanhola teve trágicas consequências não só para o povo espanhol, mas igualmente para os povos do mundo e naturalmente para o povo português: reforço do nazi-fascismo, crescentes limitações às liberdades, prisões e campos de concentração, centenas de milhares de refugiados, entrada acelerada na preparação de numa nova guerra mundial e a histeria anticomunista, como plataforma político-ideológica da guerra contra a URSS e à luta libertadora dos trabalhadores e dos povos.
Evocar a guerra de Espanha, não deixar esquecer as suas causas, consequências e responsáveis, é lutar pela preservação da memória histórica, não para a sua sacralização mas como fonte de ensinamentos para afrontar os problemas do presente e do futuro, ainda que o problema que hoje verdadeiramente se coloca seja o da luta pela recuperação da memória histórica, cada vez mais sujeita a intensas e insidiosas campanhas de revisionismo histórico.
Num quadro em que de novo cresce a ameaça fascista, o capitalismo se encontra mergulhado numa profunda crise, se limitam cada vez mais as liberdades democráticas, se reforçam os aparelhos repressivos, se multiplicam as guerras de agressão imperialista, se procede a uma corrida armamentista sem precedentes e o anticomunismo se torna na plataforma política-ideológica das forças da reacção, do grande capital e da social-democracia, contra o movimento dos trabalhadores e de libertação, devemos ter presente o que a história nos ensina: que crises agudas do capitalismo e fascismo se alimentam como irmãos siameses.
A teoria de que com a vitória da Frente Popular – uma coligação de forças políticas muito diversas apelidada pela reacção de «vermelha» – se estava perante a ameaça de surgir «uma Península Ibérica soviética dominada por Moscovo», não tinha qualquer fundamento, a não ser servir de véu para justificar a agressão contra a República e que Salazar usou abundantemente para justificar a pronta e depois reiterada intervenção em Espanha a favor da sublevação fascista.
«Na Declaração de Portugal às outras nações sobre a questão espanhola», a propósito da decisão (Maio de 1938) de reconhecer o governo de Franco, decisão ditada, dizia-se, pelo facto de o governo de Franco ser o único legítimo e «que já fez imperar sobre a maior extensão de Hespanha uma ordem honesta e humana» e também por razões de humanidade pois Portugal não podia pactuar com as «violências e infâmias de toda a ordem praticadas pelas hordas armadas comunistas». E, ainda, porque «A constituição de um bloco soviético, o desaparecimento do nome livre de Portugal está na doutrina e no Programa do comunismo».
E no entanto as preocupações com a evolução da Espanha, por parte das forças fascistas, dos centros do grande capital e do Vaticano, começaram muito antes da vitória da Frente Popular. Começaram com a implantação da República (Abril de 1931) e as transformações democráticas que se lhe seguiram, e, numa altura em que a Espanha era governada pela burguesia liberal democrática, o PCE tinha fraca expressão eleitoral e a Espanha nem sequer estabelecera relações diplomáticas com a URSS.
Numa conversa realizada no Vaticano (Dezembro de 1932) entre o secretário da legação portuguesa e o Papa Pio XI, este torna claro que via a Espanha como uma testa-de-ponte de Moscovo e que, por via disso, Portugal corria sérios riscos, pois tinha informações muito seguras «de que a propaganda bolchevista em Espanha (...) é paga e provém directamente de Moscovo». A conversa não termina sem que o Papa recomende que os seus avisos quanto aos perigos que Portugal corria fossem tomados em devida conta, aproveitando para desejar «os melhores votos pela prosperidade da nossa Pátria e do governo que a Providência escolheu para sua salvação.»
O PCP teve o mérito de, ainda muito antes da sublevação dos generais fascistas, ter denunciado na sua intervenção no XII Plenário da Internacional Comunista (1932) e nas páginas do Avante! estar em preparação uma agressão imperialista contra a República espanhola, tendo por centro a Inglaterra, a França e Portugal. No caso da Inglaterra e da França, para salvar os fortes interesses económicos que tinham em Espanha, no caso de Portugal, por razões de defesa do regime fascista.
E o facto de na agressão à Espanha, a Alemanha e a Itália, como países imperialistas, terem assumido papel preponderante não alterou a justeza das análises do PCP, que, fundamentadas num já profundo conhecimento da natureza do fascismo e dos processos de desenvolvimento mundial, repetidamente nas páginas do Avante! alertava para a necessidade de se considerar a situação em Espanha, como parte integrante de um problema mais geral: a preparação de uma nova guerra como saída para a crise do capitalismo.
A guerra de Espanha não foi, pois, um acidente de percurso. O avanço do fascismo no mundo, a sua ascensão ao poder de Estado em numerosos países, e em particular na Alemanha, com a subida de Hitler ao poder em 1933, o aumento dos perigos de uma nova guerra mundial despertou nas massas e em largos sectores progressistas a compreensão da natureza do fascismo e dos perigos que representava para os trabalhadores e os povos, compreensão que se transformou em unidade antifascista e em acção, cujos resultados mais significativos foram as vitórias das Frentes Populares em Espanha (Fevereiro de 1936) e em França (Abril de 1936) e consequentes derrotas das forças fascistas.
O AVANTE! E A GUERRA DE ESPANHA (2.ª parte)
A Espanha popular tornou-se, por factores vários, campo do grande confronto entre as forças da paz e da guerra, entre as forças do fascismo e do antifascismo internacional, entre o socialismo e o capitalismo.
Portugal fascista, que tinha funcionado como centro da conspiração contra a República espanhola, apoiou activamente desde os primeiros momentos a sublevação dos generais fascistas, apoio que se tornou decisivo para que a sublevação não tivesse sido esmagada logo no início. Apoio que se vai manter intensamente durante toda a guerra no plano militar, económico, diplomático e não pouco importante no plano da propaganda, quer no plano externo, quer no plano interno a favor da «causa nacionalista espanhola», utilizando meios diversos, com destaque para Rádio Clube Português.
Uma das inovações introduzidas pela guerra de Espanha, para além da cruzada em defesa da civilização cristã ter contado com a fortíssima intervenção de tropas islâmicas, a introdução de novas armas bélicas e novas tácticas militares, nas quais se inclui os bombardeamentos aéreos da população civil, foi a utilização da propaganda, em dimensões e meios de difusão – jornais, rádio, cinema, cartazes, folhetos, livros, fotografia, comícios – sem precedentes.
O salazarismo usou e abusou do recurso aos meios de propaganda, sobretudo a partir do triunfo da Frente Popular e do eclodir da guerra de Espanha.
O aparelho repressivo, nas suas múltiplas expressões, constituía o pilar central do sistema de segurança da ditadura fascista. Mas o domínio dos meios de difusão das ideias e da elaboração das próprias ideias, era igualmente considerado um importante pilar desse sistema.
Se havia alguém que tinha ideias muito definidas sobre a importância da luta ideológica, da criação de uma base social de apoio para a sobrevivência de qualquer regime, era Salazar.
As suas preocupações com o domínio da comunicação social manifestaram-se praticamente desde a ascensão ao poder. A Constituição de 1933 estabelecia a necessidade de controlar a liberdade de expressão – certamente escrito pelo punho de Salazar – a fim de «impedir preventivamente ou repressivamente a perversão da opinião pública da sua função social e salvaguardar a integridade moral dos cidadãos».
A ideia de salvação da mente das massas das ideias consideradas perniciosas, vai ser uma questão recorrente no regime fascista.
É igualmente de Salazar a afirmação de que o jornal ao ser «o alimento espiritual do povo deve ser fiscalizado como todo o alimento», tornando necessário criar uma espécie de ASAE para a fiscalização dos «alimentos espirituais»: a censura, a qual se tornará omnipotente na sua função não só de impedir a difusão de tudo o que não fosse conforme à ideologia fascista, mas também com a função de assegurar o carácter inquestionável da política fascista.
A propaganda do regime assentava numa extensa rede de meios de difusão como jornais, revistas, cinema, cartazes, folhetos, exposições, comícios, etc., propaganda fortemente centralizada e unificada quanto aos seus conteúdos pelo Secretariado de Propaganda Nacional, criado em 1931. O SPN, dispondo de um orçamento colossal – mais de 1 milhão de euros (valores actuais) –, além de produção de propaganda própria, «encharcava» a vasta rede de meios de comunicação por si produzida e de meter na ordem os pouco colaborantes.
Durante a guerra de Espanha a propaganda subiu exponencialmente, tendo como missão defender a acção dos franquistas – sempre considerados patriotas, humanistas, bons filhos de Deus e da Igreja Católica –, e encobrir ou desmentir o cometimento de crimes pelos «nacionalistas». Uma propaganda que contrapunha, sistematicamente, o caos em que os comunistas mergulharam a Espanha, ao paraíso que era Portugal devido a Providência ter presenteado o país com Salazar.
Uma propaganda de intensa carga ideológica na difusão dos princípios basilares do fascismo, de exaltação do chefe (da autoridade), e, simultaneamente, marcada por um anticomunismo primário que, pelos conteúdos e formas de expressão, assumia o carácter de autêntico terrorismo espiritual dirigido à população em geral e mesmo às hostes fascistas.
Num documento elaborado pela Comissão Executiva da União Nacional, designado «Plano de Propaganda e Combate às ideias comunistas» e dirigido aos presidentes da comissões distritais da União Nacional (Abril de 1936), para além das referências aos perigos que corre a «Revolução Nacional» pela «excitação produzida pelos acontecimentos internacionais» e a necessidade de respostas enérgicas em matéria de propaganda anticomunista, a ser dirigida prioritariamente a sectores não afectos ao regime e em particular operários, avisa-se que os perigos devem ser tomados a sério, pois: «não deve haver ilusões. Está em jogo o futuro da Revolução Nacional, o próprio futuro de V. Ex.ª e de todos os seus».
Só a enumeração das caracterizações do comunismo e do que classificavam ser os seus hediondos crimes, projectos e práticas, dos ataques à pátria, à propriedade, à família, à religião, etc., encheriam numerosas páginas.
Os comunistas por negarem o conceito de pátria, por estarem ao serviço de uma potência estrangeira, deixavam de ser portugueses (na melhor das hipóteses não eram bons portugueses) pelo que deveriam ser considerados como inimigos que era preciso combater como qualquer invasor. E deveriam igualmente ser combatidos por serem inimigos de Deus e da Igreja. Um combate que assumia o carácter de cruzada porquanto a guerra que se travava era entre os «sem Deus» e «a cidade celeste dos filhos de Deus». (continua)
Por Domingos Abrantes, O Militante!
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25out2009

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Guernica
ou o manifesto político de P. Picasso
por Ângela Veríssimo
Um dos quadros que melhor transmite todo o desespero advindo da guerra é o intemporal Guernica de Pablo Picasso, fazendo plena justiça à expressão "uma imagem vale por mil palavras". No início de mais um ano, quase no fim do milénio, aqui neste cantinho do Mundo Ocidental, é tempo de pensar no outro Mundo, cujos povos vivem em palco de guerra, e para os quais nada resta senão esperar por dias de paz.

Picasso não tinha sido muito afectado pela I Guerra Mundial e só com a Guerra Civil Espanhola se interessou por política, tornando-se vivamente solidário com os republicanos. As fotografias que aparecem na imprensa no ínicio de Maio de 1937 relativas ao bombardeamento de Guernica (antiga capital do País Basco) em 36 de Abril tocam-no profundamente. Passado pouco mais de um mês e após 45 estudos preliminares, sai do seu atelier de Paris o painél Guernica (3.50x7.82 m) para ser colocado na frontaria do pavilhão espanhol da Exposição de Paris de 1937 dedicada ao progresso e à paz.
Rapidamente o painél se transforma num objecto de protesto e denúncia contra a violência, a guerra e a barbárie: "O quadro converte-se numa manifestação da cultura na luta política, ou melhor dizendo, no símbolo da cultura que se opõe à violência: Picasso opõe a criação do artista à destruição da guerra"(1).
Donde vem a genial monumentalidade que faz de Guernica uma obra tão singular? Na minha opinião, o seu poder advém da carga emotiva que possui. Efectivamente, o painél não representa o próprio acontecimento, o bombardeamento de Guernica, mas "evoca, por uma série de poderosas imagens, a agonia da guerra total"(2), chegando a constituir uma visão profética da desgraça da guerra que nos ameaça hoje e que nos ameaçará no próximo século que segundo S. Huntington "se caracterizará por muitos conflitos de pequenas dimensões"(3), devido em grande parte à existência, na actualidade, de mais de meia centena de estados fragéis e desintegrados. De facto, a destruição de Guernica foi a primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde empregue na II Guerra. Picasso já em fase pós-cubista, consegue aqui tornar o acto pictórico na narração objectiva da ideia que formou perante o acontecimento e da emoção que sentiu. Com ele,"a pintura carrega consigo o seu património de experiências emocionais" deixando de ser "um ideal abstracto de beleza formal ou de representação lírica da aparência vísivel"2. Citando o artista: "Quando alguém deseja exprimir a guerra, pode achar que é mais elegante e literário representá-la por um arco e uma flecha, que de facto, são estéticamente mais belos, mas quanto a mim (...) utilizaria uma metralhadora"(4).
Tecnicamente tudo em Guernica contribui para a transmissão de emoções avassaladoras a começar pelo uso da técnica de "collage" de que Picasso e Braque tinham sido pioneiros em 1911-12 e que o primeiro aqui retoma, já não "colando" objectos na superfície do quadro mas pintando como se fizesse colagens; com este Cubismo de Colagens cria-se um conceito de espaço pictórico radicalmente novo não criado por nenhum artifício ilusionista mas pela sobreposição dos "recortes" planos, neste caso especifíco em tons de preto e cinzento atravessados por claridades brancas e amareladas, numa total ausência da cor, inexoravelmente evocativa da morte.
A par disso, Picasso recorre a formas dramáticas, violentas, a fragmentações e metamorfoses anatómicas que se por um lado criam figuras que não aderem a nenhum modelo "real", por outro exprimem toda a realidade e agonia da dor insuportável. A comprovar isso atente-se nas várias figuras que o pintor representa neste quadro que aparentemente livre, obedece contudo a um rigoroso esquema em termos de construção (imagine-se a tela dividida em 4 rectângulos, com um triângulo cujo vértice corresponde ao eixo vertical que a divide em duas partes iguais): a mãe chorando a morte do filho (descendentes da Pietà...) e o ameaçador touro de cabeça humana, no 1º rectângulo, o "olho" luminoso do candeeiro que derrama uma luz inóspita (no 2º), a mulher com a lâmpada na mão recordando-nos a Estátua da Liberdade
(no 3º) e o homem que em desespero levanta os braços ao céu (no 4º). Repare-se ainda no cadáver empunhando a espada partida (um emblema da resistência heróica) e o cavalo ferido que aparecem no referido triângulo. O cavalo é à semelhança do touro uma figura saída da mitologia espanhola; representa o povo que agoniza sob o jugo opressor do touro, símbolo da brutalidade, das forças do mal.
Hoje, olhar para Guernica é partilhar o horror que Picasso sentiu há 59 anos perante as imagens da destruição da povoação. Por isso, aqui vai um desejo para o novo ano: que em 1996 tratados como os de Dayton não fiquem pelo papel e que haja sempre um pensamento na mente dos homens: GUERNICA NUNCA MAIS!
(1) in "Entender a Pintura", suplemento nº 2 da revista "Artes & Leilões", tradução de Margarida Viegas. (continuar)
(2) H. W. JANSON: "História de Arte", 4ª Edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 1989. (continuar)
(3) CARDOSO,José: "O Terror Supremo", REVISTA do Expresso, 23 de Dezembro de 1995. (continuar)
(4) SECKLER, J.:"New Masses", 3 de Julho de 1945, citado em "Entender a Pintura", suplemento nº 2 da revista "Artes & Leilões", tradução de Margarida Viegas. (continuar)