Nasceu 4feVER1881...Figueira da Foz
e morreu a 25ouTUbro1960
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Seu pai, Visconde da Marinha Grande...
Enquanto escritor, publicou obras relevantes em diferentes vertentes, tais como:
poética, educacional, crítica literária, relações Portugal
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Brasil, dentre outras. No campoda poesia destacam-se:
Versos (1897), Algas (1898),Terra Florida (1909), Anteu (1912) e
Sísifo (1924). No debate sobre a questão educacional: A Escola e o Futuro (1908), A Reforma da Instrução Pública (1911), A
República e a Escola (1914), Educação Republicana e Educação e Democracia (1916).
Sobre a literatura: O Povo na Literatura Portuguesa (1931), Pequena História da Poesia Portuguesa: esboço da sua
evolução (1941) e Presenças Eternas (1943). Contribuiu, ainda, ao fazer adaptações de clássicos da literatura para
crianças, tais como: Os Lusíadas Contados às Crianças e Lembrados ao Povo (1930), A Odisseia de Homero (1933); Viriato
Trágico (1940), A Eneida de Virgílio...
Rogério Fernandes teceu as seguintes considerações:
“João de Barros foi uma das figuras de maior projecção durante a
Primeira República, na esfera das questões educacionais, sobretudo
nos sectores do ensino primário e secundário. Os livros que publicou
sobre a matéria e as responsabilidades públicas que assumiu nesse
domínio, devido aos cargos oficiais que ocupou no respectivo
Ministério, tornaram a sua obra e a sua acção num documento
significativo de uma das épocas mais importantes e decisivas da
História da Instrução Pública no nosso País” (idem: 12).
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Após assumir o cargo, o pedagogo tomou algumas medidas importantes, dentre as quais: a abolição do ensino religioso nas escolas primárias e normais primárias, o apoio à ação alfabetizadora das escolas móveis
http://www.uniube.br/eventos/epeduc/2015/completos/73.pdf
e a criação de estações escolares ao ar livre
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Amanhã,
ocorre o 50.º aniversário da morte de João de Barros, pedagogo
republicano, poeta e pioneiro da aproximação luso-brasileira.
Nascido na
Figueira da Foz em 1881, formou-se em Direito na Universidade de
Coimbra. Cedo enveredou pela carreira docente, sendo professor de
Português e Francês em vários liceus: Coimbra, Porto e Lisboa.
Distinguiu-se, sobretudo, como pedagogo associado ao movimento da Escola Nova e às reformas republicanas da Educação.
Afastado
da vida política pela Ditadura, instituída na sequência do golpe militar
de 1926, e pelo Estado Novo, ardilmente edificado por Oliveira Salazar,
manteve-se, no entanto, toda a vida fiel aos princípios republicanos e
democráticos.
Participou
em várias manifestações da Oposição. Em 1945, aderiu ao Movimento de
Unidade Democrática. Apoiou as candidaturas à Presidência da República
de Norton de Matos e Humberto Delgado. A partir de 1952, no Diário de
Lisboa, tanto quanto lhe foi permitido pela Censura, continuou a sua
doutrinação pedagógica em prol da educação como factor de progresso
social e civilizacional.
Morreu em Lisboa a 25 de Outubro de 1960. O Diário de Notícias
da Madeira noticiou o seu falecimento na primeira página, apresentando
breve resenha da sua vida e obra e exaltando a sua qualidade de «grande
democrata».
Um homem novo
Em 1907,
como bolseiro, João de Barros, acompanhado por João de Deus Ramos,
empreendeu, durante quase um ano, uma viagem de estudo com fins
pedagógicos a Espanha, França, Inglaterra e Bélgica. A visita a
reputados estabelecimentos de diversos graus de ensino permitiu-lhe
conhecer experiências pedagógicas inovadoras. De salientar a sua
presença na Institución Libre de Enseñanza, onde leccionava Alice Pestana (1860-1929), de ascendência madeirense, com quem manteve relações de amizade.
Do relatório desta missão nasceu o livro A Escola e o Futuro: notas sobre Educação,
publicado em 1908. Nesta obra, deu conta das impressões e ensinamentos
da viagem pedagógica que realizou. Igualmente, desenvolveu a ideia de futuro,
com novos homens, novos cidadãos: uma humanidade mais perfeita, «capaz
de viver no futuro, sem o peso dos nossos preconceitos, dos nossos
sentimentos, das nossas ideias».
O
educador, por conseguinte, não deveria «dar ao Futuro almas do passado,
almas como as nossas, vivendo do que já viveu, tremendo do que já não
existe: – mas energias livres, indomadas, virgens – e aptas a tornar
mais belas, e mais intensas e mais complexas as ideias, as lutas, as
ambições desse Futuro, que há-de ser o seu presente.»
João de
Barros preconizava uma educação integral – uma educação nova – que
possibilitasse o desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades e
todas as energias da criança.
Condenava o jesuitismo, que ainda dominava o ensino, originando meninos prodígios que depois se transformavam em «homens sem inteligência, sem iniciativa, sem amor ao estudo e ao trabalho».
Defendia, portanto, a escola laica com uma educação capaz de criar um homem novo,
com bom desenvolvimento físico e moral (moral laica), com competências
para o exercício da cidadania, orientada pelos princípios republicanos
da Liberdade, Igualdade e Solidariedade.
Para João de Barros, o homem novo
era o cidadão republicano que havia beneficiado da educação integral:
um cidadão trabalhador, feliz, patriota, de carácter progressista, bom,
solidário, altruísta, ou seja, dotado de um conjunto de elevadas
virtudes, que a utopia do seu ideário pedagógico comportava.
Em 1909, publicou o folheto João de Deus, o único educador nacional
que apresentara como comunicação no II Congresso Pedagógico, promovido
pela Liga Nacional de Instrução em Abril desse ano. Neste estudo,
sustentava que a Cartilha Maternal constituía uma base para a
remodelação geral do sistema de ensino, acentuando a forte relação entre
o professor e o método: «se não há bons métodos sem bons professores,
não há também bons professores sem métodos bons».
Estes dois
trabalhos colocaram João de Barros «no âmago da batalha republicana
pela escola», segundo a feliz expressão do saudoso Professor Rogério
Fernandes (1933-2010).
João de Barros e a República
Dez dias
depois da implantação da República em Portugal, João de Barros foi
chamado a integrar uma comissão que haveria de elaborar o Regulamento
para a instrução militar preparatória. Esta seria uma das várias
missões, no domínio da Educação, que desempenhou em diferentes governos
da I República, desde chefe de repartição, a secretário-geral ou
director-geral do Ministério da Instrução Pública.
Contudo, o
seu nome e o de João de Deus Ramos ficaram, sobretudo, ligados à
Reforma da Instrução Primária de 29 de Março de 1911, arquitectada de
forma ideal, mas longe de ser cumprida.
No Preâmbulo deste diploma, pode ler-se:
Educar uma sociedade é fazê-la progredir, torná-la um conjunto harmónico e conjugado das forças individuais, por seu turno desenvolvidas em toda a plenitude. E só se pode fazer progredir e desenvolver uma sociedade fazendo com que a acção contínua, incessante e persistente da educação, atinja o ser humano sob o tríplice aspecto: físico, intelectual e moral.Portugal precisa de fazer cidadãos, essa matéria-prima de todas as pátrias e, por mais alto que se afirme a sua consciência colectiva, Portugal só pode ser forte e altivo no dia em que, por todos os pontos do seu território, pulule uma colmeia humana, laboriosa e pacífica, no equilíbrio conjugado da força dos seus músculos, da seiva do seu cérebro e dos preceitos da sua moral.
Apesar de
João de Barros e João de Deus Ramos terem acusado o ministro António
José de Almeida de publicar no Diário do Governo um decreto diferente da
sua proposta, e que havia sido já discutida e aceite, verdade é que, na
sua essência, este preâmbulo tal como as disposições legais revelam o
pensamento dos seus autores, no que diz respeito à instrução primária.
O Decreto
de Março de 1911 regulava ainda os ensinos infantil e normal. Para o
ensino primário, foram definidos três escalões, sendo o elementar, com a
duração de três anos e sujeito a exame final, obrigatório e gratuito
para ambos os sexos, o que constitui uma medida notável na implementação
da instrução pública no nosso país.
Na bibliografia do nosso autor, é de salientar A Nacionalização do Ensino (1911), A República e a Escola (1914), Educação Republicana (1916) e Educação e Democracia
(1916), obras fundamentais para a compreensão da pedagogia democrática e
republicana. Mas igualmente, há que ter em conta a sua colaboração na
revista A Escola Nova, da qual foi redactor, e Atlântida, que fundou com João do Rio (Paulo Barreto), bem como a sua ligação ao movimento Renascença Portuguesa (jornal Vida Portuguesa e revista A Águia) e ao grupo da Seara Nova.
De acordo
com João de Barros, a República tomou a educação e a instrução como
«duas bandeiras de batalha», porque tinha consciência de que «sem
instruir as novas gerações, dentro dum critério republicano, que seja ao
mesmo tempo um critério pedagógico, ninguém poderá garantir o futuro da
República e da Pátria.»
Para as crianças e o povo
Finalmente,
e no âmbito das suas preocupações pedagógicas, em especial a promoção
da leitura e o combate ao analfabetismo, é justo mencionar o empenho de
João de Barros na divulgação de obras clássicas, em adaptações para a
infância, a juventude e o povo, como Os Lusíadas, A Odisseia, A Ilíada e A Eneida,
com sucessivas edições desde a década de 1930 até à actualidade. Com
idênticas preocupações, publicou também uma adaptação livre das Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.
Diário de Notícias, Revista Mais,
Funchal, 24-30 de Outubro de 2010, pp. 20-21
https://passosnacalcada.wordpress.com/2010/10/24/joao-de-barros-pedagogo-republicano/***