07/08/2016

8.562.(7aGOSTO2016.meio-dia) Os anti-comunistas primários falam em milhões de mortos do comunismo

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O PCP
avante
19jan2016
http://www.avante.pt/pt/1677/internacional/12693/
Anticomunistas querem rescrever a história
«Vergonha!»
O Conselho da Europa prepara-se para aprovar um documento no qual condena os supostos «crimes» do comunismo e algumas das mais importantes experiências e conquistas da humanidade.
Por proposta do relator da comissão das questões políticas do Conselho da Europa, o sueco Göran Lindblad, o organismo prepara-se para aprovar, na reunião que decorre entre os dias 23 e 27 de Janeiro, um documento que tem como objectivo criminalizar os comunistas, a sua ideologia e as conquistas e experiências alcançadas durante o século XX.
Em resposta a esta provocação, com data agendada para o próximo dia 25 de Janeiro, Mikis Theodorakis considerou que tal atitude revela uma despudorado anticomunismo militante.
Abaixo traduzimos o artigo que o compositor grego publicou no seu sítio da Internet, em http://en.mikis-theodorakis.net .
«O Conselho da Europa decidiu alterar a história. Pretende deformá-la confundindo os agressores com as vítimas, os criminosos com os heróis, os conquistadores com os libertadores, os nazis com os comunistas. Considera que os maiores inimigos do nazismo, isto é, os comunistas, são criminosos. Iguala-os, inquieta-se e protesta porque, dizem, ao passo que os hitlerianos foram condenados pela comunidade internacional, tal não se passou com os comunistas, pelo que propõem que esta condenação seja aprovada na sessão plenária da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, que decorre entre os próximos dias 23 e 27 de Janeiro.
O que inquieta o Conselho da Europa é que “a consciência pública contra os crimes cometidos pelos regimes comunistas é muito débil”, e que “os partidos comunistas são legais e activos em alguns países sem que, em certos casos, se tenham distanciado desses crimes”.
Por outras palavras, o Conselho da Europa antecipa-se anunciando a perseguição futura dos comunistas europeus que não fizeram nenhuma declaração de arrependimento como a que exigiram, no seu tempo, os carrascos da Gestapo e os torturadores de Makronisos.
Quem sabe se amanhã não decidirão ilegalizar os partidos comunistas e entreabrir a porta para que regressem os fantasmas de Hitler e Himmler, os quais, como se sabe, começaram as respectivas carreiras proibindo os partidos comunistas e encerrando os seus militantes e activistas em campos de morte.
Estes nazis afogaram-se no sangue das suas próprias vítimas, os 20 milhões de mortos da União Soviética e as centenas de milhar de comunistas que deram a vida encabeçando movimentos de resistência nacional, tanto na Grécia como noutros países da Europa.
Mesmo nos seus desejos de restaurar métodos condenados pela consciência histórica dos povos, as “excelências” do Conselho da Europa chegam tarde, uma vez que foram precedidos pelo “grande irmão”, os EUA, que massacram populações inteiras com os seus métodos hitlerianos, como no Iraque, país que reduziram à ruína, atulhando-o de prisões onde se torturam de maneira abominável milhares de inocentes.
Perante este crime contra a humanidade – como em face do campo hitleriano de tortura moderna, em Guantanamo – o Conselho da Europa nada tem a dizer. Assim, como é possível acreditar que se preocupam com os Direitos do Homem quando, em sua própria casa, a Europa, pactuam com o trânsito de aviões da CIA que transportam pessoas privadas de qualquer direito para serem torturadas em cárceres especiais?
Estes “cidadãos” não podem ser acusadores. A justiça histórica tratará de os julgar e condenar pelos inúmeros crimes do seu “grande irmão”, por terem sido cúmplices e tolerantes perante crimes como os que ocorreram no Vietname, no Chile ou no Iraque.
Desgraçadamente, sou hoje obrigado a falar mais nos mortos que nos vivos. Em nome dos meus camaradas, dos comunistas mortos, dos que passaram pela Gestapo, pelos campos da morte e de execução lutando sempre pela liberdade contra o nazismo, outra palavra não me ocorre dizer a tais “excelências” do Conselho da Europa senão: Vergonha!».
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Correia da Fonseca no Avante

http://www.avante.pt/arquivo/1251/5103j1.html
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José Casanova
19nov1998...avante:
http://www.avante.pt/arquivo/1303/0303h2.html
O livro negro de Courtois & Cia.
Por JOSÉ CASANOVAMembro da Comissão Política

Com o aparato mediático adequado às circunstâncias, chegou de Paris a cègada do "Livro negro do comunismo". Encabeçada pelo seu coordenador-mor - um tal Stephane Courtois, óbviamente "especialista na história do comunismo" - a carnavalesca função, cumprindo a tarefa de que estava incumbida , fartou-se de reinar : repetindo o espectáculo que já havia dado noutros países, correu quase tudo quanto se diz ser órgão de informação e o coordenador Courtois foi "entrevistado" à maneira, dando azo a que fossem produzidas mais algumas páginas negras dos negros tempos que vive a comunicação social actual. A cègada contou com uma claque local de se lhe tirar o chapéu e donde emergiam, aguerridos e belicosos, os consagrados Pacheco Pereira e Zita Seabra.
A Courtois e à sua troupe coube a tarefa de sentar o comunismo e os comunistas, globalmente, num banco de réus fabricado não sei se na França se nos EUA. Ao inevitável Pacheco foi distribuído o honroso e duplo encargo de repetir globalmente Courtois e de condenar, particularmente, os comunistas portugueses - encargo que ele, qual Dupont, na primeira parte da prestação e qual Silva Caldeira (no Plenário da Boa Hora), na segunda -cumpriu exemplarmente, como é seu timbre. Assim ascendeu Pacheco à altura historiográfica "do Stephane", como ele costuma chamar-lhe, colegas que são nas comuns andanças de falsificação da História como pode comprovar quem se der ao trabalho de ler as revistas gémeas que deram à luz :"Communisme" e "Estudos sobre o comunismo".
Courtois e Pacheco fazem parte de uma leva de estoriadores especialistas na fusão da investigação histórica com as mais modernas técnicas de publicidade. Ao que tudo indica contando com poderosos apoios e, como é visível, dispondo de fácil acesso à comunicação social dominante, se mais resultados não obtêm é porque a História, essa ingrata, não os ajuda. Observando esta mancha de "especialistas na história do comunismo" que, nos últimos anos, tem alastrado pelo mundo, pergunto-me se, entre eles, há algum que não tenha sido, antes, comunista ou esquerdista, se há algum que não seja vira-casacas, arrependido, ex..."ex-pecadores" e "peritos", como lhes chama Chomsky - peritos cujo destaque se deve essencialmente à utilidade que têm para quem os quer, e por isso os nomeou, "peritos"...
Este "livro negro" parece ter origem na necessidade (sentida por quem, eventualmente, o encomendou a Courtois e a outros Pachecos) de criminalizar o comunismo, e os comunistas - objectivo que, se alcançado, teria ainda a suprema vantagem de passar uma esponja sobre os crimes passados, presentes e futuros do capitalismo. Para isso, há que reconhecer que Courtois & Cia. seguiram o melhor caminho, a saber: o de, sempre negando que o estão a fazer, procurar comparar e identificar comunismo e nazismo a partir da comparação entre o número de mortos resultante do nazismo e o que, segundo as "estimativas pessoais" de Courtois, é da responsabilidade do comunismo. Mas tantas e tão grandes são as dificuldades em bem cumprir a tarefa que se veem em palpos de aranha para a levar a bom termo.
Assim, Courtois, sublinhando incisivamente que não é seu propósito fazer tal comparação, confessa que "os factos são teimosos" (...) "e mostram que os regimes comunistas cometeram crimes que "(segundo as suas "estimativas pessoais") "afectaram 100 milhões de pessoas" (ou, melhor dizendo:"cerca de 100 milhões"; ou, dizendo com mais rigor: entre 60 e 100 milhões; ou, mais precisamente...) "contra os cerca de 25 milhões do nazismo". Na deslizante "estimativa pessoal" de Courtois cabe tudo o que a Courtois interessa que caiba: pode dizer-se que, para ele, o comunismo é responsável por práticamente todas as mortes ocorridas desde 1917 em todo o mundo - exceptuando, para poder ter um termo de comparação, os 25 milhões de vítimas do nazismo. O estoriador inclui nas "vítimas do comunismo", por exemplo, todas as mortes ocorridas em Angola e na Nicarágua(incluindo as vítimas do terrorismo da Unita e dos Contra); todos os mortos do Cambodja (incluindo as vítimas de Pol Pot apoiado pelos EUA e as que resultaram do derrube de Pol Pot pelos vietnamitas...); os milhões de pessoas que morreram de fome em resultado da agressão externa organizada contra a Revolução de Outubro; e estou em crer que a "estimativa" de Courtois inclui igualmente todos os que, honrando a sua condição de comunistas, morreram lutando pela liberdade e pela democracia - quem é que os mandou ser comunistas, lutar por uma sociedade nova, combater a tirania e a opressão, não é verdade?...
Enquanto isso, Pacheco, este original Dupont português, interroga-se: "Há diferenças entre comunismo e nazismo?"e, sempre courtoismente original, responde-se: "sim", mas trata-se de diferenças "comparáveis"...A verdade de Pacheco é que "o comunismo matou mais que o nazismo" pelo que "o Stephane" tem carradas de razão ao expressar o seu protesto pelo facto de não ter havido ainda um tribunal de Nuremberga para julgar os comunistas.
Definindo como "genocídio de raça" e "genocídio de classe" "os crimes cometidos pelo nazismo e pelo comunismo", respectivamente, Courtois estabelece a equivalência entre ambos considerando que os dois são filhos das malvadas "ideologias". E o impagável Pacheco complementa profundamente o profundo pensamento do Dupond francês: "De 1917 até hoje, a experiência das ideologias foi essencialmente a do comunismo e do nazismo". Ou seja: ideologia capitalista é coisa inexistente o que dá um jeitão aos consagrados estoriadores na medida em que ficam dispensados de, como a honestidade intelectual lhes impunha, culpabilizar o capitalismo pelos seus crimes, pelos milhões e milhões e milhões de mortos de que é responsável nos vários séculos da sua existência e nos quais devem ser incluídos os crimes do nazismo nas várias expressões que assumiu. E a história de cada país é, como sabemos, um livro negro do capitalismo.
Assim sendo, ficam igualmente com as mãos livres, embora sujas, para estabelecer a comparação que mais interessa aos seus desígnios e fugir à única comparação possível de considerar nestas circunstâncias: a comparação entre comunismo e capitalismo.
Divertida é a incontida irritação dos assanhados estoriadores pelas "incompreensões" de que são vítimas. Desgosta-os e enerva-os o facto de "os crimes hitlerianos" terem o eco que têm na opinião pública mundial enquanto que, e por mais voltas que dêm, "os crimes comunistas" não gozam de tal eco. Porquê?, perguntam-se os tristes. E, não encontrando resposta nova para a cruel pergunta, ei-los recorrendo, mais coisa menos coisa, vejam bem!, ao arsenal argumentativo dos hilariantes tenores salazaristas ... Pacheco, talvez por efeito de menor traquejo em relação a Courtois, ainda tenta uma explicação: "Raras vezes foi a direita que históricamente denunciou a dimensão e o significado dos crimes do comunismo" - mas fica-se por aqui, talvez por lhe ter acudido a ideia de que, à direita, mais do que ser ela a cumprir esse papel lhe interessa que ele seja cumprido por ex-comunistas e ex-esquerdistas... (Afinal para que é que servem os pachecos e os courtois se não para isso?...). No entanto, estrebuchando ainda um desesperado lamento, pergunta-se por que razão é que, por exemplo, a palavra "antifascista" é "entendida como uma medalha" e a palavra "anticomunista" é "entendida como um anátema". E indignado com tamanha incompreensão das gentes, saca outra ocorrência exemplar lembrando "a tempestade" que Reagan provocou quando chamou à URSS "o império do mal"... e é já no meio de gritos e soluços convulsivos, e arrancando mãos cheias de pelos das suas brancas barbas que, sem perceber nada de nada, geme este gemido lúgubre: "Tivesse ele assim falado do nazismo haveria alguém que não o congratulasse?". Haveria - permito-me responder - haveria, pelo menos, o puro , o impoluto, o indefectível Pacheco.
Os autores globais e os divulgadores locais desta coisa abjecta que dá pelo nome de "Livro negro do comunismo" sabem que estão envolvidos num vergonhoso processo de falsificação da História que visa ilibar os crimes do capitalismo através da vergonhosa equivalência que estabelecem entre comunismo e nazismo.
Sem dúvida, em nome do comunismo foram cometidos crimes que os próprios comunistas não se eximem de condenar - crimes que representam, contudo, uma diferença substancial entre comunismo e capitalismo, seja qual for a expressão que este assuma: é que, enquanto no comunismo, os crimes resultaram de preversões e de afrontamentos dos valores e dos ideais que impulsionaram a luta generosa e abnegada de milhões de militantes comunistas - no capitalismo (seja qual for a expressão que assuma, repito), a opressão, a exploração, o crime constituem essência do próprio sistema.
Se a URSS e o seu Exército Vermelho tivessem sido derrotados na 2ª Guerra Mundial, a Europa e possivelmente o Mundo viveriam hoje sob a pata nazi. E se assim fosse, nós, comunistas, estaríamos no lugar que nos compete: lutando pela democracia, pela liberdade, pelos direitos do homem - e certamente constituindo alvos preferenciais dos courtois, dos pachecos & cia.

«Avante!» Nº 1303 - 19.Novembro.1998 
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1 texto com muitas contradições

Por que você está equivocado sobre o comunismo: 7 grandes erros que as pessoas cometem sobre ele –e sobre o capitalismo

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/03/7-erros-que-voce-comete-quando-fala-em-comunismo-e-capitalismo.html
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http://apaginavermelha.blogspot.pt/2011/02/historia-afinal-quantos-milhoes-o.html

sexta-feira, fevereiro 18, 2011


HISTÓRIA: Afinal, quantos milhões o "comunismo" matou?

História

Afinal, quantos milhões o "comunismo" matou?
Por Vladimir Tavares


Desde muito jovens muitos são aqueles que ouviram falar de "milhões de vítimas do comunismo". Traduzindo uma campanha terrorista muito bem orquestrada, livros, filmes, sites, documentários, matérias jornalísticas, revistas e outros meios de comunicação impõem à população o anticomunismo como ideologia dominante, um dogma de fé inquebrantável e inconteste, uma espécie de "verdade eterna e absoluta", algo que, segundo F. Engels, filósofo alemão existe apenas para "as bestas e os charlatões".

O mito dos "milhões de mortos do comunismo", entretanto, carecem de uma premissa básica da acusação, diccere et non probare est non diccere, isto é, dizer algo e não prová-lo, é como nem dizê-lo, e, assim, eles carecem de algo essencial: provas. Não fosse o absurdo dos números, nitidamente oriundos da "imprensa amarela"(para usar o termo original cunhado por seu pai, William Hearst), há ainda a famosa técnica de Goebbels, de repetir uma mentira até que ela se torne verdade. O grande problema dos anticomunistas, além do ridículo dos números, que refletem seus surtos psicóticos, é que eles mesmos se contradizem entre si.

Pesquisa de Marcelo Ricardo e Cristiano Alves comprovam o ridículo dos "milhões de mortos do comunismo", que, sob o crivo de "historiadores" que mais parecem ex-toreadores, ganharam alguma força nas academias, publicações enciclopédicas e na ideologia burguesa de uma forma geral.

- O "comunismo" matou entre 1 e 3 milhões
CONQUEST, Robert. The Harvest of Sorrow. Citado em http://www.battleswarmblog.com/?tag=robert-conquest

- O "comunismo" matou 20 milhões
MONTEFIORE, Simon Sebag. Stalin: The Court of the Red Tsar. pp. 649

- O comunismo matou 45 milhões
Por Frank Dikotter, citado em http://www.battleswarmblog.com/?tag=robert-conquest

- Esquerda matou 100 milhões

- Esquerda matou 110 milhões

- Esquerda matou 180 milhões

- Esquerda matou 200 milhões

- Esquerda matou 300 milhões
Além do blog do Noblat, site Terra, sites neonazistas, A Verdade Sufocada do coronel Ustra...


Como fica evidente, nem mesmos os anticomunistas entram em acordo entre si, além de não terem quaisquer dados estatísticos, contam corpos como quem conta nota de 3 reais. É possível dar alguma credibilidade aos autores que seguem esta linha historiográfica?

É um fato universalmente aceito que a Revolução Russa de 25 de outubro(7 de novembro) de 1917 produziu um número muito baixo de mortes, menos do que aquelas demonstradas no filme "Outubro", de Sergey Einsenshtein, muito menos mortes do que a Revolução Francesa, de 1789 ou a Revolução Americana de 1776. A guerra civil, entretanto, produziu um número de cerca de três milhões de mortos, uma vez que se tratou da intervenção de quatorze países imperialistas contra a Rússia bolchevista. Alegar que "o comunismo matou" pessoas que foram em realidade mortas pelos interventores, assim como a fome resultante dessa guerra, é uma alegação indigna de qualquer credibilidade.

Este é o funcionamento do "catecismo anticomunista", tão verdadeiro quanto notas de três reais. O curioso é que mesmo com o "fim do comunismo" não apregoado pela ideologia dos exploradores do povo, a cada ano aparecem novas "vítimas do comunismo", sempre na ordem de milhões, 5, 10, 20... Não é de se admirar se dentro de 10 ou 20 anos, quando o século XX já terá sido esquecido pelas novas gerações, encontrarmos livros falando em "500 milhões" ou "1 bilhão" de vítimas do comunismo. Há ainda casos clássicos como o da China, que é sempre "comunista", quando se trata de criticá-la, porém "capitalista" na hora de elogiá-la.

Assim é a desonestidade da propaganda anticomunista, absurda para qualquer pessoa racional, mentirosa, frente às estatísticas e impossível, frente à demografia populacional. Denunciar a farsa anticomunista, ideologia nefasta e terrorista, é uma tarefa importante para todos aqueles que defendem uma sociedade livre, democrática e racionalista, que condenam a ignorância e o medievalismo inquisitório de propagandistas.